quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DESTOMBAMENTO DA CÂMARA DE VEREADORES: O FUTURO JÁ CHEGOU.




 Cesar Techio
Economista – Advogado

         
         Segundo nos conta Remy Fávero (de saudosa memória), a Câmara de Vereadores de Concórdia foi inaugurada em 1º de julho de 1947, pelo Prefeito Fioravante Massolini, com a presença do então Governador do Estado, Aderbal Ramos da Silva, nela se instalando a Prefeitura, a Delegacia, o Fórum, o Cartório de Registro Civil e a Câmara de Vereadores, que era chamada de Conselho Consultivo. Em 1965, a Delegacia e o Fórum foram transferidos e em 1967 foi instalado no prédio a Biblioteca Pública Municipal, a qual alguns anos depois passou a funcionar em outros locais. Estas referências são necessárias para que se possa justificar, em tese, a preservação daquele prédio por razões históricas através do instituto do tombamento, o que impede sua destruição ou descaracterização.


        Trata-se, na realidade, de singela cópia do projeto do edifício da então Prefeitura de Caçador, cujo interior foi totalmente reformado para abrigar a atual Câmara de Vereadores de Concórdia. Nenhum vestígio permaneceu do layout interno. Onde ficava a sala do Alcaide e em que espaço ocorria as perorações infladas dos Edis? Totalmente descaracterizado nas entranhas, ninguém mais sabe. No seu âmago restaram minúsculos gabinetes que, com a devida vênia, mais se parecem com pequenas pocilgas, verdadeiros chiqueirinhos, um desrespeito para com os vereadores e para com o povo. Sem espaço para mais do que duas ou três pessoas que neles ingressem (seguramente se quatro entram, uma precisa sair), são cubículos vexatórios, verdadeiras celas inservíveis, sem espaço para armários, para móveis, para respirar. Ambientes fechados, acuados por ausência de espaço que compromete de forma grave a circulação do ar e a iluminação, possuem acesso por corredores lúgubres, causadores de labirintite em opositores do passado, agarrados a paradigmas empoeirados, sem cor, sem espaço, sem tom, nem futuro.

         Por fora o prédio permaneceu como de antanho, um quadrado patético com janelões rústicos, cismados pela incapacidade de aceitar um mundo que já foi visto devagar, com a lentidão de quem o defende, mas hoje anda rápido, na velocidade de arquiteturas multifuncionais e bem pensadas. De traços construtivos inexpressivos, sem qualquer marca arquitetônica, o prédio da Câmara de Vereadores de Concórdia ainda tem uma estranha capacidade para obnubilar o olhar de distorcidas visões infladas por denúncias vazias, objeções pueris e divagações contra o futuro que já chegou. Convém retirar oficialmente, mediante lei, a proteção do poder público a este “caixotão” no qual se abrigam, a duras penas, os vereadores concordienses, e destombar o que foi tombado por erro de avaliação.

          No local construa-se um belo edifício com traços arquitetônicos arrojados, gabinetes espaçosos com interfaces bem estabelecidas e padronizadas, iluminados, limpos, inseridos em avançada estrutura tecnológica para atender bem o digno povo desta cidade. E, do outro lado da fronteiriça e moderna Rua Coberta, a bela Praça Dogello Goss, considerada pelo vereador Rogério Pacheco como símbolo cultural e histórico de maior representatividade para os concordienses, mas, “data vênia”, que sejam sem as árvores quase centenárias, prestes a desmoronar sobre si mesmas, sobre a cabeça de crianças, famílias, transeuntes. Elas, as velhas árvores, que devem se renovar, como de resto é da natureza da nossa própria vida e dos ambientes em que vivemos.
  

Pensamento da semana: Se a meta principal de um capitão fosse preservar seu barco, ele o conservaria no porto para sempre. São Tomás de Aquino



Elena Zucchi

9 de jan (Há 1 dia)


Dr. Cesar, feliz Ano Novo e a sua família.
 De fato, o prédio da Câmara está totalmente descaracterizado. Eu, que trabalhei nesse local, posso dizer que está completamente mudado. Externamente, mantém as características antigas, o que é pouco ou quase nada diante do que representou essa Casa.
Um abraço e obrigada por me mandar as suas crônicas, que prezo muito lê-las.
Elena