terça-feira, 16 de março de 2010

"ALINHAMENTO À ESQUERDA"

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O novo layout da política brasileira perfilou, durante a gestão lulista, um claro e contundente alinhamento ideológico à esquerda, bem na linha de governos anti-americanos, como da Bolívia de Evo Morales, Venezuela de Hugo Chávez, Equador de Rafael Correa, Cuba dos irmãos Castro, República Dominicana de Leonel Fernández, Nicarágua de Daniel Ortega, Paraguai de Fernando Lugo e do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, sem citar outros. Este novo paradigma, infelizmente, parece que não exerga práticas terroristas, ditatoriais e criminosas, de repressão violenta contra opositores políticos e de desprezo à liberdade de consciência, de expressão e de livre escolha que ocorre em alguns destes países citados. Pilar deste alinhamento ideológico, o presidente Lula e a diplomacia brasileira foram capazes de aceitar, à custa dos cofres públicos, a “hospedagem” de Manoel Zelaya na embaixada brasileira de Honduras, confundir prisão por crime comum com prisão política contra cidadãos que pugnam pela democracia em Cuba, investir mais de um bilhão de dólares na ilha opressora.

Em crônica pretérita, me referi às palavras do presidente Lula, ao comparar presos políticos cubanos com criminosos comuns, como absurdas e inaceitáveis. A crônica foi publicada no mesmo dia da sua visita à ditadura “Del Paredón” e, antecipava críticas oriundas de vários segmentos sociais e instituições democráticas de várias partes do mundo. Também em espanhol, “Crime de Opinião” recebeu muitos e-mails de apoio e despontou em vários jornais, como uma posição lúcida em prol das liberdades democráticas e dos direitos humanos. Em greve de fome, o jornalista Gillermo Fariañas declarou à France Presse: “Sei que (Lula) nos comparou com delinqüentes comuns, e estas declarações merecem ser rejeitadas. Lula está mais comprometido com suas idéias políticas de extrema esquerda do que com a raça humana". Não creio que o presidente não esteja preocupado com a raça humana. Basta observar os programas sociais do governo, mantidos e ampliados a partir do governo anterior de Fernando Henrique Cardoso e que permitem a sobrevivência de milhões de brasileiros, dinamizando a própria economia. Todavia, segundo Mario Vargas Llosa, escritor peruano: “Quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, a escória da América Latina” (Revista Veja pág. 57, edição 2156 do dia 17/03/2010).

Neste ponto, cabe uma pequena correção: Não me parece que o manto do intervencionismo estatal na economia e na vida privada dos brasileiros, seja feito de puro tecido democrático. Com impostos em cascata e com alíquotas confiscatórias, as maiores do planeta, as forças produtivas, empresariais, trabalhadoras e o povo em geral, vivem sob a égide de uma verdadeira escravidão fiscal. Diante desta realidade, insólito e surrealista alinhamento ideológico de Lula com quinquilharias esquerdistas e fundamentalistas, não causa muita supresa. Na realidade, parodiando o escritor andino, tudo é mesmo uma questão de vestuário, porque na essência, aqui dentro ou lá fora, a vetusta simpatia do presidente por regimes de ferro, sempre foi e será a mesma. Sintoma claro disso foi sua decisão em quebrar protocolo diplomático, em Israel, e não visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo, e sua disposição em depositar flores no túmulo de Iasser Arafat, durante sua visita a Ramallah.

Pensamento da Semana: "A liberdade política é a condição prévia do desenvolvimento econômico e da mudança social." (John F. Kennedy).

quarta-feira, 10 de março de 2010

"ELEITOR: A CULPA É TUA"

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com


Pregoeiros do voto certo, este é o ano dos candidatos aventureiros procurarem convencer eleitores, pobres, ignorantes, alienados, fáceis de convencer com tapinha aqui, churrasquinho ali, oratória inflamada acolá, de que seria até um insulto não votarem neles. Contando com a memória curta e o desespero das dificuldades do povo trabalhador, os lidadores de discursos fáceis transmudam-se em salvadores da pátria, insolentes e desenfreados pregadores de soluções para tudo. Ao largo da campanha, mentecaptos corruptos colocarão timbre no horário eleitoral gratuito, nos comícios animados por forte vapor etílico, de que não se deve dar atenção às “insinuações arbitrárias” da imprensa nacional sobre as falcatruas e roubos de suas quadrilhas, incrustadas no poder político.

Afinal, que “pasquim” é a revista “Veja” para publicar na capa da edição 2155 de 10/03/2010 que, “Caiu a casa do Tesoureiro do PT”? Que artiguinho é esse, de Lauro Jardim, de que Lula vai dar asilo ao terrorista Cesare Batista por “motivos humanitários” e que “a sorte de Battisti é ser um assassino de esquerda que tentou destruir com bombas uma democracia e, se fosse cubano, pacífico, e fizesse greve de fome contra a ditadura, morreria de fome e Lula ainda poria a culpa nele”?(pág. 64). Que bobagem é essa, de Ronaldo Soares, de que Anthony Garotinho (PR-RJ) tem uma “trajetória pública marcada pelo populismo, por práticas fraudulentas e até por um processo em que responde por formação de quadrilha armada”? (pág. 77). Que calúnia é essa, de Gustavo Ribeiro, de que “Arruda usava e abusava dos métodos ortodoxos empregados pela politicagem tradicional”, de que “são impressionantes 4.500 empregos, que iam das funções mais subalternas à direção de estatais” e que “o fracionamento do estado entre os aliados do governador preso beneficiava empresários, presidentes de partido, senadores, deputados federais e dezenove dos 24 deputados distritais, incluindo seus suplentes.”? (pág.79).

Ao largo da campanha eleitoral, a má fé habitual de fazer desacreditar os meios de comunicação que se empenham contra o dogmatismo da ignorância, vai degradar a consciência crítica do eleitor despreparado. Por conta disso, o cidadão manter-se-á hostil em participar da política ativamente, em buscar informações sobre seu candidato, em filiar-se a partidos políticos para fazê-los crescer na ética, na honestidade e nos ideais democráticos. Por culpa da preguiça, das suscetibilidades pessoais, imprudentes e caprichosos eleitores, que poderiam fazer a diferença, enojados não se engajam e se omitem. Qualquer desculpa lhes serve de justificativa para não lerem jornais, revistas, verem telejornais que denunciam inconfessáveis, espantosos e temerários crimes cometidos por políticos e gestores públicos. Vítimas da própria fatuidade e dispostos a transigir e acomodarem-se, eleitores partem para as urnas desviados do travo amargo da realidade que a imprensa registra diuturnamente.

Não existe jornal ou jornalista, revista Veja, Folha de São Paulo ou jornais combativos, como este que publica minhas cronicas, que consegue travar eleitores imprudentes. Olvidam das informações da imprensa, se quedam inertes na indolência, negligenciam o ensino dos valores intrínsecos a ética, moral e amor ao próximo, tão bem lhes assoprado aos ouvidos pelas Igrejas e escolas. Em resumo, eleitores irresponsáveis, convidados à valsa, “diabolus in musica”, da alienação e da afronta ao bom senso, fazem a festa dos políticos vadios, quadrilheiros e ladrões. E depois se queixam. Mas, sempre é bom lembrar que, quem vota em bandido eufemizado de bom político, bom eleitor não é.

Pensamento da semana: "O sucesso não é o final e o fracasso não é fatal: o que conta é a coragem para seguir em frente e o amor que nos une”. Winston Churchill emendado pelo autor.

sábado, 6 de março de 2010

CRIME DE OPINIÃO

”CRIME DE OPINIÃO”
Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com
A liberdade de pensamento, em manifestações livres e independentes, é a forma mais elevada da existência política do homem, e sua supressão pela interferência arbitrária de ditadores cria as bases para o terrorismo de estado. O monopólio das informações é a arma mais perigosa para o controle da mente e também a estratégia adotada pelos regimes ditatoriais para levar a sociedade à submissão ideológica, à alienação e a aceitar a perpetuação no poder de seus líderes dementes. Hugo Chávez varreu de seu país canais de televisão abertos e a cabo que se recusaram a retransmitir o “Alô, presidente” ou todo e qualquer pronunciamento que ele queira fazer em cadeia nacional, pouco importando a hora ou a interrupção de programas ou filmes exibidos em canais privados. As raízes da liberdade foram arrancadas no dia 24 de janeiro de 2010, quando a DirecTV e a Intercable desconectaram o sinal da RCTV Internacional seguindo para o silêncio a Supercable, NetUno e o resto das operadoras do país. Também foram suspensos o sinal da TV Chile, American TV e American Network e proibida a transmissão dos “Os Simpsons” e todo e qualquer desenho da Disney, porque segundo Chávez “tudo o que vem do império faz mal à formação socialista dos jovens bolivarianos”.

Crimes contra a liberdade de escolha e de expressão começam a ser endêmicos na América Latina e não me parece, ao contrário do que afirmou o presidente Lula no Fórum Social Mundial, que a “nova correlação de forças no continente” representada por Hugo Chávez da Venezuela, Evo Morales da Bolívia e Rafael Correa do Equador, seja salutar para a democracia. Estes países adotam políticas antidemocráticas, restringem direitos civis e prendem cidadãos opositores. O quarteto latinoamericano se completa com Cuba. Centenas de dissidentes políticos se encontram encarcerados sob tortura por terem externado opiniões contrárias ao regime. Um deles, Orlando Zapata, morreu em greve de fome por ocasião da última e recente visita do presidente àquele país. Criticado por não ter condenado o governo dos irmãos Castro que permitiu este desenlance, Lula respondeu: "Eu não sei se os presos brasileiros entrassem em greve de fome, você sendo governante, você ia liberar todos porque entraram em greve de fome.” E arrematou dizendo que apreendeu a “não dar palpite sobre o governo dos outros, porque, muitas vezes, se mete o dedo onde não deveria meter".

Entretanto, não existem presos políticos no Brasil. Os criminosos comuns são julgados dentro da legalidade e sob o manto constitucional do princípio da ampla defesa e do contraditório. A distinção é gritante. Os ativistas políticos da ditadura cubana foram presos exclusivamente por conta de suas manifestações favoráveis à democratização do país. Não se trata, obviamente, de dar ou não “palpite sobre o governo dos outros”, mas de se posicionar contra uma tirania desumana que fecha a boca dos opositores a bala e com prisões arbitrárias. O governo brasileiro não só “meteu o dedo”, como mais de um bilhão de dólares em investimentos num país corroído pela ausência de liberdade política, expressão e de opinião. No Brasil a manifestação de pensamento somente é punida quando eivada pela injúria, difamação, calúnia ou quando atinge a imagem e a honorabilidade das pessoas e das instituições. Críticas de parlapatões, contra o regime democrático, a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, o livre exercício de cultos, a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica, política e de comunicação, não merecem respeito. Apenas consciência crítica na hora de ler, ouvir e de votar.

Pensamento da semana: "O que mais me comove é o Brasil que não deu certo. Um país tão rico tem o povo passando fome." Darcy Ribeiro

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

APOYO A LA DICTADURA CUBANA

Versão: Publicado por la prensa nacional e internacional gratuita.
Véase también http://cesartechio.blogspot.com/

César Techio - Economista - Abogado
cesartechio@gmail.com

Cuando un demente asume el poder político, el genocidio, el sufrimiento, la miseria y el dolor. Así ocurrió con el Holocausto judío y la muerte de más de 21 millones de personas en manos de los nazis (un hecho negado por el presidente de Irán, Mahmoud Ahmadinejad, en presencia de pruebas abrumadoras de que agobian al mundo: fotografías, películas, historias, confesiones de los autores , etc.) ocurrió lo mismo con la masacre sangrienta de la Rusia del estalinismo que ha producido más de 50 millones de asesinatos, la muerte de más de 77 millones de personas a causa de Mao Zedong en China y, más recientemente, con la ejecución en "paredón" de disidentes, figuras de la oposición y gente común tratando de escapar de la miseria que reina en la isla de Fidel Castro.

En realidad, la dictadura cubana sigue generando el odio y la violencia contra la democracia, el imperio de la ley y los derechos humanos. Setenta y cinco opositores permanecen en la cárcel desde 2003, condenado a hasta 28 años en la cárcel acusado de ser "mercenarios" de Estados Unidos. De estos, 5O pidió al presidente Lula, en su último viaje al país, para presentar al dictador Fidel Castro por sus libertades.

En este contexto, es sorprendente la decisión del Gobierno brasileño para intensificar el comercio bilateral con Cuba, y gran sorpresa, las afirmaciones del presidente de que Petrobras invertirá en la construcción de una fábrica de combustible en La Habana, además de las inversiones realizadas durante su administración , alrededor de mil millones de dólares.

Sin embargo, el embargo de EE.UU. de la comunista de Castro, no parece razonable desde el punto de vista de la política, ya que es absurdo e inaceptable para apoyar a un gobierno que niega el libre albedrío, la libertad individual y rechaza la huelga por la dignidad del hombre no se el reconocimiento de los derechos inviolables de los ciudadanos. Ejemplo de la paranoia de los dinosaurios dictadores salió a la luz de una película en la que muestra miembros de alto rango, filmado en secreto por órdenes de Raúl Castro, en una reunión, al comentar sobre el régimen. Carlos Lage, un ex presidente Fidel tras ser sustituido como vice-presidente del país por Machado Ventura, 78 y semi-analfabetos, se refirió a sí mismo como "fósiles vivientes" y "dinosaurio". Resultado: fue confinado bajo arresto domiciliario. Canciller de Cuba desde 1999, Felipe Pérez Roque, se unió a la conversación y dijo que el vicepresidente sería la ruina del país: Sólo utiliza una electrónica de la fábrica. Cousin Casellanos Lage, reconocido cardiólogo de Cuba, en tono de broma agregó que "la nación estaría mejor servido" si el propósito cardiólogos dispositivos de implante y erróneamente aumentar el tamaño de las arterias de los viejos comunistas. La lengua en la mejilla llamado el vicepresidente de "fósil viviente" y "dinosaurio". Fue detenido. (Fuente: Revista Veja edición 2122/22 de julio de 2009)

Por estas razones, la reunión del presidente con el dictador cubano, considerado por algunos como una reunión "de viejos amigos, aliados con Brasil la inversión en un país no democrático, cruel e inhumano, es definitivamente más de asombro e incluso de indignación. Grito de inocentes durante más de cincuenta años por la justicia en la isla. La estructura jurídica y social de la economía comunista se derrumbó, se negó a la propiedad privada y cualquiera de los derechos inalienables propios de los individuos, por ejemplo, para contar una simple broma en broma, en detrimento de los gobernantes Matusalenes, durante medio siglo a la cabeza sangrienta del país. La frase de la semana: "La mitad de la humanidad no come. Y la otra mitad no duerme por temor a los que no comen." Josué de Castro.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

APOIO À DITADURA CUBANA

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Quando um demente assume o poder político, ocorrem genocídios, sofrimentos, misérias e dor. Foi assim com o holocausto judeu e com a morte de mais de 21 milhões de pessoas nas mãos dos nazistas (fato negado pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad mesmo diante de provas irrefutáveis que abarrotam o mundo: fotografias, filmes, relatos, confissões de executores, etc.); foi assim com a carnificina sangrenta do stalinismo russo que produziu mais de 50 milhões de assassinatos; com a matança de mais de 77 milhões de pessoas por conta de Mao Tse Tung na China e, mais recentemente, com a execução no “paredón” de dissidentes, opositores e gente do povo que tenta fugir da miséria que reina na ilha de Fidel Castro.

Na realidade, a ditadura cubana continua gerando ódio e violência contra a democracia, o estado de direito e contra os direitos humanos. Setenta e cinco opositores continuam presos desde 2003, condenados a penas de até 28 anos de prisão, sob a acusação de serem “mercenários” dos Estados Unidos. Destes, 5O pediram ao presidente Lula, nesta sua última viagem ao país, para que interceda junto ao ditador Fidel Castro por suas liberdades.

Diante deste quadro, causa estranheza a decisão do governo brasileiro em intensificar o comércio bilateral com Cuba e, muito espanto, as afirmações do presidente de que a Petrobrás investirá na construção de uma fábrica de óleo combustível em Havana, além dos investimentos realizados durante seu governo, em torno de um bilhão de dólares.

Ora, o embargo americano ao regime comunista dos Castro, não me parece despropositado sob o ponto de vista político, uma vez que é inaceitável e absurdo apoiar um governo que nega o livre arbítrio, rejeita a liberdade individual e fulmina a dignidade da pessoa humana não reconhecendo os direitos invioláveis de seus cidadãos. Exemplo da paranóia dos dinossauros ditadores veio a lume com um filme no qual aparecem membros do alto escalão, filmados secretamente a mando de Raul Castro, em uma reunião, comentando a respeito do regime. Carlos Lage, ex-presidente de Fidel depois de ser substituído na vice-presidência do país por Machado Ventura, de 78 anos e semi-analfabeto, a ele referiu-se como “fóssil vivo” e “dinossauro”. Resultado: foi confinado em prisão domiciliar. O chanceler de Cuba desde 1999, Felipe Pérez Roque, entrou na conversa e afirmou que o vice-presidente iria arruinar o país: Acabou empregado numa fábrica de eletrônicos. O primo Casellanos Lage, cardiologista de renome em Cuba, em tom de brincadeira, acrescentou que "a nação ficaria mais bem servida" se os cardiologistas implantassem de propósito e erroneamente dispositivos que aumentam o calibre das artérias dos velhos comunistas. Em tom de gozação chamou o vice-presidente de "fóssil vivo" e "dinossauro". Acabou preso. (Fonte: Revista Veja edição 2122/22 de julho de 2009)

Por estes motivos, o encontro do presidente com os ditadores cubanos , considerado por alguns como “reencontro de velhos amigos”, aliado aos investimentos do Brasil num país antidemocrático, cruel e desumano, causa muito mais do que espanto, senão indignação. Inocentes gritam há mais de cinqüenta anos por justiça naquela ilha. A estrutura jurídico–social comunista desintegrou a economia, negou a propriedade privada e todo e qualquer direito próprio inalienável dos indivíduos, como por exemplo, o de contar uma simples piadinha em tom de brincadeira em desfavor dos Matusaléns governantes, há meio século no comando sangrento do país. Frase da semana: "Metade da humanidade não come. E a outra metade não dorme com medo da quem não come”. Josué de Castro.

FREI SIMÃO: EXEMPLO DE LIDERANÇA

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Grandes homens chamados a viver valores que plenificam a vida e que se consolidam na história como modelos a serem seguidos, se tornam universais e passam a pertencer a toda a humanidade. Foi assim com Frei Simão Laginski, que marcou profundamente a vida de todos os concordienses entre o ano de 1971 a 1976 como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. Acompanhei, em 1972, a demolição da igreja antiga e a inauguração da nova matriz em 1974. Seu dinamismo, inteligência, humildade, capacidade de liderança e vocação de amor às pessoas desta cidade de Concórdia, o fizeram merecedor de grande admiração em vida e de forte comoção pela sua morte ocorrida no dia 08/02/2010. A construção da nova igreja e outras doze capelas pelo interior do município se constituiu num pequeno e pontual detalhe de sua caminhada entre nós. Inserido num contexto espiritual profundamente comprometido com a pessoa de Jesus Cristo, suas pregações tocavam fundo no coração do povo. Do altar, diante das dificuldades, enquanto tijolo após tijolo construía a nova igreja, bradava em bom som franciscano: “Irmãos, comecemos, porque até agora nada fizemos”. Na sua itinerante jornada por esta região, e esse foi o segredo de seu sucesso, demonstrou uma tremenda e incondicional abertura ao Espírito Santo. Em constante plenitude espiritual construiu muito mais do que paredes de uma igreja cristã, senão uma sólida edificação de fé que motivou o povo a viver o evangelho com autenticidade. Não raras vezes, durante sua gestão, era lembrado pela política local para concorrer à vida pública, mas seguia trabalhando, incansável, demonstrando como se administra uma grande obra com poucos recursos. Por estes motivos, transcendeu a todos os que o antecederam, foi amado e ainda é lembrado com saudades.

Como Frei Simão, líderes espirituais nos chamam à conversão, à grande opção de vivermos o santo Evangelho a partir de Jesus. Padres e pastores de nossas amadas igrejas cristãs nos motivam e impulsionam à conversão, partindo da premissa de que o mais importante nesta vida não é “o que se faz”, mas “como se faz”. Isso tem a ver com o modo de se conduzir, agir, sentir, pensar, de amar e com a consciência de que não se constrói uma sociedade saudável sem reconciliação, perdão, honestidade, respeito, discernimento e humildade. Esses valores se puseram como eixo central na vida de Frei Simão Laginski. E também devem se colocar como motor propulsor na nossa vida, na medida em que nos impele a aceitar a existência como um processo, uma dinâmica que nos obriga à construção de um mundo de paz e de verdadeiro amor fraterno. O exemplo de Frei Simão Laginski permanece e transcende a barreira do tempo e do espaço, pois são perenes os valores que ele pregou. Nós, os que o admiramos, precisamos seguir firmes, atentos a palavra e a benção que salva, cura, transforma e constrói novos templos e novas vidas.

Conhecidas as práticas da incoerência, da contradição, dos conflitos e dos paradoxos de nossos tempos, nos quais impera o vazio da alma e a subnutrição espiritual, convenhamos em eleger bons líderes em todos os campos e setores da vida social: nas igrejas, nas instituições e também na política. Se, por ingenuidade do nosso povo, cérebros indigentes, retrógrados e desonestos, assumem postos relevantes na vida pública, é bom perceber que conosco também caminham grandes homens, admiráveis e inquebrantáveis, de caráter puro, fecundos. Busquemos descobrir em nossa sociedade o verdadeiro modelo de liderança que queremos eleger e seguir. Pensamento da semana: “Quem entenderá o homem? Desperdiça os recursos naturais, quase esgotados, e poupa os recursos de seu cérebro, inesgotáveis.” Julio Novoa Cisneros.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

DESTRUIÇÃO DE ISRAEL

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O mundo segue rápido e inexoravelmente para mais um confronto entre nações, desta vez por conta e risco das afirmações do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, que convocou, no início desta semana, nada mais nada menos do que Deus para ajudar o Irã a destruir Israel: "Com a vontade de Deus, a destruição de Israel será iminente”. É impressionante como vários países abrigam idéias, organizações e projetos terroristas, sempre invocando o nome de Deus, como justificativa para o derramamento do sangue de inocentes. O modelo de governo destes países é subordinado a esquemas totalitários que repudiam valores inalienáveis adotados pela ONU, esculpidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e aceitos por todos os países civilizados. As autoridades destes países são contumazes inversoras de valores. Mutiladoras da felicidade do povo não reconhecem a dignidade da pessoa humana. Desprezam valores fundamentais que dizem respeito à liberdade, justiça, paz, privacidade, intimidade, direito à vida e às opções personalíssimas.

Mas, o que mais ultraja a consciência da humanidade, além das ameaças de morte, guerra e destruição em massa propostas descaradamente por estes espíritos belicosos, tiranos, opressores, inamistosos e ateus, é a utilização do nome de Deus para provocar barbaridades e atemorizar as nações e as pessoas de bem. Infelizmente, no geral, faz parte da insanidade de políticos invocarem o nome de Deus para justificar o injustificável. Aliás, também não foi assim com o grupelho de corruptos brasilienses, flagrados agradecendo a Deus pelo dinheiro de suborno? A verdade é que, se os líderes mundiais e os nossos políticos, além de lerem os livros sagrados, buscassem não só falar, mas viver o que neles está escrito haveria menos dor, mesquinharia e desgraça na história da humanidade.

Esta vivência tem a ver com testemunho diário, conversão profunda e fidelidade a regras básicas, como “não roubarás”, “não matarás”, “não dirás falso testemunho contra seu irmão” e, especialmente: “não usará o santo nome de Deus em vão...”. Ler e viver na práxis estas regras implica em desdobrá-las na caridade, compaixão e amor pelos semelhantes, não só durante as campanhas eleitorais, mas após, na condição de vereador, deputado, senador, prefeito, presidente. Dentro do nosso sistema democrático, de eleições livres, consinta então o eleitor, que é preciso eleger cristãos autênticos para os mais diversos cargos, a fim de que, após eleitos, se movam sob a perspectiva cristã de amor ao próximo, tendo a dignidade humana como ápice e centro de suas ações políticas e públicas. Subordinando a política a princípios éticos, morais e principalmente cristãos, o nome de Deus jamais será pronunciado em vão pelos líderes eleitos, porquanto incapazes de trair a sua fé e a confiança do povo que lhes alçou ao poder. Neste contexto é necessário considerar (que se diga aos sectários da incredulidade e aos implacáveis negativistas que desdenham da fé do povo) que, para o verdadeiro cristão Deus está “no vértice de toda a escala de valores” (Jacques Maritain).

Frase da semana: “Os iranianos vão dar um soco em suas bocas” (manifestação truculenta e hostil do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei contra os protestos em massa da oposição do 11/02/2010, em Teerã. Fonte: Folha de São Paulo).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

”CANDIDATO CORRUPTO E SENSO CRÍTICO”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

As nossas estruturas de ensino básico, médio e universitário deveriam obrigatoriamente adotar nas grades curriculares (de todos os cursos) a disciplina de filosofia. Não só as escolas, mas também as igrejas, os meios de comunicação e todas as instituições envolvidas com a educação e a superação do ser humano, enquanto agentes de transformação social, possuem a obrigação de colaborar de forma efetiva para que todas as pessoas sejam dotadas de senso crítico. O senso crítico ajuda a superar as concepções ingênuas, superficiais e enganosas, forjadas, por exemplo, pela propaganda eleitoral em época de eleição. Assim, diante de candidaturas espúrias, de candidatos falastrões, embusteiros, que pregam nas campanhas uma coisa, mas que depois na vida pública, enquanto senadores, deputados, vereadores e prefeitos vivem outra, o eleitor dotado de uma consciência reflexiva terá capacidade para pensar corretamente e para votar de forma irrepreensível, íntegra e digna.

Há desesperada necessidade de que o eleitor busque inquirir a vida do candidato, observando se o que lhe é dito por ele é sério, preciso e coerente. O segredo é não se deixar levar pela emoção de um discurso proferido aos gritos. Analisar com cuidado o que está sendo dito pelo candidato pode levar o eleitor à conclusão de que o discurso não tem conteúdo, não tem rigor nem alcance, é indefinido, possui conceitos vagos e vazios. Um escrachado blá blá blá tipo besteirol, conversa fiada para boi dormir. Além disso, é preciso analisar se o discurso não possui conceitos contraditórios, que se anulam em termos lógicos. É fácil perceber quando o candidato pula de um assunto para outro, proferindo conceitos soltos, sem nexo e irrelevantes, que não absorvem de forma correta e sistemática o assunto proposto.

Todavia, o mais importante é investigar a coerência ou incoerência daquilo que o candidato já disse no passado e se suas afirmações estão associadas ou não à sua prática no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, na Câmara dos Vereadores, na Assembléia Legislativa e no Executivo. Hoje em dia é muito fácil checar se o candidato é coerente, honesto, sério, ou se trata-se de um sofista, enganador. Basta colocar o nome dele em qualquer buscador da internet e ler as informações de mídia. Os principais jornais do Brasil, por Estado, estão disponíveis na rede mundial de computadores. Se o eleitor não possui computador, peça ao vizinho, filho, amigo ou colega para que acesse a internet e retire o “curriculum” do candidato em quem ele pretende votar. Depois é só ler com cuidado e senso crítico. Publicações sobre falcatruas, subornos, desvio de conduta dos candidatos que neste ano aparecerão com discursos fortes, emotivos e preparados para enganar os ingênuos eleitores também podem ser encontradas via web junto aos Tribunais de Justiça de cada Estado, na Justiça Federal e na Justiça Eleitoral. Listas de candidatos com ficha criminal são facilmente acessíveis. Informações sobre coligações, conchavos, apoios oportunistas, golpes e mentiras da escória da política nacional estão disponíveis na internet para todo eleitor inteligente que pretende votar corretamente.

Pensamento da semana: "A corrupção, em certo sentido, é produto da forma de vida de uma sociedade aquisitiva, onde domina o dinheiro e onde as pessoas são julgadas pelo que possuem e não pelo que são." (Peter H. Odegard).

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"TERREMOTO NO HAITI OU NA VENEZUELA?"

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O terremoto no Haiti, segundo Hugo Chavez, é um resultado claro de um teste experimental dos EUA que “devastou o país”, sendo que “o resultado final das experiências faz parte do plano de destruição norte-americano para o Irã, que consiste numa série de terremotos planejados para destruir o atual regime islâmico”. Não bastasse, Chávez ataca a presença humanitária dos americanos no Haiti, afirmando, entre outras coisas que: "o império norte-americano está tomando o Haiti sobre os cadáveres e as lágrimas de seu povo". "Tomaram o Haiti descaradamente sem consultar a ONU, a OEA. Estão se aproveitando da tragédia desse povo". Não bastasse, o Zé Dirceu (o nosso) disse o seguinte no seu blog: “Os EUA se aproveitaram do terremoto para ocupar militarmente o país com 10 mil soldados, inclusive estabelecer o controle sobre o aeroporto da Capital, Porto Príncipe.” (http://www.zedirceu.com.br).

Piadinhas de catecúmenos de lá ou de cá, a realidade é que começamos a semana com a notícia de que o ditador venezuelano mandou fechar cinco canais de televisão a cabo: Ritmo Son, Momentum, América TV, American Network e TV Chile, incluindo a Rádio Caracas Televisão, que possui a maior audiência do país, porque se recusaram a transmitir seu discurso em cadeia nacional. O que dizer de estapafúrdios, pueris e despropositados fatos? No caso dos comentários do Chávez (e também do Evo e do Zé), o presidente René Prevál respondeu afirmando que "os americanos estão aqui a nosso pedido e vieram para nos ajudar em nossas necessidades humanitárias e de segurança" sendo enfático em afirmar que “o Haiti não está sob tutela de ninguém". No caso do golpe contra a imprensa na Venezuela, partidos de oposição declararam que: "condenam, sem reservas, o fechamento da RCTV Internacional, o que consideram uma vingança contra a emissora de sinal aberto que foi injustamente estatizada em 2007 e mais um ataque à liberdade da Imprensa”. Por conta disso, o vice-presidente venezuelano e também ministro da Defesa, Ramón Carrizález, renunciou ao cargo (o que demonstra que pelo menos alguém tem juízo naquele país).

Excluindo a piada ridícula de que os EUA provocaram um sismo que abalou o Haiti, mesmo porque inexiste no planeta qualquer arma que libere tamanha energia, o que mais preocupa são as ações antidemocráticas de vários países latinos americanos. Não se pode negar que as ações de Chávez contra a liberdade de imprensa, elas sim são o epicentro de terremotos contra a democracia, com ondas sísmicas que repercutem e atingem vários países da América Latina. As ameaças autoritárias à imprensa atingem a Bolívia, Equador, Nicarágua, Paraguai, repercutem na Argentina em intimidações ao Jornal Clarín e ressoam no Brasil, como a tentativa frustrada de Lula em criar um Conselho de Jornalismo, através do qual a imprensa brasileira poderia ser controlada. Os efeitos da censura e os ataques a livre e plena circulação de opiniões, informações, notícias e idéias, são funestos, na medida em que atingem diretamente a vida dos cidadãos e a sua liberdade de viver num estado democrático de direito. Mas, pelos tremores vindos da Venezuela, parece que a esquerda latino americana tem saudades dos regimes truculentos da direita que varreu o continente há três décadas e dos quais, ela (esquerda), foi vítima.

Pensamento da semana: “Foi bom para nós aqui do consulado porque nos dará mais visibilidade. Acho que, de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá, tá f...". Comentário do cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Antoine, segundos antes de iniciar a gravação de uma entrevista para o SBT , sem saber que estava sendo gravado. (vejam no You Tube).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"ZILDA ARNS: ÚLTIMO DISCURSO"

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

Centenas de leis e mecanismos legais disciplinam a conduta de agentes públicos e de políticos no Brasil, entre as quais, por exemplo, a Constituição Federal, o Código Penal (peculato; aplicação irregular de verbas públicas; concussão; corrupção passiva; prevaricação; condescendência criminosa, violação de sigilo funcional e de sigilo de proposta de concorrência, etc), a lei de improbidade administrativa, que trata do enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função, a lei de responsabilidade fiscal que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, a legislação eleitoral e assim por diante. Tanta lei até se justifica, uma vez que a corrupção desestabiliza a política e as instituições, compromete a segurança da sociedade, mina a democracia e os valores éticos, arrisca o desenvolvimento, afeta a economia e o próprio Estado de Direito.

Todavia, mesmo com o gigantesco esforço do Ministério Público, da Polícia Federal e dos mecanismos de repressão, toda essa legislação não desencoraja ao crime os meliantes transvertidos de honestos a cada campanha eleitoral, os bandidos empoleirados em cargos e funções públicas, os parlapatões que abusam do poder político e que compram e vendem o país traindo o povo em falcatruas criminosas. Traidores da pátria, destituídos de escrúpulos e de consciência cívica, não possuem medo das autoridades ou qualquer preocupação com o arcabouço legal que lhes obriga, em tese, a andar na linha. E se matam de rir frente às câmaras de televisão, certos da impunidade, da pouca memória e da burrice do eleitor. Sem peias, sem consciência, sem qualquer ordem de valores ou imperativo ético, estes vagabundos que denigrem a classe política, instauram o desrespeito a “res” pública e rompem com qualquer espécie de consideração para com os ingênuos eleitores que neles votaram.

O exemplo destes canalhas ilude e perverte a juventude, desagrega a sociedade e deixa a impressão de que se vive num país no qual as instituições estão à mercê de um mundo subterrâneo no qual, no dizer de Jacques Maritain, em Humanismo Integral: “aparece como máscara mentirosa toda a dignidade bem regulada de nossa consciência pessoal”. Desgraçados, combatem o Direito Natural, a lei inscrita por Deus no coração do homem, ou, no dizer do saudoso Pe. Bruno Hammes, citando Santo Tomás na disciplina de Introdução ao Direito, nos tempos da amada UNISINOS: “desprezam a lumen naturalis rationes, luz da razão natural, impressio divini luminis in nobis, impressão em nós da luz divina, fundamento do direito positivo.”

Entretanto, entremeio a este escárnio, infâmia e permissividade que inferniza (literalmente) a vida do povo sofrido, aparecem exemplos de santidade, de amor ao próximo, de compaixão e de caridade infinita. Como o de Zilda Arns, dedicada às crianças, vítimas esmagadas pela pobreza causada pela ação trágica destes malditos e corruptos políticos, que desviam o dinheiro da saúde, da educação e do desenvolvimento econômico. No Brasil precisamos de candidatos com o perfil de caráter e de ideais da “Heroína da Saúde Pública das Américas”. Mas também, de eleitores que tenham discernimento e saibam, com o voto, defenestrar da vida pública políticos fariseus.

Pensamento da semana: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los. Muito Obrigada, Que Deus esteja com todos.” Trecho do último discurso de Zilda Arns, no Haiti.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

POLICIA FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO: MAU OLHADO.

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Convenhamos, o governador José Roberto Arruda (DF), filmado recebendo dinheiro de suposta propina com uma plêiade de deputados distritais e empresários que apóiam o seu governo, sabe, e muito bem, convencer sua base de apoio a fim de vencer a indignação popular ante o óbvio e evidente descalabro que atingiu seu governo. Obteve maioria nas duas comissões que analisarão os pedidos de impeachment dele, e da CPI responsável pela investigação do esquema de corrupção do governo local. Arruda é muito bom nisso a tal ponto de se dar ao luxo de escarnecer da população com piadinhas recheadas de sorrisos estampados em horário televisivo nobre da Rede Globo de Televisão. Também pudera, o dicionário Michaelis define bem as qualidades de arruda: “Erva lenhosa da família das Rutáceas (Ruta graveolens), de cujas folhas, que são verde-cinzentas, se obtêm um óleo volátil, irritante e venenoso, usado como arborífero e emenagogo. Segundo a superstição popular, a arruda tem a qualidade de espantar o mau-olhado”. E põe mau-olhado nisso. A começar pelos olhos do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. E a terminar pelos olhos de toda a população brasileira que é estrábica. Afinal, os cinquenta videos com imagens de boa qualidade dele, Arruda, e de seus amigos recebendo dinheiro, não têm nada a “ver”. E, contra olho torcido, zarolho, oblíquo, torto e vesgo, dá-lhe arruda! A realidade é que, sob uma investigação séria da Polícia Federal (Operação Caixa de Pandora), recheada de provas robustas de suposta corrupção (gravações e mais gravações levadas ao conhecimento do público), ficou no ar a gozação global de um governador enlameado por gravíssimas acusações.
Em Santa Catarina, em investigações realizadas pela Polícia Federal durante a Operação Transparência, o vice-governador de Estado, Leonel Pavan (PSDB) teria sido flagrado em gravações telefônicas e em imagens de vídeo, que permanecem em segredo de Justiça, recebendo R$ 100 mil reais para a concessão de alvará para a empresa Arrows Petróleo (alvará cancelado por inadimplência). O próprio Procurador Geral de Justiça do Ministério Público do Estado, Gercimo Gomes Neto, afirmou publicamente que as investigações e gravações interceptadas deixaram aparecer "indícios" de pagamento de R$ 100 mil em propina ao tucano: "As provas, de uma maneira técnica, nos trazem essa confirmação. A prova é forte o suficiente para oferecermos a denúncia-crime contra o vice-governador". Junto com o vice-governador, o diretor geral da Secretaria da Fazenda, Pedro Mendes e dois executivos da empresa estão no epicentro da denúncia ministerial por crime de improbidade.
Diante deste quadro sistêmico de investigações alicerçadas em provas constatáveis “icto oculi”, ou seja, perceptíveis e de nitidez visual absoluta, (segundo um saudoso amigo) e de denúncias de corrupção ora contra um governador, ora contra um vice-governador, e de esquemas criminosos que assaltam os cofres públicos e o bolso do povo trabalhador que paga impostos, é de se perguntar: Homens sérios, probos, com ficha limpa, com histórico de vida dedicada à causa pública e à justiça, policiais federais, delegados e promotores idealistas, se permitiriam brincar de “mau olhado” com situações tão sérias como estas? Creio que não. Tais acusações, públicas, formais, processuais, vindas do Ministério Público, com lastro em investigações da Polícia Federal, sabidamente honesta, merecem muita atenção e respeito dos eleitores. Ou será que tem eleitor que ainda acredita em mau-olhado, pavões e arruda? Pensamento da semana: "R$ 30 mil é tão pouco... Se ainda fossem uns US$ 30 milhões... Por R$ 30 mil vender um país, você está louco. Cada um pesa o dinheiro na sua balança. E a minha precisa de muito.” Entrevista exclusiva ao G1, criticando político corrupto após ser eleito. Clodovil.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

“CONTENÇÃO DE CHEIAS E SANEAMENTO BÁSICO”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Os desastres naturais continuam ocorrendo de forma avassaladora em várias partes do país. O que mais chama a atenção são os efeitos devastadores das chuvas sobre áreas desmatadas com deslizamentos de morros sobre construções, as quais, assentadas sobre o calço natural de encostas, provocam avalanches de lama que destroçam vidas humanas. Aqui em Concórdia, na mesma linha insana das construções feitas no morro da Carioca, em Angra, continuam escavações no perímetro urbano, tudo sob o pálio de uma legalidade questionável. Na realidade, enquanto o município se esmera em resolver o problema de contenção de alagamentos, o Estado continua emitindo autorizações para a derrubada de matas, a meu ver, vitais para a contenção, retenção e absorção das águas das chuvas. Frente a nossa peculiar realidade, é visível o descompasso entre as iniciativas municipais e as licenças ambientais estaduais. A construção do necessário canal estravasor e da barragem de contenção se tornarão, brevemente, obras inúteis caso não houver uma política firme que impeça a montante do Rio dos Queimados, sejam dizimadas as matas que ainda se encontram encravadas na bacia hidrográfica. Neste aspecto merece respeito e admiração a postura do secretário Mauri Maran uma vez que situa as citadas obras de contenção dentro de um contexto mais amplo, ou seja, dentro do Plano Municipal de Saneamento Básico, lastreado na lei federal nº 11.445 de 05 de janeiro de 2007. Não se tratam, então, de iniciativas empíricas, isoladas ou pontuais, que não levam em conta a macro-realidade do setor de saneamento básico. Na realidade, as ações a curto, médio e longo prazo consideram alguns princípios insculpidos na referida lei, a saber: a) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente; b) disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado.
Relativamente ao projeto específico da barragem destinado a contenção de alagamentos, esta se encontra adstrita a um projeto específico com recursos provenientes do “PAC Drenagem” do governo federal. Qualquer alteração nos objetivos do projeto, por disposição legal os repasses serão imediatamente interrompidos com perda da fonte financiadora. A fonte destes recursos é única, específica e exclusivamente destinada à contenção de alagamentos. Dentro das ações estruturais propostas pelo Plano de Prevenção de Enchentes da Área Central de Concórdia, a primeira etapa, de alargamento do canal, numa extensão de 525 metros, foi concluida com êxito, passando de uma vazão de 110m3/s para 189 m3/s, com aumento de vazão de água de 71%. A barragem somada a este alargamento, com certeza representará um “alívio” à carga pluvial. Todavia, a galeria extravassora de 1.350 metros, sob todas as circunstâncias e, com a vênia dos que pensam diferente, é fundamental para resolver o problema de alagamento na área central da cidade na medida em que adionará uma capacidade de vazão adicional de 144 m3/s. Por isso, a atual administração municipal tendo a frente o prefeito João Girardi, se mostra correta nas ações administrativas, simétricas com a lei federal que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Enfim, os primeiros 365 dias da gestão petista demonstraram firme continuidade de obras importantes para a contenção de cheias, iniciadas na administração do prefeito Neodi Saretta. Estas obras, entretanto, se tornarão inúteis diante do desflorestamento e consequente impermeabilização do solo de nossa bacia hidrográfica. Pensamento da Semana: “A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância” Gandhi

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

ANO NOVO: HOMEM, ONDE ESTÁ O TEU ENTENDIMENTO?

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Numa rápida retrospectiva, vemos um ano que finda no qual as informações de mídia demonstraram uma construção social modelada na crise financeira, na miséria, na violência e na corrupção desenfreada. O egoísmo de nossos políticos não tem limites. Mostraram-se senhores irrestritos da res pública, rejeitando a dignidade constitucional e espiritual do povo. Subordinaram princípios mínimos de respeito e consideração à moral, ética e legalidade, à via exclusiva de seus interesses pessoais. O que vimos, durante o ano, tanto em decisões políticas no Congresso Nacional como no assalto aos cofres públicos, como no caso do governo (desgoverno) de Brasília, é apenas uma parte do iceberg que bóia solto no mar de estrume que golpeia o Estado brasileiro e os direitos dos cidadãos à um governo honesto, operoso e justo. Tudo isso, em imensurável prejuízo e sacrifício ao desenvolvimento, melhorias e elevação da pessoa humana e aos direitos fundamentais abraçados pelo direito natural, internacional e pela nossa Constituição. Diante deste quadro é justo perguntar: E como vai ser em 2010? Bem sabemos dos eleitores desprevenidos, frágeis, que se impressionam com os encantos da ideologia, se embriagam com os discursos da propaganda, arrastados por promessas furadas, falazes, inexeqüíveis e alucinadas, para dizer o mínimo. Dentro deste contexto de desatenção popular e, talvez devido a ela, o Estado a partir do ano novo começa a controlar totalmente a vida fiscal de todo cidadão: Vai ser necessário, por exemplo, cadastro em supermercados para a compra de uma simples caixa de fósforos, ou seja, um pequeno consumidor deve informar seu CPF, identidade, filiação e endereço, a fim de que, a cada compra, seja emitida nota fiscal em seu nome.
O problema é que este intervencionismo atenta contra a liberdade e privacidade dos cidadãos na medida em que dados pessoais são revelados, assim como o perfil de conduta consumerista, hábitos, locais de presença física, etc. Ou seja, nossos bons políticos ao louvarem o sistema de controle estatal e estatizante na vida dos cidadãos esquecem que o Estado existe para o homem e não o contrário. Aliás, a determinante intervenção do estado brasileiro na economia e na vida “privada” daria inveja aos mais ferrenhos estados comunistas, especialistas em economia planificada e em despersonalizar os cidadãos. Trata-se de um sistema que não mais conhece pessoas, conhece apenas números e unidades impessoais sujeitando-as às exigências e prerrogativas ou razões do Estado. Diante dessas aberrações, da corrupção, ignorância de políticos e da elevação do Estado ao controle total da vida dos cidadãos e, se os eleitores não são cegos, nem loucos, é o caso de se perguntar: “Homem (eleitor), onde está o teu entendimento?” (Pe. Antonio Vieira, Sermão da Quinta Dominga, pregado em Lisboa na capela real, no ano de 1655).
Pelo menos todas estas questões, no fundo, foram boas, pois devem forçar o eleitor a escolher: Se prefere ser explorado e controlado por uma legislação invasiva ou se prefere viver em plena liberdade democrática assegurada pela Carta Magna? Se prefere trabalhar quase um terço da vida para pagar cerca de 85 tributos federais, estaduais e municipais (IR com maior alíquota do planeta) e mesmo assim continuar votando em candidatos estatizantes ou se prefere obter bons serviços públicos mediante contribuição justa. Agradecimentos: A este jornal pelo privilégio de colaborar com minhas reflexões para com essa coluna. Pelas sugestões, elogios e críticas dos leitores que me fizeram mais ciente das minhas limitações. Pensamento da semana: “No Brasil, o preço dos produtos é composto em 50% por impostos. Isso faz cair muito o poder aquisitivo da população, diminui o mercado consumidor e forma um círculo vicioso, gerando desemprego. Mais impostos, mais desemprego”. Gilberto Guimarães, consultor da Fundação Getúlio Vargas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"ANO NOVO: ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?" (versão nacional)

(cronica destinada para publicação livre a nível nacional)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O preâmbulo original da Constituição Federal propõe a instituição de um Estado Democrático destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista, sem preconceitos, fundada na harmonia social. No artigo 1°, consagra os cinco fundamentos do Estado brasileiro: a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; e o pluralismo político. O pluralismo talvez seja o maior desafio do nosso Estado Democrático de Direito. Pressupõe a convivência pacífica e harmônica entre diferentes correntes filosóficas, doutrinárias, políticas e religiosas. Dentro deste espírito, justifica-se um trabalho comum entre diferentes religiões, em prol da promoção humana. Correntes doutrinárias, filosóficas e religiões dessemelhantes no método, mas que adotam a mesma fonte de fé, podem chegar a um acordo mínimo com relação a forma de como se deve proceder na política e na administração pública.
Várias correntes do cristianismo possuem o objetivo maior de soerguer o ser humano e propõem, essencialmente, a vivência do amor ao próximo: O catolicismo romano que compõe a Igreja Católica Apostólica Romana; o protestantismo que destaca os luteranos, anglicanos, presbiterianos e batistas; as igrejas Pentecostais, com alicerce na certeza da presença do Espírito Santo através de sinais como a glossolalia (falar línguas estranhas), curas, milagres, como é o caso de igrejas como a Assembléia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Centro de Restauração Renascer e, na mesma linha as igrejas neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, Apostólica Renascer em Cristo, Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Missão Cristã Pentecostal e Igreja Pentecostal de Nova Vida. Outros ramos do cristianismo têm em comum a crença em Jesus Cristo, como os Mórmons, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová.
Sob a ordem constitucional que fundamenta a convivência pluralista na sociedade, pouco importa a denominação, local, igreja ou método de pregação. A todos cumpre responder a reiterada indagação: “Onde está o teu irmão” (Gn 49). Nenhuma instituição pode ser insensível à palavra evangélica: “Aquele que não pratica a justiça não é de Deus, nem tampouco aquele que não ama a seu irmão” (jô, III, 10). O que importa, então, é a adesão a palavra de Jesus, principalmente amadurecendo na fé (tem gente que ainda não saiu do catecismo) e no engajamento a serviço das pessoas e da sociedade. O pluralismo constitucional desafia a todos os cristãos, pouco importa a quais religiões pertençam, a fazerem deste Ano Novo, um Ano Novo, cheio de perdão, amor, compaixão, devotado a uma reflexão séria sobre a situação de desamparo em que vive a maioria do povo brasileiro. Neste norte, sob o amparo dos princípios evangélicos é preciso união em torno de um projeto político honesto e decidido, que assegure uma transformação ética e moralizadora na sociedade, compatível com os valores cristãos e com os princípios de justiça social. Felicitações: Aos amados leitores deste jornal. Que o Ano Novo lhes seja abençoado. Que o ano novo seja próspero na paz, na saúde, no amor, nos bens materiais, na espiritualidade e na alegria de viver. Agradecimentos: A competente equipe de jornalistas, aos gráficos, distribuidores, funcionários em geral e a alta direção, por fazerem deste meio de comunicação que publica minhas cronicas em vários Estados do Brasil, um verdadeiro instrumento de transformação social.

”NATAL: ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?” (versão local)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com
O preâmbulo original da Constituição Federal propõe a instituição de um Estado Democrático destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista, sem preconceitos, fundada na harmonia social. No artigo 1°, consagra os cinco fundamentos do Estado brasileiro: a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; e o pluralismo político. O pluralismo talvez seja o maior desafio do nosso Estado Democrático de Direito. Pressupõe a convivência pacífica e harmônica entre diferentes correntes filosóficas, doutrinárias, políticas e religiosas. Dentro deste espírito, justifica-se um trabalho comum entre diferentes religiões, em prol da promoção humana. Correntes doutrinárias, filosóficas e religiões dessemelhantes no método, mas que adotam a mesma fonte de fé, podem chegar a um acordo mínimo com relação a forma de como se deve proceder na política e na administração pública. Várias correntes do cristianismo possuem o objetivo maior de soerguer o ser humano e propõem, essencialmente, a vivência do amor ao próximo: O catolicismo romano que compõe a Igreja Católica Apostólica Romana; o protestantismo que destaca os luteranos, anglicanos, presbiterianos e batistas; as igrejas Pentecostais, com alicerce na certeza da presença do Espírito Santo através de sinais como a glossolalia (falar línguas estranhas), curas, milagres, como é o caso de igrejas como a Assembléia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Centro de Restauração Renascer e, na mesma linha as igrejas neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, Apostólica Renascer em Cristo, Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Missão Cristã Pentecostal e Igreja Pentecostal de Nova Vida. Outros ramos do cristianismo têm em comum a crença em Jesus Cristo, como os Mórmons, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová.
Sob a ordem constitucional que fundamenta a convivência pluralista na sociedade, pouco importa a denominação, local, igreja ou método de pregação. A todos cumpre responder a reiterada indagação: “Onde está o teu irmão” (Gn 49). Nenhuma instituição pode ser insensível à palavra evangélica: “Aquele que não pratica a justiça não é de Deus, nem tampouco aquele que não ama a seu irmão” (jô, III, 10). O que importa, então, é a adesão a palavra de Jesus, principalmente amadurecendo na fé (tem gente que ainda não saiu do catecismo) e no engajamento a serviço das pessoas e da sociedade. O pluralismo constitucional desafia a todos os cristãos, pouco importa a quais religiões pertençam, a fazerem deste natal, um natal divino, cheio de perdão, amor, compaixão, devotado a uma reflexão séria sobre a situação de desamparo em que vive a maioria do povo brasileiro. Neste norte, sob o amparo dos princípios evangélicos é preciso união em torno de um projeto político honesto e decidido, que assegure uma transformação ética e moralizadora na sociedade, compatível com os valores cristãos e com os princípios de justiça social. Felicitações: Aos amados leitores deste jornal. Que o natal lhes seja abençoado. Que o ano novo seja próspero na paz, na saúde, no amor, nos bens materiais, na espiritualidade e na alegria de viver. Agradecimentos: A competente equipe de jornalistas, aos gráficos, distribuidores, funcionários em geral e a alta direção, por fazerem deste meio de comunicação um verdadeiro instrumento de transformação social. Pensamento da semana: "Natal é mais verdadeiramente Natal quando nós celebramos dando a luz do amor aqueles que necessitam mais" Ruth Carter Stapleton.

sábado, 19 de dezembro de 2009

”DESCENTRALIZAÇÃO: LICÃO DE DEMOCRACIA”

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

Sem muitos escrúpulos e, com a devida vênia, é necessário reconhecer a genialidade e visão democrática do governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Refiro-me a iniciativa política que redundou nos artigos 54 a 56 da lei complementar nº. 243, de 30 de janeiro de 2003, que estabeleceu nova estrutura administrativa do Poder Executivo. No centro da lei a criação das Secretarias de Estado do Desenvolvimento Regional, motivadoras do desenvolvimento econômico e social, com ênfase para o planejamento, fomento e indução à geração de emprego e renda em cada região em que foram instaladas. As secretarias são paradigmas de como deve funcionar na prática a democracia, vez que descentraliza o poder de decisão em investimentos públicos e se colocam como instrumentos de apoio aos municípios na execução de atividades, ações, programas e projetos. Na realidade são autênticas apoiadoras da comunidade organizada. Encravadas no interior do estado, possuem competência para representar o Governo e articular ações, promovendo a integração regional dos diversos setores da administração pública; implementar as prioridades da região, conforme definidas no Congresso Estadual de Planejamento Participativo e nas reuniões do Orçamento Regionalizado; coordenar e executar obras, serviços e ações de desenvolvimento regional que lhe são afetas e, ainda entre outras, apoiar o desenvolvimento municipal.

Visitei a nossa secretaria sob o comando de Valmor Fiametti. O secretário me recebeu de braços abertos e, gentilmente exclamou: “meu professor”, lembrando dos bons tempos em que tive o privilégio de lecionar Direito e Economia na Unc. De minha parte lembrei dos tempos em que ele era o presidente da CPI e eu, novel advogado em acirrado debate em comum pela imprensa, tendo como centro da discussão o Corpo de Bombeiros, objeto indevido de comissão de inquérito legislativo. Aquela instituição, de natureza privada, deveria simplesmente prestar contas do dinheiro obtido do erário via convênio. Não era e não é ente da administração direta ou indireta. Enfim, daqueles primeiros embates nesta minha amada cidade natal, surgiu velada admiração pelo secretário, por seu caráter inquebrantável, serenidade, paz de espírito e elegância em tratar das adversidades (e dos adversários)...

Este é o ponto: as Secretarias de Estado do Desenvolvimento Regional são comandadas por gente conhecida, da terra, ligadas ao povo local. A sede encravada na própria comunidade facilita o diálogo, na medida em que a autoridade permanece na região e não é estranha, tem rosto amigo, sorriso e braços abertos. E que bom quando são comandadas por líderes equilibrados, corretos, que administram sem olhar para o partido político, sem discriminação, com racionalidade e respeito pelos cidadãos. Em termos de estrutura de poder, a descentralização transfere o poder de decisão para o povo através dos Conselhos de Desenvolvimento Regional. Algo parecido com o orçamento participativo criado pelo PT. Enfim, no campo da democracia, convenhamos, temos muito a apreender com o nosso governador. Este exemplo, aliado ao sentimento de respeito pelas pessoas, deveria fazer parte da cultura de todos os partidos políticos, inclusive daqueles que intervém na estrutura partidária de forma ditatorial. Estes, quando alçados ao poder, da mesma forma com que se comportam internamente, farão muito no discurso, mas pouco na práxis democrática. Feliz Natal, governador. Feliz ano novo, intrépido e admirável Secretário de Estado Regional. Pensamento da semana: A diferença entre quem entende de política e quem faz marketing político é que os primeiros partem do princípio de que o eleitor é inteligente e os segundos acham que o eleitor é imbecil. Mauro Santayana – jornalista.

sábado, 12 de dezembro de 2009

"GENTE QUE FAZ"

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Além das alegrias decorrentes do espírito de afeto e de fraternidade que nos unem, as múltiplas atividades pre-natalinas produzem, ainda, um efeito invisível: Aquecem a economia, geram riquezas, empregos e distribuem renda. A ABC Piscina Clube, mais uma vez oportunizou aos seus sócios e convidados um show simplesmente espetacular no Azul e Branco, baile anual que movimenta vários setores produtivos. Após o som de Zé Ramalho Cover, a noite entrou para a história com um dos melhores desfiles de moda já realizado em Concórdia, pelas mãos da Laleska Store. Vinte modelos de Concórdia, Florianópolis e Curitiba desfilaram sobre as águas azuis, com o brilho inconfundível da belíssima Daniele Souza e do desempenho encantador de Rodrigo Teaser, cover de Michael Jackson. O alto nível do evento, assim como de outros que se verificam nesta época com jantares festivos, ceias de natal e festividades na virada de ano, movimentam milhões de reais. Pensando em toda a mega-infraestrutura que viabiliza cada um destes eventos, em rápida elucubração durante os belos momentos da noite da ABC, refleti sobre os vários setores econômicos, pessoas e instituições que fizeram acontecer aquele evento.
A iniciar pelo setor de vestuário: vestidos novos no traçado de corpos perfeitos; setor de bens e serviços: cabelos, maquiagem, perfumaria, jóias, calçados femininos, marcenaria e montagem do palco, pintura de painéis iluminados por projetores localizados em estruturas de alumínio, garçons, segurança, limpeza, energia, transportes, entre outros e, o setor de alimentação e de bebidas. O efeito “dominó”, proveniente do que parece ser um simples evento, é gigante e beneficia muitas famílias, através de empregos diretos e indiretos que geram renda e aumentam a qualidade de vida da própria comunidade. Dentro desta perspectiva, além do setor privado, o município também tem dado significativa parcela de contribuição. A iluminação natalina na praça central da cidade, com inovações criativas que incluem túneis coloridos e “neve” artificial para a alegria das crianças e da turminha adulta, fã do Papai Noel (aí me incluo), alegram a cidade e dão novo alento para estes tempos, pós quebra da economia mundial. Mas, o benefício desta época não advém somente do aquecimento econômico, mas também da oportunidade para uma reflexão madura sobre a responsabilidade pessoal que tivemos diante dos fracassos e sucessos ocorridos durante o ano. O que fizemos de nossa vida neste ano que chega ao fim? O que eu poderia ter feito e não fiz para ser mais feliz e fazer minha família, minha esposa, meu marido, namorado (a), meus filhos, amigos e semelhantes mais felizes? Neste aspecto, a notável Parada Natalina e o desfile de várias instituições, escolas e igrejas permitiu momentos de emoção e de meditação. Empresários, famílias inteiras desfilaram, confraternizando-se com o povo e dando testemunho de que o tempo é de amor, paz e de transformação de vida. Talvez o que mais me emocionou foi a determinação de cristãos ligados as igrejas locais, os quais, devidamente paramentados desfilaram lembrando que o natal representa, acima de tudo, o nascimento de Jesus. Estes homens, mulheres e jovens passaram um testemunho pessoal muito corajoso e transformador: o de que é possível, assim como Jesus, nascer de novo para uma nova vida. Pensamento da semana: "A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (anônimo)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CONSUMA PRODUTOS DAQUI

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

A atividade agroindustrial é de suma importância para o desenvolvimento econômico do país, pois ocasiona o fortalecimento das microrregiões, a fixação do homem no campo e é também a atividade que gera mais renda, emprego e tributos com menor volume de investimento. Por esse motivo, interessa, e muito, que as administrações municipais se concentrem em projetos que estimulem a industrialização de produtos agropecuários. Sem demérito dos produtos industrializados em outros municípios, ao fazer compras, presto muito atenção na origem dos mesmos, preferindo sempre os industrializados nos municípios da minha região. O raciocínio é simples: Se, compro erva-mate, embutidos, massas, chope, carnes, móveis, industrializados e fabricados aqui, com certeza estarei contribuindo para mais uma vaga de emprego a um pai ou mãe de família e ainda, com tributos municipais com os quais serão prestados serviços públicos, como asfaltamento, urbanização, saneamento, educação, etc.
A par da postura de consumidores conscientes, que protegem e valorizam nossa gente, as Administrações Públicas, através de prefeitos capazes, inteligentes e com vontade política, podem contribuir de forma decisiva para promover o nosso desenvolvimento. É responsabilidade dos municípios sensibilizar e motivar as lideranças políticas, empresariais, religiosas e outras entidades de apoio ao setor rural e agroindustrial, para o fortalecimento das industrias existentes e para a criação de novas empresas, buscando principalmente a geração de emprego, aumento da renda e a interiorização do desenvolvimento. O primeiro passo a ser dado é a realização de um diagnóstico sócio-econômico para prospecção e identificação das carências e potencialidades da região, seguido da elaboração de um plano de ação a partir de prioridades identificadas. O segundo é apresentar uma árvore de oportunidades de investimentos e, a partir da manifestação de interesses elaborar estudos técnicos de viabilidade para implantação de novas unidades agroindustriais.
É preciso conscientizar a comunidade de que é muito mais vantajoso investir em empresas comunitárias, aqui no nosso município, do que em caderneta de poupança ou aplicações financeiras cujos valores voam para fora da região. Empresas comunitárias, implantadas após a realização de projetos e estudos de mercado que atestem suas viabilidades, possuem, de regra, taxa de retorno e de lucratividade superior as do mercado financeiro. Cabe aos prefeitos capitanearem essas iniciativas. Infelizmente, em vários municípios se perdem grandes oportunidades devido a ausência de empenho de gestores que pouco se interessaram pelo assunto. Uma boa administração não se faz somente gerindo o erário sob o manto da lei de responsabilidade fiscal, mas, estimulando a aplicação financeira da comunidade em investimentos locais que realmente gerem renda, empregos, tributos e real desenvolvimento. Na realidade nossas políticas públicas sempre foram míopes, ingênuas e pobres.
Iniciativas de investimentos microrregionais somente não prosperaram por ausência de uma vontade política esclarecida e dinâmica. Na realidade é de impressionar o marasmo com que administrações municipais se repetem e se limitam na realização de suas obrigações básicas. Não se observam políticas arrojadas voltadas para a geração, aumento e distribuição de renda. Prefeitos e secretários são tímidos e não possuem visão ou vontade política. Seus horizontes terminam alí, no bueiro da esquina. Pensamento da semana: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito” Jean-Paul de Gondi, cardeal de Retz (1613-1679), político francês.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

DIRETO AO PONTO

CRONICA DESTINADA A PUBLICAÇÃO
(liberado para eventuais correções de grafia
)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Ruas de extrema importância para escoamento do trânsito, passagem de pedestres e espaço de acesso a praças, muitas vias públicas de várias cidades do país servem para inusitados shows privados. Longe de se afinar com políticas públicas voltadas a qualificação da vida dos cidadãos, de troca do trânsito veicular por espaços de convivência e diversão para todos, estes eventos propiciam um isolamento entre os que pagam e os que não tem condições financeiras para se divertir em plena rua, as quais, “data vênia” o “bis in idem”, são públicas. A liberação destes espaços é equivocada, na medida em que a utilização, nos moldes acima mencionado, se convertem em apropriação de bem público para interesses privados, com total descompromisso com a população. Releva observar que não é lícito à Administração Pública autorizar cessão de uso de rua ou praça pública a determinadas pessoas, porque tais bens, enquanto úteis ou necessários pertencem ao povo. Muito menos pode permitir que particulares estabeleçam preço aos munícipes para ingressarem em tais espaços, criando limitações a respeito de sua utilização vez que se trata de bem público.
Indo direto ao ponto: A autorização para a festa privada em via pública impõe à população uma condição discriminatória de identificação frente a um grupo privilegiado que tem condições financeiras para pagar e que, em última análise, pertence à mesma população. Pouco importa se os interessados em tais eventos decantarem os fins filantrópicos de parte da renda a despeito da suposta legitimidade do ato administrativo que lhes franqueia cercarem e isolarem ruas e praças para fins privados. A verdade é uma só, a autorização para utilização de ruas e eventuais normas municipais que dão guarida para tais autorizações (se é que existem) se constituem numa agressão ao patrimônio jurídico da população na medida em que impedem o direito dos reais titulares ao uso em total liberdade e igualdade com os demais cidadãos pagantes. É indeclinável e inalienável o direito dos transeuntes em geral, assim como das pessoas que possuem escritórios e garagens em prédios lindeiros a estes eventos de circularem ou permanecerem livremente nas vias e praças. E isso sem falar nas dificuldades que tais eventos causam para a dinâmica do transito nas cidades, tolerável quando os eventos forem graciosos e abertos a toda a população.
Aliás, este é o lado absurdo das cidades, constatado na ausência políticas urbanas adequadas. Não se investe adequadamente em eixos de expansão de crescimento urbano para fora dos circulos habitacionais; se fazem obras pontuais como mudanças de direção de trânsito, apenas desviando engarrafamentos; se sinalizam o asfalto todo o final de ano (sempre em pleno “rusch”); se franqueiam construções em pirambeiras e, finalmente, se “apropria”, ainda que temporariamente, do direito das coisas do povo. Enfim, pouco importa as conveniências administrativas ou privadas na autorização de tais disparates, que ocorrem principalmente durante as férias de julho, final e início de ano, senão a sua conformação com o ordenamento jurídico, sua legalidade e sua lesividade ao patrimônio público. Pensamento da Semana: “A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é preciso nenhuma preparação.” (Robert Louis Stevenson)

DIRETO AO PONTO

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Rua de extrema importância para escoamento do trânsito, passagem de pedestres e espaço de acesso a praça central da cidade, a Rua Leonel Mosele serviu de palco para inusitado show privado. Todo o espaço foi fechado. Cercas garantiram o acesso ao divertimento interno para quem pudesse pagar vinte reais. Longe de se afinar com políticas públicas voltadas a qualificação da vida dos cidadãos, de troca do trânsito veicular por espaços de convivência e diversão para todos, o “bailão da lona” propiciou um isolamento entre os que pagaram e os que não tinham condições financeiras para se divertir em plena rua, a qual, “data vênia” o “bis in idem”, é pública. A liberação daquele espaço defronte aos edifícios da prefeitura e da câmara de vereadores é equivocada, na medida em que sua utilização, no molde acima mencionado, se converteu em apropriação de bem público (uma rua, vejam só) para interesses privados, com total descompromisso com a população. Releva observar que não é lícito à Administração Pública autorizar cessão de uso de rua ou praça pública a determinadas pessoas, porque tais bens, enquanto úteis ou necessários pertencem ao povo. Muito menos pode permitir que particulares estabeleçam preço aos munícipes para ingressarem em tais espaços, criando limitações a respeito de sua utilização vez que se trata de bem público.
Ocorre que o cercado de quase dois metros de altura restringiu a circulação de pessoas em via pública. Indo direto ao ponto: A autorização para a festa privada em via pública impôs à população uma condição discriminatória de identificação frente a um grupo privilegiado que teve condições financeiras para pagar e que, em última análise, pertence à mesma população. Pouco importa se os interessados no evento decantarem os fins filantrópicos de parte da renda a despeito da suposta legitimidade do ato administrativo que lhes franqueou cercarem e isolarem uma rua para fins privados. A verdade é uma só, a autorização para utilização da citada rua e eventual norma municipal que dá guarida para tal autorização (se é que existe) se constituem numa agressão ao patrimônio jurídico da população na medida em que impediram o direito dos reais titulares ao uso em total liberdade e igualdade com os demais cidadãos pagantes. É indeclinável e inalienável o direito dos transeuntes em geral, assim como das pessoas que possuem escritórios e garagens em prédios lindeiros de circularem ou permanecerem livremente naquela via. E isso sem falar nas dificuldades que tal evento causou para a dinâmica do transito na cidade, tolerável quando o evento for gracioso e aberto a toda a população.
Não bastasse o transtorno diário no trânsito, toda a manhã da segunda feira foi utilizada para o desmonte das estruturas gigantes, de ferro, que serviram de sustentação para os barracos. Ou seja, a rua permaneceu fechada em pleno início de semana, prejudicando a livre circulação de veículos e pessoas. Aliás, este é o lado absurdo de Concórdia, constatado na ausência de uma política urbana para uma cidade que em vinte anos terá cento e cinqüenta mil habitantes. Aqui não se investe adequadamente em eixos de expansão de crescimento urbano para fora do atual circulo habitacional; se faz obras pontuais como mudanças de direção de trânsito, apenas desviando engarrafamentos; se sinaliza o asfalto todo o final de ano (sempre em pleno “rusch”); se franqueia construções em pirambeiras e, finalmente, se “apropria”, ainda que temporariamente, do direito das coisas do povo. Enfim, pouco importa as conveniências administrativas ou privadas na autorização de tal disparate, se não a sua conformação com o ordenamento jurídico, sua legalidade e sua lesividade ao patrimônio público. Pensamento da Semana: “A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é preciso nenhuma preparação.” (Robert Louis Stevenson)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

FUNDAMENTOS PARA UMA BOA POLÍTICA

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

A grande tradição do evangelho de Jesus Cristo tem sua base na opção preferencial pelos pobres, sendo esta, a pedra fundamental e histórica pela qual devem se orientar, disciplinar e viver no dia a dia, todos aqueles que aceitam o Espírito Santo em suas vidas. A prosperidade individual não tem muito sentido se não for socializada, compartilhada com os que sofrem e trilham o calvário das necessidades. A compaixão e a caridade devem ser os grandes valores que impulsionam todos os cristãos, de todas as igrejas. Essa atitude é muito mais do que uma manifestação religiosa, mas ética e moral, na medida em que, verdadeiros cristãos não podem aceitar o gigantesco sofrimento do povo sob o pálio da humilhante miséria gerada pelo desemprego, concentração de riquezas e rendas nas mãos de poucos. Não existe verdadeira conversão sem que vejamos Jesus no pobre e sem que assumamos a causa da pobreza como uma questão prioritária e de promoção de justiça (Mt 25, 31-46; Lc 10, 29-37; Lc 12, 33-34). Deus ama preferencialmente os pobres, não por mérito deles, mas porque são necessitados (Lc 15, 1-24). A causa da miséria tem sua gênese na opressão econômica e esta tem sua causa na ausência de uma ação política inteligente, corajosa e comprometida com a justiça social. Toda conversão autêntica exige práticas de libertação, de solidariedade e de partilha, mesmo porque decisões governamentais em favor do desenvolvimento são insuficientes para superar o problema da pobreza. É necessário, prioritariamente, mudar as estruturas que oprimem o pobre, vendo o mundo, sob a sua perspectiva. Não se trata, certamente, de misturar política e religião, uma vez que é necessário separar a fé do fundamentalismo (redução da vida à religião), a fim de não incorrer nos equívocos de alguns países islâmicos que promovem estados religiosos onde tudo se mistura e confunde.

O ensaio que propõe articulação entre vivência cristã e política de Estado, passando obviamente pela política partidária, tem a ver com postura pessoal e com viver o reino de Deus, já aqui nesta terra, por meio de projetos que privilegiem uma correta distribuição de renda, respeito pelo meio ambiente, defesa por uma vida digna aos trabalhadores, com salários justos, habitação, saúde, educação. Estas idéias são, acima de tudo, cristãs e não podem ser consideradas reserva de mercado de uma ou outra igreja, religião, segmento cristão. A própria doutrina social da igreja católica, lapidada em algumas Encíclicas Papais se constituem em paradigma de defesa de ações políticas como forma de construir estruturas sociais e econômicas justas. Todo bom político deveria ler estes documentos, verdadeiros projetos humanitários que buscam aproximar este mundo do Reino de Deus. A começar pela “Rerum Novarum” divulgada pelo Papa Leão XIII, em 1889, seguida da “Anus Quadragesimus” do Papa Pio XI, depois a “Populorum Progressio” do Papa Paulo VI e, finalmente, a “Laborem Exercens” e a “Centesimus Anus” do Papa João Paulo II. Importa afirmar que, uma fé restrita a mera espiritualidade, desvinculada de valores éticos, humanitários e de práticas cristãs efetivas, se torna ambígua e deve ser superada. Essa superação, com a devida vênia, pode encontrar caminhos, entre outros, através de uma política coerente, honesta e voltada a projetos sociais relevantes. A ideologia da prosperidade em favor de opções temporais meramente privadas ou de interesses individuais é contraditória. A graça do Espírito Santo, que muda a história dos que o recebem exige, não só abertura ecumênica, visão interconfessional, respeito por todos os credos e religiões, mas, muito especialmente, um compromisso concreto com ações políticas de prosperidade econômica voltadas ao progresso de todos os que vivem em sociedade. Pensamento da Semana: A fé é uma linguagem espiritual e quando voce a tem é dono da chave que lhe abrirá as portas do sucesso. Pr. Cesar Castellanos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DESOBEDIÊNCIA: JUDICIÁRIO ATENTO

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Cadeia para os membros da Mesa Diretora do Senado que desobedeceram ordens emananadas do Supremo Tribunal Federal para cassação do senador Expedito Júnior (PSDB-RO) por comprovada compra de votos e abuso de poder econômico, é o mínimo que a sociedade brasileira espera. Para impedir a posse de Acir Gurgacz (PDT-RO) o espúrio comprador de votos ingressou com um requerimento junto à Mesa Diretora do Senado, para que a Comissão de Constituição e Justiça emita parecer sobre a ordem do Supremo Tribunal Federal. Dá para acreditar? Qualquer cidadão deste país sabe muito bem que, decisão judicial, especialmente transitada em julgado, não se discute. Cumpre-se. E, se essa decisão for emanada do STF, encerrando definitivamente uma controvérsia, há de ser cumprida: “sob pena de a Constituição transformar-se em um instrumento sujeito a indevidas manipulações, o que seria absolutamente inaceitável”, segundo o ministro do STF Celso de Mello. Não é de hoje que tais exemplos ecoam na cabeça de meliantes. Escorados e espelhados na malandragem daqueles que deviam dar bom exemplo, a rafuagem se insurge contra a ordem estabelecida e, mesmo tendo consciência plena de que deve obediência as autoridades constituídas, simplesmente reage, fazendo pouco caso e se alçando, não raras vezes, à condição de vítima.
Semblante sereno, olhar fixo para as colinas desenhadas ao fundo da sala de audiências, surpreendeu-me nestes dias, decisão prolatada verbalmente por ilustre magistrado. Suas palavras, esculpidas em sentença, ainda sub-judice, soaram como chicote patriótico, demonstrando que o judiciário encontra-se atento e alerta ao que ocorre no Brasil, de tal sorte que, de natureza pública, merecem ser aqui reproduzidas: “Infelizmente em nosso país observamos diariamente agressões contra o Estado de Direito e desrespeito as leis e as autoridades constituídas, entendendo os agressores e desrespeitadores que de qualquer forma tem direito de assim agir. É o que ocorre diariamente contra a polícia militar e é o que se vê nos noticiários televisivos. Entendem os cidadãos atualmente que podem desrespeitar a ordem constitucionalmente prevista e estabelecida e que tem o direito de depredar a coisa pública e bens particulares em nome de tais "direitos". É comum, então, hoje, principalmente a juventude, fazer pouco das determinações legais e daquelas emanadas das autoridades. Talvez porque o exemplo venha de cima como é o caso do Senado Federal que nesta semana não cumpriu ordem do Supremo Tribunal Federal. Não sabemos a repercussão de tais desmandos e dos prejuízos que causaram a sociedade em curto espaço de tempo, mas não pode este Magistrado deixar de registrar sua indignação contra tais desmandos. Não pode, também, acatar o pedido do autor, visto que encontra provado nos autos que ele próprio deu causa aos prejuízos que alega ter sofrido e que pretende ver, indenizados. É que, ao ser abordado pelos policias militares, deveria acatar a ordem de prisão e buscar seus direitos constitucionais perante a autoridade policial Civil e através de advogado. Preferiu agredir os policiais fisicamente e verbalmente alegando temer ser por eles agredido fisicamente na delegacia de Polícia.” Parodiando o presidente do STJ César Asfor Rocha, tais atitudes, de Senadores e de cidadãos comuns, apresentam “um sério risco às instituições brasileiras”. Por isso, a sociedade apóia, aplaude e reverencia Juízes atentos e conscientes de seus deveres. Estes se destacam como verdadeiras ilhas de resistência moral e ética em meio ao mar de patifarias e bandalheiras que assolam estes tempos apocalípticos. Homenagens: Ao Poder Judiciário Catarinense na pessoa do brilhante e operoso Juiz Renato Maurício Basso que dignifica a Justiça na Comarca de Concórdia – SC. Pensamento da semana: "As leis são um freio para os crimes públicos - a religião para os crimes secretos”. Rui Barbosa

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

“UMA VIDA”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Absorto em leitura cadenciada, mas ainda em curso devido ao curto espaço de tempo desde a emoção de meu pai ao receber “Uma Vida”, com dedicatória do autor, constato que o relato da vida de Osório Henrique Furlan apresenta obras e acontecimentos que não podem ser dissociadas do impacto que provocaram na história de milhares de pessoas e de famílias beneficiadas por suas idéias, convicções, fé, firmeza de caráter e iniciativas empresariais. A perspectiva histórica, a partir de Asolo, de onde partiram os avôs paternos, de Galópolis onde nasceu; de Concórdia berço da Sadia e de São Paulo, oferece um panorama amplo de realizações cujos fundamentos repousam em sólidas, amorosas e responsáveis relações familiares. Dessarte, o leitor se vê introduzido numa atmosfera familiar que condicionou uma caminhada empresarial de sucesso (fls. 131), e que levou a uma verdadeira mutação econômica e social na cidade de Concórdia – SC e após em vários segmentos empresariais do país. Com o livro de Osório Henrique Furlan vem à tona a consciência de todo o passado no presente, de tal sorte que se constitui em valioso manancial de exemplos nos quais devemos nos abeberar.
A empresa Sadia, potência agroindustrial na América Latina, jamais chegaria ao nível de expansão experimentado até 2008, sem a visão deste homem que, a partir de 1960, mudou-se para São Paulo e iniciou um processo de crescimento e implantação de filiais em todo o país, com representações e negócios no exterior (fls. 109 em diante). O estilo de gestão de Osório Henrique Furlan, “contribuiu para formar pelo menos três gerações de bons gestores e administradores” (fls.119). Entre eles Luiz Henrique Furlan, alçado em 2003 ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior do Brasil: “Luiz encarava aquele chamamento como uma missão, um serviço que deveria prestar ao país. Sem qualquer veleidade política, ideológica ou mesmo de vaidade pessoal, tinha motivos sinceramente patrióticos. Ele me fez lembrar meu velho pai Gotardo, que não por acaso me registrou como Osório, em homenagem ao general gaúcho que se tornou herói do Exército imperial brasileiro” (fls. 187).
Patriotismo que, salvo melhor juízo, custou caro à família. Não passa despercebida certa contrariedade do autor, na apresentação do livro, fls. 11/13: “Entrou no meu vocabulário a palavra “derivativo cambial” que, numa asserção simples, significa um grande jogo de azar. Esqueceu-se a lição do fundador Atílio F.X.Fontana para quem a base do sucesso da empresa era o trinômio homem, terra e técnica. Esqueceu-se que a vocação da empresa sempre foi a produção de alimentos e não a especulação no mercado financeiro.” Sobre o tema escrevi neste jornal em maio de 2009, sob o título “Sadia: Uma História”: “ Onde estava o “Head of the family” e “Commander” durante as equivocadas apostas em derivativos? Cuidando do desenvolvimento, da indústria e do comércio do país? Doando a sua vida, conhecimento, sabedoria e herdada sagacidade do avô em favor da sociedade brasileira? Doação patriótica: governo sem leme em casa”. Ainda sobre o tema, em abril de 2009, o “O Jornal” publicava: “Sadia, Nossa Empresa, Nossa Vida”, coincidentemente na mesma linha do pensamento de Osório Henrique Furlan: “Um bom departamento de estudos econômicos recomendaria, diante da volatilidade do mercado de ações, concentração de esforços e investimentos exclusivamente dentro da atividade de origem da empresa, privilegiando a vocação natural para qual foi criada. (...) Neste contexto, uma visão incessante e contínua voltada para as perspectivas dos fundadores deve acompanhar de forma reflexiva e comprometida as decisões dos atuais administradores, sobre os próximos passos, investimentos e estratégias.” (textos em http://cesartechio.blogspot.com). Pensamento da semana: “Um livro destinado aos que amam as origens, a família e a pátria”.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

“ENCHENTES URBANAS, AUTORIDADES RELAPSAS”

“ENCHENTES URBANAS, AUTORIDADES RELAPSAS”

(Texto para publicação)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

“Uma Verdade Inconveniente” é o título do filme de Al Gore que trata sobre o efeito estufa, conclamando a quem o assiste, para o imperativo moral de promover mudanças que impeçam os efeitos da poluição na atmosfera da terra sujeita a retenção do aquecimento solar pelo acúmulo de CO2 emitido por fábricas, veículos e queimadas. Al Gore reuniu dados científicos sobre o comportamento do CO2 e temperatura da terra, desde há 600.000 mil anos. Os gráficos oriundos destes estudos demonstraram um crescimento abrupto da temperatura nos últimos 50 anos, com padrões absolutamente fora da sazonalidade apresentada em milhares de anos. A destruição das matas, responsáveis pela oxigenação do ar, retenção de umidade e preservação do solo, é a maior responsável por esta catástrofe.
Em várias cidades brasileiras a destruição de matas em encostas, com o objetivo de construir casas, prédios, loteamentos, ruas, etc se constitui num verdadeiro atentado à natureza, ao equilíbrio ecológico e a vida humana. Além disso, não adianta alargar os rios ou construir barragens de contenção, sem uma política ambiental que evite a destruição das matas inseridas na bacia hidrográfica dos rios urbanos. A terra sob as matas possui, entre outras, a missão de reter enxurradas, absorver a agua da chuva conduzindo-a para o lençol freático. Basta circular pelos bairros das cidades para constatar a existência de barrancos abismais, escavações em terra pura, aqui e acolá, em constantes ofensas a normas de proteção ambiental esculpidas na Carta Republicana a partir do art. 225, seu núcleo normativo principal. Matas são eliminadas sem dó e sem piedade, normalmente com licença ambiental. Trata-se de matas inseridas nas bacias hidrográficas de rios urbanos. Toda a água pluvial, além de esgotos, etc, provenientes delas escoam para os rios que atravessam as cidades.
O Poder Público de cada município tem o dever de adotar iniciativas, inclusive com o encaminhamento de projetos de lei para a aprovação pelas Câmaras de Vereadores, visando à preservação das matas naturais encravadas na bacia hidrográfica destes rios.
São medidas fundamentais e imprescindíveis para evitar enchentes nos centros urbanos. Não é possível fechar os olhos para essa gravíssima situação. Muito menos aceitar que necessárias e corretas obras de contenção de cheias não venham acompanhadas por uma política ambiental voltada a preservação das matas existentes na nas bacias hidrográficas urbanas. Não é aceitável que órgãos responsáveis que deveriam proteger e preservar a natureza autorizem desmatamentos, contribuindo para futuros deslizamentos e enchentes. È contraditório aplaudir Leonardo Boff e sua correta exortação ecológica, sem uma contrapartida concreta. É hipocrisia discursar em favor da adoção de uma política de educação ambiental que desperte a consciência das pessoas com relação à necessidade de se manter o meio ambiente saudável, sem que o Poder Público, de cada cidade, faça sua própria lição de casa. Quem desmata tem o dever de reparar conforme art. 225, §1º, inciso I, e §§2º e 3º da Constituição Federal, dispositivos que agasalham a obrigação de restauração, recuperação e reparação do meio ambiente danificado. Não somente ao Estado cabe o dever de preservar o meio ambiente, mas também à sociedade, visto que dispositivo constitucional impõe a ela também esta incumbência (artigo 225, caput). Pensamento da Semana: “A única responsável pelas enchentes foram as chuvas” (sic). Mário Covas/1985.

DESMATAMENTOS QUE GERAM ENCHENTES

DESMATAMENTOS QUE GERAM ENCHENTES

( texto adptado para publicação)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com
Linhas geodésicas nos cercam. Na topografia dos municípios, começando pelas áreas mais elevadas, até o centro das cidades, constatamos, sob uma perspectiva tridimensional, curvas de nível da bacia hidrográfica urbana. Através delas os desníveis das áreas de captação de águas pluviais que deslizam para os rios que normalmente atravessam os centros das cidades, fortalecem o volume de água que, a cada enxurrada, agiganta e transborda canais concretados e imobilizados pelas poucas luzes dos gestores públicos. Difícil de entender? Então explico: Alargamento de rios e construções de canais extravassores ou piscinas de contenção, diante da inexistência de uma política ambiental de preservação das matas existentes nas bacias hidrográficas que desembocam nos centros das cidades, serão lembrados pelas futuras gerações como monumentos à ignorância de homens e mulheres que, vivendo numa época de alto avanço nas ciências da geoinformação, meio-ambiente, engenharia, estatística, informática e planejamento urbano, nada entenderam sobre preservação, ecologia, vida e dignidade. Notem: Alargamento de rios, construções de canais extravassores, são medidas de combate aos efeitos e não à gênese e motriz do problema das enchentes urbanas.
Culpar as chuvas torrenciais pelo transbordamento de rios, pelos prejuízos milionários de lojas, de empresas e pela angústia de famílias alijadas da proteção doméstica de suas casas, a cada enchente, se constitui num grave e imperdoável equívoco. A Administração Pública não somente tem o dever de ser honesta, mas, por imperativo constitucional (artigo 37º da CF), de ser eficiente. Consequentemente, todo recurso gasto no alargamento de rios e nas construções de canais estravasores devem ser visto como fruto de improbidade administrativa, se desacompanhado de ações concretas que proíbam o insano desmatamento na bacia hidrográfica das cidades.
Trata-se de dinheiro queimado, inútil e malversado, pois é visível que, continuando a sangria verde à montante da bacia hidrográfica, canais extravassores e alargamentos de rios, devem ser consideradas obras estéreis, sem préstimo, visivelmente insuficientes para escoar as águas pluviais que não são absorvidas pelas áreas de terras desmatadas. Não bastasse a emissão de licenças ambientais à latere do disposto no artigo 225 da CF, as autoridades descuram de várias leis que existem em vários Estados e Municípios. Por elas é proibido meter trator em morros, encostas, ladeiras, barrancos. Escavações em topografia que apresente declividade de 30º ou superior é ilegal, imoral, um crime contra o meio ambiente e contra a humanidade. Como se vê, alguma lei existe. E simplesmente não é cumprida. É o que se conclui diante do desmatamento e escavações vorazes que continuam frouxas em pirambeiras de várias cidades do Brasil.
Esta crônica é uma homenagem a idealistas, homens e mulheres que amam a natureza e querem preservar o futuro de seus filhos e netos. Esta crônica é um dedo em riste contra autoridades que assinam autorizações para derrubadas das matas existentes nas bacias hidrográficas das cidades brasileiras, descurando do disposto nos incisos IV, VI letras, “f” e “g”, VII e XII da lei federal nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), que obriga a que a expanção urbana no Brasil se processe de modo compatível com os limites da sustentabilidade ambiental. Pensamento da Semana: “Um político pensa nas eleições seguintes; um estadista nas gerações seguintes.” James Clarke.

ADIANTA CONSTRUIR CANAL EXTRAVASOR?

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Linhas geodésicas nos cercam. Na topografia de nosso município, começando pela vila de São José até o centro da cidade de Concórdia, constatamos, sob uma perspectiva tridimensional, curvas de nível de nossa bacia hidrográfica. Através delas os desníveis das áreas de captação de águas pluviais que deslizam para o riacho que atravessa o centro da cidade, fortalecem o volume de água que, a cada enxurrada, agiganta e transborda o canal concretado e imobilizado pelas poucas luzes de nossos gestores. Difícil de entender? Então explico: O canal extravassor, diante da inexistência de uma política ambiental de preservação das matas existentes em toda a bacia hidrográfica que desemboca no centro da cidade, será lembrado pelas futuras gerações como um monumento à ignorância de homens e mulheres que, vivendo numa época de alto avanço nas ciências da geoinformação, meio-ambiente, engenharia, estatística, informática e planejamento urbano, nada entenderam sobre preservação, ecologia, vida e dignidade. Notem: A construção do canal extravassor é medida de combate aos efeitos e não à gênese e motriz do problema das enchentes.
Culpar as chuvas torrenciais pelo transbordamento do rio, pelos prejuízos milionários das lojas, das empresas e pela angústia das famílias alijadas da proteção doméstica de suas casas, a cada enchente, se constitui num grave e imperdoável equívoco. A Administração Pública não somente tem o dever de ser honesta, mas, por imperativo constitucional (artigo 37º da CF), de ser eficiente. Consequentemente, todo recurso gasto no alargamento do rio e na construção do canal extravasor deve ser visto como fruto de improbidade administrativa, se desacompanhado de ações concretas que proíbam o insano desmatamento na bacia hidrográfica do Rio dos Queimados. Trata-se de dinheiro queimado, inútil e malversado, pois é visível que, continuando a sangria verde à montante, o canal extravassor e o alargamento do rio devem ser consideradas obras estéreis, sem préstimo, visivelmente insuficientes para escoar as águas pluviais que não são absorvidas pelas áreas de terras desmatadas. Não bastasse a emissão de licenças ambientais à latere do disposto no artigo 225 da CF, as autoridades descuram do disposto no artigo 3º da lei estadual 6063/82. Por ela é proibido meter trator em morros, encostas, ladeiras, barrancos. Escavações em topografia que apresente declividade de 30º ou superior é ilegal, imoral, um crime contra o meio ambiente e contra a humanidade. Como se vê, alguma lei existe. E simplesmente não é cumprida. É o que se conclui diante do desmatamento e escavações vorazes que continuam frouxas nas pirambeiras da cidade.
A propósito: O antigo Fórum da cidade, que levará o nome de Leonardo Boff, situa-se no epicentro das linhas geodésicas a que me refiro. Várias enchentes invadiram aquele espaço detonando processos e mobiliários. A ausência de uma política ambiental em Concórdia que evite o desmatamento na micro bacia do Rio dos Queimados será responsável por eventuais notícias mundo afora, em manchetes tais como: “Leonardo Boff (o museu), vítima de enchente causada pelo desmatamento em sua terra natal”. Esta crônica é uma homenagem aos idealistas, homens e mulheres desta cidade que amam a natureza e querem preservar o futuro de seus filhos e netos. Esta crônica é um dedo em riste contra autoridades que assinam autorizações para derrubadas das matas existentes na nossa bacia hidrográfica, descurando do disposto nos incisos IV, VI letras, “f” e “g”, VII e XII da lei federal nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), que obriga a que a expanção urbana no Brasil se processe de modo compatível com os limites da sustentabilidade ambiental. Pensamento da Semana: “Um político pensa nas eleições seguintes; um estadista nas gerações seguintes.” James Clarke.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"LEONARDO BOFF: OU MUDAMOS OU MORREMOS"

versão para publicação

Cesar Techio - Economista – Advogado
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Duas décadas após receber alguns livros autografados por Leonardo Boff, me deparo com uma progressão de enfoque, adotado pela nova teologia da libertação. Objetivamente, a questão diz respeito de como deve ser, nos dias de hoje, um verdadeiro cristão diante das ameaças que apontam para o fim da vida no planeta terra. Releva notar, que neste meio tempo surgiu o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, de cuja Carta de Princípios se extrai, tratar-se de um fórum ecumênico, dialogal, plural e diversificado, que “contribui com a formação de uma espiritualidade ecológica e planetária, fortalecendo a experiência de sentido e de esperança utópica expresso na certeza por alternativas de ‘outros mundos possíveis’, em conexão com o compromisso social por justiça e dignidade numa ação política transformadora”.
Em meio a este “novo paradigma espiritual”, vem sendo gestada uma teologia centrada na sobrevivência da humanidade e, mais recentemente, no III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, ocorrido entre os dias 21 e 25 de janeiro de 2009, em Belém (PA), a orientação centralizou-se numa teologia fundamentada na sustentabilidade da vida no planeta. Falando sobre o tema, Leonardo Boff afirmou: “A teologia da libertação nasceu escutando o grito do oprimido e de tal preocupação nasceu a Teologia da Libertação. Mas a teologia não tem a chave da libertação. Em uma época eram os teólogos que mais falavam da libertação, mas eram outros que libertavam. Gente que estava na luta sindical, na guerrilha, estava em frentes duras de enfrentamento. A perspectiva é de como fazer do cristão um militante, que ele se comprometa e vá até a trincheira. Seja na luta sindical, política, de gênero, Direitos Humanos ou nas questões da ecologia”. Conclui-se, então, que a teologia que liberta é aquela engajada em ações concretas em favor da ética, da dignidade e da sobrevivência da humanidade. A vivência bíblica exige compromisso com a ecossimplicidade de que fala Boof, ”sermos mais, com menos” e com o resgate ético da sociedade como a conhecemos (perdulária, consumista, capitalista, egoísta).
Neste contexto, a pregação em igrejas e comunidades de base a cada dia mais se afeiçoa a uma leitura bíblica comprometida com a pessoa humana e com uma ordem econômica geradora e cônscia de ações ecologicamente corretas a nível global. Não só em igrejas, mas também em colégios encontramos espaços institucionais bem articulados e em condições de desenvolver práticas teológicas, filosóficas e ecológicas libertadoras. Espaço aberto e altamente eficiente na propagação destas novas proposições, a mídia deve assumir e manter urgente e prioritário compromisso com uma teologia que liberte não só o homem do inferno pós morte, mas, ainda nesta vida, do suplício, tormento e martírio decorrente de um planeta agonizante. Pensamentos da semana: “A Terra pode muito bem viver sem nossa presença. Em 30, 40 anos estará recuperada dos danos que causamos. O que está sob ameaça é a vida humana. Temos de mudar. Ou mudamos ou morremos”. “O ser humano é um ser espiritual. Nossa história vai além da Terra. A vida é maior que a morte. Podemos unir a força da ciência – praticada com ética e respeito –, à força da religião. Ambas transformam”. Leonardo Boff.