domingo, 15 de março de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
IMPEACHMENT DE DILMA, COLA?
Cesar Techio
Economista – Advogado
Dois grandes juristas brasileiros possuem entendimentos diferentes sobre a existência ou não de fundamentos para um pedido de impeachment. Ives Gandra Martins, conclui que há fundamentação jurídica: "O que é culpa? Imperícia, negligência, imprudência ou omissão. Dilma foi presidente do Conselho Administrativo da Petrobras e não diagnosticou os erros no contrato de Pasadena (refinaria). Ela manteve a direção da empresa, sendo que a empresa foi saqueada durante oito anos, e ela permitiu isso primeiro como presidente do Conselho, depois como ministra das Minas e Energia, por último como presidente". "É um caso de culpa, que pode ser considerado no crime de improbidade administrativa e, portanto, tem base jurídica.” "Se eu sou diretor de uma empresa, essa empresa é saqueada por oito anos, em bilhões de reais, será que ninguém percebeu? Então ela deixou que a empresa fosse saqueada.” (fonte Folha de São Paulo 03/02/2015: A hipótese de culpa para o impeachment).
Contudo, para Celso Antônio Bandeira de Mello, jurista e professor da PUC-SP, não há nada que evidencie a relação de Dilma com os escândalos da Petrobras: "Precisaria ser algo muito mais forte, que vinculasse muito diretamente a presidente à prática criminosa. Neste caso, não há fatos". "Não tem nenhum sentido falar nisso. Se for assim, todos os presidentes do mundo podem sofrer impeachment, nenhum iria escapar. Isso não passa de esperneio político, eles querem ganhar a eleição no tapetão." "Isso não tem sentido. A direita ficou irritada por ter perdido a eleição e acha que pode criar essa 'onda'. Eles estão junto com a imprensa em uma campanha forte pra desestabilizar o governo da Dilma. Existe um costume no Brasil de chamar de opinião pública o que é opinião publicada”. (fonte BBC BRASIL, http://ultimosegundo. ig.com.br/: Existe base para o impeachment de Dilma?)
Neste clima de incertezas jurídicas e políticas convém alertar que as liberdades públicas, inclusive a enfatizada por Roosevelt, como a liberdade de não ter medo e de viver sem passar necessidade, são conquistas incorporadas ao patrimônio jurídico e moral do povo brasileiro e que, talvez por isto, existe no país uma determinação da sociedade civil em criar, em meio a crise, um ambiente no qual, todos os brasileiros possam ser livres para falar, livres para viver sem passar necessidades, livres para viver sem medo, livres para repudiar a corrupção.
Corruptos infiltrados na política e em cargos públicos renegaram e conspurcaram os fundamentos de que o Estado e toda a sua estrutura deve servir a sociedade. A corrupção sob a conivência, por omissão ou ação, dos que tinham a obrigação de impedi-la, atentou contra o primado da justiça e traiu o sacrifício de milhões de brasileiros jogados no maior arrocho econômico e social da história, que aí está: o preço dos combustíveis violentando o bolso dos trabalhadores; o preço da energia elétrica cuspindo na cara das famílias; a supressão de direitos trabalhistas aviltando o sentimento de proteção duramente conquistado ao longo de décadas; o ingresso de mão de obra estrangeira surrupiando vagas de trabalhadores brasileiros; impostos em ascensão detonando empresas e empregos; atraso no pagamento do Fies, Pronatec e Universidades Federais e, finalmente, inflação fazendo gemer o estômago de milhões. Tudo isso num catastrófico epílogo de um tempo que precisa ser superado pelas forças civis e democráticas da nação, respeitando conquistas e acertos, sem violência, sem golpe, dentro da legalidade democrática e a partir de um processo legítimo, incentivado pelos condicionamentos históricos atualmente vividos.
Pensamento da semana: O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta. Maquiavel
sexta-feira, 6 de março de 2015
OAB/SC LEVANTA-SE CONTRA A CORRUPÇÃO.
Cesar Techio
Economista – Advogado
Importante sessão do Conselho Pleno da OAB/SC no último dia 26/02/2015, colocou em pauta uma séria discussão sobre o papel da OAB na defesa dos interesses da sociedade e no combate a corrupção. Algumas sugestões foram oferecidas pelo Conselheiro Dr. Paulo Milleo e acolhidas por unanimidade pelo Conselho Pleno da OAB/SC o qual aprovou uma moção dirigida ao Conselho Federal da OAB, no sentido de que atue com mais firmeza no combate à corrupção, crie um Grupo de Trabalho para analisar a existência de crime de responsabilidade de autoridades e analise as referidas sugestões em relação ao Plano de Combate à Corrupção.
As sugestões apresentadas pelo Dr. Paulo Milleo, verdadeiro esteio em favor da liberdade do povo brasileiro contra os grilhões da corrupção que enlameou e está matando o nosso Brasil, foram as seguintes: 1 - Regulamentação da Lei 12.846, de 2013, denominada Lei Anticorrupção, que pune as empresas corruptoras. Faz-se necessário exigir tal regulamentação perante a União, Estados e Municípios, sob pena de que essa lei venha a tornar-se "letra morta". 2 - Criminalização do "Caixa 2" de Campanha Eleitoral. A criminalização deve gerar efeitos, também, em relação ao partido político favorecido pela ilicitude, de modo a que seja cassado o seu registro - sem prejuízo das sanções previstas na legislação eleitoral aos políticos e dirigentes do partido. 3 - Aprovação de projetos de leis definidores de uma profissionalização no serviço público. Sugere-se que haja proibição (e não propriamente redução) de nomeação, pelo Executivo, de cargos de direção de empresas estatais, autarquias, etc. 4 - Fortalecimento do sistema de controle interno e auditoria em todos os órgãos públicos. A sugestão que se apresenta é no sentido de que a OAB encampe as iniciativas de controle social dos gastos públicos, nos moldes dos Observatórios Sociais.
No que respeita ao papel da OAB na defesa dos interesses da sociedade, o nobre Conselheiro sugeriu: 1 - A criação de campanha institucional e articulação legislativa visando à extinção do regime de precatórios para pagamento de débitos da Fazenda Pública. 2 - A formação de grupo de estudo visando apresentar ao Congresso Nacional uma proposta de alteração da forma de contratação de obras e serviços públicos (licitações e contratos da administração pública), de modo a criar-se um novo modelo que assegure eficazmente os escopos do inciso XXI, do art. 37 da Constituição Federal. 3 - A formação de grupo de estudo visando apresentar ao Congresso Nacional uma proposta de alteração da forma de nomeação dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, inclusive com vaga para o Quinto Constitucional, como forma de garantia da independência entre os Poderes da República. 4 - A reivindicação de alteração da nomeação pelo Quinto Constitucional, assegurando-se tal prerrogativa exclusivamente à OAB, mediante processo eletivo. 5 - A reivindicação de alteração na forma de nomeação dos integrantes dos Tribunais de Conta, mediante a proibição de nomeação pelo Executivo e pelo Legislativo.
Advogado de grandeza estelar, nosso colega honra o juramento que fez ao ingressar na Ordem, de defender a liberdade, pois sem ela não há Direito que sobreviva, justiça que se fortaleça, e nem paz que se concretize.
Pensamento da semana: O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons. Martin Luther King
sábado, 28 de fevereiro de 2015
CONCÓRDIA AMBIENTAL DA FUMDEMA: GESTÃO DE RESÍDUOS, A RESPONSABILIDADE TAMBÉM É SUA.
Concórdia Ambiental organizado pela Fundação Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Fumdema) e entidades apoiadoras vai ocorrer de 6 a 8 de outubro de 2015, no Centro de Eventos e no Anexo Multiuso, localizados no Parque de Exposições Attílio Francisco Xavier Fontana.
O tema vai ser Gestão de Resíduos: a responsabilidade também é sua. Entre os subtemas a ser abordados estão destino dos resíduos da construção civil, crimes ambientais e logística reversa.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O BRASIL COMEÇA A PARAR. QUEM GANHA AS ELEIÇÕES EM 2016?
Cesar Techio
Economista – Advogado
Foi uma derrota vergonhosa. Nem mais nem menos. Eram inimigos ideológicos, de um passado de brigas políticas que envolvia tiros e ataques ferinos em campanhas eleitorais no qual esquerda e direita, era muito mais do que direção de trânsito. Arena (depois PPB e atual PP) não se misturava com MDB (atual PMDB, na época apelidado de Manda Brasa), com o qual se alternava no poder em Concórdia. Isso até as eleições de 2.000. Naquele ano, pela terceira vez Neodi Sareta se candidatava a prefeito; desta feita pela coligação Concórdia Melhor (PT/PPS/PDT). Temerosos e desesperados, inimigos históricos perderam qualquer escrúpulo ideológico e inauguraram uma estratégia fisiológica absolutamente inacreditável através da coligação “Todos por Concórdia” (PMDB/PPB/PFL/PSDB/PTB). Foi inesquecível o ingresso da liderança do PFL na Câmara de Vereadores, aplaudidos de pé pelos até então “inimigos” políticos, com o presidente do PFL renunciando a pré-candidatura a prefeito, numa cabeluda traição ao partido, no entender de alguns, e num grande papelão para outros. O povo, cansado de candidatos paraquedistas, assistiu estupefato, a improvável e inusitada coligação feita a “toque de caixa”, para ganhar as eleições. Foram 37.633 votos nominais, 499 brancos e 1.215 nulos, numa eleição que deu a Neodi Sareta 25.915 votos contra 11.237 do candidato da coligação Todos por Concórdia e 481 para um terceiro candidato.
Aquela lição ainda está viva na memória da maioria dos eleitores e nos ensina que partido político não possui força para eleger ou derrotar candidatos. Em suma, o PT nacional não é o PT de Concórdia. Quem aposta que o desastroso quadro político instalado no Brasil, com efeitos desastrosos que já se sentem amargamente (a começar pela greve dos caminhoneiros que estão parando o país), respingue no PT de Concórdia, está repetindo o erro do ano 2.000. Acontece que o PT local, em 8 anos de mandato do prefeito Neodi Saretta e a completar 8 anos de mandato do prefeito João Girardi, sempre fez o tema de casa com excelência. Recebeu inúmeros prêmios nacionais que reverenciam a alta capacidade de gestores públicos comprometidos com a responsabilidade fiscal, com a eficiência de gestão e com obras públicas que são os maiores cabos eleitorais que um partido decente e idealista pode desejar.
Não é por nada que alguns oposicionistas criticam e continuarão a desqualificar obras magníficas como a Rua Coberta. Botar na cabeça do eleitor questiúnculas e avançar em ataques improdutivos em meio ao inferno recheado de acusações de corrupção que comprometem o governo federal, pode causar algum efeito nas próximas eleições municipais? Acho que não. Vencido o quadro pedagógico de 2.000, mesmo em meio a atual conjuntura que tende a se agravar, o que mais vai interessar ao eleitor de Concórdia em 2016, será eleger gestores que já se mostraram competentes, eficientes e honestos. Fora do município a conversa é outra.
Pensamento da semana: A greve nacional dos caminhoneiros não pode parar setores essenciais da economia sob pena de agravar o sofrimento do povo brasileiro.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
CARNAVAL E OS DEMÔNIOS DO ESTADO ISLÂMICO
Cesar Techio
Economista – Advogado
Alguns dizem
que no carnaval viramos crianças, brincamos, festejamos e curtimos a alegria em
um ritmo que nos confraterniza e nos aproxima uns dos outros. O Brasil é assim
mesmo, feito de um povo que tem sentimento, coração e gosta de viver. Fazemos
nosso dever de casa durante o ano, com a seriedade de quem quer prosperar,
crescer, evoluir. Mas basta tocar uma boa musica que um largo sorriso aparece e saímos dançando. No sul, os gaúchos sisudos se alegram facilmente com um
“bugio”, “chamamé”, “chimarrita”, “fandango”, “milonga”, “vanerão”, entre
outras musicas nativistas que falam de um mundo valoroso, cheio de amor pela
terra, pela família, pela pátria e por lindas morenas de olhos verdes.
Espalhando-se pelo território nacional, outros estilos musicais fazem dos
brasileiros o povo mais afortunado do mundo: sertaneja, musica popular
brasileira, samba, pagode, forró, rock, eletrônica, gospel, axé, funk, contry,
músicas italianas, polonesas, alemãs, africanas, latino-americanas, entre
outras.
O que
norteia o brasileiro é espírito de amor, de tolerância e de acolhida enfeitada
por danças e festas como o carnaval, bumba meu boi, maracatu, cavalhada,
capoeira, Iemanjá, festa da uva (italiana), oktoberfest (alemã), entre centenas
de outras festas culturais. Este modo de viver nasceu dos costumes de povos de
várias partes do mundo que migraram para o Brasil e que apreenderam a conviver
de forma pacífica e fraterna, independente de religião ou raça. Assim, a
misturança e o respeito são leis naturais no coração do nosso povo e este jeito
é regra de ouro que permitiu com que todos criassem seus filhos e vivessem em
paz. Aliás, sempre foi assim, desde o descobrimento, com sistemas sociais que
foram se humanizando com o tempo e que atingiram um grau de civilidade e de
democracia que é modelo para todos os demais povos. Aqui, índios, negros,
mulatos, imigrantes italianos, japoneses, judeus, alemães, poloneses, árabes,
muçulmanos, entre outros, se abraçam e convivem dentro da mais absoluta
normalidade.
Nossa
constituição e práticas dão espaço para todas as religiões. Aqui tem direito de
ser felizes, budistas, cristãos, adventistas, católicos, umbandistas,
maometanos, testemunhas de Jeová, espíritas, protestantes, hinduístas,
islamistas, entre outras tantas denominações religiosas. Por isso, parece
surreal, uma grotesca mentira, as notícias diárias sobre o Estado Islâmico
(EI). Enquanto festejamos o carnaval, na Líbia o El sequestrou e decapitou 21
cristãos coptas egípcios. Filmaram tudo e botaram na internet. Na semana
retrasada mostraram outro vídeo ateando fogo num piloto da
Jordânia, enjaulado, que morreu gritando pelo pai e pela mãe. Os cristãos foram
mortos barbaramente, somente por serem cristãos. Não tenho dúvidas que as
portas do inferno se abriram. Estes terroristas enlouqueceram completamente. Perderam
a noção de humanidade. Agora, entre outras atrocidades, deram para enterrar,
queimar e crucificar crianças vivas, demonstrando com isso que na realidade são
monstros terríveis, demônios sem alma, cujo cérebro é feito de merda e cuja
mentalidade funciona diferente do resto da raça humana. Sem piedade, o coração
deles não bate, não sabe amar, perdoar, confraternizar e muito menos pular
carnaval.
Pensamento da semana: “Vamos
avançar no ecumenismo, que é testemunhado no ecumenismo do sangue. Os mártires
pertencem a todos os cristãos” Papa Francisco.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Edson Gonçalves, orgulho para os concordienses.
Cesar Techio
Economista – Advogado
Suporte para inclusão social e dignidade aos catadores de lixo de Concórdia através de convênio entre a Fundema, o Ministério do Trabalho e a Secretaria de Economia Solidária foi a feliz iniciativa de Edson Gonçalves, assessor especial do ministro do trabalho, emprego e renda, Manoel Dias que permitiu a aquisição de um caminhão para a Associação de Catadores Bentevi. Neste norte, um barracão será construído por iniciativa do Prefeito João Girardi e a atividade de reciclagem, que, além de proteger o meio ambiente viabiliza economicamente a sobrevivência de muitas famílias poderá agregar muito mais valor beneficiando diretamente quem faz o trabalho pesado de coleta. A importância da cooperativa Bentevi para a inclusão social através do trabalho de catar e reciclar lixo é algo que deve ser festejado. Tive o privilégio de fazer especialização em nível de pós-graduação em cooperativismo na Unisinos e aprendi que a forma de trabalho em grupo através de cooperativas de trabalho valorizam princípios democráticos, firmam a participação do espírito de cidadania, de autonomia e do sentimento de fazer parte da sociedade.
De forma que é gratificante constatar que Edson Gonçalves, assim como o atual Superintendente da Fundema Levi Dos Santos e o chefe do departamento Administrativo Edno Gonçalves, além de buscarem envidar esforços na conscientização popular sobre temas relevantes, como mudanças climáticas, educação ambiental, sustentabilidade e biodiversidade, inclusive através de eventos anuais intitulados “Concórdia Ambiental”, agora passam a valorizar de forma mais sistemática projetos em favor do meio ambiente através do cooperativismo como meio organizacional de sustentação e de viabilidade econômica para a população de baixa renda. Sozinhos os catadores de lixo são fracos, isolados e ficam à mercê do preço que atravessadores lhes impõem. São como uma vara fina, fácil de quebrar. Mas, unidos se tornam fortes. A questão mais relevante que se impõe é que, através do cooperativismo de trabalho, cada um dos cooperados passa da condição de subjugado e sujeitado economicamente para um estado de emancipação, de liberdade e de independência, passando a ser sujeito de sua vontade e caminho, da sua própria vida.
Auguro que o tema cooperativismo ecológico seja abordado no evento “Concórdia Ambiental” com palestrantes de renome nacional, uma vez que o progresso social da cooperação e do auxílio mútuo realmente tem o poder para mudar a vida de todos os que se encontram isolados, em situação desvantajosa de competição. Pela soma de esforços é possível garantir a sobrevivência do cooperado e de sua família, além do que, como fato econômico o cooperativismo faz o milagre de agregar valores, diminuir custos e distribuir sobras líquidas trazendo dignidade e progresso. Enfim, convém anotar que, de boa casta, Edson Gonçalves vem de linhagem real. Seu pai Genésio (de saudosa memória) e sua mãe Ercilda (ex Secretaria de Ação Social) se mostraram baluartes de caráter, de luta por nossa gente e de amor pela nossa terra. Talvez seja por isso que a opção do filho, que tem pedigree e não foi criado por pais ricos, se incline por projetos que atendem diretamente a população trabalhadora e mais pobre do nosso município e do Brasil.
Pensamento da semana: “Deve ser o nosso jeito de sobreviver – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo moral e fingindo que está tudo bem.” Lya Luft
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
ENVELHECER NA CADEIA? JAMAIS. O SEGREDO.
Cesar Techio
Economista – Advogado
O maior segredo da longevidade, da saúde e da alegria de viver, guardado a sete
chaves, foi finalmente desvendado aqui em Concórdia, depois de um longo estudo
desenvolvido pela minha equipe de pesquisa, o qual levou alguns milhares de
segundos para ser concluído. A terceira idade nunca me pareceu confortável. Nela
o corpo começa a travar e aparecem múltiplas disfunções como doenças
cardiovasculares, angina, derrame, câncer de próstata, câncer do colo de útero,
câncer da pele, pneumonia, enfisema, bronquite, infecção, retenção e
incontinência urinária, diabete, osteoporose, osteartrose, fecaloma (retenção
das fezes), convulsão, hipotireoidismo, diabete, lombalgia, hipertrofia da
face, degeneração da hérnia de disco, fraturas traumáticas. Além do mais, a
pele enruga, a bunda cai, a coluna encurva, as pernas ficam rígidas, fica
difícil deambular. Isso sem falar na catarata, na cegueira progressiva, no Mal
de Parkinson, Alzheimer, demência, comprometimento cognitivo, falta de sono,
inchaço e depressão, entre outros problemas.
Mas,
curiosamente, a grande maioria dos longevos de Concórdia apresenta pouca
mudança corporal que denote avançada idade. Nem de longe se pode afirmar que
passaram dos sessenta anos. Alguns
amigos foram contemplados pela pesquisa acima mencionada. Euclides Marcon (86), por exemplo,
elabora vinho artesanal da melhor qualidade com uvas colhidas por ele mesmo, de
pequena pareira que plantou no terreno de sua casa. Bebe, festeja e celebra a
vida com os amigos, aconselhando e contando histórias. Angelo Spricigo (100) há pouco tempo ainda construía edifícios e
participava como presidente da Associação de Idosos. Aquiles Bonassi (79) é a memória viva de Concórdia. Escreveu livros
que detalham histórias incríveis sobre famílias e fatos envolvendo a sociedade
e a economia nascente, em meados do século passado. Sua obra deve ter espaço
garantido na nova biblioteca municipal e nas de nossos colégios. Albino Zanata (82), com a ajuda dos
filhos, ainda dirige uma grande empresa no setor metal mecânico. Escreveu um
livro sobre sua vida e se delicia contando fatos sobre a história de sua
trajetória, desde a pátria mãe Itália, até Concórdia. Finalmente, Albino Sbaraíne (75) simplesmente assombra pela energia,
positividade, sabedoria e iniciativas sociais. Várias vezes presidente da
Associação Comunitária Bairro Imperial e Sunti, continua a frente da
instituição e inova em organização e tecnologias. Uma delas é o sistema de captação
de água da chuva que implantou no clube, diminuindo os custos com água tratada
e que serve para banheiros e limpeza. Seus pares de diretoria, a quem se refere,
continuadamente, como responsáveis pelo sucesso da associação, criaram espaços
especiais para mães e idosos, cancha oficial de bocha, cozinha modelar, sistema
de prevenção de incêndio, entre outras novidades.
Enfim, eles se recusam a parar e vivem como quem não quer envelhecer. O
segredo? Continuam em atividades produtivas, sociais e principalmente
honestas. Por dentro continuam meninos,
uma gurizada de dar inveja. Doença? Nem falam sobre isso. Falcatruas,
corrupção, desonestidade, não fazem parte dos seus dicionários. E na sua
maioria, não vão morrer jamais.
Pensamento da
semana: Envelhecer na cadeia, este é o destino
dos empresários corruptos da Operação Lava Jato, do petrolão, de origem
política, idêntica do mensalão. Veja. Edição 2411, n 5, circulando hoje
04/01/2015.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
A MORTE DE RICARDO VILMAR SEBEM

Cesar Techio
Economista – Advogado
É
inacreditável a morte do Ricardo, nosso querido amigo de infância, pessoa
amável, cordata, sempre contente, alegre e disposto a fazer os outros felizes.
Um verdadeiro gênio, era concursado e funcionário modelar da Petrobrás. Morreu
em passeio pela Espanha, de infarto, deixando chocados todos nós, seus amigos.
Nunca mais veremos aquele sorriso e sentiremos aquele abraço fraterno,
caloroso, humano e confortador, tão característicos do seu modo de ser. Ricardo
com 52 anos era filho de José Sebem (80) e neto de Angelo Spricigo (100) e
não consta em sua família intercorrências cardíacas, o que torna a sua morte
física paradoxal.
Diante de quadros tão emblemáticos, vivenciado por todos nós,
todos os dias, com a morte de tantos jovens, entre os quais me ocorre à memória
inúmeros amigos da juventude, constato que a vida é mesmo paradoxal. Ela não
anda de forma linear, pelas veredas da lógica aristotélica ou pelos caminhos
unidimensionais da matemática euclidiana, bases da formação com a qual fomos
treinados a refletir e a pensar o mundo. Senão, como explicar que filhos
precedam os pais na morte, numa total inversão da natureza? Na realidade, a
morte começa no momento em que nascemos e mesmo que não pensemos nisso, somos
forçados a conviver com ela diariamente num contínuo processo dialético
hegeliano no qual nada é certo, lógico, estanque, e no qual não existem
verdades absolutas.
Saber que a morte está contida na vida e que, se quisermos viver
plenamente também precisamos morrer cotidiana e concomitantemente é difícil de
entender. Tudo o que aprendemos pela lógica, pela física e pela matemática (da
qual o Ricardo era mestre) quase nada se aplica a vida real. Nesta, o
imprevisto e a supresa derrotam nossas projeções, cospem na nossa cara e fazem
pouco caso da nossa arrogância porque projetamos a nossa vida para viver
eternamente, senão pelo menos até 100 anos (como o avô do Ricardo). É renitente
a necessidade psicológica de focarmos a nossa existência na ideia matemática da
longevidade e de que a nossa memória, identidade, livros, idéias e cultura, vão
durar para sempre.
Lamentavelmente nossas fotos e informações, por exemplo, as
gravadas na forma digital, em downloads ou guardadas em “nuvens” pelos gigantes
da informática, não vão durar mais do que o tempo de vida útil dessas empresas,
que podem falir deixando de replicar e esvanecendo seus arquivos. Discos
rígidos de computador, DVDs e CDs não se tornam confiáveis após cinco ou dez
anos. As tecnologias mudam rapidamente e novas máquinas nem sempre possuem a capacidade
para ler informações construídas com tecnologias do passado.
A nossa civilização entrará em colapso, como ocorreu com outras
no passado (Egípcios, Astecas, Maias, Gregos, Romanos). Em poucos séculos o
ferro, o asfalto, o concreto, o aço e o metal das fundações dos prédios das
nossas cidades também vão virar pó. O que mais dura, construídos pelo homem,
são artefatos de vidro, cerâmica, ouro, alumínio e pedra. E o que menos dura?
Nossa etérea e volátil pretensão de sermos eternos. Adeus Ricardo. Quem sabe um
dia nossas almas eternas se reencontrem, com nossos amigos, na alegria do teu
abraço.
Pensamento da semana: ”O valor das coisas
não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por
isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas
incomparáveis”. (Maria Julia Paes de Silva). Ricardo, você era incomparável.
Seu amigo de sempre: Cesar Techio.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
A INVEJA
Cesar Techio
Economista – Advogado
Ela mata. E causa várias doenças, uma delas chamada epicondilite. Dizem que tem cura, mas na dúvida e nos primeiros sintomas é bom consultar um ortopedista urgentemente, pois a inflamação na região dos epicôndilos, que causa o que popularmente todos conhecem como “dor de cotovelo” pode virar LER. Literatura médica mostra que a epicondilite pode ser atenuada com o uso de remédio a base de amitriptilina, um potente calmante que pode neutralizar o mau estado causado nos cotovelos pelo avanço da doença. Outras doenças causadas pela inveja é a fofoca, a maledicência, a mentira, a indiferença e a traição. A fofoca é a mais comum. Basta o vizinho comprar uma roupa ou um carro novo ou sua filha chegar mais tarde, para que os fofoqueiros de plantão lancem todo o tipo de conjecturas: “este aí assaltou um banco”, “tão jovem e tão vagabunda”, e assim por diante. Companheiros só de fachada, mas não de ideais, diante de qualquer dificuldade ou empreitada, simplesmente hibernam numa profunda omissão, sumindo do mapa. A traição e a deslealdade dos companheiros e amigos invejosos nunca permanecem muito tempo na penumbra, pois essa fraqueza moral sempre acaba vindo à tona como o excremento fedorento do vaso sanitário: É preciso puxar a descarga.
Causa espanto como esta psicopatia social também é muito disseminada no meio político. Certa vez um amigo da onça, atacado por dor de cotovelo, me disse que a política é a arte de engolir a cobra que engoliu o sapo. Não é por nada que neste meio, invejosos tem a clara aparência destes pecilotérmicos, pois mudam de temperatura conforme o ambiente. O invejoso do tipo anfíbio (sapo) é uma classe de transição, entre o ambiente aquático e o ambiente terrestre, que um dia espera dominar. Mas o invejoso do tipo réptil (crotalus terrificus) é mais perigoso, pois se esgueira por entre o meio social com desenvoltura e quando menos se espera, dá um bote venenoso e muitas vezes mortal: É preciso se vacinar com soro antiofídico. Embora seja difícil identificar “prima facie”, essa anomalia de caráter, pois os sintomas externos só se tornam visíveis com o tempo, alguns podem ser reconhecidos desde logo. É que o tipo invejoso gosta muito de ser bajulado, mas como não tem nada que se lhes aproveite (a não ser o olho gordo) normalmente tenta contaminar com sua doença, os amigos mais próximos: É preciso evitar entrar na deles.
Enfim, precisamos nos satisfazer com o que recebemos de Deus e deixar de desejar o que não nos pertence. Precisamos valorizar o que os outros conquistam com o suor do próprio rosto. É preciso sermos mais leais e amigos sinceros de nossos amigos. É preciso termos o rosto mais parecido com o de Jesus do que com cobras, sapos e lagartos. Ou como já nos dizia Tiago: “Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (3:15).

A INVEJA E A RUA COBERTA
Cesar Techio
Cesar Techio
Economista – Advogado
Ela
mata. E causa várias doenças, uma delas chamada epicondilite. Dizem que tem
cura, mas na dúvida e nos primeiros sintomas é bom consultar um ortopedista
urgentemente, pois a inflamação na região dos epicôndilos, que causa o que
popularmente todos conhecem como “dor de cotovelo” pode virar LER. Literatura
médica mostra que a epicondilite pode ser atenuada com o uso de remédio a base
de amitriptilina, um potente calmante que pode neutralizar o mau estado causado
nos cotovelos pelo avanço da doença. Outras doenças causadas pela inveja é a
fofoca, a maledicência, a mentira, a indiferença e a traição. A fofoca é a mais
comum. Basta o vizinho comprar uma roupa ou um carro novo ou sua filha chegar
mais tarde, para que os fofoqueiros de plantão lancem todo o tipo de
conjecturas: “este aí assaltou um banco”, “tão jovem e tão vagabunda”, e assim
por diante. Companheiros só de fachada, mas não de ideais, diante de
qualquer dificuldade ou empreitada, simplesmente hibernam numa profunda
omissão, sumindo do mapa. A traição e a deslealdade dos companheiros e amigos
invejosos nunca permanecem muito tempo na penumbra, pois essa fraqueza moral
sempre acaba vindo à tona como o excremento fedorento do vaso sanitário: É
preciso puxar a descarga.
Causa
espanto como esta psicopatia social também é muito disseminada no meio
político. Certa vez um amigo da onça, atacado por dor de cotovelo, me disse que
a política é a arte de engolir a cobra que engoliu o sapo. Não é por nada que
neste meio, invejosos tem a clara aparência destes pecilotérmicos, pois mudam
de temperatura conforme o ambiente. O invejoso do tipo anfíbio (sapo) é uma
classe de transição, entre o ambiente aquático e o ambiente terrestre, que um
dia espera dominar. Mas o invejoso do tipo réptil (crotalus terrificus) é mais
perigoso, pois se esgueira por entre o meio social com desenvoltura e quando
menos se espera, dá um bote venenoso e
muitas vezes mortal: É preciso se vacinar com soro antiofídico. Embora
seja difícil identificar “prima facie”, essa anomalia de caráter, pois os
sintomas externos só se tornam visíveis com o tempo, alguns podem ser
reconhecidos desde logo. É que o tipo invejoso gosta muito de ser bajulado, mas
como não tem nada que se lhes aproveite (a não ser o olho gordo) normalmente
tenta contaminar com sua doença, os amigos mais próximos: É preciso evitar
entrar na deles.
Enfim,
precisamos nos satisfazer com o que recebemos de Deus e deixar de desejar o que
não nos pertence. Precisamos valorizar o que os outros conquistam com o suor do
próprio rosto. É preciso sermos mais leais e amigos sinceros de nossos amigos.
É preciso termos o rosto mais parecido com o de Jesus do que com
cobras, sapos e lagartos. Ou como já nos dizia Tiago: “Mas, se tendes
amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem
mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é
terrena, animal e diabólica” (3:15).
Pensamento da semana: A Rua Coberta e o Centro Cultural estão ficando
espetacularmente lindos. Precisamos valorizar e festejar esta conquista.
sábado, 17 de janeiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
DESTOMBAMENTO DA CÂMARA DE VEREADORES: A POPULAÇÃO MERECE

Cesar Techio
Economista – Advogado
O tombamento de vetustas construções situadas em zonas nobres das
cidades dificulta a vida e impedem o desenvolvimento urbano. Em que pese a
noção de irreversibilidade, definitividade, perenidade, eternidade,
próprias de políticas públicas preservacionistas, a lei que institui o
tombamento de um imóvel pode ser revogada e retirada a sua validade por outra
norma que também pode anular a sua eficácia. Sem adentrar na dogmática jurídica
sobre o tema ou ainda sobre o dever do Estado em garantir o exercício dos direitos
culturais (artigos 215 e 216 da Constituição Federal), me parece salutar
considerarmos que o tombamento pode sim, ser revogado por inconveniência e
inoportunidade tendo em vista o interesse público.
Sob estas luzes,
recebi vários e-mails de concordienses quedados a uma reflexão mais apurada
sobre a construção em que se assenta a câmara de vereadores. Ilustre
colega e renomado advogado Doutor Flávio Calgaro lança fundamentadas razões
sobre o assunto, a que me permito transcrever:
“Parabéns pela lucidez dessa crônica. Realmente
temos que nos situarmos no tempo e no espaço. Se no passado remoto, o prédio da
Câmara de Vereadores constituiu-se em um marco histórico, abrigando Executivo,
Legislativo e Judiciário, além de outros órgãos de grande importância
(Delegacia, Cartório, etc), como você relata e eu pessoalmente não sabia disso,
é elogiável e digno de reconhecimento. No entanto o fez em sua estrutura
interna, a qual atualmente encontra-se totalmente descaracterizada e sem
qualquer valor histórico. Quanto a estrutura externa, concordo que o prédio não
passa de mais um edifício "caixão", sem qualquer marco arquitetônico
diferenciado e que a exemplo do antigo Fórum, possivelmente sua parte
estrutural está por demais comprometida e demandando elevados custos para
manutenção, sem com isto garantir a segurança. Não entendo de
patrimônio histórico, mas penso que as mesmas devem refletir uma
época na história da cidade e ao mesmo tempo trazer aspectos arquitetônicos
marcantes ou diferenciados dessa época. Ao que você relatou, essa edificação é
até uma cópia da Prefeitura de Caçador. Dessa forma, mais do que
nunca, o tombamento pecou já pela sua originalidade, pois sequer
constitui-se em uma obra criada em nossa cidade, mas sim copiada. Em assim
sendo nada justifica o tombamento, pois além de não se caracterizar
um edifício idealizado em nossa cidade (e sim copiado), não possui
quaisquer traços arquitetônicos ou marco significativo de
sua época. Concordo, que por estar situado em uma área
nobre da cidade e dadas as melhorias em andamento em seu entorno, o
destombamento, a demolição e a edificação de um prédio com
arquitetura moderna e funcional, é o mínimo que a Câmara de
Vereadores e a população merecem. Afinal, o mundo se moderniza e não
podemos ficar para trás. A manutenção da história do
município, claro, deverá ser preservada, inclusive nas edificações
que realmente representem esse passado. “Mas não em qualquer coisa,
especialmente quando atrapalham o progresso.”
Da nossa representante do Consulado Italiano,
dona Elena Zuchi Gorlin, a seguinte nota: “De fato, o prédio da Câmara está
totalmente descaracterizado. Eu, que trabalhei nesse local, posso dizer que
está completamente mudado. Externamente, mantém as características antigas, o
que é pouco ou quase nada diante do que representou essa Casa. Um abraço e
obrigada por me mandar as suas crônicas, que prezo muito lê-las.” E da nobre
advogada Suzane Bonn Peretti: “Parabéns Dr. por suas considerações. Enfim um
olhar aberto sobre a evolução da nossa sociedade! Tenha um 2015 maravilhoso.”
Pensamento da semana: A mudança nunca é dolorosa,
apenas a nossa resistência à mudança é que é dolorosa. Buda
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
DESTOMBAMENTO DA CÂMARA DE VEREADORES: O FUTURO JÁ CHEGOU.

Cesar Techio
Economista – Advogado
Segundo nos conta Remy
Fávero (de saudosa memória), a Câmara de Vereadores de Concórdia foi inaugurada
em 1º de julho de 1947, pelo Prefeito Fioravante Massolini, com a presença do
então Governador do Estado, Aderbal Ramos da Silva, nela se instalando a
Prefeitura, a Delegacia, o Fórum, o Cartório de Registro Civil e a Câmara de
Vereadores, que era chamada de Conselho Consultivo. Em 1965, a Delegacia e o
Fórum foram transferidos e em 1967 foi instalado no prédio a Biblioteca Pública
Municipal, a qual alguns anos depois passou a funcionar em outros locais. Estas
referências são necessárias para que se possa justificar, em tese, a
preservação daquele prédio por razões históricas através do instituto do
tombamento, o que impede sua destruição ou descaracterização.
Por fora o prédio
permaneceu como de antanho, um quadrado patético com janelões rústicos,
cismados pela incapacidade de aceitar um mundo que já foi visto devagar, com a
lentidão de quem o defende, mas hoje anda rápido, na velocidade de arquiteturas
multifuncionais e bem pensadas. De traços construtivos inexpressivos, sem
qualquer marca arquitetônica, o prédio da Câmara de Vereadores de Concórdia
ainda tem uma estranha capacidade para obnubilar o olhar de distorcidas visões
infladas por denúncias vazias, objeções pueris e divagações contra o futuro que
já chegou. Convém retirar oficialmente, mediante lei, a proteção do poder
público a este “caixotão” no qual se abrigam, a duras penas, os vereadores
concordienses, e destombar o que foi tombado por erro de avaliação.
No local construa-se um
belo edifício com traços arquitetônicos arrojados, gabinetes espaçosos com
interfaces bem estabelecidas e padronizadas, iluminados, limpos, inseridos em
avançada estrutura tecnológica para atender bem o digno povo desta cidade. E,
do outro lado da fronteiriça e moderna Rua Coberta, a bela Praça Dogello Goss,
considerada pelo vereador Rogério Pacheco como símbolo cultural e histórico de
maior representatividade para os concordienses, mas, “data vênia”, que sejam
sem as árvores quase centenárias, prestes a desmoronar sobre si mesmas, sobre a
cabeça de crianças, famílias, transeuntes. Elas, as velhas árvores, que devem
se renovar, como de resto é da natureza da nossa própria vida e dos ambientes
em que vivemos.
Pensamento da semana: Se a meta principal de um capitão
fosse preservar seu barco, ele o conservaria no porto para sempre. São Tomás de
Aquino
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9 de jan (Há 1 dia)
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Dr. Cesar, feliz Ano Novo e a sua família.
De fato, o prédio da Câmara está totalmente descaracterizado. Eu, que trabalhei nesse local, posso dizer que está completamente mudado. Externamente, mantém as características antigas, o que é pouco ou quase nada diante do que representou essa Casa.
Um abraço e obrigada por me mandar as suas crônicas, que prezo muito lê-las.
Elena
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