quarta-feira, 13 de novembro de 2013

JOGOS PERIGOSOS: DOR, SOFRIMENTO E MORTE.


  
                                            Cesar Techio
                                            Economista – Advogado
                                            cesartechio@gmail.com.br
              
            
     A cronica “Jogos Perigosos”, publicada por liberalidade por alguns jornais, sofreu rigorosa crítica de um leitor do Paraná. No GTA V, nas cenas mais leves o jogador tem de atirar em policiais e roubar inocentes e nas mais pesadas, sequestrar e torturar, usando alicate para extrair informações para encontrar e assassinar outra pessoa, entre outras barbáries. Segundo ele, eu não deveria usar a mídia para lançar palavras tão pesadas contra o jogo, do qual ele é afeiçoado, pois se trata de puro entretenimento e, sendo advogado de uma multinacional, com visão crítica e formação intelectual, nem por isso sai por aí atirando nas pessoas. Respondi que o problema não está no jogo, em si, mas na cultura de violência sugerida por todos os jogos do gênero que acabam formatando um ideário, uma ideologia, um sistema comportamental que causa dor, sofrimento, angústia, miséria e morte. Por que não participar de um jogo no qual ganha o jogador que encontrar a melhor solução para construir casas populares, melhorar o saneamento básico ou diminuir a fome e a desigualdade social, por exemplo?  Handebol, voleibol, futebol, vôlei  futsal, natação, atletismo e outros jogos coletivos que permitem construir estratégias de vitória em equipe, certamente contribuem muito mais para a formação da juventude e para a existência de uma sociedade feliz do que jogos nos quais outro ser humano tem que morrer.

     Nos jogos violentos, o sangue, a dor alheia, o massacre e a morte passam a ser coisas corriqueiras de tal forma que a mentalidade do jogador, diante de um impasse, será sempre, como única opção, a de destruir a pessoa do outro.  Afirmar que um viciado nestes jogos não possa apresentar, mais cedo ou mais tarde, reações semelhantes a do jogo no meio social em que vive, é pura ingenuidade. Notório é que, pretextando diversão, os amantes destes jogos gostam de situações nas quais é patente a inexistência de qualquer sentimento ou consciência de que a vítima por eles abatida no jogo, também é um ser humano, filho de um pai e de uma mãe, integrante de uma família e de uma sociedade.

     De forma que, com a devida vênia do leitor, jogos violentos acabam com a integridade, com a inteireza e com a força moral de quem joga sistematicamente. Eles escravizam a mente dos jogadores de forma sofisticada. Trata-se de uma escravidão sutil, moral, psicológica e espiritual que manipula mentalmente e enfraquece o ser humano, extraindo de sua cabeça e de seu coração alternativas humanistas, civilizadas e diplomáticas para a solução dos conflitos.


Pensamento da semana: “A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. João Paulo II. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

OS PILARES DA TERRA


                                            Cesar Techio
                                            Economista – Advogado
                                            cesartechio@gmail.com.br
              
            
       Gosto do cafezinho,  do pão de queijo e dos sucos do Café da Marisa, frequentado pelo pessoal que trabalha no entorno do calçadão central da Rua do Comércio. São alguns minutos prazeirosos, tipo “happy hour”, que alimentam o bom humor entre um cumprimento e outro. Neste meio não é incomum se surpreender com alguma informação, notícia ou piada do dia. Mas, ontem pela manhã, me chamou a atenção um frequentador assíduo, trazendo consigo “Os Pilares da Terra”, um romace de Ken Follett traduzido para o português em novecentas páginas. E passou a explicar que a história teria ocorrido no século XII, época em que um humilde pedreiro de nome Tom sonhou em construir uma imponente catedral gótica: “É um `best seller` épico que conta a construção da catedral de Kingsbridge, na Inglaterra,  em meio a guerras, conflitos religiosos, luta pelo poder, traições, amores e turbulência políticas. Assisti a história completa através de uma adaptação televisiva mas nada substitui a leitura, pois a mesma permite imaginar o cenário e construir o universo mental do enredo”.

       O devotamento à leitura, por parte de algumas pessoas, entre as quais o assíduo frequentador do Café da Marisa, sempre me impressiona, porque se constitui num apanágio daqueles que possuem grau intelectual mais elevado e, de regra, tirocínio e opinião bem formada e fundamentada sobre todos os assuntos. Não existe outro meio de se aperfeiçoar ou de realizar a vocação e os dons de cada um sem o gosto pela leitura. Desde a escola elementar até a cátedra universitária e, a partir dela até o fim da vida, a leitura diária, sistemática e persistente, faz toda a diferença porque é decisiva para a compreensão do nosso destino, capacidade e missão sobre a face da terra. O hábito da leitura, ao contrário da televisão que traz prontas todas as emoções, é decisivo para a formação de pessoas equilibradas, com filosofia pessoal de vida e hábitos permanentes de reflexão.

       A simples leitura, é bem verdade, não traz soluções fáceis a problemas sociais complexos, mas é a base de inspiração que permite com que a nossa vida tenha mais sentido, beleza, encantamento e produza mais frutos. A superação das dificuldades, desânimos, desilusões e resistências disciplinares no âmbito da vida do dia a dia, encontra, na leitura assídua, perfeito suporte para a felicidade.

Pensamento da semana: Homenagens de estilo a Nilo Hermes, amigo dos livros e exemplo para a juventude. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PROPAGANDA: ELA FAZ A TUA CABEÇA?

                                     
                                                  Cesar Techio
                                  Economista – Advogado
                                  cesartechio@gmail.com.br
              
                  O que faltam nas nossas escolas, desde o primário até a universidade, é formação lógica do raciocínio com o objetivo de ordenar os horizontes do conhecimento. Todo o dia obtemos informações através da mídia e dos conteúdos que nos são repassados pelos professores e pelos livros que lemos. Todavia, me parece fundamental que se aprofunde a compreensão daquilo que está sendo informado e, a partir disso, que se saiba expressar sinteticamente um ponto de vista sobre o assunto, com fundamentação adequada e  controlada.

             É lamentável como a maioria da juventude ouve e se leva pelo ouvir, vê e se leva pelo ver, se emociona e se deixa conduzir pela emoção, induzida por palavras e por encenações recheadas de idéias bem preparadas para convencer a qualquer custo. A propaganda massiva procura passar mensagens subliminares na maioria das vezes fantasiosas, com o objetivo de “vender o peixe”. Entretanto, uma simples reflexão pode levar à conclusão de que, “o peixe”, nada mais é do que um produto supérfluo, sem o qual é possível se viver plenamente feliz. O marketing  procura sempre estratégias ideológicas para criar necessidades psico-emocionais, no centro das quais palpita o ego individual, o qual acredita piamente que somente é possível se realizar no contexto humano e social possuindo bens materiais ou conquistando posições de poder. No epicentro de tudo isso, a propaganda enganosa constrói a idéia de que, para ser feliz, é preciso obter vantagens econômicas e financeiras ilimitadas.  

             Todavia, a penetrante influência dos meios de comunicação de massa no comportamento individual e coletivo, exige uma consciência que permita entender e avaliar criticamente o alcance do conteúdo das informações e o verdadeiro objetivo por trás do marketing que sustenta a propaganda. Por isso, as escolas e universidades precisam acentuar os estudos humanísticos essenciais para a compreensão da pessoa humana e incluir no curriculum da formação intelectual dos estudantes uma capacidade crescente de raciocinar lógica, reflexiva e criticamente.

            Dentro destes objetivos curriculares é preciso, ainda, inculcar na cabeça da juventude, um compromisso com uma formação intelectual que faça acontecer a justiça dentro de um nível de honestidade, retidão de pensamento e de atitudes. Existem valores muito maiores do que os orientados pela propaganda consumista e massiva.  A percepção distorcida da realidade, dos falsos valores e da entrega de ideologias estreitas de consumo deve levar a juventude a apreender a reconhecer e lidar com as influências de mídia e propaganda que podem tolher a sua própria liberdade de escolha.


Pensamento da semana: Um dia ou outro descobrirás que a beleza exterior nada mais é que a propaganda enganosa de cada ser humano. Verônica Barreto Fernandes

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

POLÍTICOS, SOCIALITES E DANO MORAL.



                                            Cesar Techio
                                            Economista – Advogado
                                            cesartechio@gmail.com.br
              
            Soa engraçado a revolta de figuras públicas, políticos, autoridades, gestores do erário, contra críticas que lhe são feitas na mídia. Acham eles que a divulgação de equívocos, erros, polêmicas, incontinência de conduta, má gestão e decisões que esbarram na lei de responsabilidade fiscal e no Código Penal, geram danos morais ressarcíveis, porque afinal, prejudicam a imagem, ferem a honra e abalam a credibilidade junto ao público e seus eleitores.   Todavia, se deve considerar que o dano moral é aquele que afeta a personalidade e ofende a moral e a dignidade da pessoa. Mas, para que isso ocorra é preciso que os queixosos realmente se conduzam com dignidade, senso ético, enfim, demonstrem que suas ações públicas são cobertas pelo manto da moral, da ética e da legalidade. O caráter inviolável da intimidade e privacidade de suas vidas deve ceder diante do interesse público pelo acerto ou não de suas decisões, ações e condutas, motivo pelo qual não possuem o direito de controlar ou impedir qualquer tipo de informação a respeito delas.

       Notórias pessoas públicas, inclusive socialites, são passíveis de comentários sobre aquilo que elas próprias desnudam nas colunas sociais e em locais badalados da polis. Mas, políticos e autoridades, estes são especialmente investigáveis, em tudo o que fazem e dizem e, data vênia, publicáveis suas ações diárias, em informações destituídas de propósitos injuriosos, caluniosos e difamantes. Aliás, ao tratar da comunicação social, em seu art. 220, a Carta Magna estabelece que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição", dispondo, inclusive, que "nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5°, incs. IV, V, X, XIII e XIV". 

        Resta, então, aos refratários a divulgação de suas vidas públicas, desapearem das colunas sociais, da notoriedade de que se fazem portadores, e da política, pois sabem que “quem está na chuva...”. A propósito, assim se manifestou Lédio Rosa de Andrade, operoso juiz da Comarca de Tubarão – SC, em processo de indenização por danos morais, autos 075.99.009820-0: “cada cidadão e cidadã é livre para escolher seu próprio caminho, mas quem trilha as veredas (...) das altas sociedades, data vênia, que aceitem seus tempos e contratempos, e deixe o Poder Judiciário cuidar dos conflitos realmente importantes para a comunidade em geral”.


 Pensamento da semana: “Paz e Bem" (cumprimento franciscano).

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DeMolay: um novo tipo de juventude.

Cesar Techio
Economista – Advogado

              
    Os que possuem menos de 21 e mais de 12 anos; os que professam a crença em Deus e reverenciam Seu Santo Nome; os que afirmam lealdade à pátria; os que aderem à prática de moral pessoal e buscam cultivar a cortesia, o companheirismo, o amor filial, a reverência pelo sagrado; os que buscam a fidelidade aos compromissos, aos irmãos, amigos e a Deus; os que buscam a pureza de pensamento, palavras e ações e cultivam amor e respeito à pátria, ao povo e as suas origens; os que buscam ser bons cidadãos, honestos e respeitadores das leis.  Com estes buscadores e com todos os jovens que se propõem promover a justiça, a caridade e a trabalhar pela paz, será possível criar um novo tipo de pessoa e de sociedade, na qual cada um aceita a responsabilidade de promover práticas de comportamento pessoal e coletivo sob as luzes de um genuíno senso da dignidade da pessoa humana.

  Esta nova juventude tem rosto, voz, consciência e passou a aparecer em vários eventos pelo Brasil, em especial em campanhas intituladas “Faça um Sorriso”, com o slogan  “A alegria de dar deve ser maior do que a de receber.” Com efeito, não pode haver verdadeira conversão aos princípios que movem as propostas de vida assumidas por esta juventude, se não houver obras de justiça e de caridade. Como preparação para um compromisso de vida, a prática da caridade, como a de distribuir alimentos aos necessitados, é a oportunidade de contato real com o mundo da injustiça, no qual alguns vivem refestelados na opulência, enquanto a maioria passa fome e necessidade. De forma que a análise da sociedade dentro dos fundamentos da formação DeMolay e sob a perspectiva leiga de quem observa e se emociona com estas ações de caridade, é também a da oportunidade de uma nova mentalidade na qual se busca contato direto com dimensões estruturais da injustiça.

   Ao coletar e distribuir alimentos aos carentes, cada jovem vai adquirindo consciência dos graves problemas sociais e, se envolve com eles na busca de soluções. Mas, o que mais me toca, em vê-los saírem da zona de conforto, é o grau de influência que podem ter sobre outros jovens; é a linha de ação com efeitos pedagógicos sobre seus semelhantes e sobre as estruturas sociais; é o testemunho concreto do compromisso com princípios que promovem a justiça. Mas também é o contratestemunho aos valores da sociedade de consumo, da arrogância, do egoísmo e da insanidade que move esses tempos.


Pensamento da semana: “Eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor.” ―Walt Disney

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PROFESSORES X BADERNEIROS


Cesar Techio
Economista – Advogado
        
      
         A destruição de prédios públicos e privados em São Paulo e no Rio de Janeiro por baderneiros infiltrados na greve dos professores deixa transparecer uma nuance de uma mesma realidade. De um lado o professor pedindo a valorização do ensino, melhores salários, plano de carreira, desafiadoramente preservando sua razão, dignidade e consciência. De outro o destruidor, baderneiro num processo de irracionalidade, contribuindo para a derrota do próprio movimento. A nobre profissão de professor é a mais importante e fundamental para a sociedade, pois dela derivam todas as outras. Mas, ensinam eles, que não é destruindo que se contribui para o avanço de conquistas.

       O caos instalado no ensino, com reflexos graves na formação dos alunos, exige que o Estado, dentro das garantias institucionais do Direito e da Justiça, aja com determinação em duas frentes. Primeiro pagando bem, mas muito bem mesmo, aos professores. Segundo, com eficiente determinação contra todo o cidadão que ameace a carta democrática através de atos de vandalismo e destruição.

    O padrão de civilidade, de tolerância democrática, de convivência pacífica e de conduta que nos obriga à consciência, de que o nosso direito termina onde começa o do outro, impõe um Estado no qual haja solidez da ordem pública, pois sem ela, não é possível coexistir e mesmo sobreviver. É bem verdade que a sensibilidade moral se situa no plano da individualidade, e varia de pessoa a pessoa, mas, regras básicas de civilidade hão de ser observadas contra toda a perversidade e contra todos os impulsos primários irredutíveis à convivência social.

       Estas regras básicas impõem, andar conforme a razão, proceder na vida com lealdade e boa fé, construir uma identidade moral lastreada no respeito aos semelhantes e, principalmente, defender as instituições sociais como a família, igreja, escola, fábrica, empresa, clube, associação, entre outras, por serem as mais relevantes âncoras para a nossa felicidade. Se, apreendermos a cumprir minimamente estas regras básicas, pacificaremos os extremistas baderneiros, afastaremos os homens públicos descompromissados com a educação e daremos muito mais qualidade e contextura a nossa existência comum.


       Pensamento da semana: “O homem fraco teme a morte, o desgraçado chama-a; o valente procura-a. Só o sensato a espera.” Benjamin Franklin. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

JOGOS PERIGOSOS


Cesar Techio
Economista – Advogado
        
      
                O jogo mais caro da história, o GTA V, que custou 265 milhões de dólares, no qual nas cenas mais leves o jogador tem de atirar em policiais e roubar inocentes e nas mais pesadas o sequestro e tortura, usando alicate para extrair informações para encontrar e assassinar outra pessoa, entre outras barbáries chegou às lojas e, segundo Felipe Vilicic e Victor Caputo (Veja, edição 2.340 de 25/09/2013) se consagrou como o produto de entretenimento de mais rápido sucesso comercial da história. A contribuição destes jogos e desafios é a de formar uma mentalidade belicosa, agressiva e uma humanidade opressora, cujo preço a pagar é fácil de constatar pela monstruosidade que explode em notícias televisivas diárias de um mundo que está mudando, para pior.

            Os jogos sangrentos, disponíveis na internet, são os mais virulentos destruidores de cérebros e os mais perniciosos matadores dos ideais da juventude, porque deles, ao contrário dos filmes, os jovens participam. Parece que a natureza humana tem uma tendência para atitudes temerárias, incomodativas, persecutórias, agressivas, e para participar de situações cuja meta sempre é a de eliminar o adversário, sem maiores considerações a respeito das consequências da violência fortuita que move o próprio jogo, fonte de sofrimento e degradação pessoal.

            A mentalidade dos criadores destes perversos jogos e dos que deles participam, no fundo é a mesma da maioria dos que não possuem compromisso com a racionalidade, com o exercício do pensamento e com o questionamento sincero a respeito dos verdadeiros valores que levam à uma vida justa, produtiva e feliz. Na realidade, todo o dia encontramos este tipo de jogador pelo nosso caminho. Não é difícil reconhecê-los pelo perfil de comportamento que apresentam, sempre em atitude conflituosa, prontos para mentir utilizando o braço das instituições e da sutileza. Sem responsabilidade ética, são verdadeiros monumentos humanos à ignorância, à injustiça e a desgraça, na medida em que sugerem ataque permanente à paz social e aos princípios e valores mais caros que regem a vida em sociedade. Convém, portanto, sermos vigilantes, adquirirmos uma consciência pautada em valores perenes e, acima de tudo, demonstrarmos para nós mesmos e para as novas gerações, que o jogo da vida impõe outras regras: a da disciplina, esforço pessoal, cooperação, compaixão e trabalho.


Pensamento da semana: A missão da Maçonaria é a de "fazer amigos, aperfeiçoar suas vidas, dedicar-se às boas obras, promover a verdade e reconhecer seus semelhantes como homens e irmãos".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

HERMÍNIO MAZOCCO: FIM DE UMA ÉPOCA DE OURO.

Cesar Techio
Economista – Advogado
        
      
         Em festa, rodeado por amigos, filhos, admiradores e por cantantes italianos, no alto de seus noventa anos Hermínio Mazocco se despediu de todos e deu por encerrada sua pródiga e belíssima participação na história de nosso município e região. Era daqueles homens de fibra, puro cerne de madeira de lei, das primeiras gerações dos descendentes de italianos que migraram da Itália para o sul do Brasil, como a maioria dos nossos pais. Vieram para essa região, cheios de entusiasmo, com vontade de trabalhar, constituir família, criar os filhos, fazer muitos amigos e, principalmente, determinados a criar o futuro. Hermínio ingressou no cenário concordiense em 1955, quando iniciou os trabalhos junto a antiga rodoviária, para logo depois, junto com Fioravante Fracasso, inaugurar o hotel e churrascaria, empreendimento pelo qual seu nome ficou registrado na história gastronômica dos costumes da região como o melhor churrasqueiro de Concórdia.

          Se bem me recordo, de tenra idade, sentado à mesa da churrascaria com meu pai, lá vinha o “Seu Mazocco” com aquela carne de primeira e, junto com ela, um papo amistoso, alguma informação, uma boa piada e aquela gargalhada. Na Associação dos Motoristas, já se aposentando, em dobradinha com seu amigo Domingos Fávero, era figura ímpar e indispensável para animar os fregueses a quem cativava com palavras de ânimo e muitas vezes conselhos, o que o elevava a pessoa muito admirada por todos. Como bom italiano, já em idade provecta, curtiu muito a vida, partilhando sua alegria de viver com todos que encontrava pelo caminho, em especial seus companheiros do Grupo de Veteranos de Concórdia. Jogo de quatrilho, bocha, cantoria e dança, faziam parte da vida de um menino quem só envelheceu por fora.

         A contribuição que Hermínio Masocco nos deixa, com sua história, foi a de fixar como modelo de vida, a beleza da simplicidade, a responsabilidade pelo trabalho, a sincera amizade e o amor por sua esposa e pelos seus nove filhos, Generice, Anelio, Antonio, Isabelita, Luiz Alberto, Americo, Jose Alberto, Jacir Herminio e Maria Regina, sementes de um modo de ser revelado pelo agir corajoso de seu pai frente as adversidades da vida, e de um tempo, no qual ele foi exemplo. Com a despedida de Hermínio Masocco, ficou a impressão, que pessoas como ele, como meu velho pai, entre outros tantos, marcaram uma época de ouro em Concórdia, sustentada por valores que jamais vão morrer.  Eles deram o tom e as cores que hoje movem nossos sentimentos, nossos passos, maneira de ser e de viver. A eles nossa gratidão e saudades.


Pensamento da semana: Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada. Cícero

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CORRIDA PRESIDENCIAL


Cesar Techio
Economista – Advogado

        
        Ela será a próxima presidente da República? Esta pergunta cresce a passos largos, das periferias das grandes cidades do país aos menores centros populacionais incrustados em cidadelas do interior de todos os Estados brasileiros. Sem holofotes, mandato, cargo público, dinheiro ou padrinho, Marina Silva já aparece em segundo lugar na intenção de voto do eleitor para presidente da República. Primeiro vem a presidente Dilma, com 36,4%, seguida de Marina Silva com 22,4%, Aécio Neves com 15,4% e Eduardo Campos com 5,2%. A pesquisa foi divulgada no dia 10/09/2013 pelo Instituto MDA por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e pode ser acessado no seguinte endereço:http://site.mdapesquisa.com.br/. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 135 municípios de 21 Estados, com margem de erro de 2,2%. Ex-senadora, Marina Silva ganhou respeito e admiração do povo brasileiro pela sua luta em favor do desenvolvimento sustentável, pela valorização dos recursos naturais e pela defesa da ética.

  A integridade moral e a defesa da dignidade da vida humana, em todos os seus aspectos, pedem, em Marina Silva, alargamento de nossa perspectiva para a eleição de candidatos comprometidos com o ataque à desigualdade, à exploração econômica, à desumanização pela degradação ambiental, ao consumismo aliado a alienação provocada pela propaganda e à concentração de renda sustentada pela miséria e pelo  sofrimento dos trabalhadores, de suas famílias e filhos. A luta pela liberdade, como o mais alto valor público, tem a ver com o afastamento do poder, não só de ditadores loucos e sanguinários, mas também de políticos corruptos, desonestos e ladrões, que nada diferem daqueles, pois do mesmo modo matam o povo sugando-lhes os recursos públicos destinados à saúde, educação, saneamento, mobilidade, melhor qualidade de vida ambiental, etc.

  A luta pela liberdade e dignidade, tem a ver com a função libertadora da consciência de um povo que precisa escolher melhor seus candidatos e romper de forma implacável com o poder e a linguagem dos que impõem candidaturas direcionadas ao assalto ao erário público. O diagnóstico da podridão de ações de mandatários frente à administração pública é divulgado todo o dia pela mídia corajosa e honesta do país, em descrições reveladoras da dimensão, extensão e profundidade da lama e do esgoto que atenta contra o estado de direito, a democracia e os direitos fundamentais dos cidadãos. Por estes motivos, a inserção de bons pré-candidatos no pleito eleitoral, como é o caso de Marina Silva, também tem função libertadora, na medida em que nos permite, através do voto, transcender os clichês da política viciada e a descobrir novos caminhos destinados à regeneração ética e moral do sistema representativo.  

  Pensamento da semana: O impossível não existe, o que existe são pessoas insignificantes com preguiça de tentar. Marina Silva.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PRESIDENTE BARACK OBAMA SOBRE O USO DE ARMAS QUÍMICAS NA SIRIA



Ao longo dos últimos dois anos, o que começou como uma série de protestos pacíficos contra o regime repressivo de Bashar al- Assad se transformou em uma brutal guerra civil na Síria. Mais de 100 mil pessoas foram mortas.

Nesse tempo, temos trabalhado com amigos e aliados para fornecer apoio humanitário para o povo sírio, para ajudar a oposição moderada na Síria, e para moldar um acordo político. Mas temos resistido aos apelos para uma ação militar, porque não podemos resolver de outra pessoa guerra civil por meio da força.

A situação mudou profundamente nas primeiras horas de 21 de agosto, quando mais de 1.000 sírios - incluindo centenas de crianças - foram mortas por armas químicas lançadas pelo governo Assad.

O que aconteceu com essas pessoas - para as crianças - não é apenas uma violação do direito internacional - é também um perigo para nossa segurança. Aqui está o porquê:

Se não agirmos, o regime de Assad não vai ver nenhuma razão para parar de usar armas químicas. Se não haver proibição contra essas armas mortais, outros tiranos e regimes autoritários não terão nenhum motivo para pensar duas vezes sobre a aquisição de gases venenosos e usá-los. Com o tempo, as nossas tropas poderiam enfrentar a perspectiva de guerra química no campo de batalha. Poderia ser mais fácil para as organizações terroristas para obter essas armas e usá-los para atacar civis. O derramamento de sangue pode ir além das fronteiras da Síria, essas armas podem ameaçar os nossos aliados na região.

Então, depois de cuidadosa deliberação, eu determinei que é do interesse de segurança nacional dos Estados Unidos responder a utilização do regime de Assad de armas químicas por meio de um ataque militar específico. O objetivo disso seria  impedir Assad de usar armas químicas , para degradar a capacidade de seu regime para usá-las e deixar claro que o mundo que não vai tolerar seu uso.

Apesar de eu possuir a autoridade para ordenar estes ataques, na ausência de uma ameaça direta à nossa segurança, encaminhei ao Congresso para apreciar a minha decisão de agir. A nossa democracia é mais forte quando o presidente age com o apoio do Congresso - e quando os americanos estão juntos como um só povo.

Nos últimos dias, a partir do começo do desenrolar deste debate, já se começou a ver sinais de que a ameaça crível de ação militar dos EUA pode produzir um avanço diplomático. O governo russo indicou uma vontade de se juntar com a comunidade internacional em pressionar Assad a desistir de suas armas químicas e o regime de Assad já admitiu que tem essas armas, e até mesmo disse que iria aderir à Convenção de Armas Químicas , que proíbe a usar.

É muito cedo para dizer se esta oferta será bem-sucedida, e qualquer acordo deve verificar se o regime Assad mantém os seus compromissos . Mas essa iniciativa tem o potencial para remover a ameaça de armas químicas, sem o uso da força .

É por isso que eu pedi aos líderes do Congresso a adiar a votação para autorizar o uso da força, enquanto nós prosseguirmos por este caminho diplomático. Estou enviando o secretário de Estado John Kerry para atender o seu homólogo russo na quinta-feira, e vou continuar minhas discussões com o presidente Putin. Ao mesmo tempo, vamos trabalhar com dois dos nossos aliados mais próximos - França e Reino Unido - a apresentar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU exigindo Assad que desista de suas armas químicas , e finalmente as destrua sob o controle internacional.

Enquanto isso, eu pedi nossos militares para manter a sua postura atual de pressão sobre Assad , e estar em condições de responder se a diplomacia falhar. E hoje, dou graças novamente por nossos militares e suas famílias, por sua força e imensos sacrifícios.

À medida que continuamos este debate - , em Washington, e em todo o país - Preciso de sua ajuda para se certificar de que todos entendam os fatores em jogo .

Compartilhe esta mensagem com outras pessoas para que saibam da minha posição e para que se mantenham  atualizados sobre o assunto. 

IMAGENS SOBRE O O ATAQUE DE ARMAS QUÍMICAS:

http://www.senate.gov/isvp/?type=arch&comm=intel&filename=intel090613





quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ESPIONAGEM


Cesar Techio
Economista – Advogado

           
Segundo a Organização Mundial de Comércio, OMC, as exportações brasileiras em 2011 foram de US$ 256.039 (milhões de dólares – FOB); valor que correspondeu a apenas 1,44% do valor total exportado pelos países do mundo, que foi de US$ 17.778.182 (milhões de dólares – preços correntes – FOB).  Por outro lado, as importações foram de US$ 236.870 (milhões de dólares – Preços Correntes CIF) ou 1,29% do volume mundial que foi de US$ 18.381.000 (milhões de dólares – Preços Correntes CIF). No ranking mundial o Brasil ocupou o 25º lugar entre os países que mais exportaram, abaixo da China com 10,68%; Estados Unidos 8,33; Alemanha 8,29, entre outros. Conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2011 o mundo apresentou um PIB global de 69,659 trilhões de dólares, sendo que deste total, 25,2% era da União Europeia, 21,6% dos Estados Unidos, 10,8% da China, 8,6% do Japão e 3,6% do Brasil. Ainda conforme o FMI, em um ranking que mede o ritmo de crescimento do PIB (produto interno bruto) dos países, o Brasil cresceu somente 0,9% em 2012, o que fez com que despencasse da 103ª posição em 2011, para o 128º. 

Estes dados são importantes para percebermos qual o verdadeiro peso do Brasil no cenário internacional, uma vez que mostram a dura realidade de uma pífia participação no mundo, de tal forma que soa inverossímil a ideia de que os Estados Unidos tivessem um especial interesse em espionar comercialmente o Brasil. Ocorre que qualquer interessado em obter informações sobre os dados da economia brasileira, em todos os níveis, pode obtê-los diretamente nos bancos de dados de órgãos de pesquisa disponíveis na internet. Informações a nível mundial podem ser acessadas nos endereços, OMC http://www.wto.org/, ONU www.onu.org.br, FMI http://www.imf.org/ e nacionais, IBGE www.ibge.gov.br, FIPE www.fipe.org.br, EMBRAPA  www.embrapa.br, IPEA www.inpe.gov.br, IPT www.ipt.br, PETROBRAS www.petrobras.com.br/, Portal Brasil http://www.brasil.gov.br/ e em todos os demais portais de pesquisa das universidades, estados e municípios brasileiros, tudo isso sem falar no Facebok, Google, entre outros.

Obviamente não podemos descurar do que afirmou o embaixador americano Thomas Shannon, à Revista Veja, edição 2338 de 11/09/2013, de que quando escolhemos uma forma de conectividade como a da internet para nos comunicar, ou adotamos um meio tão importante e simples como um GPS, instrumento de localização geográfica, “estamos entregando a empresas, a organizações e a governos de diversos países um aspecto da nossa privacidade”. Por outro lado é patente que o terrorismo cibernético tornou-se a maior ameaça ao mundo civilizado, atingido governos, empresas e pessoas, passando, o controle de internet a ser uma prioridade para quem tem condições, poder e obrigação de proteger os direitos fundamentais das pessoas.

De forma que me parece justificável que países que possuem firme compromisso com o estado democrático de direito, busquem o controle do tráfego de comunicações e de dados com o exclusivo objetivo de eliminar o terrorismo, todas as formas de tráfico internacional e ataques de ditadores, tiranos e do fundamentalismo que colocam em risco a paz e a segurança mundial.

Pensamento da semana: Todos os homens podem cair num erro, mas só os idiotas perseveram nele. Cícero

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DIREITO DE GUERRA


Cesar Techio
Economista – Advogado


       Governos ostensivamente criminosos, que massacram o próprio povo e que não possuem respeito pela vida humana, se constituem num perigo extremo para o mundo livre e civilizado. Se não possuem escrúpulos com os seus próprios cidadãos, igualmente não hesitariam em destruir outros povos.  Nesta linha de entendimento, considerando uma real e iminente ameaça à segurança dos países, patrocinada por ditadores do terror, que não conhecem limites e adotam meios cruéis para infringir sofrimento, como é claramente o caso de Bashar al-Assad, responsável por ataque com armas químicas contra civis, um esforço bélico dos EUA, França e países aliados  para removê-lo do poder é plenamente justificado. Trata-se de direito à guerra para construir a paz e a liberdade.

       Infelizmente, governos como o da Síria, ferozes e incivis, aliados a movimentos fundamentalistas, espalham de forma grave, sistemática e covarde, a violência e o terror, matando opositores, eliminando crianças, torturando prisioneiros, violentando mulheres, recorrendo à fome como estratégia de dominação, devastando cidades, explodindo bombas, expulsando populações (Êxodo na Síria supera marca de 2 milhões de refugiados, sendo que a metade deles são menores de idade, segundo o alto comissariado da ONU), permitindo atos de violência sexual contra infantes, encarcerando opositores, promovendo o desaparecimento forçado, entre outras barbáries terroristas.

          A gravíssima deterioração dos direitos fundamentais do povo sírio, violados justamente por quem deveria defendê-los, obriga as potências democráticas a intervirem militarmente na Síria com fundamento no dever de solidariedade humana. Com efeito, é necessário debelar as hostilidades que causam sofrimento, para garantir proteção às vítimas e ao mesmo tempo eliminar a agressão terrorista de Estado e de grupos radicais.

       Este papel de proteção mundial é destinado, atualmente, não só aos EUA, mas a todos os países civilizados. É preciso lembrar que a Carta das Nações Unidas, em seu capítulo VII, prevê "ações militares de segurança coletiva", e medidas de força contra Estados que representem uma ameaça para a paz ou a segurança internacional. Portanto, já passou da hora de os países democráticos e comprometidos com a paz, entre eles o Brasil, erguerem-se diplomática e militarmente, de forma clara, objetiva, racional e definitiva, contra as ameaças de movimentos e governos ensandecidos, a fim de que os tiranos e seus crimes de genocídio e de terror não fiquem impunes e que o mundo possa ter um futuro de paz, prosperidade e segurança.

Pensamento da semana: “Se não estivermos dispostos a pagar um preço por nossos valores, se não estivermos dispostos a fazer alguns sacrifícios para realizá-los, então deveríamos nos perguntar se realmente acreditamos neles.” Barack Obama.