quinta-feira, 24 de abril de 2014

ABSTENÇÃO: VERGONHA DA NAÇÃO


Cesar Techio
Advogado – Economista

            Não tem nada mais vergonhoso do que ficar em cima do muro. Ainda mais em se tratando de político com cargo eletivo. Gente assim sempre causa náuseas. Tá na Bíblia: “Porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3,16). Jesus também se referiu a essa turma: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5,37). No popular: “Ou é oito ou é oitenta”. A abstenção de votar num projeto de lei ou em algo importante para o país deveria ser punido com a perda do mandato. Afinal, um deputado, senador ou vereador foi eleito para legislar, para decidir. E deve fazê-lo com soberania e de maneira inequívoca: ou vota a favor ou vota contra. O resto é desrespeito à confiança que o eleitor depositou nele. É bem verdade que tem voto vendido, em que o eleitor não está nem aí para o político irresponsável. Afinal, tanto corruptor como corrupto fazem parte do mesmo caldo podre e fétido da política descarada e criminosa que negocia princípios em troca de tudo. Oposição por oposição, sem pensar na pátria, na nação, no povo e no resultado da abstenção na hora de votar, rebaixa o político aos porões das Casas Legislativas. Afinal, fica claro que se trata de uma forma sutil de livrar-se da responsabilidade sobre o resultado do que está sendo votado.

            Estratégias tais não deviam passar ao largo da atenção dos eleitores. Há quem diga, entretanto, que a omissão de um senador, deputado ou de um vereador, num sistema de democracia representativa, apenas demonstra concordância com tudo e com todos. Entretanto, convenhamos, se abstendo o legislador resolve o que? Trata-se apenas de um subterfúgio para estrategicamente lavar as mãos e esgueirar-se de uma situação incômoda ou, como preferem alguns, “sair à la francesa”. Pilatos, também lavou as mãos no julgamento de Cristo. Por conta disso, um bandido foi solto e um inocente torturado e morto. Previsões regimentais que permitem a abstenção do voto legislativo são vergonhosas diante das lesões sociais que esta prática provoca, pois nada mais representa do que a mais deslavada abdicação do exercício de representação dos interesses do povo. Ao se abster de votar o deputado, senador ou vereador faz pouco caso do poder que lhe foi conferido pelo voto popular, vitimizando os cidadãos, pois de regra se utiliza deste expediente para cavar vantagens pessoais ou criar entraves administrativos por simples interesses pessoais ou de um grupo político. Enfim, a abstenção afronta a finalidade da existência do próprio Poder Legislativo, que é a de fazer leis visando o bem social.

  Pilatos cai muito bem nesta história, pois ele é o típico político que lava as mãos diante de decisões sob sua responsabilidade. Enfim, a abstenção em votar pode não ser ilegal, mas certamente é imoral e afeta toda a sociedade. A ausência de comprometimento é muito comum no meio político e, infelizmente, gira em torno do disposto no § 2º do artigo 180 do regimento interno da câmara dos deputados e § 2º do artigo 288 do regimento interno do senado federal. Na Câmara de Vereadores do seu  e do meu município, a abstenção também possui respaldo normativo. O que é uma lástima.

Pensamento da semana: “o preço a pagar pela sua omissão na política é ser governado por quem é inferior” Platão 428-347 AC

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO COM “CHEIRO DE POVO”.


Cesar Techio
Economista – Advogado

  O prefeito João Girardi entende que a participação política do povo concordiense não deve se encerrar com o ato de votar durante as eleições. Apesar de ser o prefeito eleito, com todos os direitos e deveres inerentes ao cargo de mandatário, também compreende que deve implementar um sistema democrático de participação popular na gestão pública com a qual concretiza a principal riqueza do Orçamento Participativo, que é a democratização da relação do Estado com a sociedade. Essa prática do prefeito, não é monopólio do PT que a idealizou, ao contrário, se expandiu por todo o Brasil e foi assumida por todos os partidos políticos, se tornando bandeira das melhores políticas públicas e de bom governo. E, funciona como raticida, matando ratazanas incrustadas em governos que pensam que o povo é ignorante e que podem fazer o que bem entendem, por meio de decisões clientelistas feitas para agradar compadres, comadres e eleitores de partido político.

  Auscultando a todos os cidadãos, nos encontros com as comunidades, o prefeito João Girardi faz mais: presta conta de seus atos de gestão estimulando o povo a que não se conforme em ser coadjuvante, mas protagonista de uma gestão séria, responsável e transparente. O percentual destinado a esta prática, se não é alto, pelo menos tem o objetivo pedagógico de estimular a participação popular nas decisões de governo. Interessa ao prefeito, interagir com o povo, apertando mãos, olhando no olho, mas também prestar contas daquilo que ele faz em seu gabinete e com o erário público, para o qual migra todo o dinheiro pago na forma de tributos como IPTU, ITBI, ISS, taxas diversas, contribuições, receitas de serviços, receitas patrimoniais e repasses constitucionais da União.

   É evidente que as grandes obras de infraestrutura devem receber um percentual orçamentário muito maior do que o destinado ao Orçamento Participativo, que tem o objetivo de fazer obras indicadas pelas comunidades como as mais urgentes e necessárias. Mas, sempre é bom lembrar, que as grandes obras também foram aprovadas através do voto na urna e na confiança da implementação do Plano de Governo apresentado durante a campanha eleitoral. Nesta linha, não temos do que nos envergonhar, ao contrário, nos orgulhamos de possuir neste município um governo com elevado nível ético, honestíssimo, competente, com cheiro e jeito de povo.  Enfim, antes instrumento tradicional de comando nas mãos do Prefeito e de um seleto grupo atrelado ao poder, o Orçamento Participativo passou a ser expressão concreta e real de autêntica democracia. E é muito bem compreendido pela grande maioria das pessoas que participam dos encontros que estão sendo realizados. Para reconhecer isso não é preciso coragem. É preciso apenas sensatez e coerência.

Pensamento da semana: Feliz Páscoa na ressurreição de Cristo, amados leitores.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

CORRUPÇÃO: QUAL A RESPONSABILIDADE DAS IGREJAS?

                                             Pastor Alexandre Luciano  

Cesar Techio
Economista – Advogado
  
            Convidado, aportei aos bancos lotados da Assembleia de Deus, navegante destas ondas encapeladas e duras do travo amargo da minha profissão. Fixei os olhos no pregador e, intimamente, por conta daquelas dúvidas e expectativas que nunca admitimos carrear à alma cansada, imaginei: o que virá desta pregação? No início me intrigou a suavidade de suas palavras. Ao avançar, percebi que aquele pregador sereno levantava o tom. E criava, com rigor desconcertante, uma linha de raciocínio cheia de fé, calcada numa moral evangélica que não deixa dúvidas sobre o modo de como se deve viver. Ao me deparar com a fala do Pastor Alexandre Luciano da Assembléia de Deus de Irani, senti que não se tratava de ferve, de estratégia de conferencista pronto para convencer. Na verdade não era ele, mas Deus nele.

       A graça do Espírito Santo transcendia a lógica a que me habituei e operava num plano diferente. Aquele espaço não era mais a igreja. Era o céu.  E então, desfilaram diante de meus olhos, milagres incompreensíveis, inacreditáveis, apartados do meu entendimento. Analisando sob o ponto de vista da psicologia, dos sentidos das emoções o que ocorria naquele ambiente de luz, conclui ao passar dos dias, o quanto é bom nos influencie a palavra de Deus. O quanto é maravilhoso abrir o coração para as influências saudáveis dos princípios cristãos que inspiram o andar reto, que carreiam prosperidade honesta, decisões éticas na condução da Administração Pública, da política e dos negócios em geral.

       Infelizmente vivemos um momento da história em que a política está vinculada à corrupção, às malversações de verbas e a desvio de dinheiro público à custa da pobreza e da miséria do povo. Notícias diárias na mídia nos estarrecem e deixam indignados.  Por isso, a força moral da palavra dita por pregadores de envergadura moral, não há como negar, tem o poder de irradiar sua influência sobre todos os setores da sociedade. Neste norte, a difusão da ética e dos princípios cristãos na política e na Administração Pública, é assaz irrenunciável à missão das igrejas e deve contar com a colaboração de líderes religiosos bem preparados, sensíveis aos reclamos de uma sociedade sofrida da qual eles, como fermento na massa, fazem parte.

       Não há dúvidas de que é múnus de todas as igrejas cristãs cingirem-se à pregação da palavra e a salvar almas, mas, impossível, nestes tempos de pesada corrupção, delimitá-la, “ad litteram”, ao espaço interno dos templos. É preciso preparar o caminho, endireitar as veredas para que, os que reivindicam e protestam como leões contra as falcatruas na gestão pública, não votem como burros nas eleições. Essa responsabilidade, de fazer o milagre acontecer na consciência do povo, de formar e apoiar candidatos que saibam honrar os compromissos de viver em honestidade pesa muito sobre as costas de pastores, padres, discípulos, bispos, presbíteros, diáconos e de todo o povo de Deus. 

Pensamento da semana: "Todo homem é culpado por todo bem que ele não fez." Voltaire.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

GOLPISTAS: O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO


Cesar Techio
Economista – Advogado
  
                Mahatma Gandhi enumerou sete perigos para a virtude humana: 1° - Riqueza sem trabalho; 2° - prazer sem consciência; 3° -  conhecimento sem caráter; 4° - negócios sem ética; 5° - ciência sem humanidade; 6° - religião sem sacrifício e 7°- política sem princípios. Fiquemos, como tema desta nossa conversa semanal, com os perigos da “riqueza sem trabalho” e dos “negócios sem ética”. Tendo como base uma extremada ganância e uma ausência absoluta de escrúpulos e compaixão por suas vítimas, estelionatários aparecem, volta e meia, sorridentes e cativantes, no seio das comunidades. A própria origem da palavra estelionato, “stellio”, nos dá uma idéia das estratégias do agir destes camaleões: “lagarto que muda de cores, iludindo os insetos de que se alimenta”. (Fonte: Mirabete, Julio Fabrinni; Fabrini, Renato N. Manual de Direito Penal; parte especial; 25ª Edição, Atlas, São Paulo, 2004).

             Sem quaisquer ressaibos ou cautelas, os cidadãos empreendedores caem na lábia, na conversa fiada, no conto do vigário, hipnotizados pelo carisma envolvente dos festivos golpistas. Sem reservas e precauções de estilo, confiam a eles e a todos os que se escondem por trás deles, seus negócios e o dinheiro suado de suas famílias. E, “data vênia”, dinheiro não falta. Haja dinheiro fácil e abundante escoado da economia popular de anos, bom para fazer a festa das aparências que tomam conta do clima de carnaval das quadrilhas que protegem o esquema. Cumpre, no entanto, não obliterar de que, se as vítimas são ingênuas, nem todos cultivam o retardo mental a que certos segmentos se propõem para a manutenção do engodo, de incalculável repercussão futura.  Primeiro no bolso dos enganados e depois nas lides forenses de um judiciário cada vez mais atento as manobras dos que, segundo Mahatma Gandhi, enriquecem sem trabalho e fazem negócios sem ética.

          De acintosa indigência moral essa “cambada de vagabundos” convence não só vítimas de poucas luzes, mas gente de atilada inteligência. Afinal, “amigo é amigo” e a ilusão de que o trato dos negócios tem mesmo lastro na idoneidade da propaganda, vale o sorriso, o carisma, a música, o churrasco, o aperto de mão, a tapinha nas costas. E assim se entrega as economias e a própria vida, para que o dinheiro e as finanças se multipliquem milagrosamente nas mãos desta gente, sem lastro no trabalho e na seriedade. E é claro, sempre a favor do golpista estelionatário e de sua trupe, jamais em benefício dos que confiaram nele. Mas, milagre da multiplicação, pra valer, somente Jesus Cristo fez.


        Pensamento da semana: O novo Código Civil elegeu a boa fé objetiva como fundamento de todo e qualquer negócio jurídico. Sem ela, impõe-se a ineficácia, invalidade e nulidade das falcatruas. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

CASAS DE SEMILIBERDADE E O MAU USO DA PROPRIEDADE


 
Cesar Techio
Economista – Advogado

         Problemas de perturbação ao sossego causado por vizinhos barulhentos, ameaçadores e de comportamento social reprovável e perigoso não é difícil de resolver, conquanto se busquem os canais corretos para a solução do problema. No caso da Casa de Semiliberdade de Concórdia é imperioso buscar a responsabilidade pelo mau uso da propriedade na pessoa do proprietário, do locatário legal e do ocupante responsável pelo imóvel. A utilização institucional pelo Estado de Santa Catarina de imóveis para estes fins conduz a ilação de que s mesmos devem ser utilizados para o fim específico de desenvolver a atividade de aplicação de medidas socioeducativas prevista no art. 120 ECA.

       Todavia, desbordando da atividade proposta, em colapso ao sagrado direito de vizinhança incluindo cristalinas e comprovadas alegações de risco a integridade física de vizinhos por ameaças de morte, perturbação através de barulho que ultrapassa a máxima tolerância, invasões de propriedades vizinhas durante a noite e atitudes ameaçadoras, resulta daí o mau uso da propriedade. De forma que os prejudicados ou ainda o Ministério Público em nome da coletividade em ação cível pública, podem demandar ação judicial  civel de preceito cominatório de obrigação de não fazer contra o proprietário do imóvel e os responsáveis pelas atividades perniciosas desenvolvidas. A situação sugere a concessão de tutela inibitória sob pena de multa cominatória diária de valor expressivo. Caçar o Alvará de funcionamento sempre é algo que também não se pode descartar, no mesmo diapasão da interdição já concedida pelo Judiciário e que também se afigura como um caminho de natureza judicial apropriado.

       E que não se discuta aqui os objetivos e o espírito que envolve a existência de casas de semiliberdade, de inclusão social de menores infratores, porque os efeitos colaterais são de regra como os que vimos aqui: de exclusão violenta de todo o resto da sociedade circunvizinha.  E, para arrematar, não sejamos ingênuos. A inserção social e familiar de menores infratores (inclusive provenientes de outros centros urbanos problemáticos) não tem a mínima chance de sucesso em estruturas que se constituem em verdadeiros hotéis de luxo nos quais a liberdade pessoal descompromissada com um sistema pedagógico e disciplinar rigoroso fazem a festa de meliantes e o inferno da vizinhança.

       Enfim, ação judicial de dano infecto, aqui sugerida, com as  matizes acima mencionadas, me parece ser apta para resolver via juízo cível, problemas desta natureza, a par de pedido de indenização por danos morais. Diante destes fatos, entre os quais a de um vizinho que se ajoelha diante da Polícia Militar implorando proteção (You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=UnfVZYEXz6s), me parece evidente a concessão de medida liminar de urgência para fazer cessar definitivamente a atividade proposta pelo ECA. Que é boa só na teoria.

Pensamento da semana:  “Menores, infratores e uma visão de primeiro mundo e “Sistema Impact” dos EUA. Veja no meu blog: http://cesartechio.blogspot.com.br


segunda-feira, 17 de março de 2014

MENORES, INFRATORES E UMA VISÃO DE PRIMEIRO MUNDO.


Os E.U.A. são sempre muito criticados por terem a maior população carcerária do planeta. Mas, diferentemente de países como o Brasil em que os bandidos são considerados sempre elementos passíveis de recuperação; nos E.U.A. se o indivíduo mostra-se arredio às investidas do sistema para ressocializá-lo, o seu lugar é atrás das grades mesmo (de preferência para sempre).
Estarão eles errados?
Acho que não.
É imperativo que o Brasil deixe de lado a hipocrisia, a influência das Igrejas e das entidades que vivem da miséria dos menores abandonados e delinqüentes; sendo capaz de compreender, de uma vez por todas, que o elemento que comete crimes continuadamente não é passível de recuperação (seja que idade tenha). Mesmo que estivesse preso numa cadeia na Suíça (que mais parece um hotel cinco estrelas do que uma prisão); esse elemento voltaria para o crime. Pois essa é a sua natureza.
O grande neurologista brasileiro, Carlos Bacelar, dizia que estudos científicos mostraram que cerca de três por cento da população mundial era constituído por psicopatas. Esse número é algo na casa dos 180.000.000 de pessoas. Quase um Brasil de indivíduos propensos a cometer atos de violência e que não são dotados de qualquer remorso ou sentimento por suas vítimas.
Sejam por causas genéticas ou ambientais é importante que uma nação identifique esses elementos e retire-os do meio de sua sociedade para que seja proporcionada a devida proteção para o cidadão de bem. E é assim que os E.U.A. e muitos outros países lidam com o problema. Se o elemento mostra-se reincidente, o encarceramento é aplicado sem pudores. Mas, isso soluciona a problemática da violência?
Claro que não.
A violência é um mal inerente ao ser humano. No entanto, atitudes assim enviam uma clara mensagem de que o Estado não agirá com paternalismo em relação ao delinqüente. O objetivo é isolar esses elementos e proteger a sociedade deles; evitando que novas vítimas venham a perecer sob as ações daquele indivíduo. É o direito a proteção que a sociedade tem e que o Estado deve garantir.
Ao assistir um documentário no canal Discovery hoje (14/02/09) vi um projeto de recuperação de jovens infratores que é realizado nos E.U.A. e tem um grande sucesso. Sob o nome de “SISTEMA IMPACT”, os condenados (até sete anos por crimes sem violência) têm as penas reduzidas a seis meses se aceitarem participar do programa voluntariamente.
O sistema funciona apoiado em uma duríssima disciplina militar. Pior do que o treinamento dos fuzileiros. Os jovens passam por uma bateria de exercícios físicos intensos, condicionamento militar a disciplina e a autoridade e são acompanhados por guardas “linha-dura” que fariam qualquer sargento maníaco parecer um anjo.
Ao contrário daqui, ao invés das associações de classe tentarem combater o projeto pela aparente “violação de direitos” e “humilhações” que os jovens sofrem ao se depararem com as exigências disciplinares severíssimas; por lá a sociedade entende que esse é o único caminho para doutrinar e recuperar jovens que tenham entrado para o mundo da delinqüência por problemas estruturais familiares e falta de limites impostos em seu ambiente. A obediência, a autoridade e a disciplina imposta jamais podem ser contestadas. Os jovens devem pedir permissão para tudo. Até para ir ao banheiro é necessária uma autorização de um guarda-monitor. O adolescente rebelde aprende normas éticas, respeito à autoridade e a viver em sociedade; compreendendo os limites que isso pode representar. Estuda e pode obter o diploma do ensino médio e ainda faz cursos profissionalizantes. Ao sair em liberdade; é encaminhado para um emprego de acordo com as aptidões adquiridas no sistema.
Cada jovem pode desistir do programa a hora que quiser. Nesse caso, ele voltará para um presídio comum onde cumprirá a pena restante integralmente. Além disso, a cada desistência pretendida, os jovens são orientados quanto a seu potencial pelos instrutores e instados a continuarem no programa para se tornarem pessoas melhores. Há um apoio psicológico constante e reforço em atividades acadêmicas e laborais. O nível de desistência gira em torno de trinta por cento. Mas a reincidência no crime é baixíssima, o que calou a maioria dos opositores do programa.
Infelizmente um programa assim é simplesmente impossível de ser implementado por aqui graças ao E.C.A. (Estatuto da Criança e do Adolescente) e dos oportunistas idiotas que enxergam nos menores infratores apenas vítimas inocentes de uma sociedade vil. Como se ser pobre desse automaticamente uma licença para matar. Se fosse assim, não teríamos inúmeros menores de classes mais favorecidas no mundo do crime. A falta de punição e de cobrança por seus atos é o elemento fomentador fundamental para que a violência esteja em alta entre os jovens. Após o E.C.A., toda quadrilha tem pelo menos um menor para assumir “os serviços” e escapar ileso para cometer mais crimes.
 Qualquer um membro dessas entidades que se dizem protetoras do menor ficaria possesso ao ver os métodos usados no “Sistema Impact” (que também inclui uma exaustiva rotina de trabalho pesado e duro). E certamente ganhariam na justiça o direito de retornar a meninada para o ócio improdutivo como forma de “protegê-la” dos terríveis maus tratos.
Enquanto eles trabalham para recuperar os que ainda podem ser recuperados e merecem uma segunda chance; por aqui tratamos como coitados e adotamos a tática da impunidade total; o que só aumenta a violência e a predisposição dos jovens para o crime.
Mas, a verdade é uma só: O “Sistema Impact” funciona e tem pleno êxito por lá. Falta apenas alguém de coragem e sem a hipocrisia própria daqueles que têm objetivos escusos camuflados por trás de suas “boas intenções”, para implementar um projeto assim aqui no Brasil.
Mas, para isso, muita coisa tem de mudar.
Pense nisso.
Leia mais a respeito (em inglês).



quarta-feira, 12 de março de 2014

IMPÉRIO GUERREIRO: É CAMPEÃ !

Cesar Techio
Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com


                   Vivemos num meio cultural que dá incessantes sinais de organização e que expressa vitalidade na alegria de viver. Uma escola de samba tem a força de congregar todas as classes sociais e, com elas o êxito do sentimento de felicidade, realização e sucesso. Trata-se de um movimento social autoterapêutico que a todas as doenças e males espanta, pelo som compassado do samba e da dança, pelas fantasias, pelo congraçamento entre os participantes e pela cumplicidade do povo que aplaude e vibra. A Escola de Samba Império Guerreiro é uma escola que nasceu das origens multifacetadas do nosso povo e, por isso, é raiz original de parte de nossa cultura local. O Carlos (Escurinho), a Iolanda (Preta para os afeiçoados a um belo sorriso) e a Aninha (com quatro anos), fazem parte deste universo e a emoção em vê-los empenhados numa escola tão humana quanto bela, me faz sentir que Concórdia é trabalho, seriedade, família, religião, compromisso com os deveres, mas também é samba no pé.

                   A diversidade cultural é bem vinda e acolhida em todos os quadrantes do Brasil e sem ela a vida se tornaria monótona, aborrecida, desinteressante, estagnada. Não existe espaço entre nós para o rigor de atitudes de exclusão antidemocráticas e verdades absolutas. Não temos nenhuma disposição para destruir todas as rosas só para evitar os espinhos. Claro, porque na base de tudo, mesmo da alegria do carnaval promovido pelas nossas escolas de samba, estão também os espinhos, o sacrifício, o treino longo e contínuo para alcançar a melhor nota e a perfeição em quesitos complexos como Harmonia, Evolução, Bateria, Alegoria, Comissão de Frente, Samba Enredo, Fantasia, Mestre Sala e Porta Bandeira. E assim é a própria vida. Cheia de quesitos como: caráter, espírito de solidariedade e fraternidade, amor pela vida, pelas pessoas e pela natureza, honestidade, entre outros tantos. A força de vontade precisa construir campeões, como a Escola Império Guerreiro. E também pessoas íntegras, inteiras, dispostas a aceitar que o sucesso somente pode ser alcançado com muito trabalho e dedicação. A música, o samba, a arte, o canto, a dança e o carnaval sadio, como o que foi apresentado pela escola do meu coração, aqui na Rua Dr. Maruri, também podem contribuir para que nos tornemos cada vez melhores e campeões nesta passarela da vida.


Pensamento da semana: “A alegria evita mil males e prolonga a vida”. William Shakespeare.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

APLAUSOS E GRATIDÃO A FREI TARCÍSIO THEEIS

  Foto: Jornal JM Jornal Metas de Gaspar - SC
                              
                           Cesar Techio
Economista – Advogado
      
                   Ao ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven sempre tenho presente em minha memória a figura de um dos mais extraordinários mestres que conheci na juventude e o quão vigoroso e cheio de ideais foi aquele tempo de seminário, um dos mais belos da minha vida. Orientador, professor de música e regente do coral, seu vasto conhecimento e esforço na formação moral, disciplinar e cultural dos seminaristas, lembravam a figura de Ludwig van Beethoven e de sua história de superação diante das adversidades. Surdo, se tornou o maior compositor da história. Dizia ele: “A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia”.

                   Adolescentes ainda surdos para a música, nos fazia conhecer composições que inebriavam a alma. Em discos de vinil, ouvíamos o inesquecível “Quatro Estações” do italiano Antonio Vivaldi; o “Danúbio Azul” de Johann Straus; a Sinfonia Nº 40 de Wolfgang Amadeus Mozart; a “Música Aquática” de Frideric George Haendel; os movimentos da BWV 1060 de Johann Sebastian Bach; a maravilhosa “Valsa das Flores” de Piotr Ilitch Tchaikovsky; o polaco Frédéric Chopin com suas maravilhosas Valsa Minuto e Mazurca; Johannes Brahms com a Symphony No.3 Poco Allegretto  (a que mais me comovia), entre outras, rabiscadas no meu vetusto caderninho de música que ainda conservo como preciosa relíquia de um tempo que não volta mais, mas que ainda faz parte das minhas mais caras memórias.

                   Lembro-me da aguçada e reverente atenção às lições diárias e dos nobres sentimentos que elas carreavam aos nossos corações: fraternidade, compaixão, amor e respeito pela vida.  No hall central do seminário, grandes orquestras podiam ser ouvidas entre o jantar e a terceira hora de estudos do dia: Paul Mauriat, Ray Connif, Frank Pourcel e Billy Vaughn (este último que ouço enquanto escrevo estas linhas). “Asa Branca” e “Assum Preto” de Luis Gonzaga eram cantadas em festivais e em apresentações do coral. O estudo da história dos grandes compositores da musica popular brasileira era matéria obrigatória nas aulas de canto. Escolhi, em certo ano, Jucas Chaves, o “Menestrel Maldito”, e, por conta disso, ainda desato a rir das piadas e críticas ao “establishment” da década de setenta.

                   Soube recentemente, que Frei Tarcísio Theeis retornou à região onde nasceu, Belchior Alto - SC, para o aniversário dos seus cinquenta anos de vida religiosa. Na melodia dos parabéns, imagino todos os compositores e cantores das músicas que nos fez amar, cantando com o povo, para ele. E os pássaros em algaraviada em torno do nosso velho Seminário de Luzerna. E os aplausos de centenas de ex-seminaristas, em eterna gratidão. Aulas de canto, na grade curricular de nossas atuais escolas básicas certamente contribuiriam para uma melhor formação humana de nossa juventude, transviada num barulho infernal que, infelizmente, chamam de música...  

                                        Pensamento da semana: “Fazer aniversário é olhar para trás com gratidão e para frente com fé.” Rosaura Gomes. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DOR E MORTE NO TRÂNSITO


Cesar Techio
Economista – Advogado

         É necessária uma visão multifacetada e multidisciplinar dos aspectos que envolvem acidentes de veículos, seus efeitos e sequelas e acuidade para coletar dados que envolvem o momento do impacto, como por exemplo: aceleração, velocidade, frenagem e força inercial, temperatura, aderência dos pneus sobre o solo, peso, condições dos pneus, umidade, condições do tempo, horário e iluminação, condições topográficas e de pista, tempo de reação entre a visão do obstáculo e a decisão de parar ou desviar, condições de trafegabilidade, ângulo de impacto, força cinética e efeitos da colisão sobre a estrutura dos veículos e sobre o corpo humano, entre outros aspectos relevantes. Além da legislação, o operador do direito deve possuir conhecimento básico de diversas ciências, necessárias para embasar os pedidos de indenização, como por exemplo: engenharia de trânsito e de construção das estradas; astronomia e geografia (posição do sol no solstício de inverno em relação ao solo, pontos cardeais do local do acidente e ofuscamento da visão do motorista); matemática; física; medicina entre outras.

         Mas, foi estudando a fisiopatologia dos traumatismos no corpo humano diante de um acidente fatal em que a vítima foi uma adolescente florescendo para a vida, que percebi o quanto o corpo humano é frágil. Tomei por base a velocidade regulamentar de 40 km/h para o local. No exato momento do impacto, com a desaceleração repentina, o fígado que tem em média um peso de 1,700kg passa a 19 kg. O coração e o rim com 0,300 kg passam a 3,2 kg. O cérebro com seus 1,500 kg passa para 16,8 kg. O baço sai de 0,150 kg para 16,8 kg. Podemos afirmar que a 40 km/h o corpo humano pesa 12 vezes mais. Internamente, as deformações e rompimentos de veias e órgãos decorrentes de uma simples colisão a baixa velocidade apresenta um quadro gravíssimo com lesões provocadas pela energia cinética absorvida pelo corpo. É preciso considerar que a desaceleração abrupta na hora do impacto vai de 40 km/h para 0 km/h em milésimos de segundos. Com isso os órgãos internos simplesmente se estraçalham, muito embora este quadro não seja perceptível externamente.

            Os efeitos das colisões quando não matam, causam sequelas terríveis, não sendo raros os casos de paraplegia, tetraplegia, aleijões que dificultam deambular, perda de visão, perda de faculdades mentais ou deformidades estéticas. A dor dos familiares que perdem um ente querido por conta da imprudência de motoristas desatentos, não tem fim.  A atroz ausência de quem amamos representa uma catástrofe emocional e psicológica praticamente irreparável e profundamente perturbadora. A violência dos acidentes de trânsito arrebenta o sistema de saúde pública, quebra a economia do país e destroça as famílias desorganizando os afetos, os projetos dos pais de verem os filhos crescerem, o amparo econômico dos genitores aos filhos menores e assim por diante. Nenhuma indenização, por maior que seja o valor arbitrado pelo juiz, supre a presença querida dos filhos, pais, mães, irmãos, namorados, amigos e colegas mortos dolorosa e tragicamente no trânsito.


Pensamento da semana:  Os que amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens. Martinho Lutero.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DESÇAM DOS PÚLPITOS


Cesar Techio
Economista – Advogado
  
            A sociedade secular moderna, base do Estado laico, ao mesmo tempo em que defende a liberdade de consciência e de cultos, a boa convivência entre os credos e religiões, combatendo o preconceito e a discriminação religiosa, atenta com acuidade para a separação entre Estado e Igreja. Esta visão de origem renascentista deu ao homem uma imagem sobre si mesmo e abriu-lhe a possibilidade  do aprimoramento de seus próprios ideais. Esta concepção de comportamento e de consciência social contribuiu de forma expressiva para o desenvolvimento da arte, filosofia, ciências e de uma consciência livre. Todavia, a liberdade ilimitada, sem freios, carrega o perigo do descomprometimento com uma consciência crítica e um velado desprezo pelo esforço de pensar. Este “deixai fazer, deixai passar” em épocas eleitorais, gera consequências desastrosas, entre elas a de tornar a população joguete nas mãos de políticos desonestos, mas bem articulados na mídia e nas estruturas milionárias das campanhas eleitorais.  

     A vitória da politicalha ordinária, alheada dos padrões positivados pela legislação eleitoral, se faz por conta da escassez de raciocínio e da pouca informação de eleitores analfabetos funcionais, “livres” para serem manipulados. Este quadro tenebroso floresce em solo adubado principalmente pela alienação do povo cristão e pelo pouco caso dos que pregam nos púlpitos das igrejas, acomodados e pouco interessados em identificar candidatos comprometidos com valores morais cristãos (solidariedade, caridade, ética, justiça) e com competência administrativa e legisferante. Não me parece que paz, prosperidade e dignidade humana sejam valores alcançáveis apenas pelo discurso moralizante, oração ou evangelização, mas também com a incorporação de práticas de cidadania concretas, entre as quais, com a devida vênia, a militância política. 
        
     Em que pese a prioridade da missão das igrejas no mundo ser a de proclamar o “evangelho do Reino” e a relação com o mundo vir depois, isto não significa que devam se omitir ou sentir como secundária ou opcional a relação com o mundo, mesmo porque, a proclamação do evangelho não pode ficar restrita ao aspecto verbal, mas deve incluir ações concretas que expressem o amor de Deus pelas pessoas, conforme Tiago 2.14-17 e João 3.16-17: 1 - “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano e algum de vós lhes disser: Ide em paz, mantenham-se aquecidos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”. 2 -"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele”.

     Por estes motivos, não creio ser aceitável que cristãos de carteirinha e líderes religiosos se excluam da vida política, como se sua sagrada missão evangelizadora nos púlpitos possa, por si só, concretizar o Reino ainda nesta terra. É preciso participar da política e identificar bons candidatos com os sinais do Reino de Deus: solidariedade com os sofredores (Mt 25.34); Humildade (Mt 5.3); fazer a vontade de Deus (Mt 6.10 - 7.21; 21.31,43); justiça, paz e alegria (Rm 14.17); fidelidade (Lc 19.11ss);  dependência e confiança em Deus (Mt 19.23s - Mc 10.23-25 - Lc 6.20); novo nascimento (Jo 3.3,5); amor a Deus e ao próximo (Mc 12.34); justiça (Mt 5.10 - 6.33); obediência (Mt 5.19s) e vigilância (Mt 25.1).

Pensamento da semana: “Uma igreja não existe para si mesma, mas sim para o mundo”.  George Carey – Assembléia de Deus

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O MISTÉRIO DAS MULHERES E O CALÇADÃO DA RUA DO COMÉRCIO


















Foto: http://noticias.uol.com.br/album/2012/07/13

               
           Às vezes questões simples me fazem refletir em queda livre às profundezas dos mistérios. Andando pela Rua do Comércio passei a observar as incontáveis pedrinhas brancas e pretas colocadas lado a lado em sinuosas curvas, as quais, abaixo das belas e frondosas árvores plantadas pelo Miotto, dão a impressão de um cartão postal. Mas é o movimento de pessoas que dão vida àquele ambiente urbano. No burburinho de um final de semana, com formaturas andando soltas pelo Clube 29 de Julho, mulheres elegantes, vestidas a rigor, acompanhavam, apressadas e com cuidado, as curvas das calçadas. Mesmo compassadas, duas delas levaram as mãos aos sapatos retirando-os, indignadas, nervosas, uma aos prantos, saltos quebrados: famigeradas pedrinhas!

    Andar de sapatos sem salto em dia de gala? Impossível. E mesmo em dias triviais, as mulheres gostam de andar de salto alto. É mistério que me intriga e por mais que me esforce por descobrir o porquê desta afeição feminina, mais esbarro em teorias inexplicáveis. Afinal, por que tenho que saber? As mulheres são assim. Isto é simplesmente um fato. O mar é azul. Pergunta-se: por quê? É azul porque é. Não há um porquê. Se o porquê pudesse ser respondido, então o gosto das mulheres por salto alto não seria um mistério. E as próprias mulheres são misteriosas nos seus gostos. E são misteriosas porque nenhum porquê é relevante e, se fosse possível dar respostas a áurea que envolve a beleza de seus gostos, então não haveria mistério e a própria vida não teria mais sentido. Por isso desisti completamente de tentar compreender. Apenas me convenci de que usar salto alto não é um problema. Porque, fosse um problema, como qualquer problema poderia ser solucionado. Bastaria andar de sapatos sem saltos, por exemplo. Todavia é um mistério. E um mistério é aquilo que não pode ser solucionado, além do que, a insolubilidade é inerente ao próprio mistério. Portanto, esqueçamos a compreensão do gosto das mulheres por salto alto, pois ficaremos confusos e perdidos.

    Entretanto, desconfio que o problema tenha a ver com as pedrinhas, muitas soltas, a maioria distanciadas uma das outras e enjeitadas por frestas encardidas de bactérias de décadas. Penso em construir uma teoria sobre a quebradeira diária de saltos e o pavor das mulheres pelo calçadão central: A culpa é das pedrinhas. Mas, enquanto desenvolvo a teoria, quem sabe algum vereador piedoso faça uma indicação para o nosso nobre alcaide para que retire as famigeradas do local e faça um calçadão menos agressivo, mais limpo e amigo das nossas lindas mulheres.

Pensamento da semana: Uma mulher sem mistérios é uma mulher sem magia. Eliane Azevedo