quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

“FACEBOOK E TWITTER: FORA DITADURAS”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Não pode existir segredo de Estado ou qualquer tipo de proteção às informações, que se volte contra a vida humana. Estupefato, em 1980, no Diretório da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Paraná, me deparei com um colega discursando em favor de Muammar Kadafi. Li o persuasivo “Livro Verde” e sua Terceira Teoria Universal, uma “bíblia” do regime, de autoria do então capitão líbio (hoje disponível na íntegra na internet (http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/livroverde.html). Mas não consegui absorver toda aquela eloqüente defesa da revolução que impunha, traiçoeiramente, aos seus superiores hierárquicos e ao rei Idris. Como desprezar minha formação humanista? Como ignorar as fortes cores positivistas recém pinceladas no quadro acadêmico? Como ser indiferente ao conhecimento dos argumentos sofísticos e contraditórios, ao silogismo, aos conceitos sobre consciência moral e liberdade humana? O fundamentalismo religioso, em qualquer lugar do mundo (inclusive aqui), quando misturados à política levam à fúria, ao ódio, ao desrespeito aos direitos universais e ao direito natural. Se o povo árabe, enterrado no estado teológico, desconhece tais conceitos e, por conta disso não evoluiu para o terceiro estado positivista de Auguste Comte, pelo menos as redes sociais desempenharam um papel crucial na insurreição. A revista “Veja”, edição que circula hoje (nº. 2205 pág. 64), alerta sobre o papel dos clérigos, “mestres do populismo e da venda de ilusões”, mas que, “conectados pela internet, os jovens árabes podem estar descobrindo algo mais em comum do que a religião”.

O Facebook e o Twitter, contra toda a repressão religiosa e política (que controla o comportamento do povo árabe, sujeitando e garantindo relações sociais servis aos regimes ditatoriais), estão funcionando como fonte irradiadora de noções sobre democracia, liberdade, verdade e de todo o conhecimento útil e capaz de cooperar com a solidariedade revolucionária. Séculos de opressão, violência, ignorância e fundamentalismo começaram a desmoronar no Egito, Iêmen, Marrocos, Tunísia, Argélia, Jordânia, Barein e na Líbia, graças à internet. Duvido que, diante das redes sociais os líderes religiosos consigam regular a vida do povo, se intrometer na vida privada e ditar subserviência cega. Artimanhas e segredos, articulados por governos sanguinários, ditatoriais e opressores, que se volte contra o povo e a democracia, não mais subsistirão de agora em diante. Com a internet e as redes sociais, a máscara dos loucos que pensam em oprimir, prender e matar por motivos políticos, se volatilizará, assim como eles. Nosso tempo é de internet globalizada. As mídias sociais representam avanços significativos para a democracia, para o conhecimento e para a evolução da humanidade. Conectadas por milhões de pessoas não existe mais segredo, mordaça, opressão e matança a “sete chaves”. Agradeçamos ao Facebook (500.000.000), Twitter (175.000.000), Orkut (120.000,000), Sônico (44.000.000), Netlog (36.000.000), MySpace (130.000.000), Friendster (29.000.000), Classmates (40.000.000), Bebo (22.000.000), MeusParentes (30.000.000), entre outras, por essa nova realidade.

Pensamentos da semana: 1 - "Ditadura é um discurso constante te ensinando que seus sentimentos, seus pensamentos, e desejos não têm a menor importância, e que você é um ninguém e deve viver comandado por outras pessoas que desejam e pensam por você." Stephen Vizinczey. 2 - "As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia." Jorge Luis Borges.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E VIVA OS CORVOS DO NOSSO LIXÃO

(Um desafio aos alunos da região do Alto Uruguai Catarinense)

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Onde têm corvos tem carniça. Os corvos são omnívoros, se alimentam de pequenos invertebrados, sementes e frutos. Mas, também possuem hábitos necrófagos e vivem voando em círculos procurando restos do intenso consumismo humano (somos os animais que mais produzem lixo no planeta, em torno de um quilo por dia). Fruto de alta inteligência e, certamente de consciência ambiental, em Concórdia buscaram como lar e local de trabalho, o lixão, impropriamente conhecido por Aterro Sanitário. Num antigo barracão abandonado, se envolveram em intensa atividade de reaproveitamento de lixo. Sem receberem um centavo sequer, cientes da lei 12.305 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, vigente desde 02/08/2010, resolveram colaborar: separam o lixo, extraindo dele materiais orgânicos. O problema é que, por conta de um tremendo descaso, todo o lixo de Concórdia é destinado ao aterro sanitário. Parece que as autoridades desconhecem que, através da reciclagem, compostagem e biodigestão é possível aproveitar praticamente 100% do lixo urbano. Seria extremamente fácil para o Município de Concórdia e para os demais municípios da região da Amauc, em consórcio, implantarem uma Usina de Reciclagem de Lixo. Beira a irresponsabilidade, senão improbidade administrativa, não tenham, ainda, implementado um projeto tão importante e essencial aos interesses da população. Ora, se não quiserem botar a mão na massa, que abram licitação visando a redução progressiva e urgente da quantidade de lixo destinada ao aterro.

Os empresários que toparem entrar nesta, vão faturar um bom dinheiro. O aproveitamento do lixo pode ser feito de três formas: 1º- Compostagem: transformação do lixo orgânico em adubo; 2º - Biodigestão: produção de biogás; 3º - Reciclagem: aproveitamento do lixo como matéria prima (plástico, vidro, papel, alumínio, etc.). Poderia participar da licitação somente uma empresa ou um consórcio de empresas, com perspectivas de um lucro extraordinário, tanto através da comercialização dos produtos derivados do lixo, como de créditos de carbono (certificados previstos no Protocolo de Kyoto, relativo à quantidade de gases poluentes que deixarão de ser lançados na atmosfera). O mercado está cheio de profissionais que atuam na área de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e, na internet, é fácil encontrar orientação sobre o assunto. Os municípios interessados, também teriam direito a um percentual do valor faturado. Aliás, a separação do lixo, ainda em casa, é a base de tudo, pois é lá, no seio da família, que nasce e se estrutura a nossa educação.

Educado e, respeitando a separação do lixo, um colega advogado, o Dr. Evandro Benelli, resolveu levar até o lixão alguns quilos de papel, vidro e plástico, separados. Ficou triste e desnorteado ao verificar que lá, no Aterro Sanitário, estava tudo misturado. Uma mina de ouro sendo soterrada com grave prejuízo ao meio ambiente: plástico, papel, vidro, com resto de comida. Uma nojeira. Ele ingressou com uma representação no Ministério Público. Sabendo da história fui lá e fotografei. As fotos estão no meu blog http://concordiambiental.blogspot.com/. Mas, talvez, ainda possamos consertar isso. O vice-prefeito de Concórdia, Neuri Santhier, desponta como um dos poucos políticos bem preparado e preocupado com o assunto. Ele está por trás de um projeto sério que contempla ações voltadas ao desenvolvimento auto-sustentável. Veja o “Projeto Concórdia 2030” no site http://concordia2030.com.br/. Se tudo der certo, os nossos corvos vão ficar no olho da rua.

Pensamento da semana: Desafio os alunos de 1º e 2º graus das escolas da região da Amauc para que façam um abaixo assinado com este texto e enviem para o prefeito de seu município, exigindo uma Usina de Reciclagem de Lixo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

FILHOS: COMO RESGATÁ-LOS DA DESGRAÇA DOS VÍCIOS?

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Gosto dos jovens rebeldes, dos inquietos, dos que não aceitam a disciplina vetusta e a realidade circundante. Por conta dos jovens revolucionários, o mundo evoluiu em todos os campos do conhecimento humano. Se hoje possuímos chuveiro com água quente, é porque, em dado momento da história, alguém não aceitou mais tomar banho de água fria. Detesto jovem amorfo, bonzinho, sem gosto, sem iniciativa, que aceita tudo de forma passiva. Esse tipo, com a justificativa de respeito à tradição, se sente inibido para mudar as coisas. Em latim a palavra “tradição” significa a transmissão de práticas ou de valores de geração em geração. Em grego significa “entregar”. Enfim, a tradição é péssimo instrumento de transformação na medida em que amolda as futuras gerações a práticas e valores do passado, sem perspectivas de evolução. Partindo deste conceito, lanço um olhar para a nossa juventude, pelo menos para os jovens com quem convivo: A turma do “Cristo Terapia” do Centro de Restauração Renascer. Jovens vindos de realidades sociais distintas ingressaram na visão denominada G12, e romperam com a tradição, se tornando parte do braço social e de caridade de uma comunidade inovadora.

Através de um retiro denominado “Encontro com Deus” passaram por uma espécie de “desprogramação” e, simplesmente, conseguiram detonar com a marca dos costumes antigos que a tradição havia registrado em suas vidas. Com inteligência e fibra, esses jovens literalmente saíram dos trilhos: dos antigos hábitos, dos rótulos, das fantasias, dos vícios da preguiça, arrogância e das drogas. Passaram a ser muito mais do que simples expectadores do tempo. Completamente relaxados, sem conflitos, preencheram suas vidas com a vida de seus irmãos carentes. Esvaziados da tradição, do lixo interior, dos entulhos e das porcarias, passaram a desfrutar um novo frescor, uma nova limpidez, jamais experimentada. Intensamente amorosos se rebelaram contra a mesmice, o marasmo, os valores tradicionais de nossa sociedade. Transformaram-se em “novos” jovens: observadores, intuitivos, pacíficos, alegres, cheios de compaixão e de caridade. Por trás de tudo, um casal de pastores modelo: Jairo e Cleonice da Silva Gavin, na liderança do Centro de Restauração Renascer e de uma estrutura humana irrepreensível na qual advogados, empresários, comerciantes, comerciários, operários e famílias inteiras de nossa sociedade doam tempo e amor a um projeto que trabalha a consciência da juventude.

A atual “intelligentsia” na área de recuperação de drogados se assenta em sistemas pedagógicos e de reeducação fadados ao insucesso, na medida das reincidências, porque não preenchem o vazio e a falta de ideais de nossa juventude. Muitos acham que religião é coisa de fanáticos, que pastores só pensam em dinheiro. Mas o exemplo que temos em nossas igrejas em Concórdia mostra exatamente o contrário. A orientação religiosa se constitui no único caminho que consegue, com sucesso, substituir a velha vida por uma nova. O alicerce deste êxito é uma determinação sutil e silenciosa lastreada no amor de e por Jesus Cristo. É uma questão de escolha entre a vida e a morte. Pais e mães amargurados, afundados na persistência das loucuras de seus filhos, precisam ser mais audaciosos, corajosos e humildes. Eu proponho que dêem aos seus filhos uma chance indo com eles para o Encontro com Deus. Desafio a que abram as portas da consciência e larguem toda a vergonha de viverem e de mostrarem aos filhos uma verdadeira vida de fé. Que abandonem o medo de amar sem restrições; e que mudem. Mudem para mudar seus filhos. Pois, se os pais mudam, de verdade, tudo muda.

Pensamento da semana: “A minha visão é a de uma juventude criativa, recuperada e que sabe trabalhar a própria consciência de forma racional tendo como base o amor ao próximo”. Jairo da Silva Gavin.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

”JUVENTUDE DE OURO: UMA CONVERSA COM OS PAIS”.

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Todo o radicalismo, fanatismo e intransigência levam a infelicidade. O perdão, a compreensão, aceitação e respeito pelos nossos filhos, pelas suas individualidades e privacidades, podem nos levar a conquistá-los e a tê-los sempre perto do nosso coração. Não serão os amigos, a igreja, a sociedade, os clubes ou os vizinhos que estarão ao nosso lado nas horas mais difíceis, nas dificuldades financeiras, na doença e na velhice, ou que cuidarão de nossa higiene em eventual incontinência fecal e urinária. Serão os nossos filhos, gerados pelo nosso amor e formados pela nossa compreensão, amizade e companheirismo, os únicos que nos assistirão. Por isso, o amor por eles deve ser derramado, não só na fase infantil, mas também na adolescência e durante a vida adulta. Você tem vergonha de abraçar e beijar o seu filho, só porque ele se tornou um rapaz, cresceu e não é mais uma criançinha? Querer impor na marra, nossas crenças, nosso estilo de vida, mesmo que por amor, é uma insanidade, uma loucura imperdoável. Julgar, condenar e fazer sofrer nossos amados, por convicções religiosas, morais, preconceitos ou medos, pode ter um preço elevado, mais tarde.

Nossos filhos vivem no mundo e isola-los da realidade pode aliená-los. Abracem, amem, apóiem, dialoguem, aceitem as diferenças. E, mesmo na insônia, quando eles saem para a balada, demonstrem confiança neles. Não os deixem perder a identidade juvenil. O tempo da juventude é um só. Quantos arruínam essa etapa, única e maravilhosa, por intransigência dos pais e, depois, na fase adulta, quando “livres”, não conseguem assumir responsabilidades e passam a agir de forma inconseqüente? O que significa abandonar-se no Senhor, senão tranqüilizar-se, confiar na providência divina nas questões que superam nossas forças? Nossos jovens são muito mais inteligentes dos da geração pretérita. Eles possuem maior capacidade de discernimento e sabem filtrar o que ouvem, escutam e vêem. Eles são muito mais seletivos.

Só porque se divertem, não significa que se perderam no mundo. Respeito é via de duas mãos. Infelizmente damos muito mais importância para os bens materiais, para a opinião dos outros e para a fofoca dos vizinhos, do que para nossa família. Quando um filho quebra um prato, um copo ou algum objeto, qual a nossa reação imediata? Vivemos e morremos de punhos fechados, segurando e agarrando, miseravelmente, as coisas. Para que servem os bens, senão para nos servir? Mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar essa situação e quanto antes melhor, pois se você adiar esse amor, depois será tarde demais. Os filhos crescem e se vão. E você ficará amargo e sozinho. O tempo nesta terra é limitado e confinado a algumas etapas pelas quais passamos, achando que os nossos bens, nossas idéias, nosso corpo, somos nós mesmos. Identificamo-nos com o nosso ego e vivemos tensos, rejeitando as novas idéias e a energia que se move em nossos filhos. Temos dificuldade em ceder lugar para os que nos sucederão. Mas, a única maneira de vivermos felizes em família é saltar para fora das nossas imposições, dos nossos egoísmos e darmos boas vindas para uma amizade autêntica. Ou será que só conseguimos ser amigos dos estranhos? Não tenha orgulho. Comece a aceitar o seu filho, suas idéias, esperanças e alegrias. Beije-o. Converse. Peça desculpas. Comece a tratar a relação com ele como uma celebração, uma benção divina. E, sem perceber, você vai começar a receber muitas dádivas. A primeira é a de ter ao seu lado, um amigo de verdade.

Pensamento da semana: Agradeça o corpo que Deus lhe deu, trabalhando, orando, mas também comendo, bebendo e dançando. Relaxe. Deixe de ser chato e festeje a vida terrena. É a única forma de mostrar gratidão”.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

“FAVELÕES E CORTIÇOS VERTICAIS: OPINE CONTRA”

Cesar Techio – Economista
cesartechio@gmail.com

Qualquer cidadão de mediana inteligência consegue entender que a concentração ou adensamento populacional nos bairros de nossa cidade, influencia diretamente na qualidade de vida de todos os moradores e na qualidade ambiental. A própria legislação define o zoneamento urbano utilizando parâmetros de uso difereciados para distintas áreas, como por exemplo: índice de aproveitamento do solo, taxa de ocupação, recuo, tipo de edificação, altura e não raro a densidade demográfica conforme a topografia e característica ambiental. O Estatuto da Cidade estabelece no artigo 2º que a política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante diretrizes, entre elas: 1º - A obrigatoriedade da ordenação e controle do uso do solo urbano de forma a evitar o parcelamento, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana; 2º - A proibição da instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente. A lei não é discriminatória quando impõe que a regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda ocorram mediante o estabelecimento de normas especiais de urbanização, uso, ocupação do solo e edificação, considerada a situação socioeconômica da população e as normas ambientais. É preciso considerar o adensamento populacional, a geração de tráfego, a demanda por transporte público, a ventilação e iluminação. A realidade é que os nossos bairros estão entrando em colapso devido o adensamento populacional decorrente da construção desenfreada de edifícios.

Neste norte é de poucas luzes confundir propostas (alinhadas com o espírito da lei) que visam impedir a construção ou eliminar favelas e cortiços, com afronta aos moradores que nelas residem. Kitinetes jogam na lata de lixo a qualidade de vida. Da mesma forma, a construção de casinhas diminutas, apinhadas uma ao lado da outra, é um tapa na cara das famílias de baixa renda, um escárnio à dignidade humana. E o que falar então da construção de loteamentos em áreas cujo declive é acentuado? Visitei casas recém construídas na beira de penhascos. Se uma criança despenca, acaba por cair em cima do telhado da outra. De forma que a permissão para construção de kitinetes em áreas nobres, vale dizer, em áreas que ainda se inserem dentro dos parâmetros construtivos de qualidade ambiental exigidos pelo Estatuto da Cidade, cria um verdadeiro caos. Estas permissões tornam a vida urbana mais complexa e difícil. A realidade é que não possuímos infra-estrutura urbana para permitir estes terríveis adensamentos populacionais nos nossos bairros. O repúdio à verticalização e a defesa da horizontalização habitacional, em terrenos espaçosos e individualizados via eixos de expansão tem cores humanistas. Por outro lado, a permissão para construção de favelas e cortiços verticais em nossos bairros montanhosos é altamente discriminatória, porque empurra para pequenos espaços seres humanos que possuem direito de viver com dignidade. E mais, cria bolsões de alta densidade humana em locais onde atualmente se vive bem. No Plano Diretor precisamos exigir que futuras edificações contemplem os moradores, com boa qualidade de vida, com espaços livres para lazer, bom sistema viário e de tráfego, melhor transporte público, melhor circulação urbana, bom sistema de distribuição de água, menor intensificação de usos de bens, melhor ventilação e iluminação intra-urbana.

Pensamento da semana: No Plano Diretor opine contra a construção de edifícios com mais de três pavimentos e de kitinetes, em bairros e morros. Eles são causadores de alta densidade populacional e de baixa qualidade de vida.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

URBANIZAÇÃO

Cesar Techio - Economista

Minhas últimas crônicas, aparentemente excursionadas pelo âmbito do colunismo social, pelo menos me deram uma idéia de que, realmente, as pessoas lêem estas tentativas de explorar novas possibilidades. Em que pese o estímulo gracioso de tantos quantos enviaram e-mails, as duas colunas “Os dez mais”, se constituem numa simples experiência no campo metafórico na medida em que busca uma mudança paradigmática dentro da clássica escolha anual dos dez mais lindos, mais charmosos, mais bem vestidos, mais isso e mais aquilo. Trata-se de uma reflexão, que acredito válida enquanto tal, todavia, a simplicidade, humildade e profunda compaixão que move certas pessoas na doação pessoal aos demais, pode tornar complexo o ato de circunscrevê-las numa crônica, elevando-as, por exemplo, às “dez mais”. Normalmente essas pessoas se movem no silêncio, na filosofia do “não saiba a vossa mão esquerda o que dá a mão direita”. Certa feita alguém comentou que, conhecendo a vida de uma freirinha canonizada, vivesse ela novamente e visse o mega-templo que construíram em sua homenagem, morreria novamente, de vergonha, tamanha a humildade com que se orientou em vida. Não obstante, com a devida vênia, partindo da premissa que não existe ponto de vista melhor do que o dos outros, mas apenas uma proposta de reflexão, é preciso apontar os bons exemplos, pois, quem sabe, isso nos ajude a melhorar a nossa humanidade. (Mesmo que tal proposta pareça contraintuitiva, pois o senso comum que nos cega somente vê o belo na roupa nova, na beleza física, no dinheiro, na ostentação das colunas sociais, menos no caráter, na sabedoria, na fraternidade e na caridade).

Sabedoria, fraternidade, caridade, também implica em inteligência, decisão e eficiência (princípio constitucional da eficiência). Olhando a catástrofe que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, fico absolutamente indignado com o que vem ocorrendo em nossa cidade, região também topográfica e geologicamente acidentada. Nossos morros estão entrando em colapso com sério risco à vida dos cidadãos. Na Rua Marechal Deodoro, altura da esquina com a Rua Guilherme Helmut Arendt, o morro está vindo abaixo e nada se faz, a não ser recolher pedras, lama e troncos de árvores a cada enxurrada. No momento em que a instabilidade daquele local contagiar toda a encosta, vai ser o maior desastre da história de Concórdia. Vejam as fotos no meu blog: http://concordiambiental.blogspot.com/. Na Rua Leonel Mosele, ao lado do Clube dos idosos, uma grande escavação começa a desmoronar. Mais acima, a exemplo do que ocorre no Bairro Floresta e ainda em outros bairros tipicamente residenciais, de casas de um ou dois pavimentos, desandaram a construir edifícios para venda de kitinetes, típicas favelas nas quais o adensamento populacional e todas as conseqüências funestas que ele traz, simplesmente destroçam a vida urbana. O novo Plano Diretor deve coibir este tipo de construção (kitinetes), diminuir de três para dois pavimentos e proibir a construção de pocilgas e pombais em bairros nos quais, por conta disso, a qualidade habitacional mergulha de escafandro na lama. Os proprietários destes cortiços verticais, envolvendo imobiliárias e construtoras, estão somente vislumbrando lucro e não qualidade de vida. Que construam nos eixos de expansão urbana, rumo ao distrito de Santo Antonio, Linha São Paulo e BR 153. A licença para construção destes terríveis adensamentos populacionais em encostas e em bairros nobres depende da prefeitura. Os vereadores precisam despertar e votar com urgência num projeto de lei que impeça a desgraça construtiva que vem ocorrendo em nossa cidade. Pensamento da semana: “Acordar com a família durante a noite, abaixo de lama, ou agora, antes da catástrofe?”

domingo, 16 de janeiro de 2011

“OS DEZ HOMENS MAIS LINDOS E CHARMOSOS DE CONCÓRDIA”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com


Nossos talentos, capacidades e possibilidades devem ser desenvolvidos, não para o proveito próprio, mas, com a ajuda de Deus, para o bem da comunidade humana. A meta destas crônicas é acentuar valores comunitários, tais como os princípios de justiça, igualdade de oportunidade para todos e uma visão que vê o serviço aos demais como uma realização mais valiosa do que o sucesso, a prosperidade individual ou a beleza física. Neste sentido, entre muitos nomes que me vieram à mente, elejo o exemplo de dez homens que fazem a diferença em Concórdia pela honradez, honestidade e amor ao próximo: Bodo Matter, da defesa civil e 1º comandante do Corpo de Bombeiros: em todos os momentos mais difíceis da história desta cidade, ele esteve presente, salvando vidas e patrimônios. Frei Luis Toigo, da Pastoral da Saúde. Caminha entre nós em santidade, imitando Jesus Cristo na preocupação com a saúde dos menos favorecidos. Mestre em farmácia atende milhares de pessoas na caridade. É o doutor dos pobres de nossa cidade. Josivan Marques dos Santos do Ministério Ágape Gerando Eternidade (Igreja Batista). Idealizador da ABAC. Há 16 anos exorta com amor sobre a nossa condição de pó lembrando a misericórdia de Deus em nos dar a Sua vida. Sua simples presença, emociona, tão grande a simplicidade e o seu amor pelas pessoas. Luiz Adelmo Budant, da comunidade médica. Há anos dedica-se às pessoas de idade, aos desprovidos de recursos, consultando, receitando, ajudando nosso povo, sem qualquer ônus. Em meio a um mundo cheio de misérias, o exemplo deste médico consola e se erige como poderoso lenitivo e forte esperança no ser humano. Bernardo Gunther, da comunidade médica. Há muitos anos escrevi em seu livro: “Apóstolo dos Fissurados Lábios Palatais”. Um homem que superou a si mesmo e, destemidamente foi ao encontro de pessoas com o mesmo problema, amando, acolhendo e encaminhando-as para a recuperação. Seu exemplo é um farol, uma seta, uma estrela guia em nossa sociedade. Jairo da Silva Gavin, presidente da Associação de Pastores e do CRR, mestre e doutor em teologia, há mais de três décadas no serviço religioso. Pacificador, digno e corajoso, em meio a dificuldades é fiel ao seu ministério, resgatando o amor, a harmonia e a felicidade de casais e famílias de nossa comunidade. Mauri Maran da Secretaria de Urbanismo e Obras da Prefeitura. Há dez anos frente ao serviço público vive e respira trabalho em favor do povo. Honestíssimo, amealhou grande patrimônio moral, repleto de admiração popular. Pedra angular de várias administrações representa o que temos de melhor na proteção do interesse público. Nelson Bonissoni, presidente do Recanto do Idoso. Como você gostaria de ser tratado se fosse bem idoso? Esta pergunta foi respondida por ele e seus companheiros com grande intensidade, de forma direta e objetiva, através da criação de uma instituição geriátrica voltada a prática da proteção, do amor e dos cuidados para com aqueles que estão mais próximos do retorno ao Criador. Neodi Saretta, representante do povo. Em oito anos como prefeito cumpriu muito mais do que a sua obrigação. Mostrou como se faz um governo honesto, de palavra, de diálogo, com o povo e para o povo. É exemplo de liderança para a nossa juventude e para a classe política. Harry Perusin do Corpo de Bombeiros Voluntários. Representa uma instituição que congrega pessoas, direta e diuturnamente envolvidas com os problemas da comunidade. A frente de heróis que salvam vidas em situação de risco é exemplo de dedicação e de amor ao próximo.

Frase da semana: “A beleza e o charme de um homem se revela pela sua capacidade de se doar aos outros”

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

“AS DEZ MULHERES MAIS LINDAS E CHARMOSAS DE CONCÓRDIA”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Com estas crônicas, aos poucos vou desnudando os meus imensos defeitos e poucas qualidades. Dos primeiros, a pretensão de eleger, por conta e risco, as dez mulheres mais charmosas e lindas de nossa sociedade. Inauguro, então, um novo juízo estético (ou ético?), expressão construída por critérios exclusivistas, que aqui me são peculiares, sublinhados por uma originalidade que é somente delas. Elas, as dez mais lindas, charmosas e encantadoras mulheres desta cidade: Alexandra Leal da Silva, médica obstetra plantonista do Pronto Socorro do Hospital São Francisco. Atende pelo SUS em feriados, domingos, diuturnamente. Abre as portas da vida para crianças através de partos normais e cirurgias obstetrícias, com humanidade, zelo e amor, pouco se importando com a classe social das mamães que ali aportam. Representa centenas de abnegadas profissionais da saúde que honram nossa comunidade. Marizeli Santana dos Santos, da Associação Beneficente Ágape de Concórdia, ABAC. Representa, com grande maestria, todos os que amam Jesus incondicionalmente na pessoa dos miseráveis, pobres e desprotegidos de nossa sociedade. Ligia Dallacosta, da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Faz parte e representa um grupo de verdadeiras heroínas que buscam com grande zelo e incondicional caridade a salvação de mulheres com câncer de mama. Gislaine Winter, do CNEC. Representa a excelência na direção de um dos melhores colégios do maternal ao 2º grau da cidade: visão ética, respeito à dignidade humana, amor às crianças e adolescentes, solidariedade, conhecimento das ciências e dos argumentos lógicos, capacidade de raciocínio e de convivência. Beatriz Fátima Cordeiro da Silva, da Secretaria de Administração da Prefeitura. Discretíssima é a pedra angular de uma gestão compromissada com a responsabilidade fiscal e alto padrão administrativo. Representa as mulheres inovadoras, inteligentes e brilhantes que lutam por uma cidade mais desenvolvida e próspera. Cleonice da Silva Gavin do Centro de Restauração Renascer. Uma mulher do nosso tempo, com uma pregação libertadora. Fortaleza em meio a tempestades e ataques, norte aos descrentes, luz na nossa vida, paradigma de caráter e amor ao próximo. Representa a esperança de mais fraternidade e amor para Concórdia. Irma Casagrande presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Surdos e membro do Lions Clube São Miguel. Dedicada a serviços sociais, aos cuidados com a visão, audição e meio ambiente. Representa um segmento social importante, de mulheres idealistas, dignas e preocupadas com as pessoas menos favorecidas. Analu Slongo, editora do O Jornal. Inteligente, belíssima, articula o que existe de melhor em informação no Alto Uruguai Catarinense. Representa uma equipe que abraça o autêntico jornalismo: ético, inquieto, investigativo, formador de opinião, instigador e inovador. Sirlei Pozzobom administra o Recanto do Idoso. Com sua equipe, se coloca como filha e neta daqueles que procuram paz, dignidade e carinho no final da caminhada terrena. Representa as mulheres de fibra de nossa sociedade, que cuidam de seus idosos com sacrifício, no exercício da paixão pela vida, que é infinita e que pertence ao Criador. Amber Port (Biba) da Sociedade Espírita André Luiz. “Anjos Existem?”. Tema de sua palestra é preciso convir que sim. Biba representa os anjos disfarçados de mulheres que amam essa sofrida humanidade. Fazem parte de nossa vida, como mães, tias, filhas, avós, juízas, advogadas, professoras, empresárias, pastoras, professoras, funcionárias, industriarias...

Pensamento da semana: Meus agradecimentos a minha esposa Carolina que sugeriu o tema, a intensidade e as cores desta crônica. “On Concours”, ela é a mulher mais linda e charmosa da minha vida.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“CERTAS COISAS SÃO AMARGAS SE A GENTE AS ENGOLE”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Com um custo milionário estimado entre 15 a 18 milhões de reais, começa em janeiro de 2011 a denominada “revitalização” do Parque de Exposições. Os primeiros 2,5 milhões vão para o espaço multiuso: esporte, lazer, festas e feiras, banheiros, pórtico de entrada e quadras esportivas. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros e arquitetos da prefeitura. Portanto, pelo menos neste aspecto houve economia. Não se pode olvidar que, muitas obras, serviços e projetos custariam bem menos ao erário se fossem realizados pela própria Prefeitura... Todavia, em que pese o senso comum apontar para a necessidade de revitalização daquele espaço, é necessário repensar novos paradigmas que levem em conta novo layout para o crescimento urbano da cidade. O primeiro tem a ver com o grave problema das enchentes. No último dia 21 de dezembro de 2010, por exemplo, o Rio dos Queimados quase transbordou. Pouco ou nada se faz de forma eficaz para acabar com esse problema. O açude em construção à montante do Parque de Exposições parece pequeno e insuficiente para reter grande volume de água em contínua precipitação pluviométrica. Antigo projeto, ao tempo da gestão do prefeito Ivo Frederico Reich, previa a construção de uma grande barragem em terras desapropriadas. Mas tudo se perdeu no tempo, em que pese alertas contínuos da Aecom (Associação dos Engenheiros de concórdia).

A construção do canal extravassor começou em alguns metros nos últimos meses da gestão Neodi Saretta e parou. É de aporrinhar as galhofas repetidas a cada eleição pelos candidatos a prefeito. O primeiro que se comprometeu publicamente a viabilizar a construção da barragem ou do canal extravassor ou de ambos, em campanha eleitoral que lhe rendeu assunção política e o cargo de prefeito, foi Moacir Sopelsa, no final de 1992. O anterior, Odacir Zonta, em que pese ciente do problema, também navegou em águas turvas da enchente sem erguer uma palha para resolver o problema. Ou seja, há quatro décadas enchentes devastam o Parque de Exposições de forma que me parece uma temeridade gastar milhões na revitalização de um espaço em permanente situação de risco. Para garantir segurança ao Parque de Exposições e a toda a cidade abaixo dele, o dinheiro gasto com a revitalização deveria ser, em primeiro lugar, orientado para a recuperação da bacia hidrográfica do Rio dos Queimados, proibindo a emissão de licenças ambientais, projetos de loteamentos (uma verdadeira insanidade para quem quiser ver), fazendo plantação de árvores nativas, reconquistando a flora e fauna, desapropriando áreas ainda não construídas, entre outras medidas urgentes. A verdade é que tanto o açude como o futuro canal extravassor não agüentarão tanta destruição na área de absorção das chuvas a montante do Parque. O segundo paradigma é de natureza locacional. Ora, vão revitalizar o Parque de Exposições excluindo estacionamento para veículos já para a Expo Concórdia 2013? Morro de rir. Dá para acreditar? A verdade é que aquele ambiente não comporta mais grandes feiras e exposições e que o modelo urbano de nossa cidade está esgotado. Com uma máquina pública como a Prefeitura na mão, parece que a Administração segue na perfumaria, com muito discurso e propaganda de natureza ambiental e de futuro, mas sem apresentar projetos consistentes.

Pensamento na última semana de 2010: "Fiquem tranqüilas as autoridade. No Brasil jamais haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade". Millôr Fernandes, idem o título acima. Felicidades a todos e até o ano que vem.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

FALTA DE VALORIZAÇÃO EM 2010.

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com



Vergonha era o sentimento da população concordiense, por mais de trinta anos isolada de vôos aéreos em linhas regulares para os grandes centros urbanos do país. Com uma economia pujante, por obra de Atílio Fontana e outros empreendedores nosso aeroporto foi muito movimentado. Seu restaurante era o melhor da região oeste. Ieda Bassani lembra dos tempos em que, com seu falecido esposo Enídio, se dirigiam aos domingos para almoçar no aeroporto em meio a pousos e decolagens. A viabilização de uma linha área para o município não é a “realização de um sonho”, como afirmou o prefeito. Na dura realidade é o fim de um pesadelo. O fim de um ergástulo no qual fomos confinados por muito tempo, com prejuízos ao desenvolvimento econômico local. É preciso parabenizar a todos os que se envolveram de forma efetiva para viabilizar o retorno do tráfego aéreo. Mas, olhando para o passado, para as grandes pessoas que já comandaram a economia deste município, é preciso pedir perdão pela omissão, com a qual, por mais de três décadas, nossas autoridades jogaram no ostracismo esse meio de transporte tão importante.



A construção da barragem de contenção de cheias é obra importante. As questões que se impõem são: 1º - Se, é capaz de suportar e reter grande volume de águas em intensa e contínua precipitação pluvial; 2º - Se, José Olmi, empresário, advogado e economista, com larga visão sobre problemas estruturais de crescimento urbano, tem razão, quando mostra a necessidade da construção de uma “grande barragem” em área que já havia sido destinada pelo município para este fim; 3º - Se, ele e Nésio Tumelero têm razão quando insistem no aproveitamento urbano das águas de uma grande barragem. Aprofundar o leito do rio, em seu atual curso, ao invés de construir um canal extravassor é outra sugestão. Com o corte de rochas com explosivos de alta tecnologia, essa idéia se viabiliza. Foi assim que Zeca Olmi construiu o edifício mais moderno da cidade, com cinco andares abaixo do nível da rua encravados em rocha pura, sem nenhum abalo do edifício vizinho. O problema é que os gestores públicos não admitem idéias diferentes das deles, como por exemplo, as propostas da AECOM (Associação dos Engenheiros de concórdia) que há anos vem se “esgoelando” de tanto falar no assunto. É “voz que clama no deserto”. Será?



Quase meio milhão de reais gastos no Sonho de Natal e oitenta mil na vinda do Galpão Crioulo em evento fora da Semana Farroupilha. Foram muitos e-mails de contundente apoio à minha crônica pretérita sobre o assunto. Entre eles, alguns chamam a atenção para a inconveniência da Administração, quase um desprezo pelos nossos artistas locais. Gente, por exemplo, como Antoninho da Fronteira, há 56 anos um ícone da música gauchesca, prata da casa, com vários discos e CDS gravados; Guilherme Pazzini, uma lenda da tradição gaúcha em Concórdia (ele e Antoninho são os únicos fundadores do CTG Fronteira da Querência ainda vivos, o primeiro CTG fundado fora do Estado do Rio Grande do Sul); Tche Mendes, um artista excepcional, inteligente, bem articulado, politicamente esclarecido, com um programa diário e formador de opinião, na Aliança; Noé de Vargas, poeta, cantor, animador de primeira linha, há décadas comandando um dos melhores programas da rádio concordiense, na Rural; outros artistas locais, bandas e orquestras; tenho certeza teriam o máximo prazer de, por custo zero, contribuírem para com o Sonho de Natal. Economia para o erário público, valorização dos nossos e autêntica alegria do povo.

Pensamento da semana: “Senhor, nos dê de presente neste natal, espírito público e mais fraternidade para com os nossos”.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“ABAC: VOCE ACREDITA EM MILAGRES?”

Cesar Techio
Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Em meio à opulência desta cidade, aportam seres humanos envolvidos com graves obstáculos econômicos e problemas sociais que requerem tratamento urgente, firme e digno, sob pena de violação a direitos humanos fundamentais. A solução da miséria humana exige o envolvimento de todas as instituições, principalmente das igrejas que precisam desenvolver uma vontade concorde e uma consciência de responsabilidade coletiva entre seus fiéis em favor dos grupos sociais mais pobres e marginalizados. Desde as primeiras comunidades cristãs, seguindo o exemplo de Jesus, a predileção de todas as igrejas obrigatoriamente deve ser pelos pobres, necessitados e desprotegidos da sociedade. Uma avaliação ética de nossa fé esbarra necessariamente em ações concretas de caridade, em práticas de justiça social, em vencer egoísmos. De boas intenções, o inferno está cheio. De fato, de que adianta orar dia e noite através de palavras, lamentações, louvores e se prostrar em constantes genuflexões, sem compromisso com a indulgência e a misericórdia? Aos sedizentes cristãos, que vivem nas igrejas, sem compromisso fraterno; aos que oram com os lábios e não com o coração; aos egoístas e orgulhosos que batem ponto nas igrejas, Jesus manda o seguinte recado: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartem-vos de mim, os que obrais a iniqüidade.”

O problema é que a graça da salvação tem uma única fórmula: a prática do amor e da caridade. Engajar-se numa comunidade cristã de amor ao próximo, como a Associação Beneficente Ágape de Concórdia, ABAC (um belíssimo exemplo entre outras instituições), emprestando-lhe tempo, amor e ajudando-a financeiramente para viabilizar sua intensa atividade “pro misero”, talvez seja a oportunidade para descobrir a verdadeira felicidade, o verdadeiro sentido de viver um autêntico cristianismo. Apesar da abençoada ajuda do Município de Concórdia, os recursos para manter a ABAC ainda são insuficientes devido a crescente demanda de atendimento. Sem ainda conseguir o título de entidade filantrópica, a alta carga tributária dessa exemplar instituição é alta, o que também inviabiliza doações em dinheiro de empresas e particulares que buscam abono fiscal. O Albergue da ABAC atendeu 150 pessoas no primeiro semestre de 2010, todas em situação de risco social, moradores de rua e pessoas de passagem pela cidade, sem condições financeiras para se estabelecerem. Para cada uma é feito, no mínimo, cinco atendimentos, desde banho, vestimentas, passagens, documentos, algum equipamento de extrema urgência e até inserção no mercado de trabalho. Desde 2002 a ABAC segue vivendo da fé e resgatando da extrema penúria centenas de seres humanos. Até o dia 15 de dezembro a ABAC precisa de um milagre para viabilizar sua existência em nosso meio, em torno de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para pagar cozinheira, assistente social, limpeza, alimentação, material de higiene pessoal, expediente, combustível, aluguel, luz, água, telefone e outros. “Dar um pouco do que tem ao que tem menos ainda, enriquece o coração e faz a alma ainda mais linda”. Ajude a Deus a fazer mais este milagre.


Pensamento da semana: A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS SURDOS-APAS, promove no dia 11, sábado, BAZAR BENEFICIENTE com mercadorias apreendidas pela Receita Federal, nas antigas instalações da Loja Ponto Frio. Parabéns a IRMA CASAGRANDE por mais esta iniciativa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PLANO DIRETOR: VIADUTOS E ABACATEIROS NA PRAÇA.


Cesar Techio
Economista – Advogado - cesartechio@gmail.com

Um novo Plano Diretor para a cidade deve levar em consideração, entre os multifacetados compromissos obrigatórios estampados no Estatuto das Cidades, certos aspectos que, em Concórdia são importantíssimos, relevantes, imprescindíveis e inalienáveis:

1° - Plano Diretor da Bacia Hidrográfica do Rio dos Queimados: Se quisermos garantir a eficiência e eficácia do canal extravassor e do pequeno açude de retenção, em construção, há necessidade de revitalizar o ecossistema à montante do centro da cidade, proibindo novos loteamentos e construções; aumentando a área ciliar no entorno de fontes, determinando o replantio de árvores, enfim, reconstruindo o meio ambiente para ajudar na retenção das águas pluviais. Cansei de escrever sobre este assunto. Neste aspecto, é de espantar e uma vergonha a aprovação e liberação de novos loteamentos à montante do Rio dos Queimados, a partir do centro da cidade. Há urgente necessidade de legalmente impedir que as autoridades aprovem quaisquer construções naquele norte, sob pena de atentado à vida das pessoas que residem à jusante do rio e malversação do dinheiro público destinado à contenção de cheias.

2º - Plano Diretor de Expansão Urbana: Há urgência para se ordenar o crescimento urbano em direção ao Distrito de Santo Antônio, Linha São Paulo e BR 153 (pela Rua Leonel Mosele, como já sugeriu o dinâmico vice-prefeito Neudi Santhier). Mais do que traçar eixos de expansão urbana, há necessidade de estimular o crescimento para essas direções, projetando, desde logo, toda a infra-estrutura para que isso ocorra: múltiplas vias asfaltadas; estações integradoras para transporte coletivo interbairros; ônibus alimentadores para passageiros de comunidades do interior; canaletas exclusivas para ônibus expresso para rodoviária a ser construída junto a BR 153; sistemas e estruturas de captação e retenção de água. O ingresso de escolas, postos de saúde, hospitais, supermercados, farmácias e outros estabelecimentos nestas áreas, virão junto com o processo de urbanização. Enfim, é preciso desafogar o centro da cidade de forma natural.

3º - Plano Diretor da Atual Área Urbana: Nosso espaço tem que se amoldar de forma harmônica e ecologicamente correta à topografia, às encostas e aos gargalos que impedem o crescimento urbano, sem afronta ao Estatuto das Cidades. Entretanto, com relação a situação pré-existente, a mesma já se encontra consolidada. Não há que se pensar em demolir prédios já construídos sobre o rio; inventar viadutos suspensos sobre ruas e casas para o tráfego veicular ou plantar abacateiros na praça. Idéias pirotécnicas para diversão popular, só na campanha eleitoral. Mas, convenhamos, de ora em diante, é fundamental impedir construções que induzam aglomerações. A edificação de unidades com menos de 110 metros de área, em até 3 km do Ponto Central (PC) da cidade (Largo Rio Branco), devem ser proibidas. Escavações e construções em morros com declive superior a 30º ou que, geologicamente não sejam recomendadas, idem.
Na realidade, não temos trabalhado, durante todos estes anos, qualquer política de desenvolvimento urbano. Com o novo Plano Diretor, talvez seja possível tentar a construção de políticas públicas inteligentes, voltadas à preservação ambiental e à dignidade humana. Mas, sinceramente? Não tenho esperanças na efetividade disso. Basta constatar que as atuais autoridades continuam liberando alvarás para loteamentos acima do rio dos Queimados e construções em penhascos onde se planta milho a tiro e se colhe a laço. Não existe bom senso, cabeça e peito para preservar o meio-ambiente, garantir a função social da cidade e um futuro digno. Com cabeçudos, o melhor Plano Diretor do mundo, não saí do papel.

sábado, 27 de novembro de 2010

“BELÍSSIMAS MULHERES”


Cesar Techio
Economista – Advogado
cesartechio@yahoo.com


Escolhi o título desta crônica no impulso. Pela primeira vez adoto um título e a partir dele delimito o tema, partindo de uma idéia básica, que, no caso, ficou bailando em minha mente, condicionada pelos eventos sociais de final de ano, jantares dançantes, desfiles de moda, colunas sociais, em momento único, somente encontrado quando o ano começa agonizar. Em meio a estes sentimentos, a percepção e a constatação da beleza da mulher concordiense, que não se fragmenta diante da multiplicidade de gêneros, cor da pele, fulgurantes cabelos, estupendos vestidos, brilho incomparável dos olhares (alguns furtivos), mas todas, dentro de uma única esfera de magia e de transcendência. Elas movem a nossa vida social, clubes, instituições, corações e famílias. Nascemos delas e por elas vivemos até o fim de nossas existências. Mas, aqui, nesta cidade, são mais intrigantes, instigantes e belas. Incomparáveis, aliam traços físicos estéticos, rostos bem talhados, suavidade no dançar, postura impecável no trato das relações humanas, competentes no trabalho e, doces, meigas, ternas, mas não menos misteriosas por onde passam. Se o Criador fez alguém melhor e mais perfeito, dizem, guardou para Ele. Mas duvido. Nosso modo de viver, conceitos, formação e capacidade de avaliar criticamente o mundo que nos cerca tem sua primeira fonte nos braços de uma mulher. Por isso, por aqui, nesta doce cidade onde nasci a esplêndida formosura feminina tem mais a ver com graciosos talentos espirituais e de caráter do que, com atributos físicos (estes exuberantes e encantadores).

Os valores culturais da migração de várias raças, intensamente miscigenadas, impregnaram nossas mulheres com um forte sentimento de justiça que lhes permite nesta amada província, dar um forte contratestemunho dos valores da sociedade de consumo. Vestem-se bem. Mas sabem diferenciar com precisão conteúdo de continente. Seus corações estão em sintonia com a justiça e a caridade. Suas mentes têm consciência dos graves problemas de nosso tempo e, conseqüentemente estão envolvidas em ações concretas em favor dos menos favorecidos. Elas sabem que não há genuína conversão à justiça, se não houver obras concretas de justiça. Mulheres que se envolvem com trabalhos voluntários de atendimento “pro - misero”, por intensa compaixão aos seus semelhantes. Como as dezenas que atuam na Pastoral da Saúde da Igreja Católica; na Associação Beneficente Ágape de Concórdia, ABAC, sob a presidência de Marizeli Santana dos Santos ou na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Concórdia sob a presidência de Eunice Franczak. Enfim, belíssimas mulheres. A elas, no precipitar do final de mais um ano, reconhecimento, orações, admiração e homenagens com um trecho dos Cânticos de Salomão: “Arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva, arrebataste-me o coração com um só de teus olhares, com uma só jóia de teu colar. Como são ternos teus carinhos, minha irmã e minha noiva! Tuas carícias são mais deliciosas que o vinho; teus perfumes, mais aromáticos que todos os bálsamos. Teus lábios, minha noiva, destilam néctar; em tua língua há mel e leite. Tuas vestes têm a fragrância do Líbano.”

Pensamento da Semana: “Lembram de dois alcoólatras que, sempre juntos, se arrastavam como trapos humanos pelas praças e ruas de nossa cidade? Uma mulher começou a andar e a conversar com eles. Hoje, bem vestidos e asseados, trabalham, inseridos na sociedade. O nome desta mulher? Alessandra Farina, assistente social da ABAC.”

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

“FERIADOS COM SALÁRIOS DE FOME”


Foto: Curitiba PR (Shopping Estação)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Não existe nenhuma linha lógica, fim preciso ou justificativa plausível o exagerado número de feriados no Brasil, responsável por alijar das semanas, dias altamente produtivos, como segundas, terças e quintas feiras. Um verdadeiro absurdo e grotesco colapso pauperizador da economia. Transferir esses feriados para os sábados ou domingos, com exceção do natal e 1º do ano seria a solução mais plausível. “Dolce far niente” para a maioria, não se percebe a tremenda perda para o país como um todo, em horas de trabalho, produção e produtividade. De nada adianta ficar de “barriga para cima”, mas vazia. A questão que se impõe ou que verdadeiramente interessa, inclui uma modificação do modelo econômico capitalista. Precisamos pensar em diminuir drasticamente a alta concentração de renda (a mais perversa do mundo); promover a repartição de lucros; a assunção da classe trabalhadora ao comando das empresas; a repartição de sobras líquidas, a exemplo do que ocorre no modelo cooperativista.

O sistema atual escraviza a maioria e despreza a dignidade humana dos trabalhadores, batendo de frente contra a função social da economia, o bem comum e a justiça social. Aliás, candidatos a prefeito, nas próximas eleições, devem se abster de discursar em favor da geração de empregos nesta cidade. Vão cair no ridículo com a petralhada debulhando incontestes provas de que existe falta de mão de obra nas empresas locais. É claro que não se pode cair na tentação de acreditar que o pleno emprego em Concórdia decorre do esforço da administração pública, absolutamente distanciada de quaisquer projetos consistentes, neste sentido, nos últimos 76 anos. Não somente não se empenharam em trazer grandes empresas para o município como, néscios, se omitiram (por absoluta falta de idéia) em implementar projetos de desenvolvimento que estimulassem investimentos na área produtiva. O município nasceu e cresceu nas costas da empresa Sadia. É ela, ainda, agora sob nova denominação, a pedra de sustentação de toda a dinâmica financeira e econômica da região.

Nas próximas eleições, os candidatos devem concentrar seus planos de governo na identificação de novos projetos, que incluam a elaboração de um diagnóstico que identifique as carências e potencialidades da microrregião; a elaboração de uma árvore de oportunidades de investimento; o estímulo da comunidade e de entidades de apoio empresarial a investirem em Concórdia; a elaboração de pré-estudos de viabilidade específicos, entre outros. As pessoas devem se sentir atraídas por modelos de geração de renda dos quais elas participem, não somente na condição de investidoras, garantindo o retorno do seu capital, mas de gestoras, na medida de suas participações societárias. Com efeito, não existe sentido em investir em caderneta de poupança, CDB, RDB e outros papéis com os quais o rico dinheirinho voa para fora da região sem contrapartida local. Através de empresas comunitárias, nossa gente pode investir aqui, gerando tributos, renda melhor distribuída e um futuro melhor para os próprios filhos. Mesmo porque, de que adianta pleno emprego com salários de fome? De que adiantam tantos feriados se, para a classe trabalhadora, empregada, não sobra para gastar em lazer?

Pensamento da semana: “Juropordeus que foi essa a pergunta que fiz. São tantos feriados e tantos santos para festejar, que por um lapso me confundi. E logo Cassio respondeu: São Deodoro”. Adriana Vandoni.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

DILMANDO: A VOLTA DA CPMF



Foto/tema: "Flores para Neide Azevedo Lima uma das maiores cronistas do Brasil".

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Só me faltava ser acusado de oblíquo em minhas crônicas. A versão local de ocupantes de cargos, recalcados pela falta de autonomia e liberdade que degenera em adulações e bajulações, se ressente das razões, raciocínios, objeções lógicas e constatações que faço a respeito da conduta política do presidente Luis Inácio adeus da Silva frente ao governo do estado brasileiro. A defesa, em linhas gerais é de comezinhos princípios constitucionais, universais e do direito natural. E é claro tentam atingir o meio de comunicação que empresta espaço a estas reflexões, jornal que até o presente momento se mostra incorruptível, independente, disposto a não sacrificar a verdade e a justiça diante de considerações livres, mas não menos equivocadas. Mas, enquanto dura esse espaço, a articulação agora tem a ver com o verbo dilmar. Sempre na segunda e terceira pessoa do singular e do plural para quem depende daquilo a que me referi acima (ele dilma, eles dilmam, tu dilmas, vós dilmais...). E, nesta conjugação, entraram vergonhosa e despudoradamente governadores de oposição ao apoiar a volta da desgraçada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, CPMF, imposto regulamentado em 1997 para financiar a saúde e extinto em 2007 por pressão da sociedade brasileira, sendo esta a maior derrota do presidente Lula. Defendem o assalto tributário o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), Antonio Anastásia (PSDB), governador re-eleito de Minas Gerais, Cid Gomes governador do Ceara (PSB) entre outros (em torno de 13 governadores). A idéia da CPMF era a de custear a saúde pública, mas os recursos, obtidos pela incidência de desconto de 0,38% sobre os débitos lançados sobre todas as operações bancárias passaram a ser desviados para a Previdência Social e para o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Usada como meio de fiscalização do Imposto de Renda pela Receita Federal e incidindo sempre em cascata (uma única transação envolvendo três, quatro ou cinco operações bancárias de um mesmo negócio eram taxadas em igual número com a alíquota de 0,38%),

Durante a campanha eleitoral (cujas promessas devem sim, serem lembradas e cobradas) Dilma firmava sua disposição em barrar a criação de qualquer novo imposto e reduzir a carga tributária. Agora, passada as eleições, sutilmente empurrou a questão da volta da CPMF à articulação de governadores: “Não pretendo enviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas não posso afirmar… Este país vai ser objeto de um processo de negociação com os governadores”. Naturalmente que esta nova postura, é um tapa na cara dos 55 milhões de eleitores que votaram nela acreditando no discurso de que diminuiria a carga tributária. Por conta disso, o verbo dilmar tem a ver com afirmar uma coisa durante a campanha e fazer outra depois de eleito. Este verbo “dilmar”, em que pese nascer em primeira mão aqui nesta coluna, na verdade foi criado pela presidente três dias depois de eleita. Verbo poderoso, na mão da 16ª mulher mais poderosa do mundo (segundo a revista Forbes) marca, quatro anos antes, a nova derrota do PSDB nas eleições presidenciais de 2014. Por fim, o possível afastamento de Henrique Meirelles do Banco Central, indicado de forma extraordinariamente feliz pelo presidente Lula para o cargo ocupado por oito anos, deixa dúvidas se não se trata de manobra para atingir a forte independência e autonomia da instituição, importantíssima para o país, como se provou durante a crise econômica que se abateu no mundo. É bom lembrar que, durante a campanha, Dilma afirmou que achava “importantíssima a autonomia operacional que o Banco Central teve durante o governo do presidente Lula“. Ora, então porque tirar Henrique Meirelles do BC, se sua atuação independente e forte, foi um tremendo sucesso durante oito anos? Será que Dilma dilmou, nesta também?

Frase da semana: “A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas”. Alfred de Musset.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

“LULA CABO ELEITORAL: USO DA MÁQUINA PÚBLICA?” (versão local)



Foto: Tema "Curitiba, amada. Uma rua chamada Petit...ruas de uma vida."

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Que, o atentado ao direito à propriedade privada continua estampado no Programa Nacional dos Direitos Humanos forjado na Casa Civil aos tempos em que a presidente eleita Dilma Rousseff era ministra, há isso continua. Essa senhora, que governará (ou não) o país a partir de 2011, jamais concorreu a qualquer cargo eletivo em sua vida. Se me abstive de lhe comentar em tempos de eleição, foi para não incorrer num chato “bis in idem”, afinal, o povo brasileiro vinha sendo informado à exaustão sobre sua vidinha na guerrilha. Entretanto, deu para discorrer, e muito, sobre o “Senhor 83% de aprovação nacional Lula Lá”, amigo dos governantes do Irã, Venezuela, Cuba e outros paisinhos sanguinários, antidemocráticos, tipo escória da humanidade. Passada essa fase, não custa constatar que os partidos da situação local não ganharam. Perderam. E feio: Dilma naufragou de escafandro nas urnas e, por conta disso, a antipatia do prefeito chegou às raias da revolta. Esbravejou. Como se a derrota de sua candidata à presidência fosse um sinal de rejeição à sua própria pessoa e à administração municipal. Antipático porque tem dificuldade em receber em gabinete o povo, o qual nas ruas, de longe cumprimenta agitado. Antipático porque tem péssima memória e fica ansioso quando dá de cara com quem não embarca em sua canoa. Antipático, porque em aparições públicas vira caricatura e, neste ponto, as comparações com o seu predecessor são inevitáveis. Assim como sua candidata Dilma, eleito nas barbas do antecessor navega em mandato tampão e, salvo milagre, já pode ir se despedindo. Volta a disputar o cargo o ex-prefeito. Querem apostar?

Embalados na vitória da oposição nacional (dez governos estaduais, oito do PSDB, Paraná, São Paulo, Minas, Goiás, Tocantins, Alagoas, Pará e Roraima e dois do DEM, Santa Catarina e Rio Grande do Norte, com governo sobre 52,3% da população e bem mais da metade do PIB) a oposição da terrinha já começa a se agitar. Têm pré-candidatos a prefeito para todos os gostos (hehe), e em todos os partidos, partidinhos, grupinhos e grupelhos. E cada um puxando a carroça ao gosto do milho à frente. Interessante observar que o PMDB, oposição no município, elegeu o vice-presidente da república na turma do PT de Brasília. Fazer o que, né? Enfim, em que pese perdermos a oportunidade para elegermos José Serra, as eleições serviram para demonstrar que a oposição é forte, e que os imperativos morais discutidos durante a campanha são importantes e não podem ser ignorado pelo futuro governo. É claro que, as eleições ainda podem ser questionadas. Afinal a utilização da estrutura do estado, com Lula cabo eleitoral pró sua criatura, certamente desequilibrou o pleito. O tempo usado pelo presidente da república (eleito para governar o país e não para fazer campanha e propaganda política 24 horas por dia) tem matizes de indevido uso da máquina publica e cheiro de ato de improbidade administrativa. Por conta de sua forçada e abusiva atuação eleitoral, quem saiu menor da campanha foi ele mesmo e não José Serra. Sua onipresença no pleito demonstrou que, na realidade, quem ganhou as eleições foi ele e não sua invenção. Durante a campanha o “presidente cabo-eleitoral” teve mais ressentimentos do que metas e nada a inspirá-lo, a movê-lo, senão seu desatino no comando da estrutura governamental e o ódio à oposição. Fica no cargo mais dois meses. Depois, xô Lula! Vá para casa!

Pensamento da semana: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.” Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NOVO PRESIDENTE DE PLANTÃO


foto: Curitiba - PR

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

O intervencionismo estatal, em certas circunstâncias é aconselhável como sensato imperativo para o desenlace de difíceis problemas sociais resultantes da alta concentração de renda e exploração desenfreada do liberalismo econômico. O que interessa é que o Estado não se constitua em um fim em si mesmo, mas se mantenha como instrumento capaz de assegurar (e não de acabar), o valor da dignidade da pessoa humana, os princípios universais do direito do homem, o direito à vida, à privacidade, às liberdades democráticas, pouco importa o futuro presidente de plantão e seus êmulos. Convém observar que as instituições brasileiras são capazes de resistir à eventual panacéia de um presidente e dos que pretendem abolir a propriedade privada e as liberdades democráticas, detonar o judiciário ou ainda reduzir a vida humana ao materialismo, o qual “consiste em professar que o espírito não tem existência antes do corpo; o espírito é fato secundário, função do cérebro e imagem do mundo exterior” (Lênin, Materialismo e empiriocentrismo). O liame doutrinal entre o Plano Nacional dos Direitos Humanos de Lula e a vetusta controvérsia de Engels, de que “o mundo material é a única realidade, nossa consciência e nosso pensamento, por transcendentes que pareçam, não passam de produto de órgão material e corporal, o cérebro; a matéria não é produto do espírito; este, sim, é produto superior da matéria”, é gritante. Só não percebem os cegos surdos.

Talvez seja por isso que um magistral juiz de direito, dias destes, ante minha surpresa diante de certa situação, afirmou o seguinte: “Dr. Techio, o judiciário pode ser cego, mas não é surdo”. Assim se espera da sociedade brasileira e de suas instituições: se forem cegas, que não sejam surdas; se forem surdas, pelo menos que não sejam cegas. Por óbvio que não se insere nos nossos caros princípios constitucionais a aproximação do presidente a governos sanguinários (Irã e Cuba, por exemplo). Muito menos o emblemático e desumano PNDH3, indisfarçável diretriz oficial ideológica do governo Lula e filhote de uma esquerda perdida e comprometida com políticas de países como o Irã, Cuba e Venezuela. Sempre lembrando que o Irã é governado por um governo que apedreja até a morte mulher infiel, e Cuba por uma raivosa e insane orientação de cunho marxista, igualmente assassina, estéril e covarde na medida em que, por décadas trancafia opositores políticos.

Que ninguém se iluda. A concepção materialista do mundo e o ateísmo se constituem no terreno em que se esteia o ponto de partida e a problemática do jugo de um governo apartado da democracia. Enfim, a advertência de um amigo, já falecido, que admiro e que traduz uma autêntica posição em defesa da ordem moral: “Qualquer que seja o progresso técnico e econômico do mundo, não haverá nem justiça nem paz enquanto os homens não voltarem ao seio da dignidade de criaturas de Deus, primeira e última razão de ser de toda a realidade por Ele criada. O homem separado de Deus torna-se desumano consigo mesmo e com os semelhantes, porque a relação ordenada de convivência pressupõe a relação ordenada de consciência pessoal com Deus, fonte da verdade, da justiça, do amor” (João XXIII).

Pensamento da semana: “Como todos sabem, Lênin era um teórico lastimável... É evidente também que os conhecimentos filosóficos de Lênin eram muito bons para fazer as pessoas boas rirem... Materialismo e empiriocentrismo será eternamente um modelo de estupidez extrema” (Bukarine, pensador bolchevista famoso, mas fuzilado por ocasião dos “expurgos’ dos anos 30).

Homenagens da semana: Ao magnífico juiz de Direito Dr. Uziel Nunes de Oliveira que com seu brilhantismo e força moral honra o Poder Judiciário Catarinense em nossa Comarca

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"RELIGIÃO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS"


Foto: Curitiba - PR (Passeio Público)


Cesar Techio - Economista –Advogado cesartechio@gmail.com

Se, os candidatos a presidente da república acreditam ou não na existência de Deus, isso é absolutamente irrelevante. Mesmo porque, até o diabo acredita. Tanto acredita que Lhe tentou tomar o lugar numa rebelião celeste, descrita na bíblia. Todavia, ao contrário do que alegou o protegido do presidente Lula, José Sarney, no sábado dia 16/10/2010, de que lamenta “que o problema da religião tenha aflorado nesta campanha, acho que, quando temos religião, participando da política, temos inevitavelmente um caminho que vai terminar no fanatismo”, os princípios cristãos devem necessariamente ser a base de toda a discussão política nesta reta final da campanha presidencial. Ocorre que o problema não se circunscreve a uma singela discussão religiosa. Mas a um questionamento sobre a práxis cristã de cada um dos candidatos. O que interessa, para eleger um bom presidente é aquilatar seu compromisso com a vida, com os princípios fundamentais da pessoa humana, com a democracia e com o respeito ao direito alheio, pois é isto o que mantém a dignidade de cada cidadão.

A resposta fundamental que pode nos ajudar a decidir corretamente em quem votar tem a ver com as práticas habituais de cada candidato no decorrer de toda sua vida pública. Principalmente em questões essenciais que digam respeito ao direito natural, aos princípios constitucionais, universais e cristãos. A pergunta do eleitor deve ser: Qual dos dois candidatos melhor demonstrou com todo o seu coração, alma, forças e entendimento, verdadeiro amor ao povo e aos direitos humanos? Conta Lucas, um dos apóstolos, que certo doutor da lei perguntou a Jesus, o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês tu? Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem. “Faze isso, e viverás.” Como se vê, na hora de votar não deve ser difícil escolher entre Dilma Roussef e José Serra. Basta observar qual dos dois, durante sua vida pública, foi coerente com o direito à vida.

E não adianta tentar, agora, na reta final da campanha, usar Deus como cabo eleitoral e o seu santo nome como slogan de uma prática nunca vivenciada, apostando alto na fé dos cristãos. Neste ponto, Pedro, o apóstolo, foi genial. Num recado que nos serve hoje, ele disse o seguinte: “Façam todo o possível para juntar a bondade à fé. À bondade juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor. Pois são essas as qualidades que vocês precisam ter. Se vocês as tiverem e fizerem com que elas aumentem, serão cada vez mais ativos e produzirão muita coisa boa (...). Mas quem não tem essas coisas é como um cego ou como alguém que enxerga pouco”. Por óbvio que José Sarney (até por seu histórico de acusações de corrupção) não tem moral para criticar os cristãos e afirmar que a religião descamba para o fanatismo quando questiona projetos políticos dos candidatos a presidência da república. E também está muito enganado, porque aposta em cristãos cheios de fé, mas ignorantes e atrasados. Por óbvio que discernimento, conhecimento e informação, nos dias atuais, caminham junto com a fé de todo bom cristão.

Pensamento: “O direito de nascer é o mais importante dos direitos humanos. Se o aborto não for debatido agora, durante as eleições presidenciais, vai ser debatido quando?”

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"ELEITOR TEM BOA MEMÓRIA E NÃO PERDOA"


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O povo do Estado de Santa Catarina é um exemplo para o Brasil: tem boa memória. E por conta disso impôs uma estrondosa derrota à candidata ao governo, Ideli Salvatti. Com apenas 21,90% dos votos dos eleitores, colheu o que plantou quando, com o seu partido, o PT, se aliou a José Sarney e a Renan Calheiros no Congresso Nacional. Em minha crônica “TAPA NA CARA”, de 26/08/2009, escrevi: “... o discurso de Sarney cedeu lugar ao que verdadeiramente interessa ao povo brasileiro: sua participação na fundação que leva seu nome, os negócios com crédito consignado de seu neto, a nomeação de servidores com relações próximas, os atos secretos, etc. Em meio a este turbilhão, o PSDB e o DEM, vencidos no caso das onze denúncias contra Sarney, abandonam e propõe a extinção do Conselho de Ética. Também pudera, três petistas, aplaudidíssimos por Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello, votaram a favor do arquivamento das denúncias. São eles: João Pedro (AM), Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC). A atitude do senador Eduardo Suplicy, após o pedido de desfiliação da senadora Marina Silva (PT-AC) e do senador Flávio Arns (PT-PR), demonstra claramente que o PT foi rachado para sempre. E não é para menos. Flávio Arns pretende que a Justiça diga que o PT foi infiel ao seu ideário político. Eduardo Suplicy e Pedro Simon (PMDB-RS), em meio a 81 senadores que compõem o Senado Federal, ergueram bandeira contra a vergonhosa bandalheira que se instalou no Congresso Nacional e tiveram a coragem e dignidade de baterem de frente contra os amigos de Sarney, incluindo o presidente Luis Inácio Lula da Silva. Para nós, catarinenses, o que mais impressionou foi o voto subserviente da Senadora Ideli Salvatti, um verdadeiro tapa na cara e na decência dos eleitores e uma amarga decepção e vergonha aos petistas de boa índole”.


Na semana seguinte, em 02/09/2009, com o título “LULA NÃO FARÁ SEU SUCESSOR”, ainda escrevi: “A par destas acusações, após o arquivamento das onze denúncias contra Jose Sarney com o apoio do PT (inclusive da senadora catarinense Ideli Salvatti), o Senador Flávio Arns (PT/PR) jogou “lama” no ventilador: “O PT jogou a ética no lixo e vai ter que achar outro caminho. Deu as costas ao povo, à sociedade e às bandeiras tão caras a tantas pessoas. Tenho vergonha de estar no PT”.

Conhecida a política de Brasília, envolvida a proteger esquemas internos de corrupção e externamente simpática a governos totalitários, distingue-se pela ausência de escrúpulos, quando apóia essa gente, e pelo repúdio a valores inalienáveis quando, através do Gabinete da Presidência da República, propõe à nação o Plano Nacional dos Direitos Humanos, o qual, de humano não tem nada. Enfim, o que menos conta em certos segmentos políticos são os ideais de liberdade e a lealdade aos princípios humanos, constitucionais e universais. Basta constatar o imbróglio político que, em Alagoas, levou Renan Calheiros para o seu terceiro mandato de senador da República. Passou a honestíssima e competente Heloísa Helena (dada como eleita, ficou em terceiro lugar). Em termos de alienação, bem melhor seria votar num Tiririca da vida, palhaço assumido mas de bom coração. Enfim, de alienado o povo catarinense não tem nada. Mesmo diante de um discurso antidemocrático e raivoso de Lula, ao atacar Luiz Henrique e propor extirpar o DEM da política brasileira, elegeu Raimundo Colombo (DEM), Paulo Bauer e o ex-governador Luiz Henrique ao senado Federal. Da mesma forma, quando Ideli Salvatti se aliou a Sarney e a Renan Calheiros, passou a vê-la como um deles. É que o povo daqui conhece a máxima: “Me diga com quem andas que te direis quem és”. E, de quebra, sabe dar o troco.

Pensamento da semana: "Quando for roubar dinheiro público,não se esqueça que na sua conta tem a honra de um homem envergonhado por ter que ver sua família passando fome"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2º TURNO: "DIA DO EVANGÉLICO"


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Demonstrando total ignorância de que o estado brasileiro é laico, o presidente Lula assinou no dia 15/09/2010, a lei nº. 12.328 na qual, em dois singelos artigos, instituiu o Dia Nacional do Evangélico. Vale a pena transcreve-la: “Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional do Evangélico, a ser comemorado no dia 30 de novembro de cada ano. Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 15 de setembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.” (fonte: http://www.planalto.gov.br). Com o objetivo de agradar os evangélicos a apenas 18 dias da eleição presidencial, na realidade Lula assinou uma lei que, além de absurdamente inconstitucional é imoral e afrontosa. Pelos seguintes motivos: 1º - Todo o dia é dia de vivermos os ensinamentos de Cristo; 2º - Por privilegiar somente uma corrente religiosa. 3º - Agora, em tese e por isonomia, há necessidade de se criar o dia dos católicos, umbandistas, espíritas, budistas, entre outros. Na mesma surpreendente e inusitada simpatia às religiões, quatro dias antes das eleições Dilma Roussef foi acolhida por lideranças católicas e evangélicas. Em reunião amplamente divulgada pela mídia afirmou que, ao contrário do apoio que demonstrou no passado, é contra o aborto e que defende total liberdade de crença. Declarando-se católica defendeu parcerias com as igrejas no seu futuro governo. Se, tudo isso fez parte de uma estratégia para captar votos dos cristãos na última hora e, se deu certo, somente uma análise criteriosa dos resultados da votação que recebeu no 1º turno das eleições e receberá no dia 31 de outubro, pode esclarecer.

E, por falar em “acordo”, antes da votação do “Ato Permissionário” que lhe daria poderes para aprovar leis sem necessidade do parlamento, Hitler fez um discurso afirmando que o nazismo estava lutando pelos valores cristãos: “Enquanto o governo está determinado a prosseguir com a limpeza política e moral da nossa vida pública, ele está criando e assegurando os pré-requisitos para uma verdadeira vida religiosa. O governo vê em ambas as confissões cristãs (católicas e protestantes) os mais importantes fatores para a manutenção da nossa cultura” (Adolf Hitler, 23/03/1923). Em função desta posição, a igreja católica e o governo nazista formalizaram uma aliança, denominada “Concordada” (Reichskonkordat), na qual ficou formalizado que os bispos deveriam prestar juramento ao representante do Estado do Reich, ou a Hitler: “Eu juro e prometo honrar a legalidade constituída do Governo e fazer com que os clérigos da minha diocese honrem também. No desempenho de meu trabalho espiritual e da minha solicitude pelo bem estar e interesses do Reich alemão, eu vou lutar para impedir qualquer mal que possa ameaçá-lo.” (Assista o documentário no blog http://cesartechio.blogspot.com/). Devido a esse acordo Hitler se tornou ditador com poderes absolutos. Como terminou essa história, todo mundo já sabe.

Enfim, “alea jacta est” (a sorte está lançada). Enquanto aguardamos o 2º turno, falemos, finalmente, de coisas mais amenas, que inebriam o coração e surpreendem a alma. Falemos de amor que nos fornece esperança, oxigênio e vida; que nos move da loucura da solidão e dos preconceitos do passado em direção ao futuro dourado. E, convenhamos, pelo menos nesta seara haveremos (nós também), de concordar: Gênios, doutores, homens de negócios, poetas, políticos, filósofos, desconhecidos, famosos, operários, crentes e ateus, jovens e velhos, todos, em algum momento da vida, já olhamos para o pôr do sol e nos enternecemos no lusco-fusco, a espera de uma estrela que tem nome de mulher. Pensamento da semana: “No lusco-fusco, limiar do anoitecer quando o sol alcança o ocidente, em pensamentos tua presença se faz.” Verluci Almeida.


“REICHSKONKORDAT”

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"BRASIL 2011: FIM DA LINHA"

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com
O título em epígrafe completa a trilogia “Brasil 2011”, com “salve-se quem puder” e “se correr o bicho pega”. No epicentro destas reflexões, exemplarmente a tentativa de Lula, de seus assessores do Gabinete da Presidência da República e da candidata à sucessão presidencial, de criar uma mini-constituição, tendo como base uma grave inversão dos valores humanos. O instrumental de análise utiliza, singela e basicamente, os princípios universais e constitucionais do direito natural, da dignidade da pessoa humana e da liberdade democrática. Assim, se Lula lesse essas crônicas, conforme afirmou teria que “dar mão à palmatória”, (“Quando falam mal de mim e eu estou errado, dou a mão à palmatória" disse essa semana, em campanha eleitoral). Teria mesmo que concordar com todas as críticas da imprensa com relação a sua postura e política relativa aos direitos humanos e a sua aproximação a governos ditatoriais, sanguinários e antidemocráticos. Em “Delírios e Sucessos de Lula”, reconheci o êxito das políticas de renda mínima e segurança alimentar do seu governo, que permitiu que 23 milhões de pessoas saíssem da linha de pobreza extrema e que fossem criados 11 milhões de empregos.

O problema é que a solução magna do processo produtivo e do problema social, pelo que se conclui das idéias originais contidas no seu Plano Nacional de Direitos Humanos, se resume na destruição da propriedade privada, no controle do judiciário, na mordaça às religiões e a imprensa; motivo da analogia à ideologia de esquerda “a la soviética” (que desmoronou junto com o murro de Berlim). Todavia, é bem verdade que o outro lado da moeda mostra que Lula, sob o apoio do sistema bancário e do liberalismo econômico, construiu um governo no qual os trabalhadores ficaram inteiramente subordinados ao capital, à avidez do lucro, à idolatria da riqueza e, principalmente, à concentração de renda, a maior do planeta. Sob essa égide, realmente é ingenuidade culpar a esquerda e as Igrejas traídas que o apoiou nas duas últimas eleições a presidente da República. As perguntas que ribombam na cabeça destes arrependidos e de todo o povo brasileiro são as seguintes: 1º - De que adianta aos trabalhadores e as suas famílias saírem da linha da miséria se continuam escravos do sistema, empregados com salários de fome e sem perspectiva de saírem desta escravidão? 2º - A riqueza capitalista estará segura com a morte da democracia? 3º - De que adianta um prato de comida sem liberdade?

Ora, tanto o capitalismo, que objetiva “o primado do indivíduo sobre a sociedade”, como o socialismo, que objetiva “o primado da sociedade sobre o indivíduo”, identificam-se pela exploração da classe trabalhadora porque consideram como fim último da economia a “máxima produtividade de bens e serviços”, sobrepondo-o aos direitos fundamentais da pessoa humana. Assim, é cabível o esclarecimento de que, tanto o equivocado apoio ao projeto da esquerda (capitalismo de Estado, tipo Venezuelano e Cubano, que destrói todas as liberdades e ameaça direitos fundamentais), como o apoio à direita (exploradora e concentradora de renda), tem raiz numa equivocada visão de autonomia econômica. As duas ideologias possuem o desenvolvimento econômico como único objetivo, subordinando todos os valores do direito natural e do espírito aos elementos da matéria. Sob o pálio destes dois sistemas, a liberdade da classe trabalhadora não passa de uma utopia discursiva. Ambos os regimes jogam o homem, ou no farisaísmo do orgulho coletivo ou do lucro individual burguês. Decorrem desta conclusão, os títulos desta trilogia e a aconselhável opção pela doutrina social da igreja.

Pensamento da semana: “A democratização das nossas sociedades se constrói a partir da democratização das informações, do conhecimento, das mídias, da formulação e debate dos caminhos e dos processos de mudança.” Betinho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“BRASIL 2011: SE CORRER O BICHO PEGA...”.



Foto tema: "Curitiba, um amor para sempre."

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

Não existe a menor dúvida, de que o Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH, subscrito pelo presidente “Lula”, representa o genuíno pensamento ideológico da cúpula que atualmente dirige o país e, pelo que se vê, com Dilma Roussef dirigirá a partir de 2011. O repúdio e a reação da sociedade a esta ideologia têm como fundamento a razão natural e elementos de bioética, de biodireito e, na base da discussão, os valores humanos. Neste contexto, não há qualquer cepticismo de que os defensores do PNDH e do homicídio pré-natal de crianças que no útero de suas mães não possuem qualquer chance de autodefesa, são agressores dos direitos humanos fundamentais e das garantias da dignidade da pessoa humana asseguradas pela constituição federal e pela moderna legislação universal construída sob o influxo da doutrina social cristã. É que, diante da história, não se pode negar que os sentimentos e princípios de fraternidade que repercutiram de forma extensa, efetiva e profunda na nossa ordem jurídica e na construção de nossa constituição são, fundamentalmente, de orientação cristã. Esta orientação redundou na proibição constitucional, artigo 60, § 4º, inciso IV, de qualquer deliberação de proposta tendente a abolir os direitos e garantias individuais, entre eles o direito à vida, esculpido em clausula pétrea, “caput” do artigo 5º. Graças a isto, jamais, dentro de nosso sistema se poderá questionar a simples possibilidade de se matar deliberadamente uma pessoa, porque a vida, pelos matizes da democracia, é um valor supremo que não pode ser relativizado, violado ou suprimido. E, “data máxima vênia”, o direito de nascer é o mais genuíno direito à vida e o primeiro de todos os direitos humanos.

Neste norte, a reação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ao PNDH foi a de anunciar ao povo cristão (pouco importa a que igreja pertença) uma visão de pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus, dentro dos seguintes postulados: 1º- “A pessoa humana é, assim, sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural. A raiz dos direitos humanos há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano”. 2º- “A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador". 3º- Tais direitos são “universais, invioláveis e inalienáveis”. Na senda desta lucidez, surgiu o projeto do Estatuto do Nascituro que reconhece este como ser humano concebido, mas ainda não nascido, incluindo neste conceito os seres humanos concebidos "in vitro", mesmo antes da transferência para o útero da mulher.

Em todos os casos, o PNDH foi, num primeiro momento, importante, porque trouxe a lume a ideologia da cúpula que segue governando o Brasil, cuja linguagem e ideologia a faz estranha aos princípios fundamentais que regem nossa Magna Carta. A aproximação de Lula com países totalitários, cujos governos mantem encarcerados e/ou matam prisioneiros políticos, foi o primeiro passo. O segundo foi o PNDH com a instituição da Comissão da Verdade com amplos poderes para investigar, julgar e condenar qualquer cidadão; seguido por outras aberrações inconstitucionais. Agora, prestes a sair da presidência, Lula já não mede mais as conseqüências de sua linguagem ideológica, falando até em “extirpar” partidos políticos. E, acreditem, mesmo diante da miséria que campeia pelo Brasil, em julho de 2010 sancionou a lei 12.292, que lhe autoriza doar recursos à Autoridade Nacional Palestina, para a reconstrução da Faixa de Gaza, esta governada pelo grupo terrorista Hamas, no valor de até R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais).

Pensamento da semana: “É impossível escravizar mental ou socialmente um povo que lê a Bíblia. Os princípios são os fundamentos da liberdade humana.” Dorace Greeley.

sábado, 18 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

“BRASIL 2011: SALVE-SE QUEM PUDER.”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Plasmado dentro do gabinete da presidência da república, o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH defendido pelo presidente Lula e por Dilma Rousseff, se apresentou como verdadeiro espelho do pensamento das pessoas que comandam e que pretendem continuar comandando o Brasil. Em que pese algumas modificações, prescindindo do Congresso Nacional o plano, na essência, se constituiu num golpe totalitário contra a democracia, uma verdadeira cusparada em vários direitos fundamentais. Ives Gandra Martins, um dos maiores juristas do país, escandalizado, afirmou que o PNDH: "É um programa de direitos desumanos, o que menos tem é dignidade humana. Eu lembraria o que disse Agripino Grieco quando lhe deram um livro de um mau poeta. Ele leu e disse: 'Eu aconselho a queimar a edição e, em caso de reincidência, a queimar o autor'. Eu não sou tão cáustico à reincidência de queimar o autor, mas que vale a pena queimar a edição desse programa vale. O pior é que tudo isso é uma escarrada repetição da Constituição Venezuelana. Em outras palavras, é o regime marxista que temos na Venezuela que nossos aprendizes de ditadores, aprendizes de revolução chavóide (de Hugo Chávez), estão pretendendo colocar no Brasil. O que se pretende é dar um novo status jurídico ao Brasil, a caminho da ditadura, em que o Poder Executivo é tudo e os outros poderes são nada.” (fonte: Canção Nova http://noticias.cancaonova.com).

O grande mérito do PNDH, na realidade, foi o de trazer à luz solar o verdadeiro pensamento ideológico de Lula e de sua candidata à sucessão presidencial. O nosso futuro, sob o pálio desta ideologia é sombrio. Ao apontar as sérias inconstitucionalidades do PNDH, Ives Gandra Martins, ainda afirmou: “A prostituição é uma chaga para a sociedade. Não se pode dizer que, como direito humano, o governo federal valorizará a prostituição, o lenocícino, o meretrício. Deve-se trabalhar para que essas mulheres encontrem uma profissão digna. Um decreto que valorize isso é evidentemente algo que afeta a dignidade humana, que está na essência dos direitos humanos. O cidadão tem uma casa, é invadida por alguém, a partir desse momento, o invasor tem mais direito que o proprietário, pois se ele pretender uma reintegração de posse, o Poder Judiciário deixa de estar habilitado para fazê-lo. Uma comissão, formada pelo invasor, decide se o Poder Judiciário poderá, ou não, executar a reintegração. Ora, a CF declara, no artigo 5º: "XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". No PNDH-3, por exemplo, defende-se que sindicatos e centrais de trabalhadores terão mais força que os parlamentares na definição de programas, fazendo com que plebiscitos e referendos, como acontece na Constituição Venezuelana, tenham muito mais importância que a própria representação do Parlamento ou Poder Judiciário, que é aquele que faz respeitar a lei. Isso faz com que se adote aquele modelo que prevalece hoje na Venezuela, isto é, Poder Executivo e povo consultado e manipulado por esse Poder, sendo os outros Poderes secundários, sem nenhum valor.”
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Enfim, salve-se quem puder a partir do ano de 2011, com o controle total e absoluto do Estado rousseffiano na vida das empresas, instituições e cidadãos; ruptura a princípios constitucionais fundamentais (direito à vida, privacidade, liberdade de expressão, propriedade); implantação do ateísmo e materialismo marxista; e, finalmente, com o alinhamento definitivo do Brasil às ditaduras de esquerda latino americanas.

Pensamento que se alastra na América Latina: “Toda idéia religiosa é uma abominação. A religião é o ópio do povo. A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo da luta pelo robustecimento da ditadura proletária.” Vladimir Ilitch Ulianov Lênin.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

”DEIXAI FAZER, DEIXAI PASSAR”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Excepcionais foram os anos vividos no seminário. Lá pelos idos de 1974, num belo dia de primavera, anotei num caderninho: “Laissez faire, laissez passer et le monde va de lui-même”, em português “deixai fazer, deixai passar que o mundo marcha sozinho”. O candente sorriso de Frei Anselmo Hugo Schwitzer trazia, em plena aula matutina, uma frase que marcaria para sempre, em parte, minha postura perante a vida. Bem mais tarde, já na faculdade de economia da UFPR, soube que este era o ideário da Escola Fisiocrata que tratava da teoria econômica contra a política intervencionista do Estado na vida privada dos cidadãos. A fisiocracia considerava a terra ou a agricultura a única fonte de riquezas e as outras formas de produção mera transformação dos produtos da terra com menor margem de lucro.

Estavam enganados. Hoje sabemos que outros setores da economia, como serviços e a agroindústria, por exemplo, agregam valores aos produtos e geram muito mais lucro. Com “Tablado Econômico” ou Tableau Economique, Francois Quesnay (1694-1774) criou o conceito de equilíbrio econômico. Na base conceitual de tal teoria, a liberdade de ação. Teoria econômica à parte, a ingênua concepção do “laissez faire” dos tempos da adolescência (que ainda dita meu comportamento) é de que o rigor absoluto no trato dos problemas do dia a dia ou nas relações com as pessoas em geral, especialmente para com as que nos são caras, é inútil e gerador de uma tremenda infelicidade.

Tolerância máxima no convívio social em situações irrelevantes ou que pouco contribui para mudar o mundo faz bem ao coração e torna a alma ainda mais linda. O exercício da compreensão e a receita do perdão (setenta vezes sete) desarmam o espírito e evita doenças físicas e emocionais. Nesta curtíssima passagem é preciso certa displicência na disciplina ou, disciplina na displicência, a fim de evitar infarto do miocárdio ou ainda um acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral. Paciência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bom humor é sinônimo de inteligência. Mas, inteligentes também são aqueles que sabem viver de forma serena, discreta, procurando respeitar o modo de viver dos outros. O problema é que, egocêntricos, queremos que as pessoas sejam como um pacote de presente, perfeitinho. E, diante de qualquer pequeno deslize já julgamos, condenamos e lançamos de ponta cabeça para a masmorra. Pobres diabos, não atentamos para a receita de felicidade e de bem estar que Jesus nos legou: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão”. Imbecis, tratamos a “ferro e fogo” nossos filhos, consortes (melhor: cônjuges, os que levam o jugo do casamento), pais, parentes, empregados e amigos. Com os estranhos nos deleitamos em delicadezas, gentilezas e amabilidades. Um bom papo com os amigos, tempo para descontração, lazer, descanso e atenção para com as coisas mais simples da vida (que realmente valem a pena) podem defenestrar o excesso de seriedade derivadas das graves responsabilidades que carregamos, resultando em alta qualidade de vida.

Pensamento no dia 7 de setembro: "Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre." (Santo Agostinho)