domingo, 20 de setembro de 2026

FREI MAURILIO SCHELBAUER E FREI FRANCISCO AUGUSTO ORTH: REABERTURA DO SEMINARIO SANTO ANTONIO DE RIO BRILHANTE - MS


 

COMO FOI A REABERTURA DO SEMINARIO SANTO ANTONIO DE RIO BRILHANTE - MS.

 

GRANDES FRADES  ESTIVERAM À FRENTE DA REABERTURA DO SEMINARIO.

 

Aqui lembramos de dois santos padres professores

  

“Assim, o pedido oficial para tal ação foi enviado para o Definitório de São Paulo. Narra Knob (1988):

 O Pe. Provincial de São Paulo, Frei Antônio A. Nader, antes de atender o pedido da Custódia, resolveu ver “in loco” as condições e possibilidades do seminário de Rio Brilhante. Juntamente com o então diretor do seminário de Luzerna, Frei Maurílio Schelbauer, veio a Rio Brilhante (KNOB, 1988, p. 428).

 Ainda era 1974, quando, em reunião do Definitório da Província de São Paulo, ocorrida em Curitiba, entre 7 e 10 de novembro, decidiu-se pela reabertura da Seminário Santo Antônio de RIO  BRILHANTE - MS, para o próximo ano letivo.

 A direção desse Seminário, não coincidentemente, ficou sob responsabilidade do Frei Maurílio Schelbauer, o qual montou uma equipe para atuar na instituição. Sendo essa equipe composta pelo Frei Olivério Finger, as voluntárias Clara Orth e Sueli da Silva, vindos de Santa Catarina.

  Em 24 de fevereiro de 1980, o Diretor Frei Maurílio Schelbauer se despediu do Seminário Santo Antônio. A gestão de Schelbauer foi de cinco anos (1975-1980). Na sequência, assumiu a diretoria da instituição o Pe. Frei Flaviano Oecksler, que ficou apenas no ano letivo de 1980. Em seu lugar, assumiu a partir de 1981, o Pe. Frei Ari  Praxedes do Amaral.”

Fonte:  FANNY SILVA VALDEZ Dissertação apresentada como requisito para obtenção de título de Mestre em Educação, junto à Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) - TESE: "SEMINÁRIO SANTO ANTÔNIO DE RIO BRILHANTE (MT/MS): Educação e Missão (1959-1994)"

 

SANTO FREI MAURÍLIO SCHELBAUER, OFM

ROGAI PELOS SEUS EX-SEMINARISTAS FRANCISCANOS

Professor de língua portuguesa e educação moral e cívica - Diretor nos Seminarios São João Batista de Luzerna - SC e no Seminario Santo Antonio de Rio Brilhante - MS

02.05.1929 †19.07.2008*

Atividades na Evangelização e Pastoral*

1959-1963 – Seminário Santo Antônio, em Agudos, SP – Prefeito de Estudos e Professor.

1964 – Estudos de Filosofia na Universidade Católica do Paraná, Curitiba.

1965 - Seminário Santo Antônio, em Agudos, SP – Reitor e Professor.

1966 – Convento Bom Jesus de Curitiba, PR – Mestre dos estudantes e Professor.

1967 – Curso “Christus Sacerdos”, em São Leopoldo, RS.

1968 – 1974 – Seminário São João Batista, em Luzerna, SC – Guardião e Diretor.

1975 – 1979 – Seminário de Rio Brilhante, MT – Reitor.

1980 – 1983 – Seminário Frei Rogério, em Lages, SC – Diretor.

1984 – 1996 – A serviço da Custódia Franciscana das Sete Alegrias, Campo Grande, MS.

1988 – 1993 – Ministro Provincial da Custódia Franciscana.

1997 – Paróquia Santo Antônio, Bauru, SP – Vigário Paroquial.

1998 – 2003 – Convento e Paróquia Bom Jesus, Curitiba, PR – Vigário paroquial.

2004 – 2006 – Convento de Santo Antônio, Rio de Janeiro, RJ – Vigário da casa e atendente conventual.

2007 – 2008 – Paróquia Porciúncula de Sant’Ana, Niterói, RJ – Vigário paroquial.

Operado duas vezes (em 07.12.2007 e 07.03.2008) de um tumor no cérebro, seguiram-se meses de tratamento quimioterápico e internações. Na última fase, houve metástase com ramificações para o estômago e esôfago. Desde o dia 30 de junho estava internado no Hospital da VOT, no Rio de Janeiro. Faleceu sábado, dia 19, por volta das 22h45 e foi sepultado dia 20, após a missa exequial das 15 horas, no Jazigo Franciscano do Convento Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

 

SANTO FREI FRANCISCO AUGUSTO ORTH

ROGAI PELOS SEUS EX-SEMINARISTAS FRANCISCANOS

Professor de língua portuguesa, educação moral e cívica, geografia - Seminarios São João Batista de Luzerna - SC e Seminario Santo Antonio de Rio Brilhante - MS

 11.11.1942 †05.03.2007

NOTA- Cesar Techio: AMABILÍSSIMO 2º PE. ORIENTADOR EM LUZERNA NO ANO DE 1975. RECONTREI FREI FRANCISCO EM RIO BRILHANTE –MT  E MAIS TARDE NOVAMENTE EM LUZERNA.

VIVIA MUITO CHATEADO DEVIDO A VENDA DO SEMINÁRIO E TODAS AS TERRAS, PELA PROVÍNCIA, AO MUNICÍPIO DE LUZERNA - SC.

 Era um vocacionado e vivia em santidade. Extremamente culto, tinha uma postura pacifica, demonstrando profunda compreensão pelos seminaristas. Viva em profunda e comovente serenidade.

Testemunhei   seu trabalho em Luzerna e em Rio Brilhante - MT, onde o visitei no Seminario Santo Antonio, quando então convivia com Frei Tarcisio Theeis

 DADOS PESSOAIS

 Nascimento: 11.11.1942 (64 anos)

Natural de Maratá (Porto União), SC.

Filho mais velho de sete: 6 homens e 1 mulher.

1957 – Ingresso no Seminário S. João Batista, Luzerna, SC.

1958-1959 – Estudos no Seminário S. Luiz de Tolosa, Rio Negro, PR.

1960-1967 – Estudos no Seminário Santo Antônio, Agudos, SP.

02.02.1968 – Vestição e Admissão ao Noviciado Franciscano, Rodeio, SC. (39 anos de vida religiosa)

03.02.1969 – Primeira Profissão Religiosa dos votos temporários, Rodeio.

1969-1975 – Estudos de Filosofia e Teologia, Petrópolis, RJ.

04.08.1972 – Profissão solene dos votos perpétuos, Petrópolis, RJ.

13.01.1974 – Ordenação presbiteral (33 anos de ministério sacerdotal).

 No final de 2006, foi operado em Passo Fundo-RS.  Retornando a Luzerna, continuou o tratamento em Joaçaba.   Faleceu nos primeiros minutos de uma segunda-feira, dia 05/03/2007, no hospital em Joaçaba, SC, em conseqüência dum câncer no fígado.  A missa exequial em Luzerna foi celebrada pela manhã. Após a missa, foi transladado para Porto União onde ocorreu seu sepultamento. R.I.P.

 ATIVIDADES NA EVANGELIZAÇÃO

 1975-1987 – Professor, orientador no Seminário S. João Batista, Luzerna, SC.

1988-1997 – Diretor e Professor no Seminário de Rio Brilhante, MS.

1998-2003 – Pároco – Paróquia São Paulo Apóstolo, Agudos, SP.

2004-2006 – Guardião e Pároco – Paróquia S. João Batista, Luzerna, SC.


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

RIO DOS QUEIMADOS: GRAVES OMISSÕES, FALTA DE VISÃO E DE DECISÃO.



FOTO PORTAL CONCORDIA


Há problemas que deixam de ser imprevistos quando se repetem durante décadas. Em Concórdia, as enchentes do Rio dos Queimados não são acontecimentos fortuitos, nem podem ser atribuídas exclusivamente à chuva. A chuva é o fenômeno natural. A dimensão do desastre resulta das escolhas humanas: de como ocupamos os morros, de quanto desmatamos, de quanto impermeabilizamos o solo, de quanto estreitamos o rio e de quanto demoramos para executar as obras que já foram estudadas e anunciadas. 

Escrevo novamente sobre esse assunto porque a cidade continua diante de uma decisão histórica. Não podemos continuar tratando cada enchente como surpresa, improvisando medidas depois que a água invade casas, lojas, empresas e equipamentos públicos. É preciso reconhecer que o problema é conhecido, reunir os estudos existentes e executar uma solução estrutural, integrada e definitiva.

 Ao longo dos anos, publiquei várias crônicas sobre essa questão. Em 21 de agosto de 2008, escrevi “Quem é seu candidato a prefeito? I — Canal Extravasor”, chamando atenção para o exemplo de José Alberto Olmi e para a possibilidade de executar escavações profundas em rocha no ambiente urbano.

 No mesmo ano, publiquei “Canal Extravasor: estelionato político ou realidade?”, lembrando que o Município já conhecia o problema e que sucessivas promessas não haviam produzido uma resposta definitiva.

 Ainda em 2008, escrevi “Canal Extravasor: prioridade ou estupidez?”, debatendo a relação entre barragem e canal extravasor.

 Em 30 de outubro de 2009, publiquei “Adianta construir canal extravasor?” e “Desmatamentos que geram enchentes”.

 Naquelas crônicas, demonstrei que uma obra de drenagem não poderia ser analisada separadamente da bacia hidrográfica. Na mesma data, em “Enchentes urbanas, autoridades relapsas”, insisti no dever público de preservar as matas e ordenar o crescimento urbano.

 Em 8 de janeiro de 2010, escrevi “Contenção de cheias e saneamento básico”. Em 3 de maio de 2010, publiquei “Por que ocorrem enchentes em Concórdia?”. Em 31 de agosto de 2010, veio “Deixem o homem trabalhar”. Depois, em 27 de dezembro de 2010, escrevi “Falta de valorização em 2010”; em 29 de dezembro de 2010, “Certas coisas são amargas se a gente as engole”. Em 20 de outubro de 2011, publiquei “Enchentes: precisamos acabar com elas”.

 O assunto prosseguiu em 4 de julho de 2012, com “Dá para acreditar? Sobrou dinheiro”, e em 23 de agosto de 2012, com “Loteamentos e enchentes: candidatos mal preparados”. Em 25 de junho de 2015, escrevi “Desmatamento na microbacia do Rio do Sabão”. Em 9 de julho de 2015, publiquei “Enchentes e desmatamentos: salve-se quem puder”. Finalmente, em 19 de julho de 2015, escrevi “Enchentes e vereadores: é preciso proibir o desmatamento”.

 Faço essa retrospectiva porque as datas mostram que não se trata de uma preocupação passageira. O problema foi identificado, discutido e reapresentado ao longo dos anos. Os alertas foram feitos antes e depois de enchentes. As soluções foram debatidas em diferentes administrações. O que faltou não foi informação, mas decisão.

 

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA BACIA DO RIO DOS QUEIMADOS

 

A bacia hidrográfica funciona como um sistema. A água que cai nos morros, nas ruas, nos telhados, nos estacionamentos e nos loteamentos precisa infiltrar-se no solo, ser retida pela vegetação, escoar lentamente ou chegar ao rio dentro de uma capacidade adequada.

 Quando a mata é retirada, o solo perde sua capacidade de retenção. Quando a encosta é cortada, modifica-se sua estabilidade natural. Quando o solo é coberto por asfalto e concreto, a água passa a escoar mais rapidamente. Quando ruas e loteamentos são implantados sem drenagem suficiente, a enxurrada é concentrada em pontos vulneráveis. Quando o leito do rio é estreitado, desviado ou ocupado, reduz-se o espaço disponível para a passagem da água.

 O resultado é previsível: uma chuva intensa produz uma resposta mais rápida e mais volumosa da bacia. O Rio dos Queimados recebe a água em menos tempo e encontra um canal urbano sem capacidade suficiente para conduzi-la. A água transborda. A lama transporta sedimentos. Muros cedem. Casas e estabelecimentos são atingidos. A cidade paga, repetidamente, o preço de decisões tomadas a montante.

 Por isso, não é correto culpar exclusivamente as chuvas. É preciso distinguir a causa natural do evento e as condições humanas que aumentam seus efeitos. Uma cidade bem planejada reduz drasticamente a capacidade de uma chuva produzir uma catástrofe.

 

A BARRAGEM DE JOÃO GIRARDI FOI IMPORTANTE, MAS NÃO BASTA

 

É justo reconhecer o mérito da barragem construída durante a gestão do ex-prefeito João Girardi. Essa obra foi importante e protegeu a cidade em situações de chuva intensa. Em um episódio de aproximadamente 164 milímetros em cerca de 12 horas, a barragem contribuiu para que o centro de Concórdia não sofresse danos que poderiam ter sido muito maiores.

 Esse fato deve ser reconhecido sem transformar a barragem em solução absoluta. O crescimento urbano a montante do centro da cidade foi intenso. Mais ruas, mais edificações, mais áreas impermeabilizadas e menos áreas naturais de absorção alteraram as condições hidrológicas da bacia. A barragem que ontem representou um avanço já não é suficiente para todos os cenários de amanhã.

 Uma barragem reduz picos de vazão dentro de sua capacidade. Ela não elimina a água que chega de toda a bacia, não substitui o leito do rio, não impede desmatamentos e não corrige loteamentos inadequados. Também não suporta volumes para os quais não foi dimensionada.

 A barragem deve ser preservada, inspecionada, monitorada e integrada a um sistema mais amplo. O reconhecimento de sua importância não elimina a constatação de seus limites.

 

A NOVA BARRAGEM NÃO RESOLVE SOZINHA O PROBLEMA

 

Tenho críticas à construção da nova barragem, já licitada e contratada pelo Município, porque uma estrutura isolada não resolve definitivamente o problema das enchentes.

 A nova barragem pode reduzir picos de cheia e oferecer proteção adicional. Mas, se o Município continuar permitindo a expansão urbana desordenada nos morros, a retirada da cobertura vegetal e a impermeabilização das áreas de contribuição, a obra será pressionada por volumes cada vez maiores de água.

 A solução pública não pode ser construída como sequência de obras desconectadas. Não basta construir uma barragem. Não basta prometer um canal extravasor. Não basta alargar um trecho do rio. É preciso proteger a bacia, impedir novas ocupações inadequadas e aumentar a capacidade de escoamento do próprio Rio dos Queimados.

 

O EXEMPLO DE JOSÉ ALBERTO OLMI

 

É neste ponto que o exemplo de José Alberto Olmi merece ser lembrado com toda a ênfase. José Olmi construiu um edifício extraordinário, em concreto, vidro e alumínio, com cinco andares situados abaixo do nível da rua, escavados em maciços de rocha vulcânica. A obra foi executada ao lado de um alto edifício de condomínio residencial.

 A escavação não causou um único arranhão no edifício vizinho nem provocou danos aos seus moradores. A iniciativa privada demonstrou que é possível trabalhar em rocha profunda, em área urbana e junto a estruturas existentes, com planejamento, tecnologia e controle.

 Esse edifício é uma pergunta respondida pela própria realidade: se foi possível escavar cinco pavimentos em rocha vulcânica ao lado de um prédio residencial, também é possível aprofundar o leito rochoso do Rio dos Queimados sem causar prejuízo aos edifícios construídos ao longo do rio.

 A tecnologia atual permite combinar métodos mecânicos, martelos hidráulicos, ponteiros hidráulicos e técnicas controladas de corte ou fragmentação de rocha. As vibrações, a projeção de partículas e os limites de ação podem ser disciplinados. O risco não é uma desculpa para a omissão do Poder Público.

 

APROFUNDAR O LEITO DO RIO DOS QUEIMADOS

 

Defendo o aprofundamento do leito do Rio dos Queimados em toda a sua extensão urbana, em pelo menos três metros. A intervenção deve alcançar os trechos necessários para aumentar a capacidade de vazão do rio e impedir o transbordamento no centro da cidade.

 O aprofundamento aumentará a seção de vazão do rio e resolverá definitivamente o problema das enchentes urbanas. Em minha avaliação, essa é uma alternativa mais direta, rápida e menos dispendiosa do que a construção de um canal extravasor sob a Rua Dr. Maruri.

 Um canal subterrâneo é uma obra de grande porte, cara, complexa e geradora de transtornos urbanos. O aprofundamento do leito utiliza o próprio curso atual do rio, sem criar um caminho subterrâneo paralelo. Pode ser executado por etapas e com os métodos modernos de corte de rocha.

 Aprofundar o leito em pelo menos três metros evitará a construção de um canal extravasor muito mais caro. É uma solução simples, rápida e viável. O Município deve deixar de procurar desculpas e iniciar imediatamente os estudos executivos e a obra.

 

MORROS, DESMATAMENTO E OCUPAÇÃO URBANA

 

Nenhuma obra no centro será suficiente se continuarmos destruindo a bacia a montante. A cidade precisa interromper o desmatamento e a abertura de loteamentos em áreas de alta declividade, especialmente quando houver risco de erosão, deslizamento, solifluxão ou aumento acelerado do escoamento superficial.

 Construir casas em aclives acentuados não é apenas uma questão particular. É uma decisão que afeta toda a coletividade. O corte de um morro retira o apoio natural da encosta. A água infiltra-se no solo, aumenta seu peso e reduz sua resistência. Quando a vegetação desaparece e o terreno é impermeabilizado, a água procura caminhos concentrados, levando terra, pedras e sedimentos para os cursos d’água.

 A ocupação urbana dos morros da bacia hidrográfica do Rio dos Queimados representa um prenúncio de grave desastre futuro. A cada novo loteamento sem drenagem adequada, a cada estrada aberta sem planejamento e a cada área de mata removida, aumenta-se a pressão sobre o sistema. A cidade não pode esperar que uma grande chuva revele, de uma só vez, todos os erros acumulados.

 

O QUE DIZEM AS REGRAS SOBRE DECLIVIDADE

 

A legislação deve ser aplicada com rigor, especialmente em uma cidade de topografia acidentada. É importante distinguir percentuais de graus. 30% de declividade não equivalem a 30 graus: 30% correspondem aproximadamente a 16,7 graus. Vejamos o que diz a lei:

 

 

Inclinação do terreno

Regra principal

Consequência prática

Igual ou superior a 30% — cerca de 16,7°

A Lei Federal nº 6.766/1979 proíbe o parcelamento do solo, salvo se atendidas exigências específicas das autoridades competentes. 1

Não pode haver aprovação automática de loteamentos. A construção deve ser impedida quando não houver segurança, contenção, drenagem e estudos adequados.

Entre 25° e 45°

O Código Florestal estabelece uso restrito, permitindo manejo florestal sustentável e atividades agrossilvipastoris, vedada a conversão de novas áreas, salvo hipóteses legais. 2 A legislação catarinense também prevê ecoturismo e turismo rural em condições próprias. 3

A faixa não pode ser livremente convertida para loteamentos residenciais.

Superior a 45° — 100% na linha de maior declive

O Código Florestal considera essas encostas Áreas de Preservação Permanente. 2

A construção de residências é proibida, ressalvadas apenas as hipóteses excepcionais previstas em lei.

 

Essas regras não são ornamentos jurídicos. Elas existem para impedir que decisões locais comprometam a segurança das pessoas, o equilíbrio ambiental e o patrimônio público e privado. A legislação municipal deve ser ainda mais protetiva diante da topografia e da bacia hidrográfica de Concórdia.

 Mesmo abaixo dos 30% de declividade, nenhum loteamento deve ser aprovado sem avaliar geologia, hidrogeologia, nascentes, cursos d’água, esgotamento sanitário, drenagem, impermeabilização, estabilidade do terreno, tráfego e impacto de vizinhança. Uma autorização formal não transforma uma área de risco em área segura.

 

UMA POLÍTICA PARA TODA A BACIA

 

O Município precisa abandonar a visão fragmentada. Não basta alargar um trecho do rio. Não basta construir uma barragem. Não basta prometer um canal extravasor. Não basta plantar algumas árvores longe da área desmatada. É preciso planejar a bacia inteira. 

Esse planejamento deve incluir a proteção das matas remanescentes, a recuperação das áreas degradadas, a preservação das nascentes e margens, a fiscalização de cortes de terreno, a revisão de loteamentos, o controle da impermeabilização e a obrigação de implantar drenagem adequada. Deve considerar também a microbacia do Rio do Sabão, que contribui para o sistema urbano e desemboca no Rio dos Queimados. 

É necessário exigir Estudos de Impacto Ambiental e Estudos de Impacto de Vizinhança, além de diagnósticos que integrem engenharia, geologia, hidrologia, urbanismo, meio ambiente e defesa civil. O interesse econômico de um loteamento não pode se sobrepor à segurança da cidade.

 

O QUE DEVE SER FEITO

A solução exige um programa integrado:

 

1        Aprofundar o leito do Rio dos Queimados em pelo menos três metros, em toda a extensão urbana.

2        Executar a obra com tecnologias modernas de corte de rocha, como as utilizadas na construção do edifício de José Alberto Olmi.

3        Manter e aperfeiçoar as barragens existentes, com inspeção, monitoramento e operação permanentes.

4      Impedir novas ocupações residenciais em morros e encostas inadequados, especialmente em áreas com declividade acentuada.

5      Proibir o desmatamento da bacia hidrográfica do Rio dos Queimados e recuperar as áreas degradadas.

6        Preservar a microbacia do Rio do Sabão, suas nascentes, matas e áreas de absorção.

7        Impedir novos loteamentos em terrenos incompatíveis com a legislação federal, estadual e municipal.

8        Revisar o Plano Diretor de acordo com a topografia, a geologia, a capacidade hidráulica e a segurança da população.

9    Implantar drenagem adequada nos empreendimentos autorizados, sem transferir o problema para os bairros abaixo.

10    Executar uma política ambiental permanente, e não apenas ações emergenciais depois das enchentes.

 

CONCLUSÃO: A ÁGUA REAGE ÀS ESCOLHAS DA CIDADE

 

Concórdia não pode continuar esperando a próxima enchente para confirmar aquilo que já sabe. O Rio dos Queimados foi estreitado, desviado e pressionado por uma urbanização que avançou sobre áreas de contribuição, morros e encostas. A mata foi removida. O solo foi impermeabilizado. O volume de água que chega ao centro aumentou. A capacidade do canal permaneceu limitada.

 A barragem construída na gestão de João Girardi salvou a cidade de danos muito maiores e deve ser reconhecida como obra importante. Mas o crescimento urbano a montante modificou o problema. A nova barragem pode ajudar, porém não resolverá definitivamente a situação se continuar a ocupação inadequada da bacia.

 A única estratégia duradoura é impedir novas casas em aclives acentuados, preservar e recuperar a vegetação, ordenar rigorosamente os loteamentos e ampliar a capacidade do próprio Rio dos Queimados. Por isso, defendo com clareza o aprofundamento do leito em pelo menos três metros, inclusive na rocha, com uso de tecnologias modernas de corte e escavação controlada.

 O exemplo de José Alberto Olmi prova que não se pode rejeitar uma solução apenas porque há rocha no subsolo ou edifícios nas proximidades. O edifício Mirage, com cinco pavimentos abaixo da rua, escavados em rocha vulcânica ao lado de um condomínio residencial, mostra que é possível trabalhar com precisão e segurança. Cabe ao Poder Público aplicar essa tecnologia no leito do Rio dos Queimados.

 O que não se pode aceitar é a repetição de promessas, estudos engavetados e obras parciais enquanto a cidade permanece exposta. E aqui não vou criticar pessoalmente os prefeitos que ocuparam o Paço Municipal... Todos tiveram seus méritos.

 Mas JAMAIS resolveram definitivamente o problema das enchentes, em que pese promessas que bem me lembro foram feitas em época eleitoral.

 Ora, a água não discute com discursos. Ela segue a topografia, ocupa o espaço que lhe foi retirado e reage à destruição das áreas que antes a retinham.

 A enchente é a reação das águas contra a ação dos homens. Se Concórdia quiser proteger seu centro, suas famílias e seu futuro, terá de agir antes da próxima grande chuva... E analisar com responsabilidade promessas não cumpridas !