segunda-feira, 4 de março de 2013

O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.


  Luis Fernando Veríssimo (11/01/2013)
 Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

    Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.


    Impossível assistir a este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.


    Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado, na sua mistura de clichês e figuras típicas.


    Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.


   Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?


Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, sendo quase sempre mal remunerados.


Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas, porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como foimostrado, em outra reportagem, apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

   O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!

   Veja o que está por detra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani, da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que, se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

   Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia, se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).

   Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa? Ir ao cinema…., estudar…, ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins…, telefonar para um amigo…, visitar os avós…, pescar…, brincar com as crianças…, namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

                   

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Água e Esgoto: diagnóstico preocupante.




Cesar Techio
Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

           O esforço do vice-prefeito Neuri Santhier em programar planos e sistemas para melhorar ainda mais o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Concórdia, um dos mais elevados do país e, consequentemente a qualidade de vida da população, vem se consolidando através de uma vontade política que destaca sua atuação como um gestor público inteligente e de ponta.  Com “Concórdia 2030” lidera, persistentemente, iniciativas que objetivam trazer à lume a realidade socioeconômica e ambiental do município, com o objetivo de implementar projetos ligados à elevação da qualidade de vida. Neste rumo, a contratação do Plano de Saneamento Básico de Concórdia foi fruto da indicação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS), capitaneada pelo vice-prefeito, ainda em maio de 2011 e faz parte do plano de desenvolvimento da cidade para os próximos vinte anos.

  O vice-prefeito tem a firme convicção de que os princípios da lei federal nº 11.445 que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, devem se constituir em prioridade para que Concórdia permaneça como um dos melhores municípios do Brasil para se viver. Foi com este espírito e com vivo entusiasmo que abriu a II Audiência Pública do Plano Municipal de Saneamento Básico de Concórdia, no Centro de Eventos, com a presença de lideranças, estudantes e do Ministério Público, representado pela digna Promotora de Justiça Dra Roberta Magioli Meirelles.

              Com exposição didática, a empresa contratada pelo Município, a DRZ, de Londrina, discorreu com propriedade sobre os dados coletados do nosso sistema de água, esgoto, resíduos sólidos (lixo) e drenagem pluvial, ofertando um diagnóstico que assombrou os presentes, especialmente no tocante as informações sobre os indicadores operacionais do sistema de distribuição e de abastecimento de água e esgoto. A despesa total com os serviços por m3 faturado (R$/m3), de água e esgoto em Concórdia, é de R$ 3,52, o mais caro do Estado, senão do país. Para se ter uma ideia, o valor de Florianópolis é R$ 1,82; a média do Estado é de R$ 2,64 e a de Joaçaba é de R$ 1,59 (operado por uma autarquia municipal). O índice de perda na distribuição de água em Concórdia é de 61,23%, um absurdo se comparado com Florianópolis (31,44%), Santa Catarina (35,41%) e Joaçaba (32,27%).  Em que pese a CASAN ser modelo para o Brasil, de gestão pública eficiente na prestação de serviços de água e esgoto, com índices acima de outros estados, aqui em Concórdia, com todo o respeito, não vai bem. O sistema de água e esgoto sob sua responsabilidade é gritantemente deficiente e precisa ser melhorado.

              Existe um plano para a implantação de um sistema de saneamento de esgoto cloacal pela CASAN. Todavia, detalhes do projeto e cronograma são desconhecidos pela população.  Pelo menos, elogios foram creditados à Fundema, comandada pelo Superintendente Edson Luis Gonçalves, por conta da implantação do Aterro Sanitário e da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos nele instalada. As conclusões foram de que se trata de um sistema de excelência, modelo para todo o Brasil e do qual devemos nos orgulhar.

  Pensamento da semana: “Quando os convido a ser santos, peço que não se conformem em ser de segunda linha, mas que aspirem a um horizonte maior. Não se conformem em ser medíocres”. Papa Bento XVI.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

COMPROMISSO POLÍTICO NÃO SE DISCUTE: SE CUMPRE



Cesar Techio
Economista – Advogado

      Normalmente quando as eleições mudam um governo e derrubam um velho modo político de agir, sobrevém um tempo para discutir a realização do novo, debater opções, aperfeiçoar novas parcerias e cumprir compromissos assumidos. A base para a manutenção de uma estrutura de poder democrática e vitoriosa deve ter assento numa necessidade insopitável: a de cumprir as promessas, acordos e obrigações de campanha. A prova da seriedade e lealdade de um político só pode ser fornecida pragmaticamente, dentro do entendimento de que compromissos políticos não se discutem, rigorosamente se cumprem. Trata-se de um código operacional ou ético que garante a governabilidade. Estamos, então, dentro da esfera do constitucionalismo liberal-democrático no qual é buscado um consenso que torna os interesses ideológicos conflitantes toleráveis por todos. Estratégias às eleições com abertura do leque pluripartidarista, debate e concessões, tornam possível evitar conflitos, ajudam a garantir a vitória e a governabilidade.

     Exemplo promissor desta modalidade de acerto foi a criação de duas chapas de situação na última eleição municipal em Concórdia, uma delas congregando o Partido Social Cristão, Partido Comunista do Brasil, Partido Progressista e Partido da Republica.  O desempenho desta chapa quanto ao número de sufrágios obtidos, proporcionalmente à coligação, ou seja, somando os votos das duas chapas, assumiu a seguinte configuração: PP, com 2.855 votos, segundo mais votado; PSC, com 1.293 votos, quarto mais votado; PCdoB, com 901 votos, sexto mais votado e PR com 231 votos, oitavo mais votado, perfazendo um total de 5.280 votos, ou seja, 25,53% dos votos validos da coligação. Este acerto garantiu a vitória do prefeito João Girardi que ganhou as eleições com uma diferença de apenas 4.733 votos válidos.  Tratou-se de um efeito colateral indesejável, mas compreensível: “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Interessante notar que, em que pese com menos votos na legenda do que o PP (2.855 votos) e PSC (1.293 votos), o PCdoB, com apenas 901 votos, elegeu um vereador. Por apenas 99 votos o PSC não elegeu Marcos Dartora.

      E, neste ponto, chegamos a pedra angular que norteou o espírito de união interpartidária: o diálogo intenso; a valorização das siglas que garantiu que os suplentes assumissem um período na Câmara e o compromisso com uma administração voltada aos interesses do povo mais sofrido. O ensaio político que vivenciamos demonstrou que é possível conciliar os projetos de cada partido com os princípios maiores de se fazer o bem. E tudo isso, graças ao constitucionalismo liberal-democrático que sustenta uma perspectiva de bem estar e de tolerância entre ideologias que torna funcional as estratégias de poder. Esta teoria vivenciada na prática por partidos como o PSC, PT, PCdoB, PP, PDT, PR, PPS e PRB não me parece, “prima facie”, oculte uma realidade social que ultraje “homens moralmente sensíveis”, no dizer de Marx, porque segundo ele, o Estado liberal seria apenas um grupo especial, representando e servindo apenas a um interesse especial, verdadeiro instrumento da classe dominante e, portanto, não representativo dos vários interesses conflitantes da sociedade. É que a nossa prática  demonstra que, sob a proteção dos princípios democráticos, não são irreconciliáveis os vários interesses da sociedade, conquanto que os que levantem as bandeiras da política sejam pessoas íntegras, honestas, comprometidas com a democracia e com o cumprimento da palavra.

Pensamento da semana: O homem que acha que a sua vida não tem sentido não é apenas infeliz, mas também muito mal preparado para a vida. Albert Einstein.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

VILMAR COMASSETTO: O VEREADOR






Cesar Techio
Economista – Advogado

                                   
       Os grandes homens não são fruto da espontaneidade da vida ou do resultado automático do sabor dos acontecimentos. Ao contrário, constroem a si mesmos, conformados a quente, na fornalha das dificuldades, nas prensas dos obstáculos, como ferro forjado a marteladas nas bigornas das carências e limitações. Assim foi com Vilmar Comassetto, que chega à Câmara como o vereador de maior qualificação acadêmica da história daquela Casa de Leis. Começou sua ascensão profissional aos quatorze anos de idade, como operário da Sadia. Idealista se formou em engenharia agronômica, curso que lhe franqueou conhecimentos avançados na área do agronegócio, nos cuidados para com o meio ambiente, em projetos de aproveitamento sustentável de recursos naturais e renováveis, a par de vasta visão na sua área de conhecimento. Mais duro do que a severidade das privações e necessidades, trabalhando para sobreviver enfrentou os bancos universitários com rigor e dedicação. Especialista em Administração Pública (UNOESC) fez mestrado em Engenharia de Produção e, aprofundando ainda mais seus estudos, partiu para o doutorado em Gestão de Recursos Hídricos (UFSC). Professor por excelência no Curso Superior em Gestão Ambiental nos premiou com a criação e presidência do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga e outras atividades em favor do meio ambiente.

      Experiente como gestor público (foi prefeito de Ipira) se comprometeu durante a campanha eleitoral a atuar por uma Concórdia sustentável, com projetos e ações que contemplem desenvolvimento econômico e social com preservação ambiental, a defender políticas de apoio à educação, cultura, esporte, saúde, agricultura, acesso à água em quantidade e qualidade, saneamento e valorização das pessoas. No “folders” que distribuiu em campanha modesta, aos eleitores, consignou indicações que pretende enviar ao executivo entre os quais chama a atenção a reestruturação da Secretaria de Agricultura e criação de Fundo Rotativo para valorizar os produtos locais e apoiar a agroindústria familiar; a inclusão digital para o meio rural; a valorização e qualificação dos professores e das escolas, com salários dignos e com uma política pedagógica que estimule o processo de aprendizagem; uma Central de Informação sobre os direitos do paciente com câncer na Secretaria de Saúde; credenciamento da assistência oncológica em Concórdia; ampliação do numero de Equipes Estratégicas de Saúde da Família; criação de unidade de atendimento psicossocial para recuperação dos dependentes químicos, especialmente do álcool e do crack.
   
    Presente na primeira sessão da Câmara de Vereadores, sob a presidência do experiente advogado Dr. Rogério Pacheco, observei atentamente o semblante do doutor, professor e agora vereador Vilmar Comassetto. Diante dos novos edis, uma das melhores composições dos últimos anos, quedei-me, emocionado, a pensar no quanto o nosso povo espera deles, especialmente para que superem questiúnculas políticas e se dediquem de forma imparcial, inteligente, justa e amorosa a projetos que realmente interessem ao presente e ao futuro das nossas novas gerações.

Pensamento da semana: As Escolas de Samba vão promover, com o apoio da Casa da Cultura e Município de Concórdia, um carnaval sadio, com muita alegria e diversão. Homenagens a Unidos da Alegria, Império Guerreiro, Matriz do Samba e a todos os carnavalescos que animam essa terra.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FESTAS COMUNITÁRIAS: ALEGRIA DO POVO



Cesar Techio
Economista – Advogado

            Sem festejar a vida (mesmo em meio a dor do travo amargo dos acidentes, desastres, catástrofes e da tensão diária pela sobrevivência) os homens não poderiam viver juntos e nem consigo mesmos. As festas distendem, despertam o ânimo e quanto mais animadas mais indispensáveis ao amor próprio e a coesão social.  Ao som das bandinhas e no abraço amigo das confraternizações a sociedade se mantém cooperando consigo mesma, as pessoas se desapegam de seus egos, abandonam o isolamento enfadonho e fogem da monotonia do dia a dia. As festas das comunidades são a melhor solução para se livrar das mazelas psiquiátricas, das melancolias, mágoas e abatimentos enraizados nos compartimentos dos cérebros daqueles que se recusam a sair de casa e a conviver com os outros. Comer, beber, dançar e cantar em comunidade. Esta é a receita de saúde mental mais velha do mundo. Com ela, grande parte dos consultórios e hospitais psiquiátricos poderiam fechar as portas. Por isso sou a favor da celebração. A favor das histórias e piadas contadas pelo Lentes durante o churrasco macio regado a cerveja gelada na festa da comunidade de Linha São Paulo no último domingo; a favor das cantorias que resgatam a italianidade dos sofridos descendentes italianos que fizeram a riqueza desta região, como os da Linha Ipiranga; a favor dos kerpes  e das comidas alemãs de Arabutã e Peritiba, enfim, sou a favor de todo o processo terapêutico das festas comunitárias que curam a alma e embalam o coração.

            Por trás destes encontros festivos existe muito trabalho e intensa atividade nas estruturas que acolhem o povo. O centro de eventos da Linha São Paulo, por exemplo, tem o tamanho do coração daquele povo e é reflexo de investimentos pesados, a exemplo de outros centros comunitários espalhados pelo interior do município. Locomover-se até eles, muitas vezes exige transitar por estradas de terra, aqui no nosso município praticamente todas bem conservadas.  No caso do acesso à Linha São Paulo, finalmente o município com a ajuda do governo federal, começa a asfaltar a última etapa, o que vai viabilizar locomoção mais rápida e menos poeira em via de intenso tráfego e alta densidade demográfica. Em crônica pretérita apontei a necessidade de asfaltar o acesso ao CTG Fronteira da Querência, uma das mais frequentadas instituições tradicionalistas do oeste de Santa Catarina.

            Sensível aos pedidos da comunidade de Fragosos o prefeito João Girardi assinou Ordem de Serviço para o início imediato do asfaltamento que beneficiará, também, o Recanto dos Idosos e o Centro de Internamento Provisório de Menores. É evidente que não é possível asfaltar toda a malha viária do interior, mas, a boa conservação, além de permitir o escoamento dos produtos agrícolas também estimula a participação popular dos visitantes que residem na cidade. De forma que, se você receber um convite para participar das festas comunitárias do interior, agarre-se a ele e dê-lhe a chance para conduzi-lo a um estado de espírito festivo, daqueles que queimam o tédio, a monotonia e tornam a vida mais bela.

Pensamento da semana: “A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos.” Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A ARTE DE GOVERNAR


Cesar Techio
Economista – Advogado
                
Valdir Cesco e Techio na Comunidade Ipiranga
       Pela manhã, cedinho, recebi uma das costumeiras mensagens via celular, enviada pelo nobre colega de advocacia Dr. Rodolpho Pedde: “A política é a arte de projetar o futuro” (Domenico Di Masi). Achei inusitada a mensagem porque, de regra, as que ele envia são sempre de natureza religiosa. Mas, foi oportuna. É provável que o cientista italiano tenha mesmo razão. Conclui que, se a política é uma “arte”, então por exclusão não pode ser uma ciência aplicada e, consequentemente, não pode ser ensinada como uma disciplina técnica é ministrada em colégios ou em universidades. A idéia básica que permeia o conceito de “arte política” é de que a ação governamental, ao invés de se submeter às ciências, tem raiz no conhecimento prático de explorar todas as possibilidades existentes, de como improvisar e realizar o máximo, de como modificar para positivos todos os fatos negativos; tudo com base na destreza em perceber com facilidade as necessidades e soluções, no carisma pessoal e na visão aguçada de como fazer o governo andar, deslanchar, apresentar resultados.

   O que interessa para a “arte da política” é o confronto direto dos problemas práticos e específicos e a capacidade para superá-los. Mas, sem conhecimento acadêmico, como abordar de forma precisa e correta cada situação? Como conhecer a lógica interna de cada problema? Como confrontar os problemas práticos sem conhecer soluções técnicas e científicas sobre desenvolvimento, saúde, meio ambiente, sociologia, urbanismo, direito, economia, finanças públicas e outras matérias necessárias ao bem administrar, absolutamente imprescindíveis às mais eficazes decisões e a resultados de grandes impactos à maior parte da população? 

  Pensando nisso me dirigi para mais um ato solene de “Ordem de Serviço” da atual administração pública do município de Concórdia, interessado em descobrir como exatamente funciona, nas entranhas do poder, a “política da arte de projetar o futuro” de que fala Domenico Di Masi. O que constatei foi que, em apenas quatorze dias úteis de segundo mandato, em eventos sucessivos, foram assinadas ordens de serviços no valor de mais de dois milhões e seiscentos e seis mil reais, dinheiro provisionado, empenhado, em caixa. São obras relevantes para a comunidade, como por exemplo, a Praça de Alimentação do Parque de Exposições com área de 900 m²; a pavimentação nas ruas Fioravante Massolini, Nelson Arend, João kugelmeier, Pássaros, Cardeais e Vitória, além de investimentos em iluminação pública, uma vez que a Celesc não presta mais estes serviços.

   Este contexto de competência, trabalho intenso e responsabilidade fiscal, contrasta com a realidade de muitos municípios sem dinheiro em caixa neste início de novos mandatos, porque mal administrados por gestores inexperientes ou assaltados por políticos cafajestes e ladrões. De forma que se busca na “arte de governar”, de que fala Domenico Di Massi, não só prudência e sabedoria dos que governam, mas também planejamento em bases responsáveis, conhecimento técnico e científico e, principalmente, vontade férrea de servir, qualidades aqui muito bem constatadas e em torno das quais o projeto do futuro pode se realizar e o povo permanecer feliz pelas suas escolhas.

Pensamento da semana: Congratulações ao mundo livre e democrático pela posse de um dos maiores presidentes da história dos EUA, o presidente Barack Obama.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SECRETARIA DA SAÚDE: RUMO À MEDICINA PREVENTIVA


Cesar Techio
Economista – Advogado

Primo Irmãos Cesco na Comunidade Ipiranga
            Quem vive de mau humor, de forma egoísta e exploradora sempre acaba somatizando o próprio jeito de ser. A lei da ação e reação existe e infalivelmente é aplicada às nossas vidas. Por isso é preciso buscar tratamento e Jesus repassou muitas receitas para a cura. É preciso lembrar que Ele provou ser um médico muito competente. Curou um cidadão com a mão ressequida; devolveu a audição a um surdo; curou um jovem com graves distúrbios psiquiátricos; curou um coxo; curou a hanseníase que acometia dez homens; curou vários cegos; curou uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos e pasmem, ressuscitou um homem, arrancando-o do túmulo onde apodrecia exalando fétido cheiro fazia três dias. As receitas de Jesus que acabam com o egocentrismo em torno do qual orbitam várias doenças, são simples. As primeiras delas são as da prática da caridade, da compaixão e da misericórdia. É preciso adquirir pureza de coração, atitudes pacificadoras e infinita capacidade para perdoar. Também é preciso cultivar a generosidade, o companheirismo, a tenacidade (persistência em fazer o bem) e a alegria. Jesus gostava de festas, tanto é verdade que, numa delas chegou a transformar água em vinho, mostrando que a vida, quando se tem alegria, deve ser festiva e cheia de saúde: "Tenho-vos dito estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.” João 15.11.

            Viver com retidão, moderada e positivamente, previne doenças. A medicina preventiva, tanto a de conduta ensinada por Jesus, como as de políticas públicas que se dedicam à prevenção da doença ao invés de seu tratamento, orientadas pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Associação Brasileira de Medicina Preventiva (Abremp) devem ser aplicadas com urgência em todo o sistema de saúde como forma eficiente de melhorar o sistema.

       São ações como as que pretende adotar o novo Secretário de Saúde Alessandro Vernize, entre as quais, por exemplo, a execuções de políticas objetivando a redução de riscos de doenças; o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde; o desenvolvimento de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos; a intervenção nos problemas sanitários e a efetivação de parcerias com entidades que atuam na promoção, prevenção e recuperação da saúde. Responsável pela aplicação das políticas públicas de saúde de Concórdia, a proposta de efetivar parcerias é oportuna, principalmente quando se pensa em parcerias dentro da sistemática da medicina preventiva, de modo que o secretario merece congratulações. Não se pode deslembrar, que dentro desta mesma ideia, de parcerias e de ações a nível de medicina preventiva, opera a Diretora de Saúde e Medicina do Trabalho, Maria Cristina Berta, reconduzida ao mesmo cargo dentro da proposta do Plano de Governo com a  responsabilidade de melhorar as políticas de atendimento da saúde ao público, e ainda, o Diretor Administrativo, Wilson Carlos Casagrande, nos cuidados com o orçamento público destinado àquela pasta.

            Pensamento da semana: Parabéns a Valdir, Etelvino, Aquilino e Zeferino Cesco, alegres cantantes na festa da magnifica comunidade Ipiranga, pelo resgate da cultura italiana em versos, canto e prosa. 

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: VOCE PRECISA DELA


Cesar Techio
Economista – Advogado

Jogo no final de semana
          A grande proposta do governo João Girardi é a de elevar ainda mais os indicadores econômicos e sociais do município (que já aparecem em destaque no cenário nacional) com crescimento e desenvolvimento sustentável. Entretanto, para que isso ocorra é necessário modificar os modelos de negócios e de desenvolvimento, propondo uma profunda mudança na concepção de trabalho, na mentalidade, nas atitudes e nas decisões não só dos gestores públicos como também do empresariado e de todas as pessoas interessadas em investir em Concórdia. É duro, mas é preciso romper com a velha maneira de pensar e de obter lucros à custa das matas encravadas nos morros e encostas que circundam e protegem a cidade. É preciso aceitar, de uma vez por todas, o fato de que os nossos recursos naturais são finitos e que o ecossistema planetário não aguenta mais a degradação ambiental que impede a sobrevivência da atual e das futuras gerações.

         A proposta de elevar os indicadores econômicos e sociais é importantíssima. Todavia é preciso alertar que não existe uma necessária vinculação entre indicadores econômicos e sociais. A concentração de renda nas mãos de poucos e a avidez por lucro ilimitado podem produzir altos indicadores econômicos sem efeito concreto sobre os indicadores sociais, ou seja, sem beneficiar a maior parte da população. Precisamos estar atentos para que o crescimento dos indicadores sociais se dê concomitantemente ao crescimento dos indicadores de preservação ambiental. O nosso crescimento urbano deve acontecer sem a derrubada das matas encravadas nas encostas da cidade, sem degradação ambiental e com o máximo de responsabilidade social. Os projetos de desenvolvimento oriundos do Plano de Governo devem optar por uma formatação que adote modelos que preservem a fauna e a flora e induzam a pensar em favor da natureza com vistas a sustentar a vida sem o colapso das matas.

         O impacto ambiental devido à supressão da vegetação que cobrem os morros e que servem como manto de absorção das águas das chuvas e, consequentemente de retenção das enxurradas, é imensurável e insano. Os efeitos funestos e violentos dos desmatamentos destinados a projetos de loteamento são visíveis e sentidos pela população e pode ir desde a enchentes a cada forte precipitação pluviométrica com destruição do centro da cidade, até a supressão do ar puro (oxigênio); expulsão das aves nativas da rica fauna que circunda a cidade e a contaminação do solo e do lençol freático. Por isso, vale a pena insistir, para que os aumentos dos indicadores econômicos e sociais venham acompanhados com o aumento dos indicadores de ecoeficiência, com maior preservação das matas e com altos investimentos públicos e privados em projetos de educação ambiental.

Pensamento da semana: Homenagens a honrosa família Romani (tutte le persone buone eprovenienti da Italia), pela assunção do respeitável Gilberto Romani à Câmara de Vereadores de Concórdia.

sábado, 5 de janeiro de 2013

GOVERNABILIDADE: JUNTOS SEREMOS MAIS FORTES







Cesar Techio
Economista – Advogado


                               O prefeito João Girardi enfatizou em seu discurso de posse que a missão que lhe foi auferida pelas urnas é a de servir as pessoas, com oportunidades para todos. Também confirmou o que sustentou durante as eleições, de que, com crescimento e desenvolvimento sustentável pretende elevar ainda mais os indicadores econômicos e sociais da nossa concórdia. Seu discurso demonstrou ser responsório de vontade férrea em melhorar a vida do povo: “Neste novo governo, vamos trabalhar ainda mais para justificar a confiança em nós depositada pelos concordienses. Será um governo responsável e empreendedor. Vamos cuidar bem da cidade e do interior. Vamos cuidar bem do presente, sem nos esquecer de projetar o futuro. A participação popular é uma das marcas dos nossos governos. Ela é intocável. O concordiense vai continuar decidindo a aplicação do recurso público. Os trabalhadores, os empresários, os profissionais liberais, tanto individualmente como através de suas entidades, terão espaço para contribuir. Muito foi feito, mas há muito ainda por fazer. (...) O povo espera muito dos governos. Não podemos nos dar ao luxo de dispersar esforços e recursos. Reconhecendo e respeitando as diferenças temos é que nos dar as mãos. Juntos, seremos mais fortes do que os problemas que se apresentarem”.

                     Atendendo ao conclamo à união e pensando no povo de Concórdia, a nova configuração político partidária na Câmara abriu real possibilidade de sucesso na implementação do Plano de Governo vitorioso. É que, as novas políticas públicas propostas pelo governo João Girardi dependem, em parte, do sucesso na articulação com a base aliada e do alinhamento político partidário entre os vereadores. A assunção do advogado Rogério Pacheco, vereador experiente, equilibrado, sereno e operoso à presidência da Câmara, através de entendimentos pluripartidários, carreia uma enorme tranquilidade aos eleitores de bom senso, pois é evidente que esta nova configuração política colabora com a governabilidade.

                     A verdadeira coerência político-partidária que se espera da classe política deve ser a da sintonia e vinculação com a vontade da maioria dos eleitores, que elegeram o Plano de Governo apresentado por João Girardi. Ocorre que, as atribuições constitucionais dos vereadores, entre as quais as funções legislativa, julgadora, de assessoramento e de fiscalização, não podem ser confundidas com oposição exacerbada e despropositada. Passada as eleições, a única política que deve prevalecer é a das políticas públicas e não a das políticas partidárias raivosas e arrogantes. Por este motivo, o alinhamento político partidário que permitiu a eleição de Rogério Pacheco à presidência da Câmara representou uma legítima e autêntica preocupação com a governabilidade esperada pela maioria dos eleitores. Sem governabilidade o plano de governo vitorioso pode se deparar com entraves na sua implementação, contrariando a decisão das urnas. Salvo melhor juízo, Rogério Pacheco (PSDB), Tchê Mendes (PSD), e Jaderson Miguel  (PSD) buscaram sintonia com a vontade popular e foram sensíveis ao apelo de união, entendendo que não foram eleitos para fazerem somente oposição, mas para ajudar de forma efetiva na construção de um novo tempo no qual o maior beneficiário de suas decisões deve ser o povo de Concórdia.

Pensamento da semana: A boca fala do que o coração está cheio. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013: É PRECISO GARANTIR A GOVERNABILIDADE.




Cesar Techio
Economista – Advogado

O prefeito João Girardi finalmente concluiu as nomeações de pessoas de sua estrita confiança para ocupar os cargos de primeiro e segundo escalão. Trata-se de uma prerrogativa legal, inderrogável e intransferível que lhe foi conferida pelas urnas. O que sustenta, de fato, a discricionariedade das escolhas é a legitimidade, própria da atribuição do cargo. Mas, a pedra angular da nova construção administrativa é a “confiança” que o prefeito depositou nos nomeados. Foi ela, a confiança, a mola propulsora para a escalação aos cargos de direção, chefia e assessoramento (art. 37, inciso V da Constituição) e é ela que dá vida à nova configuração de governo. Obviamente não seriam nomeados, mesmo que competentes, opositores ou ainda pessoas com perfis ligados à vontade da mídia, a qual, por mais democrática que seja, não assumirá os percalços de resultados eventualmente pífios por conta de gestores alçados ao status de “longa manus” (extensão da mão) do prefeito eleito. Estes percalços podem redundar numa tremenda derrota nas eleições de 2016, ou não. Mas não é isso o que importa.

O que realmente interessa são os resultados da ação governamental e do conjunto de medidas administrativas sob o tirocínio dos secretários, diretores e assessores, em termos de benefícios diretos à população. Não existe governo que siga intacto sem a efetividade de seus projetos e de bons resultados, mesmo porque é princípio constitucional que não basta ser honesto, é preciso ser competente (princípio da eficiência). Todavia, admitir, antecipadamente, que a reeleição de João Girardi tenha exclusivamente matizes de continuidade é puro prejulgamento, exercício de valoração preconcebido. O prefeito sabe que foi escolhido por conta de sua mão firme em temas como responsabilidade fiscal, honestidade e zelo com o dinheiro do povo. Mas também tem plena consciência de que existem áreas em que a qualidade dos serviços públicos e a metodologia de trabalho precisam ser “azeitadas”, como as ligados à saúde e ao desenvolvimento, este último, motor propulsor de mudanças de alto desempenho na geração de renda e melhora da qualidade de vida.

Neste ponto, me parece que o dinâmico vice-prefeito Neuri Santhier tem muito a contribuir via proposta “Concórdia 2030”. Todavia, precisamos convir que é necessário, a par dos grandes resultados já auferidos, antecipar a realização de alguns projetos e assumir novas estratégias. Destreza, inteligência, conhecimento e visão técnica são qualidades imanentes aos cargos de direção e, quanto a este aspecto, mesmo considerando a necessária valorização da configuração política coligada, que garantiu a vitória eleitoral, me parece que as escolhas foram absolutamente felizes e acertadas. Esta configuração política poderia se estender e garantir a governabilidade para o quadriênio que começa no dia 1º de janeiro, via presidência da Câmara.

Pensamento da semana: Sucessos à nova administração e bom êxito ao prefeito reeleito João Girardi. Aos munícipes, 2013 cheio de realizações, saúde, prosperidade e muitas alegrias.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

VIDAS E AMORES





Cesar Techio
Economista – Advogado

Parti de Curitiba às sete horas da manhã. Como acordei às cinco e meia, fotografei a tímida aurora nascendo após uma noite de chuva, entremeio a selva de pedra. Entre dois edifícios, ao fundo, consegui vislumbrar a majestosa Serra do Mar. Fiquei nostálgico, recordando os tempos do vigésimo sexto andar do Edifício Rui Barbosa, na Praça Santos Andrade. De lá, o vislumbre da Serra do Mar ao amanhecer, era espetacular.

Numa sinaleira, da Avenida das Torres, intrigado com a Gazeta do Povo circulando um dia antes, no sábado, depois de convocar o jornaleiro entretido com a arrumação da pilha no gramado, comprei a edição de 18/11/2012:  “Põe ali na porta, cuidado para não amassar, que quero ver amanhã, quando chegar em casa”.  Depois de uma leitura sistemática,  pensativo com o conteúdo do editorial e com a coluna da Dora Kramer (Agencia Estado, página 18); logo adiante mais sereno com o “sarapatel de coruja”  do ministro Carlos Ayres Britto, o poeta sergipano que encantou o Brasil com a justiça “ suave” e “firme”, no dizer de Elio Gaspari, acabei desembocando na crônica “Nostalgia”.

Li e reli com vagar, assombrado diante das fotografias em torno da escrita, olho no olho com o Zézito, “no balcão de seu bar, na década de 1960”. Não conheci essa época de se viver em Curitiba, pois cheguei lá na segunda metade dos anos 70, mas seu rosto me parecia familiar. Talvez essa impressão, essa familiaridade, tenha a ver com a eterna democracia encravada nos bares das capitais e de todas as cidades e vielas do interior deste imenso país, como os daqui de Concórdia, de “gente contente e feliz” conforme ensina a canção.  Me emocionei ao fim da leitura. É como se por lá já tivesse passado, vivido e frequentado o bar do seu Zézito. Introspectivo, inspirado no frescor destes morros ondulados  pelo verde do final da tarde, fixo a fotografia, novamente, e sorvo mais alguns goles de cerveja que me parecem sair da garrafa do balcão do bar da década de 60, com seu Zézito ao fundo, cigarro na mão.  “Seu Zézito, quanto deu?” (A crônica “Nostalgia” é de Cid Destafani, publicado na Gazeta do Povo, com fotos da daquela década, página 20, sob epígrafe “Vida Pública”).

                O quanto a vida se repete, sem a percebermos se repetindo? E com que velocidade? Conheceram-se e se encontraram da forma que somente o fim da adolescência sabe como fazer. E por si só já seria o suficiente, mas ele largou a faculdade de engenharia e foi fazer cursinho com ela. Abandonou o curso matutino e frequentou o vespertino, pois ela não conseguia acordar e chegar a tempo para as aulas. Saiu do seu apartamento e foi junto sonhar o nascer do sol, com sacada de frente para a Serra do Mar, a mesma de antanho, dos meus tempos. Ao anoitecer ele tocava violão, enquanto ela despertava a cada nota para aquele novo viver; um olhar distante para o ninho da família, outro para a surpresa do mover dos lábios dele enquanto cantava para ela. Tanta vida, vitalidade e radiância no mergulho para o longo caminho que se abria para o futuro, que viajamos juntos para tudo o que já vivemos e ainda viveremos. E lá se vão trinta ou quarenta anos e, por entre cada um deles os sentimentos e as saudades por cada momento. A vida se vai e os amores se repetem. Com que constância?

Pensamento da semana: Amados leitores: Feliz Natal 2012.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A VERDADE DITA PELOS ÍNDICES


Cesar Techio
Economista – Advogado

       O Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) é um estudo anual que acompanha o desenvolvimento dos mais de cinco mil municípios brasileiros em três áreas: emprego e renda, educação e saúde. Ele é feito, exclusivamente, com base em estatísticas públicas oficiais, disponibilizadas pelos ministérios do Trabalho, da Educação e da Saúde. De leitura simples, o índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento. Além disso, sua metodologia possibilita determinar, com precisão, se a melhora relativa ocorrida em determinado município decorre da adoção de políticas específicas ou se o resultado obtido é apenas reflexo da queda dos demais municípios.

            Pois bem, acessando o site  http://www.firjan.org.br/ifdm/, constatamos que no ano de 2010, o índice consolidado de desenvolvimento municipal de Concórdia foi alto, com 0,8462. Na área de educação foi de 0,8919 (alto); saúde 0,9197 (alto) e emprego e renda 0,7269 (moderado). No ranking nacional o município ficou em 141º e em Santa Catarina em 8º lugar, um tremendo avanço se comparado com o ano de 2000. Tudo começou a mudar quando o PT passou a administrar o município em 2001. Na época o município de Concórdia estava na 1389º posição no Brasil e 107º em Santa Catarina.

            O índice de desenvolvimento humano (IDH), que é o mais importante de todos, aponta Concórdia em 32º lugar entre 5.564 municípios do Brasil e na 10º posição entre os 293 municípios do Estado de Santa Catarina. Obrigatoriamente precisamos admitir que, em qualidade de vida, estamos muito bem. Em doze anos de gestão pública, o PT de Concórdia deu aula de responsabilidade fiscal e de como se sair espetacularmente bem no setor de educação pública, com repetidas premiações a nível nacional.  Obviamente que, quando se trata de “desenvolvimento”, precisamos considerar algumas questões que tem a ver com “qualidade de vida”, com melhor distribuição de renda, com renda mais elevada das famílias e não com simples crescimento econômico. Se pensarmos em crescimento econômico, precisamos situar Concórdia dentro de um contexto muito maior e complexo. A começar pela distribuição espacial (pequena cidade periférica em termos de grandes centros industriais, por exemplo), custos de transportes, mercado de insumos e mercado consumidor, entre outros.

          Mas, o que mais me intrigou, especialmente durante a campanha eleitoral, com a devida vênia, foi o discurso político destituído de qualquer estudo teórico, científico e acadêmico que o fundamentasse, de ausência de desenvolvimento em Concórdia. Tratou-se de uma imperdoável confusão conceitual entre o conceito de “crescimento” (muitas vezes indesejável e desnecessário devido suas sequelas e abismal distância entre custo ambiental e qualidade de vida) e “desenvolvimento”, que tem a ver diretamente com qualidade de vida. 

            Pensamento da semana:  Homenagens ao competente prefeito João Girardi, alçado, à unanimidade, como presidente da AMAUC. Parabéns a Dalva Pagnoncelli Pichetti, pela merecida indicação à Diretoria Geral da SDR.