quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

APLAUSOS E GRATIDÃO A FREI TARCÍSIO THEEIS

  Foto: Jornal JM Jornal Metas de Gaspar - SC
                              
                           Cesar Techio
Economista – Advogado
      
                   Ao ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven sempre tenho presente em minha memória a figura de um dos mais extraordinários mestres que conheci na juventude e o quão vigoroso e cheio de ideais foi aquele tempo de seminário, um dos mais belos da minha vida. Orientador, professor de música e regente do coral, seu vasto conhecimento e esforço na formação moral, disciplinar e cultural dos seminaristas, lembravam a figura de Ludwig van Beethoven e de sua história de superação diante das adversidades. Surdo, se tornou o maior compositor da história. Dizia ele: “A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia”.

                   Adolescentes ainda surdos para a música, nos fazia conhecer composições que inebriavam a alma. Em discos de vinil, ouvíamos o inesquecível “Quatro Estações” do italiano Antonio Vivaldi; o “Danúbio Azul” de Johann Straus; a Sinfonia Nº 40 de Wolfgang Amadeus Mozart; a “Música Aquática” de Frideric George Haendel; os movimentos da BWV 1060 de Johann Sebastian Bach; a maravilhosa “Valsa das Flores” de Piotr Ilitch Tchaikovsky; o polaco Frédéric Chopin com suas maravilhosas Valsa Minuto e Mazurca; Johannes Brahms com a Symphony No.3 Poco Allegretto  (a que mais me comovia), entre outras, rabiscadas no meu vetusto caderninho de música que ainda conservo como preciosa relíquia de um tempo que não volta mais, mas que ainda faz parte das minhas mais caras memórias.

                   Lembro-me da aguçada e reverente atenção às lições diárias e dos nobres sentimentos que elas carreavam aos nossos corações: fraternidade, compaixão, amor e respeito pela vida.  No hall central do seminário, grandes orquestras podiam ser ouvidas entre o jantar e a terceira hora de estudos do dia: Paul Mauriat, Ray Connif, Frank Pourcel e Billy Vaughn (este último que ouço enquanto escrevo estas linhas). “Asa Branca” e “Assum Preto” de Luis Gonzaga eram cantadas em festivais e em apresentações do coral. O estudo da história dos grandes compositores da musica popular brasileira era matéria obrigatória nas aulas de canto. Escolhi, em certo ano, Jucas Chaves, o “Menestrel Maldito”, e, por conta disso, ainda desato a rir das piadas e críticas ao “establishment” da década de setenta.

                   Soube recentemente, que Frei Tarcísio Theeis retornou à região onde nasceu, Belchior Alto - SC, para o aniversário dos seus cinquenta anos de vida religiosa. Na melodia dos parabéns, imagino todos os compositores e cantores das músicas que nos fez amar, cantando com o povo, para ele. E os pássaros em algaraviada em torno do nosso velho Seminário de Luzerna. E os aplausos de centenas de ex-seminaristas, em eterna gratidão. Aulas de canto, na grade curricular de nossas atuais escolas básicas certamente contribuiriam para uma melhor formação humana de nossa juventude, transviada num barulho infernal que, infelizmente, chamam de música...  

                                        Pensamento da semana: “Fazer aniversário é olhar para trás com gratidão e para frente com fé.” Rosaura Gomes. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DOR E MORTE NO TRÂNSITO


Cesar Techio
Economista – Advogado

         É necessária uma visão multifacetada e multidisciplinar dos aspectos que envolvem acidentes de veículos, seus efeitos e sequelas e acuidade para coletar dados que envolvem o momento do impacto, como por exemplo: aceleração, velocidade, frenagem e força inercial, temperatura, aderência dos pneus sobre o solo, peso, condições dos pneus, umidade, condições do tempo, horário e iluminação, condições topográficas e de pista, tempo de reação entre a visão do obstáculo e a decisão de parar ou desviar, condições de trafegabilidade, ângulo de impacto, força cinética e efeitos da colisão sobre a estrutura dos veículos e sobre o corpo humano, entre outros aspectos relevantes. Além da legislação, o operador do direito deve possuir conhecimento básico de diversas ciências, necessárias para embasar os pedidos de indenização, como por exemplo: engenharia de trânsito e de construção das estradas; astronomia e geografia (posição do sol no solstício de inverno em relação ao solo, pontos cardeais do local do acidente e ofuscamento da visão do motorista); matemática; física; medicina entre outras.

         Mas, foi estudando a fisiopatologia dos traumatismos no corpo humano diante de um acidente fatal em que a vítima foi uma adolescente florescendo para a vida, que percebi o quanto o corpo humano é frágil. Tomei por base a velocidade regulamentar de 40 km/h para o local. No exato momento do impacto, com a desaceleração repentina, o fígado que tem em média um peso de 1,700kg passa a 19 kg. O coração e o rim com 0,300 kg passam a 3,2 kg. O cérebro com seus 1,500 kg passa para 16,8 kg. O baço sai de 0,150 kg para 16,8 kg. Podemos afirmar que a 40 km/h o corpo humano pesa 12 vezes mais. Internamente, as deformações e rompimentos de veias e órgãos decorrentes de uma simples colisão a baixa velocidade apresenta um quadro gravíssimo com lesões provocadas pela energia cinética absorvida pelo corpo. É preciso considerar que a desaceleração abrupta na hora do impacto vai de 40 km/h para 0 km/h em milésimos de segundos. Com isso os órgãos internos simplesmente se estraçalham, muito embora este quadro não seja perceptível externamente.

            Os efeitos das colisões quando não matam, causam sequelas terríveis, não sendo raros os casos de paraplegia, tetraplegia, aleijões que dificultam deambular, perda de visão, perda de faculdades mentais ou deformidades estéticas. A dor dos familiares que perdem um ente querido por conta da imprudência de motoristas desatentos, não tem fim.  A atroz ausência de quem amamos representa uma catástrofe emocional e psicológica praticamente irreparável e profundamente perturbadora. A violência dos acidentes de trânsito arrebenta o sistema de saúde pública, quebra a economia do país e destroça as famílias desorganizando os afetos, os projetos dos pais de verem os filhos crescerem, o amparo econômico dos genitores aos filhos menores e assim por diante. Nenhuma indenização, por maior que seja o valor arbitrado pelo juiz, supre a presença querida dos filhos, pais, mães, irmãos, namorados, amigos e colegas mortos dolorosa e tragicamente no trânsito.


Pensamento da semana:  Os que amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens. Martinho Lutero.