quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"ELEITOR TEM BOA MEMÓRIA E NÃO PERDOA"


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O povo do Estado de Santa Catarina é um exemplo para o Brasil: tem boa memória. E por conta disso impôs uma estrondosa derrota à candidata ao governo, Ideli Salvatti. Com apenas 21,90% dos votos dos eleitores, colheu o que plantou quando, com o seu partido, o PT, se aliou a José Sarney e a Renan Calheiros no Congresso Nacional. Em minha crônica “TAPA NA CARA”, de 26/08/2009, escrevi: “... o discurso de Sarney cedeu lugar ao que verdadeiramente interessa ao povo brasileiro: sua participação na fundação que leva seu nome, os negócios com crédito consignado de seu neto, a nomeação de servidores com relações próximas, os atos secretos, etc. Em meio a este turbilhão, o PSDB e o DEM, vencidos no caso das onze denúncias contra Sarney, abandonam e propõe a extinção do Conselho de Ética. Também pudera, três petistas, aplaudidíssimos por Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello, votaram a favor do arquivamento das denúncias. São eles: João Pedro (AM), Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC). A atitude do senador Eduardo Suplicy, após o pedido de desfiliação da senadora Marina Silva (PT-AC) e do senador Flávio Arns (PT-PR), demonstra claramente que o PT foi rachado para sempre. E não é para menos. Flávio Arns pretende que a Justiça diga que o PT foi infiel ao seu ideário político. Eduardo Suplicy e Pedro Simon (PMDB-RS), em meio a 81 senadores que compõem o Senado Federal, ergueram bandeira contra a vergonhosa bandalheira que se instalou no Congresso Nacional e tiveram a coragem e dignidade de baterem de frente contra os amigos de Sarney, incluindo o presidente Luis Inácio Lula da Silva. Para nós, catarinenses, o que mais impressionou foi o voto subserviente da Senadora Ideli Salvatti, um verdadeiro tapa na cara e na decência dos eleitores e uma amarga decepção e vergonha aos petistas de boa índole”.


Na semana seguinte, em 02/09/2009, com o título “LULA NÃO FARÁ SEU SUCESSOR”, ainda escrevi: “A par destas acusações, após o arquivamento das onze denúncias contra Jose Sarney com o apoio do PT (inclusive da senadora catarinense Ideli Salvatti), o Senador Flávio Arns (PT/PR) jogou “lama” no ventilador: “O PT jogou a ética no lixo e vai ter que achar outro caminho. Deu as costas ao povo, à sociedade e às bandeiras tão caras a tantas pessoas. Tenho vergonha de estar no PT”.

Conhecida a política de Brasília, envolvida a proteger esquemas internos de corrupção e externamente simpática a governos totalitários, distingue-se pela ausência de escrúpulos, quando apóia essa gente, e pelo repúdio a valores inalienáveis quando, através do Gabinete da Presidência da República, propõe à nação o Plano Nacional dos Direitos Humanos, o qual, de humano não tem nada. Enfim, o que menos conta em certos segmentos políticos são os ideais de liberdade e a lealdade aos princípios humanos, constitucionais e universais. Basta constatar o imbróglio político que, em Alagoas, levou Renan Calheiros para o seu terceiro mandato de senador da República. Passou a honestíssima e competente Heloísa Helena (dada como eleita, ficou em terceiro lugar). Em termos de alienação, bem melhor seria votar num Tiririca da vida, palhaço assumido mas de bom coração. Enfim, de alienado o povo catarinense não tem nada. Mesmo diante de um discurso antidemocrático e raivoso de Lula, ao atacar Luiz Henrique e propor extirpar o DEM da política brasileira, elegeu Raimundo Colombo (DEM), Paulo Bauer e o ex-governador Luiz Henrique ao senado Federal. Da mesma forma, quando Ideli Salvatti se aliou a Sarney e a Renan Calheiros, passou a vê-la como um deles. É que o povo daqui conhece a máxima: “Me diga com quem andas que te direis quem és”. E, de quebra, sabe dar o troco.

Pensamento da semana: "Quando for roubar dinheiro público,não se esqueça que na sua conta tem a honra de um homem envergonhado por ter que ver sua família passando fome"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2º TURNO: "DIA DO EVANGÉLICO"


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Demonstrando total ignorância de que o estado brasileiro é laico, o presidente Lula assinou no dia 15/09/2010, a lei nº. 12.328 na qual, em dois singelos artigos, instituiu o Dia Nacional do Evangélico. Vale a pena transcreve-la: “Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional do Evangélico, a ser comemorado no dia 30 de novembro de cada ano. Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 15 de setembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.” (fonte: http://www.planalto.gov.br). Com o objetivo de agradar os evangélicos a apenas 18 dias da eleição presidencial, na realidade Lula assinou uma lei que, além de absurdamente inconstitucional é imoral e afrontosa. Pelos seguintes motivos: 1º - Todo o dia é dia de vivermos os ensinamentos de Cristo; 2º - Por privilegiar somente uma corrente religiosa. 3º - Agora, em tese e por isonomia, há necessidade de se criar o dia dos católicos, umbandistas, espíritas, budistas, entre outros. Na mesma surpreendente e inusitada simpatia às religiões, quatro dias antes das eleições Dilma Roussef foi acolhida por lideranças católicas e evangélicas. Em reunião amplamente divulgada pela mídia afirmou que, ao contrário do apoio que demonstrou no passado, é contra o aborto e que defende total liberdade de crença. Declarando-se católica defendeu parcerias com as igrejas no seu futuro governo. Se, tudo isso fez parte de uma estratégia para captar votos dos cristãos na última hora e, se deu certo, somente uma análise criteriosa dos resultados da votação que recebeu no 1º turno das eleições e receberá no dia 31 de outubro, pode esclarecer.

E, por falar em “acordo”, antes da votação do “Ato Permissionário” que lhe daria poderes para aprovar leis sem necessidade do parlamento, Hitler fez um discurso afirmando que o nazismo estava lutando pelos valores cristãos: “Enquanto o governo está determinado a prosseguir com a limpeza política e moral da nossa vida pública, ele está criando e assegurando os pré-requisitos para uma verdadeira vida religiosa. O governo vê em ambas as confissões cristãs (católicas e protestantes) os mais importantes fatores para a manutenção da nossa cultura” (Adolf Hitler, 23/03/1923). Em função desta posição, a igreja católica e o governo nazista formalizaram uma aliança, denominada “Concordada” (Reichskonkordat), na qual ficou formalizado que os bispos deveriam prestar juramento ao representante do Estado do Reich, ou a Hitler: “Eu juro e prometo honrar a legalidade constituída do Governo e fazer com que os clérigos da minha diocese honrem também. No desempenho de meu trabalho espiritual e da minha solicitude pelo bem estar e interesses do Reich alemão, eu vou lutar para impedir qualquer mal que possa ameaçá-lo.” (Assista o documentário no blog http://cesartechio.blogspot.com/). Devido a esse acordo Hitler se tornou ditador com poderes absolutos. Como terminou essa história, todo mundo já sabe.

Enfim, “alea jacta est” (a sorte está lançada). Enquanto aguardamos o 2º turno, falemos, finalmente, de coisas mais amenas, que inebriam o coração e surpreendem a alma. Falemos de amor que nos fornece esperança, oxigênio e vida; que nos move da loucura da solidão e dos preconceitos do passado em direção ao futuro dourado. E, convenhamos, pelo menos nesta seara haveremos (nós também), de concordar: Gênios, doutores, homens de negócios, poetas, políticos, filósofos, desconhecidos, famosos, operários, crentes e ateus, jovens e velhos, todos, em algum momento da vida, já olhamos para o pôr do sol e nos enternecemos no lusco-fusco, a espera de uma estrela que tem nome de mulher. Pensamento da semana: “No lusco-fusco, limiar do anoitecer quando o sol alcança o ocidente, em pensamentos tua presença se faz.” Verluci Almeida.


“REICHSKONKORDAT”

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"BRASIL 2011: FIM DA LINHA"

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com
O título em epígrafe completa a trilogia “Brasil 2011”, com “salve-se quem puder” e “se correr o bicho pega”. No epicentro destas reflexões, exemplarmente a tentativa de Lula, de seus assessores do Gabinete da Presidência da República e da candidata à sucessão presidencial, de criar uma mini-constituição, tendo como base uma grave inversão dos valores humanos. O instrumental de análise utiliza, singela e basicamente, os princípios universais e constitucionais do direito natural, da dignidade da pessoa humana e da liberdade democrática. Assim, se Lula lesse essas crônicas, conforme afirmou teria que “dar mão à palmatória”, (“Quando falam mal de mim e eu estou errado, dou a mão à palmatória" disse essa semana, em campanha eleitoral). Teria mesmo que concordar com todas as críticas da imprensa com relação a sua postura e política relativa aos direitos humanos e a sua aproximação a governos ditatoriais, sanguinários e antidemocráticos. Em “Delírios e Sucessos de Lula”, reconheci o êxito das políticas de renda mínima e segurança alimentar do seu governo, que permitiu que 23 milhões de pessoas saíssem da linha de pobreza extrema e que fossem criados 11 milhões de empregos.

O problema é que a solução magna do processo produtivo e do problema social, pelo que se conclui das idéias originais contidas no seu Plano Nacional de Direitos Humanos, se resume na destruição da propriedade privada, no controle do judiciário, na mordaça às religiões e a imprensa; motivo da analogia à ideologia de esquerda “a la soviética” (que desmoronou junto com o murro de Berlim). Todavia, é bem verdade que o outro lado da moeda mostra que Lula, sob o apoio do sistema bancário e do liberalismo econômico, construiu um governo no qual os trabalhadores ficaram inteiramente subordinados ao capital, à avidez do lucro, à idolatria da riqueza e, principalmente, à concentração de renda, a maior do planeta. Sob essa égide, realmente é ingenuidade culpar a esquerda e as Igrejas traídas que o apoiou nas duas últimas eleições a presidente da República. As perguntas que ribombam na cabeça destes arrependidos e de todo o povo brasileiro são as seguintes: 1º - De que adianta aos trabalhadores e as suas famílias saírem da linha da miséria se continuam escravos do sistema, empregados com salários de fome e sem perspectiva de saírem desta escravidão? 2º - A riqueza capitalista estará segura com a morte da democracia? 3º - De que adianta um prato de comida sem liberdade?

Ora, tanto o capitalismo, que objetiva “o primado do indivíduo sobre a sociedade”, como o socialismo, que objetiva “o primado da sociedade sobre o indivíduo”, identificam-se pela exploração da classe trabalhadora porque consideram como fim último da economia a “máxima produtividade de bens e serviços”, sobrepondo-o aos direitos fundamentais da pessoa humana. Assim, é cabível o esclarecimento de que, tanto o equivocado apoio ao projeto da esquerda (capitalismo de Estado, tipo Venezuelano e Cubano, que destrói todas as liberdades e ameaça direitos fundamentais), como o apoio à direita (exploradora e concentradora de renda), tem raiz numa equivocada visão de autonomia econômica. As duas ideologias possuem o desenvolvimento econômico como único objetivo, subordinando todos os valores do direito natural e do espírito aos elementos da matéria. Sob o pálio destes dois sistemas, a liberdade da classe trabalhadora não passa de uma utopia discursiva. Ambos os regimes jogam o homem, ou no farisaísmo do orgulho coletivo ou do lucro individual burguês. Decorrem desta conclusão, os títulos desta trilogia e a aconselhável opção pela doutrina social da igreja.

Pensamento da semana: “A democratização das nossas sociedades se constrói a partir da democratização das informações, do conhecimento, das mídias, da formulação e debate dos caminhos e dos processos de mudança.” Betinho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“BRASIL 2011: SE CORRER O BICHO PEGA...”.



Foto tema: "Curitiba, um amor para sempre."

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

Não existe a menor dúvida, de que o Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH, subscrito pelo presidente “Lula”, representa o genuíno pensamento ideológico da cúpula que atualmente dirige o país e, pelo que se vê, com Dilma Roussef dirigirá a partir de 2011. O repúdio e a reação da sociedade a esta ideologia têm como fundamento a razão natural e elementos de bioética, de biodireito e, na base da discussão, os valores humanos. Neste contexto, não há qualquer cepticismo de que os defensores do PNDH e do homicídio pré-natal de crianças que no útero de suas mães não possuem qualquer chance de autodefesa, são agressores dos direitos humanos fundamentais e das garantias da dignidade da pessoa humana asseguradas pela constituição federal e pela moderna legislação universal construída sob o influxo da doutrina social cristã. É que, diante da história, não se pode negar que os sentimentos e princípios de fraternidade que repercutiram de forma extensa, efetiva e profunda na nossa ordem jurídica e na construção de nossa constituição são, fundamentalmente, de orientação cristã. Esta orientação redundou na proibição constitucional, artigo 60, § 4º, inciso IV, de qualquer deliberação de proposta tendente a abolir os direitos e garantias individuais, entre eles o direito à vida, esculpido em clausula pétrea, “caput” do artigo 5º. Graças a isto, jamais, dentro de nosso sistema se poderá questionar a simples possibilidade de se matar deliberadamente uma pessoa, porque a vida, pelos matizes da democracia, é um valor supremo que não pode ser relativizado, violado ou suprimido. E, “data máxima vênia”, o direito de nascer é o mais genuíno direito à vida e o primeiro de todos os direitos humanos.

Neste norte, a reação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ao PNDH foi a de anunciar ao povo cristão (pouco importa a que igreja pertença) uma visão de pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus, dentro dos seguintes postulados: 1º- “A pessoa humana é, assim, sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural. A raiz dos direitos humanos há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano”. 2º- “A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador". 3º- Tais direitos são “universais, invioláveis e inalienáveis”. Na senda desta lucidez, surgiu o projeto do Estatuto do Nascituro que reconhece este como ser humano concebido, mas ainda não nascido, incluindo neste conceito os seres humanos concebidos "in vitro", mesmo antes da transferência para o útero da mulher.

Em todos os casos, o PNDH foi, num primeiro momento, importante, porque trouxe a lume a ideologia da cúpula que segue governando o Brasil, cuja linguagem e ideologia a faz estranha aos princípios fundamentais que regem nossa Magna Carta. A aproximação de Lula com países totalitários, cujos governos mantem encarcerados e/ou matam prisioneiros políticos, foi o primeiro passo. O segundo foi o PNDH com a instituição da Comissão da Verdade com amplos poderes para investigar, julgar e condenar qualquer cidadão; seguido por outras aberrações inconstitucionais. Agora, prestes a sair da presidência, Lula já não mede mais as conseqüências de sua linguagem ideológica, falando até em “extirpar” partidos políticos. E, acreditem, mesmo diante da miséria que campeia pelo Brasil, em julho de 2010 sancionou a lei 12.292, que lhe autoriza doar recursos à Autoridade Nacional Palestina, para a reconstrução da Faixa de Gaza, esta governada pelo grupo terrorista Hamas, no valor de até R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais).

Pensamento da semana: “É impossível escravizar mental ou socialmente um povo que lê a Bíblia. Os princípios são os fundamentos da liberdade humana.” Dorace Greeley.

sábado, 18 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

“BRASIL 2011: SALVE-SE QUEM PUDER.”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Plasmado dentro do gabinete da presidência da república, o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH defendido pelo presidente Lula e por Dilma Rousseff, se apresentou como verdadeiro espelho do pensamento das pessoas que comandam e que pretendem continuar comandando o Brasil. Em que pese algumas modificações, prescindindo do Congresso Nacional o plano, na essência, se constituiu num golpe totalitário contra a democracia, uma verdadeira cusparada em vários direitos fundamentais. Ives Gandra Martins, um dos maiores juristas do país, escandalizado, afirmou que o PNDH: "É um programa de direitos desumanos, o que menos tem é dignidade humana. Eu lembraria o que disse Agripino Grieco quando lhe deram um livro de um mau poeta. Ele leu e disse: 'Eu aconselho a queimar a edição e, em caso de reincidência, a queimar o autor'. Eu não sou tão cáustico à reincidência de queimar o autor, mas que vale a pena queimar a edição desse programa vale. O pior é que tudo isso é uma escarrada repetição da Constituição Venezuelana. Em outras palavras, é o regime marxista que temos na Venezuela que nossos aprendizes de ditadores, aprendizes de revolução chavóide (de Hugo Chávez), estão pretendendo colocar no Brasil. O que se pretende é dar um novo status jurídico ao Brasil, a caminho da ditadura, em que o Poder Executivo é tudo e os outros poderes são nada.” (fonte: Canção Nova http://noticias.cancaonova.com).

O grande mérito do PNDH, na realidade, foi o de trazer à luz solar o verdadeiro pensamento ideológico de Lula e de sua candidata à sucessão presidencial. O nosso futuro, sob o pálio desta ideologia é sombrio. Ao apontar as sérias inconstitucionalidades do PNDH, Ives Gandra Martins, ainda afirmou: “A prostituição é uma chaga para a sociedade. Não se pode dizer que, como direito humano, o governo federal valorizará a prostituição, o lenocícino, o meretrício. Deve-se trabalhar para que essas mulheres encontrem uma profissão digna. Um decreto que valorize isso é evidentemente algo que afeta a dignidade humana, que está na essência dos direitos humanos. O cidadão tem uma casa, é invadida por alguém, a partir desse momento, o invasor tem mais direito que o proprietário, pois se ele pretender uma reintegração de posse, o Poder Judiciário deixa de estar habilitado para fazê-lo. Uma comissão, formada pelo invasor, decide se o Poder Judiciário poderá, ou não, executar a reintegração. Ora, a CF declara, no artigo 5º: "XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". No PNDH-3, por exemplo, defende-se que sindicatos e centrais de trabalhadores terão mais força que os parlamentares na definição de programas, fazendo com que plebiscitos e referendos, como acontece na Constituição Venezuelana, tenham muito mais importância que a própria representação do Parlamento ou Poder Judiciário, que é aquele que faz respeitar a lei. Isso faz com que se adote aquele modelo que prevalece hoje na Venezuela, isto é, Poder Executivo e povo consultado e manipulado por esse Poder, sendo os outros Poderes secundários, sem nenhum valor.”
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Enfim, salve-se quem puder a partir do ano de 2011, com o controle total e absoluto do Estado rousseffiano na vida das empresas, instituições e cidadãos; ruptura a princípios constitucionais fundamentais (direito à vida, privacidade, liberdade de expressão, propriedade); implantação do ateísmo e materialismo marxista; e, finalmente, com o alinhamento definitivo do Brasil às ditaduras de esquerda latino americanas.

Pensamento que se alastra na América Latina: “Toda idéia religiosa é uma abominação. A religião é o ópio do povo. A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo da luta pelo robustecimento da ditadura proletária.” Vladimir Ilitch Ulianov Lênin.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

”DEIXAI FAZER, DEIXAI PASSAR”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Excepcionais foram os anos vividos no seminário. Lá pelos idos de 1974, num belo dia de primavera, anotei num caderninho: “Laissez faire, laissez passer et le monde va de lui-même”, em português “deixai fazer, deixai passar que o mundo marcha sozinho”. O candente sorriso de Frei Anselmo Hugo Schwitzer trazia, em plena aula matutina, uma frase que marcaria para sempre, em parte, minha postura perante a vida. Bem mais tarde, já na faculdade de economia da UFPR, soube que este era o ideário da Escola Fisiocrata que tratava da teoria econômica contra a política intervencionista do Estado na vida privada dos cidadãos. A fisiocracia considerava a terra ou a agricultura a única fonte de riquezas e as outras formas de produção mera transformação dos produtos da terra com menor margem de lucro.

Estavam enganados. Hoje sabemos que outros setores da economia, como serviços e a agroindústria, por exemplo, agregam valores aos produtos e geram muito mais lucro. Com “Tablado Econômico” ou Tableau Economique, Francois Quesnay (1694-1774) criou o conceito de equilíbrio econômico. Na base conceitual de tal teoria, a liberdade de ação. Teoria econômica à parte, a ingênua concepção do “laissez faire” dos tempos da adolescência (que ainda dita meu comportamento) é de que o rigor absoluto no trato dos problemas do dia a dia ou nas relações com as pessoas em geral, especialmente para com as que nos são caras, é inútil e gerador de uma tremenda infelicidade.

Tolerância máxima no convívio social em situações irrelevantes ou que pouco contribui para mudar o mundo faz bem ao coração e torna a alma ainda mais linda. O exercício da compreensão e a receita do perdão (setenta vezes sete) desarmam o espírito e evita doenças físicas e emocionais. Nesta curtíssima passagem é preciso certa displicência na disciplina ou, disciplina na displicência, a fim de evitar infarto do miocárdio ou ainda um acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral. Paciência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bom humor é sinônimo de inteligência. Mas, inteligentes também são aqueles que sabem viver de forma serena, discreta, procurando respeitar o modo de viver dos outros. O problema é que, egocêntricos, queremos que as pessoas sejam como um pacote de presente, perfeitinho. E, diante de qualquer pequeno deslize já julgamos, condenamos e lançamos de ponta cabeça para a masmorra. Pobres diabos, não atentamos para a receita de felicidade e de bem estar que Jesus nos legou: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão”. Imbecis, tratamos a “ferro e fogo” nossos filhos, consortes (melhor: cônjuges, os que levam o jugo do casamento), pais, parentes, empregados e amigos. Com os estranhos nos deleitamos em delicadezas, gentilezas e amabilidades. Um bom papo com os amigos, tempo para descontração, lazer, descanso e atenção para com as coisas mais simples da vida (que realmente valem a pena) podem defenestrar o excesso de seriedade derivadas das graves responsabilidades que carregamos, resultando em alta qualidade de vida.

Pensamento no dia 7 de setembro: "Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre." (Santo Agostinho)

”EIXOS DE EXPANSÃO: TRÂNSITO ASSASSINO”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com


Uma série de fatores torna o trânsito veicular uma execrável forma de vida urbana. Se a aversão a ele entre pessoas conscientes é geral; se de fato não se lhe pode negar tendências criminosas como a do motorista empurrado ao assassinato de mãe e filho embalado por fortes vapores etílicos, como explicar exista autoridade responsável pela engenharia de trânsito que não o profligue e não o repugne? É que, me parece ser o sistema de tráfego, a par da má formação, péssima educação e desastrada imperícia dos motoristas, o grande responsável pelo desastre diário que choca nossa sociedade. O problema, na realidade, é estrutural e tem a ver com o crescimento desordenado, sem planejamento, de Concórdia. Neste aspecto, até que vai bem o vice-prefeito Neuri Santhier, quando se empenha em promover debates e estudos sobre o futuro de Concórdia, superando em amplitude e visão a terrível ausência pretérita de projetos sérios para a solução do problema. Um dos raros leitores desta coluna, ele partiu do singelo paradigma “eixos de expansão”, objeto de reflexão em um artigo publicado neste espaço (lá se vão dois anos), no qual considero a necessidade premente do município construir vias de circulação em direção a BR 153, Linha São Paulo, Distrito de Santo Antônio e comunidade de São José, contornando a UNC. Através delas a cidade cresceria, desafogando inclusive o trânsito. Naturalmente, que a idéia de três pistas em direção à BR 153 é exagerada, vez que encontra o gargalo da Rua Leonel Mosele (que, aliás, deveria possuir estacionamento em apenas um sentido) e limita as múltiplas e necessárias possibilidades de expansão através de estruturas semi-urbanas naturais e históricas (repito: São José via Unc, Linha São Paulo, Santo Antônio e Suruvi/BR 153).

O bom, é que se despertou para a necessidade de desafogar o trânsito e viabilizar a vida urbana. Estes projetos, assim como os projetos da barragem de retenção e do canal extravassor, devem necessariamente, “sair do papel”, sob pena de estelionato político a ser cobrado nas próximas eleições municipais. Vindas do Prefeito e do Vice, estas grandes idéias lançam-se como diretrizes oficiais de governo e serão aplaudidas ou confrontadas nos debates políticos de 2012 (que não vejo a hora chegue manso, firme e produtivo). Enquanto estas boas idéias não se concretizem, a escola do descaso continuará a ceifar impiedosamente a vida de inocentes e destinará à cadeia, assassinos do trânsito, após longos debates sobre criminologia e política criminal nos Tribunais do Juri do país... Soluções humanas para o nosso exacerbado e ruinoso trânsito também devem ser encontradas numa doutrina de paz e fraternidade, cujos ensinamentos em relação ao próximo venham do âmago do amor familiar. Somente o amor e o respeito pelos semelhantes podem mudar a atitude dos condutores, acirrados pela pressa em chegar e partir, açulados pela miséria desta vida sem poesia, verso e prosa. No edifício de nosso futuro urbano colabora, ainda, o Estatuto da Cidade (lei nº 10.257/2001). É preciso lê-lo e vivenciá-lo.

Pensamento da semana: Ao redigir este laudatório sou tomado por certa inquietude... Pelas guerras e suas vítimas. Algumas com tempo certo para terminar, como a do Iraque, anunciada ontem, pelo presidente americano Barack Obama. As do trânsito, sem data para findar.

“IMPRENSA LIVRE E PATRIOTA”




Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

A diplomacia do presidente Lula envolve uma especial e aguçada atenção em favor de países ditatoriais, antidemocráticos, exemplos por excelência de opressão e tirania. Esta é a primeira questão: entender que os regimes de governo como os da Venezuela, Bolívia, Cuba e Irã, que negam o direito natural, desrespeitam os direitos fundamentais e são desvinculados das liberdades civis e dos princípios democráticos, não são compatíveis com o modo de viver do povo brasileiro. Os governantes destes países, cortejados por Lula, se movem sob o espectro da opressão e do férreo bloqueio a construção social calcada em princípios morais e jurídicos imprescindíveis à justiça, à paz e à liberdade. Nesta ordem de entendimento, a denúncia da imprensa brasileira do alto risco que a aproximação política, comercial e cultural franqueada a estes países e aos seus ditadores, representa ao nosso sistema democrático de direito e à nossa gente, infensa por índole ao terrorismo que ameaça o mundo, é tarefa meritória, eminentemente cívica, de colaboração patriótica, verdadeira vacina contra a peste da intolerância.

O segundo aspecto que precisamos compreender, é que o nosso sistema jurídico de governo e os nossos princípios de liberdade e de respeito à pessoa humana nos obrigam a viver em harmonia e em paz. A defesa de uma ordem mundial simétrica com o nosso sistema democrático deve ser aplaudida e abençoada. Mas o diálogo em favor da paz exige, dos países acima mencionados, reciprocidade quanto às convicções democráticas, ardente entusiasmo pela liberdade de expressão e de informação, amor pela justiça social, proteção à liberdade política, à propriedade privada e profundo respeito pelos sentimentos religiosos da população. É defeso o diálogo com governantes centralizadores, ditatoriais e truculentos que mandam matar opositores políticos, mantém encarcerado pais de família que ouçam discordar de seus regimes, estimulam grupos terroristas, fraudam eleições, detonam os meios de comunicação e, consequentemente, muitas vezes de forma dissimulada, mas não menos cínica, se mantém eternamente no poder.

O modelo dialogal sempre foi o paradigma da diplomacia internacional. Não se trata de nenhuma novidade criada pelo presidente Lula. Todavia, não pode ser aplicado aos que realçam como princípios básicos a negação dos direitos inalienáveis e fundamentais, repudiam e rejeitam a liberdade de consciência e a independência do Poder Judiciário. Pensar diferente, com simpatia por um modelo diplomático que privilegia a diálogo “olho no olho” com regimes intolerantes, contrários ao direito natural e de práxis terrorista, equivaleria a nos sujeitar a critérios não racionais, conscientes, objetivos e perdermos, fundamentalmente, o referencial ético. Infelizmente, muitas pessoas são influenciadas pela idealização que a figura de um presidente sugere. É preciso desconstruir a vetusta ideologia do “império”, da “esquerda” e da “direita”, da dialética da liberdade versus consciência servil e encontrar atrás dela a dura realidade de que, simplesmente existem países democráticos, livres, defensores da dignidade da pessoa humana e, países não democráticos, infeccionados até a medula pela doença destruidora do terror e pelas atrocidades patrocinadas pelos seus “senhores” ditatoriais. Enfim, o futuro da democracia e da nossa própria liberdade depende da autolibertação da fantasia inconsciente que nos aprisiona a onipotência do poder.

Pensamento da semana: "Não se deve ser tolerante com os intolerantes" (Karl Popper, escritor dinamarquês).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

“DEIXEM O HOMEM TRABALHAR”


foto: Pça Santos Andrade. Curitiba -PR
Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

A observação do Ministério Público de que a solução para as enchentes em Concórdia é urgente há 20 anos merece consideração. No ano de 1983 o Município foi assolado por duas enchentes de proporções tão graves quanto a de 1998 que varreu o centro da cidade, destruindo casas, lojas comerciais, dizimando rebanhos, destruindo plantações com prejuízos incalculáveis num grande rastro de destruição. Desde aquela época as autoridades constituídas tinham plena consciência do grave problema e do perigo que representa o desvio do leito natural do rio e a impossibilidade de escoamento das águas no estreito canal construído pelo Município. A diferença fundamental entre as enchentes ocorridas depois da de 1983, é de que estudos demonstraram que fortes chuvas são devastadoras e que a administração Pública, gestão após gestão, pouco importa o partido, inegavelmente vinha se omitido. Além disso, uma série de informações técnicas disponíveis na Prefeitura indicava que os gestores públicos tinham pleno conhecimento do perigo potencial que representava o Rio dos Queimados, senão vejamos: MAIO/1988: MAGNA ENGENHARIA LTDA, com participação do DNOS. Estudo preliminar de 3 bacias de retenção. JULHO/1989: PLANENGE. Análise de 5 bacias de retenção com canal extravassor ou melhoria do canal existente e medidas preventivas. SETEMBRO/1990: ELETROSUL. Projeto da barragem. Explicação de que se a principal bacia de retenção no leito do Rio dos Queimados for usada prioritariamente para abastecimento de água, tal bacia teria pouca importância como redutora de cheias. 1992: ELETROSUL. Projeto de galeria extravassora independente de qualquer bacia de retenção. 1998: LOGO ENGENHARIA S.A. A estes estudos somaram-se outros, que sustentam as atuais ações do Município.

Outro aspecto que agravou os efeitos das enchentes foi o crescimento urbano desordenado. Sem qualquer planejamento, o Município ao longo de várias administrações, autorizou fossem abertas e/ou asfaltadas inúmeras ruas, seguidas de loteamentos, derrubadas de árvores pelos morros e encostas. Além disso, o rio transborda porque roubou-se-lhe grande parte do leito original em vários pontos da cidade; desviou-se-lhe o curso, obstruiu-se-lhe a passagem livre. A hipótese é, pois, do dever de impedir, o Município, escavações nos morros, desmatamentos na bacia hidrográfica do rio dos Queimados e realizar obras públicas necessárias ao escoamento de águas pluviais. Enfim, com o histórico que temos é evidente que a solução para as enchentes é urgentíssima há mais de 20 anos e, do quanto o próprio Município já sabia, pelos estudos que tinha engavetado ali na Prefeitura, eram de há muito evitáveis. Evitáveis foram episódios, como quedas de muros, lamaçal invadindo residências, perdas materiais irreparáveis, enquanto o Município se deleitava na própria inoperância, na inépcia mais absoluta porque, até pouco tempo muita promessa era feita (especialmente em época de eleições), mas, nenhuma obra eficaz realizada para evitar enchentes. A realidade é que Município permitiu causas de estreitamento do rio Dos Queimados de modo imprudente e, além disto, deixou de providenciar obras que eliminassem o problema, portando-se de modo negligente por mais de 20 anos. Não poderia, agora que o prefeito João Girardi e o secretário Mauri Maran encararam de vez a solução do problema, perder mais de três milhões de reais do convênio com o governo federal. Caução paga, multa licitatória imposta, lucro em licitação de R$ 268.502,92 (diferença entre o 1º e 2º colocado), ordem de serviço dada. E viva o princípio da razoabilidade do Desembargador Carlos Alberto Civinski e o interesse público, urgente há mais de 20 anos. Pensamento da semana: “Deixem o homem trabalhar” Evandro Pegoraro.

POLÍTICOS FARISEUS: JUVENTUDE, O QUE FAZER?


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Gigantescos desmoronamentos de lama e pedras se projetaram em direção à cidade de Gansu, na China. Mais de 1248 mortos e 496 desaparecidos, centenas de feridos e casas destruídas foi o saldo do desastre ambiental. Fotografias do desespero de mães e pais de família, em meio ao que parecia impossível, podem ser vistas em centenas de sites na internet. Enquanto na China mais de 305 milhões de pessoas foram diretamente atingidas por grandes inundações, no Paquistão 20 milhões foram vítimas da maior inundação dos últimos oitenta anos. Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU afirmou que já visitou várias cenas de desastres naturais no passado em muitas partes do mundo, mas que nunca viu nada como isso: “A escala deste desastre é tão grande, tantas pessoas em tantos lugares, necessitando de tanto. Quase um, em cada dez paquistaneses foi afetado direta ou indiretamente”.

Aqui em Concórdia, a vida corre normal, sem maiores preocupações, especialmente por parte das autoridades, com as intensas, públicas e escandalosas escavações em morros e encostas que ladeiam o meio urbano da cidade. Em que pese a existência de lei estadual que proíbe escavações em encostas com mais de 30º de declividade e, uma série de leis federais, inclusive de natureza constitucional, que regem o direito ambiental no país, por aqui passa “batido” esta preocupação. O centro urbano da cidade, abaixo das montanhas que vão sendo ocupadas por moradias e detonadas por escavações absurdas, parece ser o local exato para uma futura catástrofe. A pergunta é: até quando esta insanidade vai continuar? Em Gansu durou até o inicio deste mês de agosto de 2010.

Além da apatia política que atenta contra o futuro da nossa juventude (trancafiada nas escolas, colégios e universidades), a resistência de espíritos egoístas, despóticos, ávidos pelo lucro e idólatras da riqueza, constitui o maior obstáculo para a implantação imediata de uma política urbana que respeite a nossa topografia. Há um retardo mental que considera como fim último da vida social, o primado do indivíduo sobre o interesse público e o fim último da economia “a máxima produtividade de bens e serviços”, vale dizer, construções encravadas em morros dentro de uma estrutura urbana sobreposta aos direitos fundamentais da pessoa humana. As atividades construtivas nos meios urbanos das cidades brasileiras (incluindo Concórdia) seguem uma concepção puramente materialista da vida, concepção que coloca o imediatismo econômico sobre a base única do interesse pessoal e subordina a segurança da vida humana e do planeta aos elementos de um comportamento político ignorante, débil, cômodo e prepotente. Este nosso estilo de vida, à mercê de um desenfreado consumo e gozo por bens materiais nos lança para fora do clima de amor e respeito que precisamos ter pelo futuro. A maioria de nossos candidatos a cargos públicos não entendem nada sobre preservação do meio-ambiente. Seus planos de governo são apenas mistificações grosseiras que querem impingir aos eleitores, calcados na idéia de que frente a Administração Pública salvarão o planeta. O farisaísmo de suas promessas cede lugar a um novo: o farisaísmo da incompetência, da ignorância e da falta de palavra. Pensamento da semana: “Juventude, estudantes: A geração presente perdeu. E o futuro talvez já não exista mais. O que fazer?”

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

“PREOCUPAÇÃO: SEMEAR É PRECISO”


Cesar Techio - Economista – Advogado
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A semente é boa. Mas nem sempre a terra é fértil. O binômio, semente terra se constitui na equação a ser resolvida pelo semeador persistente e cheio de fé. É bem verdade que a missão é semear; mas a maior alegria do semeador é quando suas sementes caem em terra fértil. Ao contrário, se entristece quando caem nos espinheiros. Daí a vênia para reproduzir “Preocupação”, uma poesia de Danilo Marques, meu preletor aos tempos da adolescência: “Olhai os lírios do campo... Olhai e vede que a messe já está madura... Senhor, vós vos preocupastes com os campos, com as sementes, com as flores, com a messe. Conheceis os riscos que corre o semeador. Sabeis dos cuidados que exige cada flor. Como pudestes confiar a mim os cuidados deste jardim? Como cuidar de um canteiro, se nunca fui jardineiro? Ajudai-me, Senhor, a aplainar o terreno, escolher as sementes, conhecer as espécies. Senhor, como saber se algum verme rói o bulbo do lírio? Se as raízes do craveiro estão sadias? Se a medula do jasmineiro está perfeita? Se existe erva daninha? Vós, mesmo, dissestes que não se deve arrancar o joio, mas deixá-lo crescer junto ao trigo... Porém, neste jardim, poderei agir assim? Será possível Senhor, deixar crescer junto a flor a erva perniciosa?

E a incerteza desditosa põe minha alma em polvorosa. E eu cavo... e rego... e lido... e podo... e mudo... mas, vem as aves, surgem macegas, chegam formigas, crescem abrolhos e estragam tudo... E eu brado... e peço... e insisto... e imploro... e busco... pois eu confio, Senhor, confio em Vosso Amor; Deixai cair vosso orvalho; Mandai o sol benfazejo; Não falte a chuva fininha; Tirai a erva daninha; E, depois de tudo isto, ó meu Senhor Jesus Cristo, dizei-me das minhas plantas, oh, quantas? Dizei-me, quantas vão florir e vicejar, um dia, no vosso altar?” Estes pensamentos refletem com exatidão a preocupação do 1º Seminário de Conscientização Cristã e Cidadania de Concórdia, ocorrido no sábado no salão nobre da SER Sadia. Em sua palestra “Omissão do cristão na política latino americana e conseqüências”, Jose de Jesus Duarte Perez, no alto de seus mais de trinta anos de conferencista internacional foi enfático ao afirmar que, para ingressar na areia movediça da política e viver de forma rigorosamente honesta é necessário estar firme nas convicções e práticas cristãs. Porque, diz ele, neste meio pululam pragas e ervas perniciosas. O que não podemos, com certeza, é esperar os finais dos tempos de braços cruzados, conformados com a bandalheira que tenta calar a boca de todas as igrejas, através de projetos de leis os quais, se aprovados, amordaçarão sacerdotes, pastores e demais pregadores da palavra de Cristo em todo o país.

Leão da Palavra, um dos maiores missionários deste país, Leandro Machado denunciou os projetos inconstitucionais um a um, convidando o povo a assumir suas responsabilidades sem covardia frente ao poder legiferante de políticos materialistas. Não é por nada que Silas Malafaia alerta o povo evangélico (you tube) sobre o pecado da omissão e da covardia das lideranças que evitam, cheios de escrúpulos, contribuir “de peito e cara aberta” para enfrentar o deslavado materialismo ateu que se instala, em silêncio, no Brasil. A monstruosidade da omissão gerará a desintegração da família, a materialização do casamento, a descriminalização do aborto e a matança de crianças concebidas (sujeito de direitos, inclusive do direito à herança: artigo 1798 do Código Civil). Enfim, não basta votar corretamente. É urgente e imprescindível participar de partidos comprometidos com a vida, com princípios éticos, democráticos, humanitários e cristãos.

Pensamento da semana: “Quem alguma vez já ouviu alguém acender uma lâmpada e logo cobrí-la para que não brilhe?”

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DELÍRIOS E SUCESSOS DE LULA


DELÍRIOS E SUCESSOS DE LULA

Cesar Techio - Economista – Advogado

Em Porto Alegre, no Gigantinho, em clima surreal, no primeiro comício da campanha eleitoral Lula atacou a “elite” e à “direita brasileira”. Em discurso cadenciado e inimaginável deu uma verdadeira aula de história: “É a mesma elite que levou Getúlio a dar um tiro no coração, que matou Jânio Quadros e levou João Goulart a renunciar”. Essas esdrúxulas e vergonhosas acusações são tão verdadeiras quanto o fato de que Jânio Quadros não foi assassinado, morreu aos 75 anos de causas naturais, depois de ser o prefeito do Estado de São Paulo e de que João Goulart não renunciou, foi deposto pelo golpe militar de 1964. Em Curitiba, no Jardim Botânico, se comparou a Jânio Quadros, ao afirmar que “inimigos ocultos” barram a reforma tributária. Este, em 1961 afirmou que a renúncia se devia a “forças ocultas”. E tudo isso depois de ter oferecido abrigo no Brasil à Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana de 43 anos e mãe de dois filhos, a qual, depois de receber 99 chibatadas foi condenada a ser enterrada até a cintura e morta por apedrejamento por adultério, com o seguinte argumento: "Se vale minha amizade e carinho que tenho por (Mahmoud) Ahmadinejad, se essa mulher está causando um incômodo, nós a receberíamos no Brasil". Delegando a missão à candidata que apóia, afirmou: "Quando ela for eleita, vai telefonar (para o presidente do Irã) e dizer: companheiro Ahmadinejad, meu companheiro Lula pediu que você não fizesse isso".

O problema, entretanto, não reside na idéia humanitária de Lula, mas nos argumentos em que se baseia. Tendo clareza de que Ahmadinejad é o responsável pela execução e de que é o líder de um regime assassino, desumano, totalitário, ditatorial, louco para dizer o mínimo, a base da defesa da senhora Sakineh é a “amizade e carinho” que tem pelo presidente iraniano. Ora, o mínimo que se esperava de um presidente de um país civilizado, democrático e com sólidas raízes humanistas como o Brasil, é de que se afastasse, com dentes e punhos fechados do regime terrorista e fugisse como o diabo da cruz do líder fundamentalista. É tão inacreditável quanto inaceitável que Lula possua intimidade com governos que negam o direito natural e os princípios básicos da dignidade da pessoa humana, pedra angular que informa e sustenta todos os demais princípios constitucionais que regem nosso amado país. Sua amizade com ditadores deixa qualquer cidadão de sã consciência, estupefato.

Não dá mesmo para entender esse lado “obscuro” e surpreendente do presidente, principalmente depois de aqui dentro do país (precisamos ser sensatos), fazer sucesso com as atuais políticas de renda mínima e segurança alimentar. Lula baixou o Risco Brasil de 2.700 para 200 pontos; elevou o Salário Mínimo de 78 para 210 dólares; pagou a dívida com o FMI; reconstruiu a indústria naval; criou 10 novas Universidades Federais, 45 Extensões Universitárias e 214 Escolas Técnicas; elevou os Valores e Reservas do Tesouro Nacional de 185 bilhões de dólares negativos para 160 bilhões de dólares positivos; encontrou 90% das estradas federais danificas sendo que até final de 2009 recuperou 70% das mesmas; permitiu que 23 milhões de pessoas saíssem da linha de pobreza extrema; criou 11 milhões de empregos; enquanto o governo anterior não destinou nenhum centavo em investimentos, o governo Lula caminha para 504 bilhões de reais até o final de 2010; encontrou o Brasil sem crédito e recebeu da agência internacional de classificação Moody’s o grau de investimento “investment grade”. Por estes motivos, até que dá para entender porque afirmou, ainda em Porto Alegre, que “foi necessário um metalúrgico entrar na Presidência para ensinar como se faz capitalismo”. O que não dá para entender, com a devida vênia, é sua perigosa, antidemocrática e desastrosa política externa. Esta não dá para engolir de jeito nenhum!

Pensamento: "Amigo é quem te socorre, não quem tem pena de ti." (Thomas Fuller).

“TESTEMUNHO DE AMOR: RECANTO DO IDOSO”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Nestes tempos que fluem; em que se nega a natureza superior do ser humano, feito à imagem de Deus; em que se rompe toda a espécie de hierarquia, a do pai de família, a do professor na escola; em que o Brasil se aproxima de governos totalitários e decreta leis que atingem nossos mais preciosos valores democráticos e constitucionais; em que se impugna a origem teológica do Direito Natural e se combate a lei inscrita no coração do homem, no célebre conceito de Tomás de Aquino, “lumen naturalis rationis”, luz da razão natural, “impressio divini luminis in nobis”, impressão em nós da luz divina, fundamento do direito positivo; em que erros trágicos e tantos males se multiplicam na vida contemporânea com a liquidação da natureza e do planeta; em que a dignidade da pessoa humana, na condição de valor e princípio normativo fundamental é perigosamente desprezada, principalmente nas crianças abandonadas, nos idosos jogados na miséria do esquecimento, da fome, da doença e da indiferença...

Nestes tempos doloridos, verdadeira ilha de amor, compaixão e caridade fincam raízes, se estabelece e se consolida nesta cidade de Concórdia, província de Santa Catarina. Prova da mais sublime civilidade, que somente povos e pessoas espiritualmente avançadas e elevadas podem vivenciar, homens e mulheres na derradeira e final caminhada terrena poderão encontrar amparo, carinho e segurança no aconchego de um belíssimo recanto. Enquanto o mundo agride seus idosos, nesta grande cidade, milhares de seres humanos contribuíram, na medida de seu coração e possibilidades, para com a construção do Recanto do Idoso, inaugurado neste dia trinta de julho de 2010, na vila de Fragosos. Muito mais do que uma simples superestrutura física, ele é prova da capacidade da sociedade civil concordiense em ser solidária. É eloqüente testemunho da concretização dos imperativos da promoção da dignidade da pessoa humana, do bem comum e das mais puras virtudes cristãs.
Não é possível nomear todos que se empenharam e ainda se empenham nesta gigantesca obra de amor, eis que tantos anônimos. Mas, que se pronuncie em gratidão e homenagem a todos eles, o nome dos fundadores e da atual diretoria, pois se ergueram ao pináculo da beneficência e da decência humana: Fundadores: Octaviano Zandonai, Mirta Devenzi, Nereu Gabiatti, Jair Martins, Murilo Mattos, Roseli Mior, Dilce Neves, Valdecir Cavalli, Alberto Stringhini, Pedro Somacal, Neusa Colombo, Nair Bonissoni, Olga Cisotto, Delmia Zolet, Ethel Sette, Janaina Tomen, Carlos Oliveira, Jaqueline Bigaton, Carlos Padilha, Rosne Tochetto, Gema Varela, Alice C, Delize Juhner, Anadir Cristolli, Dionete da Silva, Simone Demarchi, Diamantina Sopelsa, Claudia Pille, Orestes Sensolo, Sandra Zandavalli, Ernesto C, Desire Baptista, Rosmari Sandrin, Marcelo Moura, Leonides Tumelero, Oscar Zandavalli, Maria da Graça Buchele, Valentina Ziliotto, Luiz Buchele, Irmã Camargo. Atual Diretoria: Nelso Bonissoni, Jeronimo Favero, Antonio Battistella Anacleto Canan, Gustavo Lima, Vldenir Grando, Arnaldo Mores, Geide Zandonai, Antonio Berta, Gilberto Codebella, Leocir Zanella, Sandra Zandavalli, Marcelo F. Rodrigues, Sonia Jasper, Orides Devenzi, Gladis Rigon, Dulse Stringhini. Dentre os maiores benfeitores, não se pode deslembrar da idealizadora Lurdes Sette Zandavalli e ainda da digna família de Osório Henrique Furlan. Gente como as aqui nominadas merecem respeito e admiração, pois são testemunhos vivos de que nestes tempos turbulentos, ainda existe esperança para a humanidade. ]

Pensamento na inauguração do Recanto do Idoso e no aniversário do município de Concórdia: “Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas. Dar um pouco que se tem ao que tem menos ainda enriquece o doador, faz sua alma ainda mais linda. Dar ao próximo alegria, parece coisa tão singela, aos olhos de Deus, porém, é das artes a mais bela.”

segunda-feira, 26 de julho de 2010

ELOGIO À PREGUIÇA


Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com


Entusiasmado com a leitura de “Elogio à sesta”, ocorreu-me que o panegírico de Leonardo Boff ao sono revigorante, pós-almoço, tem mesmo algo de necessário e, convenhamos de emblemático. O sono implica em aceitação de nossas limitações, cansaços e permite um “stop” reflexivo em meio ao burburinho da “corrida” cotidiana com que nos empenhamos em construir isso ou aquilo. A necessidade da sesta parece ser um mecanismo biológico secreto da natureza que nos convida, inconscientemente a interromper e desligar o nosso habitual e diário modo de agir, permitindo, sim, um novo amanhecer no mesmo dia. O embaraço mental, exatamente na metade do dia a exigir um “dolce” dormitar me parece contudente sinal de que o ritmo cibernético da nossa vida não vai bem. A sesta propicia ao subconsciente da humanidade um revigorar físico e mental, propício a reprogramar o projeto de “progresso” e de ganância que nos arrasta para o final dos tempos.

A partir destas reflexões assaltou-me à memória ”O Direito à Preguiça”, do cubano e genro de Karl Marx, Paul Lafargue, ensaio escrito à época da Revolução industrial em que mortes prematuras de operários, em meio à superprodução de bens e a uma carga horária de doze a dezoito horas diária, formavam um quadro de opressão, caos e crueldade. Sua proposta previa a redução das jornadas de trabalho com o que melhoraria a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores. Estes, com tempo disponível também se tornariam consumidores, fruindo do lazer, cultura, turismo e produtos, diversificando e melhorando a própria economia.

Com a devida vênia, alguns trechos de Lafargue: “Este trabalho, que em Junho de 1848 os operários reclamavam de armas na mão, impuseram-no eles às suas famílias; entregaram, aos barões da indústria, as suas mulheres e os seus filhos. Com as suas próprias mãos demoliram o lar; com as suas próprias mãos secaram o leite das suas mulheres; as infelizes, grávidas e amamentando os seus bebês, tiveram de ir para as minas e para as manufaturas esticar a espinha e esgotar os nervos; com as suas próprias mãos, quebraram a vida e vigor dos seus filhos. - Que vergonha para os proletários!” “Onde estão essas mulheres prazenteiras, sempre apressadas, sempre a cozinhar, sempre a cantar, sempre a semear a vida gerando a alegria, dando à luz sem dores filhos sãos e vigorosos?... Temos hoje as raparigas e as mulheres da fábrica, insignificantes flores de pálidas cores, com um sangue sem rutilância, com o estômago deteriorado, com os membros sem energia!... Nunca conheceram o prazer robusto e não seriam capazes de contar atrevidamente como quebraram a sua concha! E as crianças? Doze horas de trabalho para as crianças. Ó miséria! - Mas todos os Jules Simon da Academia das Ciências Morais e Políticas, todos os Germiny da jesuitaria, não teriam podido inventar um vício mais embrutecedor para a inteligência das crianças, mais corruptor dos seus instintos, mais destruidor do seu organismo do que o trabalho na atmosfera viciada da oficina capitalista. A nossa época é, dizem, o século do trabalho; de fato, é o século da dor, da miséria e da corrupção.” ”Cristo pregou a preguiça no seu sermão da montanha: Contemplai o crescimento dos lírios dos campos, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos, Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu com maior brilho.”

Em suma, é preciso frenar urgentemente a política desenvolvimentista, de consumo e de crescimento interminável do PIB dos países, pois está exterminando a vida na terra. E prosperar com simplicidade, gerando somente os filhos que se pode criar com dignidade, consumido apenas o necessário, sem ostentação, adotando alternativas tecnológicas limpas. Enfim, obter o sustento com o suor do rosto, mas, sem esquecer-se de descansar no sétimo dia e no Senhor.

Pensamento: “O trabalho desenfreado é o mais terrível flagelo que já atacou a humanidade.” Paul Lafargue

terça-feira, 20 de julho de 2010

CRISTÃO OMISSO: A CULPA É TUA


Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

O que mais me preocupa com o governo Lula é a ausência de proteção e ataques à liberdade, à imprensa, aos padrões cristãos de moralidade, e a omissão do nosso povo que parece alienado, achando que toda a política é suja, “coisa do diabo”. Essa alienação faz com que outros assumam o poder político e dêem as cartas. A inércia dos cristãos ao se afastarem cheios de escrúpulos e preconceitos da política é atitude de subserviência e de irresponsabilidade a qual impõe um custo muito elevado ao país e às instituições democráticas.

O texto do Decreto nº 7.037 de 21/12/2009 alterado pelo Decreto 7.037 de 12/05/2010 que aprova o chamado PNDH-3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos) é uma cusparada na cara dos cidadãos omissos deste país. O texto e anexo suprem do Judiciário a prerrogativa de restaurar o direito de proprietários de terras invadidas. Sob o “manto” dos “direitos humanos” extingue a propriedade na medida em que uma simples invasão já muda o status jurídico da área impedindo que um juiz determine a reintegração. Para reaver a terra o proprietário é obrigado a aguardar uma intervenção denominada de “mediação”, que, obviamente está acima do poder da Justiça, num grave golpe constitucional. Ações programáticas propõem tutelar a imprensa, suspendendo programações, cassando a concessão dos meios de comunicação e, acreditem acompanhar e submeter editoriais ao alvedrio de regras do governo. O AI 5 (Ato Institucional nº 5) da ditadura militar era “fichinha” perto do PNDH-3 do governo Lula.

Afinal, quem seriam os responsáveis pela aplicação destas miseráveis e inconstitucionais normas? Pessoas investidas em cargos de confiança do Presidente da República (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Ministério da Justiça, Ministério das Comunicações). São eles (e não o Judiciário) quem decidirão o que é ou não atentatório aos direitos humanos. Escandalizado? Escuta essa: Enquanto o certo é eliminar a prostituição, o decreto busca proteger os “profissionais do sexo” com a legalização e regulamentação da prostituição. Quer mais? Enquanto desmoraliza o Poder Judiciário, dita normas para livros didáticos e critica o agronegócio, o decreto do Presidente Lula, descriminaliza o aborto legalizando a matança silenciosa de crianças ainda no ventre de suas mães e, para arrematar, promove ações voltadas a garantia da legalização da união gay. Ou seja, trata-se de uma mini-constituição golpista, que tenta interferir de forma ditatorial no país, sob as rédeas férreas do comando central, que decide quem é quem e o que fazer na vida das instituições e das pessoas. E tudo isso sem consultar a sociedade. Enquanto o certo é fazer de tudo para preservar o casamento e a família, pedra angular da sociedade, a nova lei do divórcio faz festa com a separação dos casais. Hoje voce pode entrar num cartório com RG e CPF na mão, casar e se separar no mesmo dia.

Não é por nada que o governo lulista e sua diplomacia têm se aproximado de forma absolutamente inaceitável de países cujos governos desprezam a propriedade privada, controlam os meios de comunicação e a vida dos cidadãos. Quem é contra vai preso, torturado e morto! O discurso de Lula é o do fortalecimento da democracia, dos ideais republicanos (oram vejam!), da igualdade, liberdade, etc., mas a prática mostra que tenta levar o país para um regime totalitário, distante dos valores democráticos e cristãos que abraçamos. Daí a pergunta: Onde andam os cristãos de todas as igrejas, os políticos idealistas, as forças empresariais e pessoas vinculadas à mídia, ao agronegócio, ao judiciário, a OAB e as instituições democráticas deste país que não abrem o berro contra essa sandice do governo Lula em esbulho reiterado contra as nossas mais caras liberdades constitucionais?

Pensamento: Se voce não participa e assume sua responsabilidade, vai ter que se enquadrar, obedecer e calar a boca. É isso que voce quer? A omissão faz parte de seus ideais?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

INTROSPECÇÃO


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Você percebeu, neste espaço de mídia, a formatação de um ambiente destinado a gerar um interesse genuíno pelas pessoas, um especial cultivo pela qualidade e sinceridade do conteúdo, uma atitude mental aberta e positiva sobre a sociedade, a história e a própria vida. Meu maior problema, ao iniciar um texto, não é a escolha do tema, do título e da curiosidade que ele estrategicamente pode despertar, mas a gestão do tempo. Primeiro do meu tempo e depois do tempo do leitor. Parece-me demasiadamente enfadonho, por exemplo, falar sobre futebol, mesmo em meio a uma Copa do Mundo quando todo mundo fala sobre o assunto. E, se o fizesse falaria sobre as qualidades e responsabilidades pessoais que um trabalho em equipe exige, os quais, quando inexistentes, levam a ineficiência do conjunto e ao insucesso das metas arquitetadas (não foi o caso?).

É preciso valorizar muito o conhecimento, o desenvolvimento da capacidade intelectiva, de compreensão e de consciência sobre os valores, princípios, doutrinas, costumes e ideologias que dominam o nosso cotidiano. A gestão do meu tempo ao escrever estas crônicas, me leva sempre a fazer um convite, mesmo que breve, para que o conteúdo delas incite o desenvolvimento cognitivo, desafie a habilidade do contraditório, do pensar diferente, do descobrir o que vai por trás dos fatos.

Não tenho paciência para veleidades. O senso comum não é a minha praia. Nossos atos, atitudes, falas, gestos e forma de se conduzir devem modelar comportamentos dentro da sociedade em que vivemos. A qualidade de atitudes e decisões para mim não é apenas um diferencial. Na verdade é um patamar básico. A indignação frente a erros e equívocos deve ser divisor de águas, onde quer que voce esteja. Estes conflitos jamais podem ser aleatórios, senão intrínsecos às exigências de nobres ideais. O custo sempre é altamente compensador. Perde-se “amigos”, relacionamentos e se é estigmatizado. Mas o alicerce é bíblico: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? (Mt 16,26).

A fatuidade ou presunção ridícula dos que criticam, injuriam e, no popular, “metem a lenha”, reside no fato de que agem dentro da lógica, do esperado, pois desnudam o abismal precipício, a dualidade, a dicotomia entre o meu comportamento e o deles. A única preocupação é eventual apologia à minha conduta, pois poderiam passar a idéia de que somos iguais. Enfim, ao escrever me coloco na posição de quem lê. E acabo sempre sorrindo, me surpreendendo. Percebo que desenvolvo uma idéia e, de repente concluo de forma inusitada, até para mim. Em crônica pretérita escrevi: ”Na realidade as informações que um curso universitário, de mestrado ou doutorado oferece são positivas, pois franqueiam aos estudantes uma maior consciência da própria ignorância.” Ora, não seria mais adequado afirmar que a formação acadêmica é positiva, pois permite aos estudantes “uma maior consciência de suas responsabilidades”? Vem bem a calhar, no findar do segundo ano de minha modesta participação neste espaço, a humildade de Fernando Pessoa: “Depois de escrever, leio... Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto? De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu... Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta. Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...”.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SADIA: ROMPEU-SE O CORDÃO UMBILICAL


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Em meados de novembro de 2007 a Perdigão passou a deter o controle acionário total da Batávia e consequentemente a gerir a marca daquela empresa. Em 2009, a fusão da Perdigão (68%) com a Sadia (32%), aprovada com recomendações pela Secretaria de Acompanhanto Econômico (SEAE) neste mês de junho de 2010, resultou na maior empresa multinacional brasileira de alimentos processados. A realidade é que os cenários destas megafusões decorrente de políticas econômicas, financeiras e de mercado, impuseram novas relações com as comunidades que abrigam suas unidades industriais e empresariais. O novo cenário se reduz num verticalismo exclusivista à dimensão da maximização do lucro, excelência dos produtos, otimização do mercado de insumos e consumidor. Subordinando o projeto de crescimento a formação de um oligopólio com alto poder de mercado, não se pode negar que o novo paradigma empresarial realmente tem absoluta e inquestionável capacidade para impor preços estratosféricos, muito acima dos custos e em prejuízo do consumidor. A megafusão segue o passo do mercado mundial, dividido em grandes mega-empresas e oligopólios. Não tem outro jeito. O rumo é por aí mesmo. Nossa maior sorte é que, no caso da Brasil Foods, trata-se de empresa nacional, o que impede sejamos submetidos a políticas de preços ditados por interesses externos.

Sem descurar da relevante função social das empresas, da geração de empregos e tributos, o foco hoje tem cores emocionais, na medida em que a fusão, no caso de Concórdia, transformou a unidade local numa simples fábrica, assim como as demais espalhadas pelo país. Tal contingência, por motivos óbvios, rejeita a construção emocional, de afeto e de cumplicidade entre os sonhos do fundador Attilio Francisco Xavier Fontana e a comunidade local (berço da matriz durante décadas). Não reconhece as origens nem a história, uma vez que tudo passa a se processar dentro de um projeto de crescimento global, que leva em conta o comportamento dos mercados mundiais.

Profícuas, prósperas, admiráveis e afetuosas relações, que marcaram as matizem entre a extinta empresa e suas origens restam deslembradas. A Sadia se fazia presente na vida das pessoas e das instituições, se preocupando de forma muito especial com a qualidade de vida e com o desenvolvimento do município. Esta visão humanista e humanitária sofreu uma perversa metamorfose, obsedada por diretrizes visivelmente antipersonalistas, de mercado. Apodada de paternalista, as velhas relações de equilíbrio, serenidade e amor entre o fundador, sua amada Sadia e a comunidade foram sucateadas e substituídas por relações comerciais que estimulam a sensação de saudade, abandono e inquietude. Rompeu-se o cordão umbilical. Os tempos são outros. Salvo a visão de uma estátua de bronze do saudoso e amado fundador da Sadia, que insiste em fincar os pés na praça em frente à empresa, nada mais lembra a poderosa matriz do conglomerado Sadia.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

DIPLOMA SEM FÉ E HUMANIDADE?


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

As informações que nossas escolas e universidades transferem aos estudantes são úteis, na medida em que oferecem instrumentos adequados para formar profissionais atuantes. Por elas nossos jovens se tornam juízes, médicos, engenheiros, veterinários, matemáticos, odontólogos, químicos, administradores, contabilistas, advogados, entre outras profissões. Através do nosso sistema de ensino nos apropriamos legitimamente de informações acumuladas por milhares de pessoas que viveram antes de nós. Entretanto, ao conquistarmos um diploma, cargo, posto ou função profissional, cometemos imperdoáveis equívocos. O primeiro é pensarmos que se trata de exclusivo mérito pessoal. O segundo é acharmos que somos o cargo, a função ou a profissão que exercermos. E o terceiro é acreditarmos que isso é tudo. Não parece difícil perceber que as informações que acumulamos não foram descobertas por nós, são emprestadas de outros. Na realidade as informações que cursos universitários, de mestrado ou doutorado oferecem são positivas, pois franqueiam aos estudantes uma maior consciência da própria ignorância. Mas, o grande problema do sistema de ensino é não possuir qualquer projeto ou estrutura mínima para a formação dos ideais e do caráter dos seus alunos. Um curso superior ou um cargo profissional pode quanto muito, dar certa respeitabilidade. Mas, sem que venha acompanhado por uma profunda consciência de humanidade e um incondicional comprometimento com princípios humanitários, sociais e cristãos, não vale nada. Trata-se de conhecimento morto, que transforma as pessoas instruídas em pessoas mortas.

O materialismo dialético e as referências sobre a religião como forma suprema de alienação, objeto de incursões acadêmicas ao tempo do curso de economia na UFPR, me intrigaram e, por experiência própria, me fizeram pensar diferente. As escolas e universidades até podem ser instrumentos ideológicos de dominação e reprodução do modo capitalista de exploração (do que discordo). Mas pudera. Em suas grades curriculares, com exceção das que oferecem conteúdos de filosofia, psicologia, teologia e bioética, sequer tangenciam temas sobre princípios humanos e cristãos ou escala de valores e, como organizá-los corretamente frente a vida em sociedade e a vida pessoal. Inexiste conteúdos sobre modo de pensar, agir, conduzir-se, relacionar-se, sentir, amar. Não se fala aos estudantes sobre valores, atitudes, projeto de vida, vocação, discernimento: “O que pretendo ser para ajudar meus semelhantes a edificar uma humanidade melhor?”

Suprindo deficiências, as igrejas clamam aos “instruídos”, intelectuais, profissionais e doutores nelas forjados, que não estamos à merce dos nossos cargos, funções e trabalhos, mas que somos seres históricos que precisam realizar-se como pessoas e filhos de Deus. Que o conhecimento, assim como a vida, somente tem sentido enquanto processo de evolução, dinâmica de crescimento e de questionamento: “Quem eu sou? O que quero ser? O que Deus quer de mim?” Nesta perspectiva, dos púlpitos a mensagem: que somos chamados à plenitude, à conversão, a viver o cristianismo a partir da nossa realidade concreta, conhecimento, diplomas, profissões, cargos e funções. É preciso, exortam os pregadores, optar definitiva e profundamente por andar segundo as regras do santo Evangelho. Abrir-se incondicionalmente ao Espírito Santo, único que pode dar sentido ao nosso conhecimento, côr aos nossos embotados diplomas, justiça às nossas funções de Justiça, autêntica e sincera alegria ao exercício de nossas profissões.

Pensamento durante o jogo do Brasil x Costa do Marfim: “ O melhor psicólogo do centro-avante é a rede do adversário.” Galvão Bueno, locutor esportivo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

“CEMITÉRIO E MORADIAS SOBRE MANANCIAIS, FONTES E NASCENTES DE ÁGUA -LAGEADO DOS PINTOS: 2010/2004”


(mais fotos e documentos em:http://concordiambiental.blogspot.com/)

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

E lá se vão alguns anos da decisão judicial que, em 2004 proibiu a construção, então em andamento, de um cemitério municipal sobre mananciais e fontes de água que alimentavam o Lajeado dos Pintos, afluente do Rio Jacutinga, onde é captada água para a cidade de Concórdia. Perícias comprovaram a existência de intensa atividade aqüífera no local, com nascentes e mananciais “cujas águas infiltram-se no subsolo, criando e alimentando o lençol freático”. Em inspeção judicial, o juiz Dr. Sérgio Luiz Junkes, acompanhado pelo escrivão, advogados, ministério público, partes interessadas e pela imprensa local, documentou as águas que praticamente afloravam a superfície e, consequentemente, a inadequação do solo para construção de um cemitério. Diante da gravidade e do interesse público, notícias sobre o litígio foram publicadas em vários jornais do país, vindo à lume informações sobre o potencial poluente de um cemitério cuja poluição da decomposição de cadáveres espalha vírus que podem sobreviver até 05 anos no solo, afora resíduos atômicos decorrente do tratamento de câncer.

Ficou provado que o sistema hidrológico das terras sob as quais o município pretendia construir o cemitério tinha sua gênese num banhado a montante, o qual alimentava duas fontes e o lençol freático, que, pela gravidade despencava superficial e sub superficialmente ladeira abaixo, alimentando todo o sistema. Em inspeção, constatou o magistrado que: “O local visitado trata-se de um vale cheio de água (manancial superficial em abundância)". Não havia dúvidas de que a retenção de águas pelo banhado a montante é que controlava, de forma permanente e contínua, sem interrupção mesmo durante fortes estiagens, os lençóis de água subterrâneas. Quase beirando o asfalto do contorno norte, referido banhado se constituía em região alagadiça, extremamente úmida, com água superficial, protegida por mata ciliar e, portanto, em fonte permanente que alimentava todo o sistema hidrológico abaixo, em topografia escalonada longitudinalmente orientada sentido N-S. Pedra angular da discussão judicial, o direito da comunidade de Concórdia em viver em um meio ambiente ecologicamente equilibrado o qual reflexa valores sociais, de interesse da humanidade, a tal ponto de se erigir como Direito Humano Fundamental, esculpido em cláusulas pétreas constitucionais, artigos 1º, inciso III, 4º, II, 5º, caput (direito à vida) e artigo 225 da Magna Carta.

Daí a estarrecedora surpresa, sete anos depois, ao constatar no local, durante entrevista à TV Concórdia, a construção em ritmo acelerado de várias residencias e benfeitorias destinadas a abrigar um loteamento. Nas condições retro mencionadas, de conhecimento público e notório, resta comprometido o micro-sistema ambiental elementar de águas que desembocam no rio Jacutinga. A função interativa e interdependente de fontes de água ao longo dos rios, quando atingida pela omissão e pouco caso, coloca em risco a sobrevivência humana. Embora as bombas de sucção no rio Jacutinga se localizem à montante da pequena foz do riacho Lajeado dos Pintos, não se pode ignorar que bactérias e vírus possuem grande mobilidade em meio aquoso. A transformação da área em loteamento, com a construção de moradias, pode ser vista no blog http://concordiambiental.blogspot.com/ no qual foram publicados documentos e fotografias pertinentes. Ninguém pode desconhecer que a intervenção no meio ambiente influi diretamente no gozo dos direitos humanos fundamentais, como o direito à vida e a saúde. Tais direitos não necessitam de qualquer ato de recognição. São supranacionais, suprapositivos e interdependentes. Interessam tanto aos concordienses como à comunidade global.

Pensamento: Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada. Cícero.

terça-feira, 1 de junho de 2010

“DIPLOMACIA: MÃO ESTENDIDA, PUNHO FECHADO”




Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com

A visão de que o presidente Lula, em fase de desocupação de seu gabinete presidencial, instaura um novo paradigma na diplomacia internacional, antítese da americana que negocia na base do porrete na mão, sinceramente é poética e ingênua. É evidente que os EUA, sob o ponto de vista das relações internacionais (comerciais, políticas, culturais), assim como qualquer país inteligente, não se vê como nação hegemônica e imperial. E nem poderia. Diante da globalização das informações, da economia e das finanças, pensar em hegemonia ou de que algum país, em sã consciência, tenha condições para ditar normas e definir quem é ou não inimigo, sob o ponto de vista de seus exclusivos interesses, é surreal. Atualmente, a auto-preservação de cada nação inevitavelmente passa por decisões conjuntas e globalizadas. Oscilações econômicas, financeiras ou de saúde pública em qualquer país, dada à íntima correlação do sistema econômico, de fluxo de pessoas e de informações a nível global, afeta imediata e diretamente todas as demais nações. Por este motivo, é simplista e singelo estigmatizar países comprovadamente democráticos como, reducionistas, belicistas ou imperialistas.

Governos ditatoriais e grupos fundamentalistas, estes sim, tentam impor seus modelos pela força infame e traidora do terrorismo. E definem o inimigo como sendo a democracia, que deve ser combatida mesmo com a morte de inocentes não contextualizados com as suas loucuras. Os sangrentos e intermináveis ataques por extremistas ao Estado de Israel (milhares de mísseis são disparados contra cidades israelenses pelo grupo terrorista Hamas, todos os anos) levam países como Israel a cometer desatinos desesperados como medidas de autodefesa. Exemplo disso foi o bloqueio de Gaza e o ataque a comboio sedizente humanitário composto por ativistas (terroristas e apoiadores segundo Israel), condenado pela ONU ontem, dia 01/06/2010. Mas a situação iraniana é muito mais grave. Enquanto a comunidade internacional se empenha em buscar a defesa da democracia e da dignidade da pessoa humana (núcleo essencial dos direitos fundamentais), o presidente Lula insiste, como se tivesse ex-cátedra em diplomacia internacional, em tratar o problema da bomba nuclear iraniana, de cor fundamentalista e sanguinária, como uma questão de simples diálogo “olho no olho”.

E, procura convencer, que o governo iraniano, enquanto insolente e desenfreado grita para todo mundo ouvir que quer fazer Israel sumir do mapa, apenas pretende utilizar urânio para fins pacíficos. Ora, apoiar o Irã buscando ingênuo diálogo, enquanto o país segue frouxo no seu programa nuclear, é o mesmo que apoiar a sua imoral e desatinada decisão de exterminar o povo de Israel e, por outro lado, franquear ações de autodefesa que podem incluir ataques nucleares. A diplomacia cega de Lula e a sua idéia política de “mão estendida” não percebe (estranhamente) o que é visível para o mundo inteiro: a má-fé habitual de Mahmoud Ahmadinejad. Não cumpre acordos internacionais e quando estende a mão costuma fechar o punho. Os que apóiam a diplomacia de Lula em consonância com a ortodoxia fundamentalista, de que é possível dialogar com terroristas, ditadores de meia-tigela, loucos sanguinários, desvairados belicistas que apregoam o fim de países e mandam matar opositores políticos, se movem em imprudência. Esquecem a essência da democracia e de seus valores intrínsecos. Os que pensam assim perderam a solidez dos ideais da compaixão, do amor ao próximo e, com certeza, o senso da verdade. Pensamento da semana: “Voce achar que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível” José Serra,Revista Veja edição de hoje, 02/06/2010.

sábado, 29 de maio de 2010

IRMÃO DINO GIRARDELLI: NÃO EXISTE DESPEDIDA QUANDO O AMOR É TÃO GRANDE.


foto: Praia Ingleses - Florianópolis - SC

A inserção dos textos que segue, quebra o protocolo deste blog, originalmente construído para publicação de cronicas. Mas se justifica na medida em que pretende homenagear um sêr humano excepcional.

"Resposta à Carta de Irmão Dino Girardelli em sua despedida como diretor de um dos mais renomados colégios católicos do Brasil."

Amado Irmão Dino.
Voce jamais partirá.
Sua alegria, seu caráter santo, sua peculiar forma de andar com Jesus Cristo nesta terra, trazendo conforto, amor, compaixão, caridade, alento, está incrustado no coração de cada pessoa que nesta curta vida teve o milagroso privilégio de lhe conhecer.
Querido amigo e Irmão que seu santo exemplo continue impulsionando nossas atitudes; que seu amor pelos semelhantes seja o motor que nos mantém no rumo; que sua inteligência, bom humor, grandeza de espírito e humildade, sejam o talhe do Criador, todos os dias, em nossa vida, até o último suspiro.
Saudades, querido, amado e inesquecível Irmão Dino, dos tempos em era o timoneiro do Colégio São Luiz em São Leopoldo - RS.
Saudades, estimadíssimo e inefável amigo.
Voce é vaso valiosíssimo nas mãos do Senhor Deus.
Obrigado Pai Querido, Ludovido Pavoni e Ordem Pavoniana, pela presença deste vosso filho, Dino Girardelli, em nossas vidas.
Obrigado Magnifíco, brasileiríssimo e italianíssimo Irmão Dino.


CARTA DE DESPEDIDA

Queridos alunos e alunas, estimados pais,
Senhores professores, funcionários e amigos,

Animado pelo salmo bíblico “Senhor, tu me sondas e me conheces...”, dirijo-me a vocês com o coração tranquilo por causa da consciência do dever bem cumprido.
Há um tempo para semear, outro para colher. Há um tempo também para o armazenamento dos frutos de nosso trabalho. É então que nos detemos para considerar o quanto a jornada foi árdua, porém compensadora. Este tempo da parada chegou para mim. Portanto, conforme apresentado pelo Pe. Gabriel Crisciotti, Superior Provincial da Congregação Pavoniana no Brasil e Presidente da Associação das Obras Pavonianas de Assistência, estou deixando, com grande serenidade, a Direção do Colégio São José. Com 75 anos completos, penso que já é momento de transferir a uma pessoa mais jovem e de ideais renovados as minhas atribuições e os meus sonhos.
No mundo nada é duradouro, pois as mudanças sempre acontecem. Essa constatação não é diferente para nosso querido Colégio São José. Estamos hoje presenciando uma mudança histórica: com muita alegria, o Superior Provincial comunica a todos, o nome do novo Diretor do Colégio São José, o Prof. GIOVANNI MARQUES SANTOS. Esse novo responsável e sua equipe têm demonstrado grande capacidade para percorrer novos caminhos e realizar boas mudanças.
De agora em diante, pretendo ser uma presença viva, prestando todo o apoio necessário para o transcurso da rota desses avanços. Não estando mais na Direção, ocuparei o cargo de responsável pelo Setor Administrativo. Estarei sempre atento, pelos corredores do Colégio, ajudando em tudo o que se fizer necessário. Permanecerei firme em nossos projetos e no papel que a escola católica é chamada a cumprir na atual sociedade, privilegiando sempre a qualidade de nosso ensino. Desligo-me da responsabilidade principal com a plena certeza de ter cumprido minha missão com eficiência, sabedor também de que ajustes e outras melhorias ainda deveriam e devem ser realizadas. Passo ao Prof. Giovanni o Colégio em ótima situação, quer sob o ponto de vista organizativo, quer sob o ponto de vista estrutural. Alcançamos os mais modernos avanços tecnológicos. Todos os demais setores se encontram em perfeito funcionamento. Desse modo, a Congregação afirma a sua contínua presença no Colégio São José, garantindo a missão evangelizadora de nossa instituição de ensino.
Testemunhando o excelente desempenho educacional desta escola, fruto do empenho dos meus predecessores, faço minhas as palavras de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé”.
De coração, desejo à nova direção muito sucesso, na certeza de que nosso Colégio que, durante tantos anos tem sido a vanguarda do ensino em nossa cidade e região, continue fazendo jus a sua fama.
Registro meus melhores agradecimentos ao grande companheiro, Ir. Rino, aos professores, aos funcionários, aos alunos e seus pais pelo apoio e pela incondicional amizade prestados a nós ao longo dos trinta e um anos de minha permanência no Colégio São José. Agradeço aos amigos que me sustentaram nas horas de crise e, finalmente, o meu respeitoso agradecimento a Deus por ter presidido todos os meus atos, nunca me faltando com a luz de Sua sabedoria e nem com a força de Sua coragem.
Que em nossas famílias reine a paz, favorecendo, assim, o crescimento de nossas crianças e jovens.
Um grande abraço a todos do amigo sempre presente,

Ir. Dino Girardelli

Pouso Alegre, 1.º de junho de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

“ABOMINÁVEL MUNDO ATEU”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

O presidente Lee Myung-bak afirmou no início desta semana, dia 24/05/2010, que o seu país, a Coreia do Sul, estava se esquecendo de que "divide a fronteira com um dos países mais propensos à guerra do mundo", ou seja, com a Coreia do Norte, esta que teria afundado um de seus navios de guerra no final de março deste ano, com a morte de 46 marinheiros. Resultado: Armados até os dentes, irmãos que possuem a mesma etnia, origem e cultura, se preparam para eventual guerra, deslembrando-se seus líderes das consequências de um confronto nuclear. No âmago da discórdia, a ideologia ditatorial da Coreia do Norte fundada na incredulidade e na violência, empenhada em inculcar na mente de suas lideranças e de seu povo a noção materialista da vida e da sociedade. E, paradoxalmente, enquanto se apoia em doutrina que prega a neutralidade religiosa, pugna por extinguir qualquer sentimento religioso do coração das novas gerações. Na base deste litígio, o ateísmo e, devido a ele, a ausência de conhecimento religioso e, consequentemente, de sentimento de fraternidade de inspiração cristã. Essa é a única explicação para todo e qualquer litígio (entre países, igrejas e religiões, membros da mesma família, irmãos, vizinhos, amigos).

É preciso lembrar que o Direito internacional moderno, assim como as constituições dos países democráticos, contempla de forma decisiva, clara e inalienável a preocupação em amparar a pessoa humana desprotegida, aviltada, preservando-lhe a dignidade. Georges Ripert na obra “As Forças Criadoras do Direito”, (1955, jurista francês mencionado por Orlando Gomes), é claro ao afirmar: “O Direito transforma em regras jurídicas deveres de justiça e caridade em relação ao próximo”. O conceito traduz com fidelidade uma premissa facilmente constatável: de que a caridade, justiça, fraternidade, amor cristão e o respeito pela dignidade do próximo influenciaram todo o sistema jurídico e doutrinário que rege a convivência entre pessoas e entre nações. Concludentemente, quem se afasta de toda e qualquer orientação religiosa, por certo também tem tremenda dificuldade em viver e conviver conforme as leis humanas, pois a ordem jurídica em geral repercurte de forma extensa e profunda princípios de inspiração cristã.

As armas (inclusive atômicas) de países ditatoriais, antidemocráticos e anticristãos estão em riste contra Deus e, consequentemente, contra toda a humanidade. Por este motivo (exatamente por este motivo) seus líderes não se importam com o extermínio de civis. Escabrosos, baixos, abomináveis, enlameados pelo ateísmo, impõem de forma brutal a guerra e a morte de inocentes. Assim, é inacreditável o esforço do governo brasileiro em manter proximidade com ditaduras atéias e belicosas. Depois de afirmar que tinha 99% de chance em acertar um acordo com o Irã e, após a diplomacia brasileira passar por um vexame de magnitude internacional, Lula afirmou, também no início desta semana, que “não foi ao Irã na semana passada para discutir um acordo nuclear”, mas “para convencer o Irã a sentar e negociar com a ONU” (Fonte: Folha de São Paulo). Todavia, a questão que se impõe é de que não existe a mínima possibilidade de que a sociedade brasileira aceite aproximação comercial, política, diplomática ou cultural do Brasil com governos hostis aos direitos humanos fundamentais. Ora, foi ao Irã fazer o que? Há apenas cinco meses para entregar o governo, o que Lula pretende com países como Irã, Venezuela, Bolívia, Cuba e quem sabe (era só o que faltava) a Coreia do Norte?

Pensamento da semana: “Em vez de atuar como um quinta-colunista da bomba nuclear iraniana, Lula deveria pensar apenas em esvaziar as gavetas de seu gabinete. Acabou. Lula. Chega. Fim. Xô.” Diogo Mainardi, Veja, edição 2165 de 19/05/2010.