terça-feira, 28 de junho de 2011

GREVE: EM SALA DE AULA!

Amanhecer gelado em Concórdia - SC

Cesar Techio
Economista – Advogado - cesartechio@gmail.com

Há extrema e urgente necessidade de que a comunidade escolar adote estratégias mais eficientes, completas, maduras e de horizontes mais largos, com relação às greves dos professores que pipocam em vários estados da federação. Mas, o mais importante de tudo, diz respeito ao tipo de formação que é dada em nossas escolas. O que se espera é que, o valor que permeia a estrutura escolar se torne eficaz na promoção de uma especial preocupação por todos aqueles desprovidos dos meios para viver com dignidade. Aí se inserem, por evidente, os professores e professoras, os quais são a pedra angular do sistema. Por estes motivos, o planejamento educacional deve ser feito em função da dignidade humana, sob a perspectiva da compreensão das causas da miséria, da pobreza e da injustiça social.

Sob esta ótica, a atual sistemática das greves não atende a necessidade de uma correspondente reflexão a respeito da justiça, que deveria estar presente no currículo escolar e que deveria ter como objetivo concreto a análise das causas da pobreza, do desemprego, da funesta concentração de renda, dos baixos salários pagos aos professores, da perversidade do sistema capitalista, do problema da alienação, etc. Considerando estes fundamentais aspectos, manter os alunos em sala de aula é premissa inalienável, inderrogável, com a qual não se pode transigir. Ocorre que a educação, a meu ver, é serviço essencial, equiparado ao serviço do médico que salva vida, ao do bombeiro que apaga incêndio, entre outros. Sem educação e uma formação ajustada a uma bitola ética exigente, que permita plena capacidade de reflexão e consciência clara da realidade em que vivemos, produziremos uma juventude idiotizada, massa de manobra de um sistema de explorados e exploradores.

O problema não está na greve, mas na estratégia da greve que lança os alunos para fora da sala de aula. Reivindicações são absolutamente legítimas, entretanto, devem nascer de um contexto escolar operante e não esvaziado. Assim, ao invés de se cruzar os braços durante o período de greve, alunos e professores deveriam permanecer em sala de aula, com alteração parcial do conteúdo curricular, destinado a discutir o processo educativo, as causas da miséria social, o baixo e aviltante salário pago aos professores, as causas da exploração da classe trabalhadora, etc. Formar novas lideranças em prol da promoção da causa dos explorados frente à injustiça social deveria ser missão permanente, principalmente em época de greve. Qual a visão da comunidade escolar (professores, alunos e pais) frente ao materialismo? Qual a preocupação diante do egoísmo e da incompetência dos governantes? O que significa austeridade versus consumismo capitalista? Porque o governo não representa os interesses do povo explorado, dos pobres, dos professores e porque não cumpre a lei? O que podemos e devemos fazer para mudar isso? Qual o caminho mais eficaz e de resultado para mudar essa realidade? Vamos eleger representantes da classe dos professores para cargos eletivos na próxima eleição? Qual o candidato a vereador, deputado estadual, federal, prefeito e governador da comunidade escolar? Ora, se são os políticos que, no comando da máquina pública, fazem e desfazem da classe dos professores e, conseqüentemente, da comunidade escolar (pais e alunos), não seria razoável ampliar a pauta de discussão para temas tais como: “pedido de impeachment do governador” e “apresentação de candidatos da classe dispostos a cumprir e a fazer cumprir a lei”? Essa consciência, por óbvio, não se adquire com greves que colocam alunos para fora das salas de aula, em inércia mental, rumo a um futuro sombrio e burro.

Pensamento da semana: “As mães reféns do crack” é o título de reportagem da revista Veja do dia 22/06/2011. É preciso refletir sobre essa devastadora realidade que acaba com as famílias. Em sala de aula!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

GLEISI HOFFMANN UMA IMAGEM DE RESPEITO PARA O BRASIL.

Voce, Gleisi Hoffmann é o lado bom, decente, honesto e sincero do PT. Começo a gostar e a respeitar a presidente Dilma pela excelente escolha que fez. Tambem começo a gostar dela (em quem não votei) pela capacidade de trabalho. Não fala bobagens, é circunspecta, séria e técnica. Excelente imagem para o Brasil. Abraço. Cesar Techio

quarta-feira, 1 de junho de 2011

IGREJAS: NÃO SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM

Cesar Techio
Economista – Advogado - cesartechio@gmail.com

São valiosas as preleções de Leonardo Boff em favor da vida, da justiça e do planeta terra. Como ex-professor de teologia de meus ex-colegas seminaristas, intensificou uma linha de pregação voltada a teologia da libertação, na qual, a dignidade da pessoa humana deve obrigatoriamente ser a pedra angular de toda a construção teológica. E tem razão. Jesus não veio a terra para fazer turismo, senão, teve como centro de suas atenções, de seu esforço e sacrifício na cruz, o homem. Jesus veio para salvar o homem. A partir desta realidade, não se cansa de criticar, acidamente, as orientações teológicas e de política religiosa adotadas pelo atual Papa Ratzinger, ex-prefeito da Congregação para Assuntos da Fé, posto usado durante a idade média pelo comando inquisitorial que durante quase um milênio, espalhou terror pelo mundo, matando inocentes em nome da fé. Ratzinger, seu professor no doutorado, em Roma, lhe impôs “silêncio obsequioso”, durante o auge da pregação da teologia da libertação, o que redundou no seu desembarque da ordem franciscana. A liberdade de manifestação falou mais alto ao apóstolo franciscano.

Partindo deste quadro, não me parece que Jesus Cristo teve planos para criar congregações ou igrejas na forma das que conhecemos hoje: condicionadoras, impositivas, estruturadas em torno do dinheiro dos fiéis, pecúnia nem sempre aplicada em projetos de caridade.
A verdade é que Leonardo Boff, na condição de teólogo e sacerdote romano, caiu fora dos condicionamentos absurdos que a igreja católica lhe impunha e hoje é um cristão realizado e feliz. Creio que uma pessoa feliz não precisa saber nada sobre teologia. Sua felicidade pode ser tão plena que ela não tem qualquer necessidade de barganhar com Deus, pedindo isso ou aquilo ou orar por bens materiais, poder, influência, dinheiro, saúde... Na providência divina precisamos apenas ter certeza. A certeza em Deus corta pela raiz o negócio dos vendilhões dos templos e gera profunda felicidade, geradora de gratidão, compaixão e caridade. Constituídas por pessoas, as igrejas que não possuem compromisso sério com projetos sociais, humanitários e de caridade também não podem ser levadas a sério. O dízimo bíblico não pode servir apenas para enriquecer ou mesmo para manter as igrejas e seus líderes, mas, boa parte dele, para a criação e execução de projetos voltados ao resgate da dignidade dos próprios fiéis e das pessoas carentes e miseráveis.

A desculpa de que isso é responsabilidade exclusiva do Poder Público não é cristão nem biblicamente aceitável. Leonardo Boff olhou para a sua igreja, viu a coisa toda e caiu fora sem fazer barulho. É isso que eu recomendo a você. Olhe para a sua igreja. Investigue o compromisso que ela tem com o ser humano, quais os projetos sociais e de caridade que ela possui. Veja se os princípios cristãos são vividos na prática pela própria igreja, pois em primeiro lugar é ela e seus líderes quem devem dar o exemplo. Quando Jesus disse que o homem não pode viver só de pão, também quis dizer que o homem também necessita de pão para viver. Sempre é bom lembrar que a Obra do Senhor é a sua igreja, que somos todos nós: "Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Co 3.16). Assim, se somos Templo do Espírito Santo, é justo que o dinheiro do dízimo das igrejas também sejam destinados à Obra, que em última instância se constitui na Obra Viva, ou seja, nos próprios fiéis, especialmente os necessitados: “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis”. (Mt 25,40). Se na sua igreja (seja qual for) não existem projetos humanitários e de caridade, caia fora sem fazer barulho. Busque viver os princípios cristãos consigo mesmo e engaje-se em comunidades que vivem um cristianismo autêntico. Pense nisso.

Pensamento da semana: “Louvai e bendizei ao meu Senhor. E dai-lhe graças. E servi-o com grande humildade”. Francisco de Assis.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CIRCO FANTÁSTICO


Cesar Techio - Economista –Advogado
cesartechio@gmail.com

Procuro, dentro de mim, respostas para as emoções que sinto quando assisto aos espetáculos circenses. Será que é pela beleza, pelo clima surreal, pela alegria de seus atores e atoras ou pelo fato de que, ao ingressarmos naquela atmosfera multicolorida, naquele clima de intensa felicidade, nos confrontamos com a criança que existe escondida dentro de cada um de nós? O problema é que o nosso corpo vai envelhecendo e com ele vamos perdendo a elasticidade da alma, a capacidade de nos alegrar. O problema não é a diversão, mas a supressão da diversão. Um ser humano que tem prazer em rir, jamais cairá num divã de psicanalista. Nunca vi um homem de bom humor ir ao psiquiatra por estar esquizofrênico. Dançar, contar e ouvir piadas, se afastar das mesquinharias dos rabugentos, desafiar a raiva dos frustrados e curtir a inocência de uma vida sem preconceitos e arrogâncias, é receita que prolonga os nossos dias sobre a face da terra. Quando as lonas de um circo me envolvem, fico a imaginar se é possível que um homem viva sem alegria. Ao observar as irreverências inteligentes e desafiadoras do palhaço Coca Cola do sensacional Circo Fantástico, me veio a resposta, de que somente é possível a um homem viver, se for com alegria.

Deparo-me, no dia a dia, com homens cheios de sentimentos de culpa por isso ou por aquilo e, por conta dessa situação não vivem. Confundem alegria com leviandade, seriedade com sisudez, “ser criança” com infantilidade. Tudo é pecado, tudo é errado. No fundo, a moralidade que pregam não passa de mecanismo de defesa, pura tapeação imposta pelo medo de ser feliz. A excessiva preocupação com o que os outros pensam ou dizem, infelizmente transforma seres que poderiam ser imensamente felizes, em mal humorados, insanos e hipócritas. Excessivamente preocupados com dinheiro, poder e aparência sofrem de complexo de inferioridade e rir, para eles, é sintoma de fraqueza. Tolos. Quando será que deixaram de ser criança? Ao visitar o circo me deparei com crianças de todas as idades, dos dois aos oitenta anos. O Circo Fantástico, formado por famílias bem estruturadas, amorosas e tementes a Deus (como vim a conhecer), mostrou aos que lotaram seu espaço, em belíssimas, simples e deslumbrantes apresentações, que a criança que existe em cada pessoa, apesar de escondida no peito, ainda está lá, viva e palpitante.

Por trás do palco, também vi organização, disciplina, crianças freqüentando as escolas da cidade, mães e pais diligentes, respeito, humanidade, todos comemorando o aniversário de um avô nos seus sessenta anos (o mágico do circo). Também constatei no curto tempo em que as luzes do circo iluminaram nossas vidas, que a alegria que por lá palpita tem base sólida. Têm raízes na cooperação e no trabalho, intenso, diário, desde a montagem de todo o sistema, até a saída em meio às intempéries deste final de outono e início de inverno. A coragem e determinação é o sustento que impele as famílias do circo a continuarem a missão, o sacerdócio de fazer rir e acordar todas as crianças que teimam em dormir dentro de cada um de nós. E, enquanto escrevo estas linhas, o circo se vai, em busca de novas crianças que esperam por eles. Mas também levam o nosso respeito, admiração e carinho, como retribuição por nos fazer lembrar de que, apesar de tudo, ainda vale a pena sorrir, viver e ser feliz. Adeus Circo Fantástico. Adeus amigos. Boa sorte. Voltem sempre.

Pensamento da semana: Um grande artista de circo é um grande homem numa grande criança. Victor Hugo

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Como tirar nota dez na escola e passar no vestibular

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

“Não consigo me concentrar e por isso não entendo a matéria.” Esta é a queixa da maioria dos estudantes, em toda a fase escolar. Mas, é possível superar esta dificuldade com a adoção de algumas técnicas. Na realidade o problema não é “falta de concentração”, mas “falta de organização”. A primeira regra a observar é a de que “o tempo vale ouro”, portanto não podemos desperdiçá-lo. Dentro desta perspectiva, é imperioso seguir algumas regrinhas, que o resultado é garantido. Trata-se, na realidade, de uma “receita de bolo”. Basta seguir à risca para se sair bem na escola, obter boas notas, passar no vestibular e ingressar numa boa faculdade. A receita é a seguinte: Em sala de aula: 1º - Olhe (não desvie o olhar do professor); 2º - Ouça o que o professor está falando (não se ligue em conversinhas paralelas); 3º - Escreva num caderno a matéria que está sendo ministrada. Em casa, estabeleça o tempo mínimo de duas horas de estudo para alunos do 1º ao 5º ano; três horas para alunos do 6º ao 9º ano; quatro horas para alunos do 1º ao 2º ano do segundo grau e de cinco a seis horas para os alunos do 3º ano.

É muito? Acredite, é o mínimo do mínimo necessário. Não se inclui aí, as aulas de reforço e de revisão nos sábados e domingos. É preciso fixar o tempo de estudo em casa, pois todo mundo sabe que não existe bom colégio ou bons professores se o aluno não se esforça. O local de estudo em casa é muito importante. Se isole, de preferência no quarto e desligue todo o aparelho que possa desviar sua concentração, como som, computador e televisão. Só atenda o celular para membro da família. Se o ambiente não for bem iluminado, compre um projetor de luz, para não cansar com a leitura. A cada 30 ou 40 minutos pare por 5 minutos. Respire, tome bastante água, feche os olhos, faça algum exercício leve, fixe alguma paisagem verde ou alguma planta, pense em algo divertido e positivo. Intercale, no seu estudo, as disciplinas ministradas no dia: Matemática, português, física, geografia, língua estrangeira, química, etc. Ou seja, não estude matemática seguida de física ótica, física mecânica, cinemática ou na biologia, citologia, histologia humana, ecologia, etc.

Ainda em casa, leia na apostila o conteúdo da aula. Depois, leia as anotações do caderno. Faça um resumo, no caderno, de suas próprias anotações cruzando-as com o conteúdo da apostila. Na seqüência, comece os exercícios propostos na apostila e os propostos em sala de aula, a iniciar pelos mais fáceis, depois os de dificuldade mediana. Por fim, tente fazer os exercícios mais complicados, mas sem stress. Se não der, não perca tempo, deixe para fazê-los no reforço ou em sala de aula. Observe que esta sistemática deve ser repetida todo o dia. Se você pular um dia ou um final de semana, o conteúdo acumula e não será mais possível dar conta de tudo. Outra dica importante é se preparar bem para a prova. Associe conceitos e palavras compondo letras de músicas para cada matéria e memorize. Essa é a chave do segredo para uma excelente nota. A vantagem é que você jamais esquecerá a matéria. Veja no You Tube o exemplo do professor Feijão (Pró Master), e a música dos ângulos notáveis; as aulas de história do professor Sergião; as aulas do professor Gauchão do curso Positivo da Vicente Machado de Curitiba (entre outros) e aprenda a estudar fazendo a maior festa. Entre, desde cedo, no espírito preparatório para o vestibular. Alegre-se com a matéria, divirta-se com as aulas, curta os exercícios e seja um aluno de sucesso.

domingo, 1 de maio de 2011

GASOLINA = EXTORSÃO = OTÁRIOS

RODA NA WEB - NÃO DÁ MAIS PARA AGUENTAR A EXTORSÃO.

Beleza de país!

Composição do preço gasolina (em reais) :

Gasolina ("A") 800ml (pura, vendida pela Petrobrás) = R$ 0,80
Álcool Anidro 200 ml (os 20% misturados à gasolina) = R$ 0,24
TOTAL = R$ 1,04 / Litro
+
CIDE - PIS/COFINS (Imposto Federal) = R$ 0,44
ICMS (Imposto Estadual) = R$ 0,64
TOTAL DE IMPOSTOS (104% do Preço Bruto) = R$ 1,08
TOTAL (CUSTO + IMPOSTOS) = R$ 2,12
+
LUCRO DA DISTRIBUIDORA (Média por Litro) = R$ 0,08
FRETE (Média por Litro) = R$ 0,02
LUCRO DO POSTO (Média por Litro) = R$ 0,25

FINALIZANDO:
VALOR NA BOMBA COM IMPOSTOS = R$ 2,47
VALOR NA BOMBA SEM IMPOSTOS = R$ 1,39

Portanto, se você consome 200 litros de gasolina por mês, o bolo
fica dividido assim:

DONO DO CARRO (otário 01- Você, no caso....) GASTA: R$ 494,00
DONO DO POSTO (otário 02) GANHA: R$ 50,00
DONO DO CAMINHÃO (otário 03) GANHA: R$ 4,00
PETROBRÁS (gente que rala...) GANHA: R$ 16,00
GOVERNO (nem um pouco otário) GANHA: R$ 216,00
Deveríamos comemorar a "auto-suficiência" em roubo também.Nós produzimos nossos próprios corruptos...

BRASIL: UM PAÍS DE TOLOS!!!Vamos fazer circular essa mensagem, quem sabe alguém faça alguma coisa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

“CNEC: INTERAÇÃO COMUNITÁRIA QUE LEVA À VIDA”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br



A experiência vivenciada pelos alunos da CNEC, neste período de Páscoa, vai ficar na história e, certamente influenciará outras escolas, na medida em que rompe com o assistencialismo e promove uma verdadeira interação entre eles e a realidade humana e institucional de nossa cidade. Com gênese no Grupo de Filosofia, a escola se propôs a realizar em todas as turmas, de acordo com a capacidade de compreensão dos alunos, atividades focadas na reflexão e na fraternidade, desencadeadoras de atitudes e práticas de comunitarismo e voluntariado. Cada turma, do maternal ao último ano do ensino médio, com seu professor, passaram a visitar uma entidade para conhecer e interagir com as pessoas que são atendidas ou com as que trabalham em benefício da comunidade. Os alunos decidiram levar consigo um presente adequado a entidade. Eles economizaram e montaram cestas básicas ou de doces e chocolates e, cada qual, ao entregar pessoalmente o presente, se interessou em dialogar, conhecer e sentir a realidade vivida pelo visitado. Perguntei a exemplar diretora Gislaine Teresinha Winter qual era o princípio que movia esse projeto e ela me afirmou que a base era a solidariedade, compreendida como “estar com” e não simplesmente como “dar algo a alguém”. Foram visitados o Lar Anjo Gabriel, funcionários e crianças internadas no Hospital São Francisco, crianças dos Bairros Santa Rita, Bom Pastor, Flamenguinho, Nova Brasília, Frei Lency, funcionários do presídio municipal, Recanto do Idoso, Corporação dos Bombeiros Voluntários, Batalhão da Polícia Militar, Casa do Caminho, entre outros.

Parece simples, este projeto, mas, partindo de uma escola, não é. Explico: O modelo educacional promove, de regra, o conhecimento mecânico e acumulado nos livros, computadores, internet. Só que, através desta abordagem fria e mecânica os jovens jamais descobrirão a realidade social em que de fato vivem. Trata-se de informação que não transforma, e de conhecimento que não permite saber o ser que o jovem é e os seres que o circundam. A conclusão que as crianças e jovens cenecistas haverão de chegar, é de que a criança, o jovem ou a pessoa encontrada, nesta páscoa, no fundo é a mesma que está dentro de cada um deles. Esta práxis de comunhão de uma escola de primeiro mundo, como a CNEC, me deu ânimo e esperança num futuro mais justo, humano, solidário e amoroso. A liderança empresarial, política e intelectual da nossa sociedade, alunos de ontem, deveria saber que, um profundo contato pessoal é necessário entre eles e o povo que sofre, a classe trabalhadora, os desempregados, as crianças em situação de risco, os idosos abandonados.

E perceber, que o “poder”, o “ter”, o “mandar”, o “conhecer”, torna o ego muito forte, mas a alma empobrecida. Sentir como próprios os problemas da fome, do subdesenvolvimento, da discriminação e, o saber partilhar, compreender e assumir como seus os problemas dos outros, forma a verdadeira liderança que urgentemente necessitamos. Os alunos da CNEC começaram a se desvencilhar do puro conhecimento e deram um salto em direção à verdadeira vida. Eles sabem que o conhecimento, assim como o poder, é muito destrutivo, quando não tem como base a solidariedade. Que guardem esta experiência e passem a assumi-la na vida adulta. Toda a humanidade está indo à míngua por causa do ensino que repassa, continuadamente, cálculos, regras e simples conhecimento. Ao invés de pessoas, formam seres conflituosos, exploradores, explorados e miseráveis, com uma vida inútil, sem nenhuma dignidade ou respeito. Só humilhação e ansiedade. E só aparência.

Pensamento da semana: Parabéns e bem vindos à educação para a vida e ao florescer de uma nova consciência, alunos cenecistas. Obrigado professores de todas as nossas escolas. Feliz Páscoa concordienses.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

“RECANTO DO IDOSO, CTG, NOVA BRASÍLA...”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Obras públicas, imprescindíveis, urgentíssimas, em favor das quais a administração pública, dada a relevante necessidade, não pode negar de imediato o início, sob pena de afronta ao princípio constitucional da eficiência, só não as vê, quem é cego. Todo o dia, trabalhadores, mães de família e crianças de Nova Brasília expõem suas vidas a graves acidentes, quando se deslocam da comunidade ao centro da cidade, caminhando pelo asfalto. Veículos que ocupam a primeira pista (são duas ascendentes) se obrigam a frear, espremidos entre as pessoas que por ali transitam e outros veículos que descem a ladeira. Uma calçada para pedestres e uma ciclovia deveriam ser construídas desde o Posto São Jorge até a comunidade a fim de evitar mortes. O CTG Fronteira da Querência, encravado na comunidade de Fragosos, movimenta grande número de cidadãos em grandes e diversos eventos culturais. Não obstante, a poeira sobe alta pela rua de terra, sufocando os moradores e os visitantes que chegam ao local, espantados com a situação. Quando não é poeira é barro que torna impossível o trânsito naquele local. Mais adiante, o Recanto do Idoso, recebe pessoas diuturnamente e, pelo que se constata, embora afastada do centro de Concórdia, Fragosos se encontra integrada à vida urbana, mas esquecida pelo Poder Público. Na realidade, estes pólos de intensa e contínua atividade humana são exemplos de espaços que deveriam se inserir dentro das políticas públicas de mobilidade urbana e crescimento. Embora a primeira vista sejam interessantes as mudanças de trânsito propostas pelo Município, é evidente que não resolverão o problema do trafego veicular no centro da cidade. É preciso buscar soluções definitivas.
Investimentos em eixos de expansão de crescimento é a solução para o trânsito denso e nervoso de Concórdia. É preciso construir escolas, hospitais, fábricas, ruas asfaltadas, sistemas de energia e de água, para fora do anel central, o qual se assenta num buraco topográfico no qual a Rua Dr. Maruri é a via dorsal da cidade. Fragosos, Santo Antônio, São José, Suruvi, Posto Cem, são exemplos de núcleos urbanos que crescem aparentemente desvinculados do centro da cidade, mas que possuem estreita vinculação socioeconômica com o mesmo. Os deslocamentos de pessoas para o centro, através de automóveis, ônibus ou a pé, são sistemáticos, rotineiros, intensos e diários, pois tudo se encontra no centro. É preciso, então, ao invés de buscar soluções paliativas, investir na “desconcentração” urbana, dando mais atenção a esses núcleos de crescimento, buscando meios para que as pessoas permaneçam neles ou nos bairros. É preciso “pulverizar” as atividades urbanas, fixando nestes “eixos de expansão”, bancos, farmácias, hospitais, escolas primárias e de segundo grau, fábricas, agências de telefonia, da CASAN, CELESC, secretarias municipais, lojas, prestadores de serviço, etc. Instalar linhas de microônibus confortáveis, de 30 em 30 minutos, fazendo o percurso inter-bairros e centro da cidade é fundamental para se deixar o carro em casa. O sistema de transporte público de Caracas, por exemplo, pode nos inspirar. O “Metrocable” é um sistema teleférico de superfície, tipo metrô ou ônibus elétrico ligado e movido por cabos em trilhos, concebido para que os habitantes dos morros em torno da cidade possam se locomover de forma mais rápida, barata e segura até o centro. Portanto, é preciso ousadia. Pensar diferente e investir em infra-estrutura apta a resolver nossos problemas de forma definitiva.

Pensamento da semana: Qual será o próximo candidato a prefeito a prometer, novamente, a construção do canal extravassor?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

“DONA LÍDIA: UMA MÃE EXEMPLAR”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br


“Tudo o que sou, ou tenho esperança de ser, devo ao anjo que foi minha mãe. Lembro-me de suas orações…”, é o que sempre dizia Abrahan Lincoln, um dos presidentes mais famosos dos Estados Unidos. Liberal Brezolla, excelente pai, boníssimo comerciante que fez história com seu restaurante na Rua do Comércio, esquina com Rua Dr. Maruri (pelas minhas lembranças na venda, por várias décadas, da saborosa e apreciada “dobradinha” ou “bucho” e sorvete), deixou, ao falecer, dona Lídia Colombo Brezolla no timão do barco familiar. Por mais de quatro décadas, até seu falecimento, por morte natural, na semana passada, ela se manteve no honroso, inalienável e heróico posto que toda a verdadeira mãe assume ao gerar filhos e filhas, por amor, ideal e vocação. Quem não respeitava e admirava o “Seu Liberal”? Homem de uma personalidade marcante, afável, bem humorado, que se fez líder entre seus amigos e clientes. Mas, ela, a mãe, na verdade se mostrou, com a morte de seu marido, a pedra angular da família. E manteve seus filhos unidos no rumo da decência e da dignidade. Criou e formou as crianças na firmeza de caráter, bondade e amor. Deixou orgulhoso o seu Liberal, lá no céu de onde a esperava por todos estes anos.

Por isso, no velório, já na despedida, observando aquele rosto sereno pelo dever cumprido, fiquei pensando nas mães de nossas famílias, das de antigamente, das oriundas dos primeiros tempos do município, descendentes de imigrantes do velho continente, valorosas mães que sustentavam o duro modelo social vigente, de muitas e todas as necessidades, no qual, sem o vigor e a coragem delas, seus maridos e filhos não sobreviveriam. Não existiam médicos, hospitais, nem água quente, remédios ou as facilidades dos nossos tempos: assistência governamental em todas as áreas, através de programas assistenciais, nem pensar. Didáticas, pedagógicas e educativas, em circunstâncias de intensa luta pela sobrevivência, amenizavam a severidade daqueles tempos, com irreprimível entusiasmo pelos filhos a quem serviam como porto seguro. E não reclamavam. De nada. Minha avó relatava que, ao migrarem do Rio Grande do Sul para estes morros, encontraram mato fechado. Mas, as dificuldades eram vencidas pela determinação, valentia, alegria e fé. Ajudou o avô construir a casa rústica, cobertas com tabuinhas cortadas manualmente das árvores derrubadas a machado. Tinha que ser mais corajosa do que as onças que rondavam a casa e matavam os bezerros e cachorros, pois os filhos, pequenos, eram alvos frágeis para as feras. Era a primeira a acordar e a última a dormir. Oh tempos difíceis, mas que deveriam servir de espelho para todos.

É que, contrapondo-se a tal comportamento das mães de antanho, imbuídas de um espírito heróico que “agüentava o tranco”, o travo amargo de um tempo bruto, muitas jovens de hoje navegam por um liberalismo moral e mar de lamúrias que dá dó de se ver. Por isso, pelo triste passamento de Dona Lídia, me quedei a refletir sobre o grande exemplo das mães de outrora, calejadas, sofridas, lutadoras, mas firmes no seu papel familiar. Talvez, a maior lição que deixavam era a boa educação religiosa aos seus filhos, não só instruindo-os nas verdades, doutrina e preceitos religiosos, senão principalmente dando exemplo no exercício das virtudes cristãs, sociais e de civilidade.


Pensamento da semana: "O coração de uma mãe é um abismo profundo em cujo fundo você sempre encontra perdão." Honoré de Balzac

terça-feira, 5 de abril de 2011

ELIO JOÃO BRUNETTO: CONCÓRDIA TE PARABENIZA E AGRADECE.

Cesar Techio – Economista
cesartechio@gmail.com

Em belíssimo almoço festivo, mais de trezentas pessoas, entre altas autoridades do Município e do Estado de Santa Catarina, amigos e parentes, reuniram-se no dia 26/03/2011, para comemorar o 80º ano de Elio João Brunetto. Em circuito íntimo, estiveram presentes somente convidados “in pectoris”, entre os quais os que construíram a história de Concórdia e que foram seus companheiros, em feitos memoráveis. Devido a seus problemas visuais, auscultei-o durante três meses, extraindo de nossas conversas dados relevantes sobre sua vida, a qual se entrelaça com a vida desta cidade e, por conta disso, tive o grato privilégio e a honra, de relatar, em oratória simples e objetiva, sua trajetória entre nós. Não foi fácil, pois a emoção tomou conta de todos os presentes. Fundou o “O Jornal”, sua obra prima (desde 1974 o maior periódico da região). Participou, em 1954, da instalação da CNEC local (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), em parceria com seu amigo Neudy Massolini, época em que sobressaia Venderlino Engel, homem de uma cultura invejável e que foi a coluna mestra que manteve a escola funcionando nos primeiros anos.

Participou da primeira diretoria e, nesta função, com a colaboração de alunos e professores, lançaram a campanha para a construção da primeira ala, cuja pedra fundamental foi por ele instalada. Receberam, por doação, da Prefeitura Municipal e Rafhael Missio os terrenos e após muitos esforços e campanhas e uma forte colaboração dos diretores e da Sadia, concluíram o primeiro prédio. Após a conclusão de seus estudos, colaborou, por diversos anos, como professor de matemática no ginásio e de mecanografia na escola técnica de contabilidade. Em 1964, por convite de Lady Caetano Massolini, ingressou no Lions Clube Concórdia Centro, no qual exerceu os principais cargos como secretário, tesoureiro e presidente por diversas vezes. Em memoráveis campanhas, com a participação ativa de todos os companheiros, contribuíram para a melhoria das instalações da APAE, da SCAF e da Escola Melvin Jones. Foi o primeiro presidente eleito do Clube de Diretores Lojistas de Concórdia. Em sua gestão, pelos anos de 1972, participou da primeira Convenção Nacional, realizada no Rio de Janeiro.

Exerceu a presidência da Associação Comercial e Industrial (1973/1974). Nesta gestão, foi realizado um forte movimento empresarial para trazer, mais próxima possível da nossa cidade a BR-153, pois, pelo primeiro traçado, a estrada federal passaria pela cidade de Jaborá. Também conseguiu do poder público municipal um decreto declarando a ACIC uma entidade de utilidade pública. Foi conselheiro da igreja católica, na época da demolição da antiga e da construção da atual, sendo seus colegas: Octaviano Zandonai, Anselmo Fontana, Remy Fávero, tendo como vigário Simão Laginski. Lançou a pedra fundamental juntamente com o Romano Anselmo Fontana do Velatório do Cemitério Municipal, hoje transformado em templo católico. Foi presidente, em muitas eleições, da Secção Eleitoral nº. 1; sócio fundador do Clube dos Veteranos de Concórdia; membro da Associação dos Italianos; sócio patrimonial do Clube 29 de julho, da Associação dos Motoristas e da ABC Piscina Clube; Jurado por muitos anos; “Amigo da Policia Militar”, título conferido em diploma e troféu pelo saudoso Major Comandante da época, Henrique Hemm, hoje coronel. Economista pela Universidade Federal do Paraná é casado com Gelsi Petrolli Brunetto há 53 anos. Elio João Brunetto surpreendeu-se no almoço de seu aniversário pelas calorosas homenagens, somente prestadas a grandes homens que, como ele, soube acolher a todos e a construir um futuro melhor, hoje desfrutado pelas novas gerações.

Pensamento da semana: Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas Elio João Brunetto, pelo seu exemplo, fez e faz com que todos nós, concordienses, nos sintamos orgulhosos e grandes.

terça-feira, 22 de março de 2011

"ERAM OUTROS CARNAVAIS"

Cesar Techio – Economista
cesartechio@gmail.com

É uma pena que as novas gerações não conheçam o verdadeiro carnaval, festa popular cheia de graça, humor, ironia e alegria. Atualmente o carnaval é explorado por grupos econômicos, em cujo meio afogam-se em bebidas alcoólicas, maconha, cocaína, crack e outras porcarias, a juventude, já sem espírito crítico. Aproveitei o tempo em que fui presidente do Clube 29 de Julho e fiz um carnaval maravilhoso, para adultos, para crianças e adolescentes. À noite, a festa foi para casais, incluindo os da terceira idade e, durante o dia a brincadeira foi voltada para a criançada. A bandinha do Egomar Simon com o famoso Cleo Ramos (in memorian) no saxofone fez do evento um tremendo sucesso, com nossa sociedade se divertindo de forma sadia e, com muita emoção. Deu para “matar a saudade”, com músicas como: Cabeleira do Zezé: “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é. Será que ele é bossa nova, será que ele é Maomé. Parece que transviado, mas isso eu não sei se ele é. Corta o cabelo dele! Corta o cabelo dele!”; A Jardineira:“Ó jardineira porque estás tão triste. Mas o que foi que te aconteceu. Foi a Camélia que caio do galho, deu dois suspiros e depois morreu. Vem jardineira, vem meu amor. Não fiques triste que este mundo é todo seu, tu és muito mais bonita que a camélia que morreu”; Mamãe eu Quero: “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar. Me dá a chupeta, me dá a chupeta. Dá a chupeta pro bebe não chorar; Marcha do Remador: “Se a canoa não virar olé, olé, olâ, eu chego lá”; Me dá um dinheiro aí: “Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí!. Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão. Que eu vou fazer...”; O Teu Cabelo Não Nega: “O teu cabelo não nega mulata. Porque és mulata na cor. Mas como a cor não pega mulata, mulata eu quero o teu amor”; Pirata da Perna de Pau: “Eu sou o pirata da perna de pau, de olho de vidro da cara de mau”; entre outras.
Conversando com o Eka Floriani e outros amigos, numa tarde destas, na ABC Piscina Clube, lembramos com muitas saudades, da nossa infância e adolescência, quando os carnavais se faziam com marchinhas, bandinhas, coretos, sempre circulando, em salões como o da SER Sadia, Associação dos Motoristas e Clube 29 de Julho. Naqueles tempos não havia preocupação, muito menos intervenção do judiciário ou ministério público, porque a mentalidade era bem outra e não existia adolescente “enchendo a cara”. Prova de que dá para se divertir no carnaval, sem precisar apelar. O Eka, muito emocionado me cedeu algumas fotografias daqueles bons carnavais. Numa delas, Marilena Bassegio e ele aparecem com os seguintes dizeres: “Esta é a borracha de apagar ideologias?”; “Como te chamas pequenina?”: “LIBERDADE”. Noutra fotografia, os membros do bloco surgem com os rostos pintados com as bandeiras dos países. Fernando Faccio adota a bandeira do Vietnam. Era a época da invasão americana àquele país. Ou seja, os carnavais carreavam bandeira ideológica, gerados por uma juventude consciente e politicamente esclarecida. E tudo isso em época de ditadura militar. O carnaval, enfim, era instrumento de diversão, mas também de crítica social. Que tal? Vejam no meu blog http://cesartechio.blogspot.com/. No ano que vem quem sabe organizamos um carnaval decente, à base de guaraná, coca-cola, água mineral, ki-suco, chá, suco de laranja, água tônica e, só para forçar mais um pouco, com chimarrão, de preferência marca da região. Se não der certo, pelo menos me diverti um montão, escrevendo esta crônica. Mas uma coisa ninguém pode negar. Que eram outros carnavais, há isso eram mesmo! Pensamento da semana: “Os amigos do Senador dizem que ele é um homem que se fez sozinho. Ninguém quer assumir a responsabilidade”. Millor Fernandes.




Em pé: Dr. Angelo Vieira Jr., Gilberto Pasqualon, José Brezolla, Jose Ricardo Floriani (Eka), Marcos Munaretto, Sergio Poy. Abaixo: Neguinho Vieira, Dr. Rodolpho Pedde Júnior


Marlis Cortiço, Jose Ricardo Floriani,(?), Jorge Hermes.

De pé comendo cachorro quente: Catito Maitto. Sentados de cima para baixo, sempre da direita para a esquerda: José Ricardo Floriani, Lia Strell, Deoclécio Hermes (Keko), Rubens Zanella (Chube), Bianchi, Jorge Cella, Ricardo Reginato, Jorge Hermes, Carlos Alberto Biezus, Ivan Zanini, Artemio de Souza.

Em pé, primeiro plano: Arno, guarda da SER SADIA nos carnavais, Gilson Bósio, Ivan Zanini, Jorge Hermes, Vitor Hugo Bassegio, Pedro Rossetto (atrás), Henry Biazus. Sentados: José Ricardo Floriani, Harry Gemelli, Paulinho Tramontini

1ª Foto: Vitor Hugo Bassegio, José Ricardo Floriani, Ivan Zanini (Motim), Jorge Hermes; 2º Foto: Jorge Hermes e Jose Ricardo Floriani;


Em pé 1º plano: Dr. Jose Bernardi; Em pé 2º plano: Adriana Bernardi, Almir Bassegio; Elisa Bernardi. De joelhos: Solange Gava e José Ricardo Floriani;








Dr. José Bernardi, Almir Bassegio, Adriana Bernardi, Elisa Bernardi, Solange Gava e Jose Ricardo Floriani (Eka);

Com a bandeira dos países, em pé: Vitor Hugo Bassegio (Suiça); Marcos Porth (Tchecoslováquia), Mauro Pinto Jr. (Israel), Odilon Faccio (Trenidad Tobago); Almir Bassegio (Austria ?). Sentados: Jorge Hermes ( Finlândia), Jose Ricardo Floriani (Japão), Paulo Garibotti (Itália), Fernando Faccio (Vietnam).

Jose Ricardo Floriani (marinheiro) e Ana Cristina Franklin de Brum (personagem de quadrinhos Bolota)








Jose Ricardo Floriani (Eka).Camisa com o seguinte dizer: “Esta é a borracha de apagar ideologias? e Marilena Bassegio com camisa com o dizer, “Como te chamas pequenina?", "LIBERDADE”. Ao lado Nádia Bassegio










O Professor José Ricardo Floriani (Eka) no dia 22/03/2011, a meu pedido vestiu as mesmas camisetas guardadas com carinho e saudades por mais de trinta e cinco anos.. Ele era o idealizador dos temas adotados nos carnavais, por seus inesquecíveis amigos (clique para ampliar)


Cleo Ramos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

“O DIREITO DE SENTIR PRAZER”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

É uma feliz coincidência o tema desta crônica no portal do carnaval, época escolhida para o prazer carnavalesco nos quatro cantos do país. Não vejo impedimento no campo religioso ou moral, para que possamos sentir prazer naquilo que fazemos: prazer espiritual, psicoemocional, carnal e sexual. Na realidade, acho que é imperativo que passemos por essa vida de forma prazerosa. Cada fase dela tem seu perfume, seus matizes. A juventude não é o apogeu da vida. Ao contrário, o cume, o ápice é a maturidade. Os que pensam no passado como uma perda e, com o passar dos anos deixam de aproveitar a vida, com certeza tomam o caminho contrário ao da felicidade. E isso precisa mudar. Ao invés de envelhecer, precisamos amadurecer e, de preferência, com charme. O primeiro passo é sermos nós mesmos, sem preocupação com o que os outros pensam ou dizem da nossa alegria e do nosso pulsar. Precisamos ser autênticos, sinceros, amáveis, cordatos consigo mesmos e recusar a sermos vítimas do medo de envelhecer.

Às vezes me pergunto por que existe tanta gente crescidinha, cheia de escrúpulos em dançar, festejar e sorrir. Vivem falando em Deus e negam a vida que Ele deu. Preocupam-se, dia e noite, em negar o próprio corpo e os prazeres carnais e emocionais, esforçando-se por associá-los a pecado e permissividade. Discordam dos próprios sentidos e negam a maravilhosa e exuberante vida recebida, por milagre, dos Céus. Vivem da imagem, do apreço dos outros, do que pensam os vizinhos, da respeitabilidade conquistada e da esperança na eternidade. Mas, se não conseguem espelhar o verdadeiro amor de Deus, através da alegria de viver, no tempo presente, como podem esperar vivê-la depois da morte?

É preciso fluidez, suavidade, brilho e acima de tudo, sentimento. Não se vive de modo intelectualizado, fazendo contas, verbalizando ensinamentos, conceitos, filosofias, doutrinas e orientações. Não somos macacos e a maior desgraça desta vida é ficarmos repetindo os pensamentos, as idéias e a consciência dos outros. Vivemos empoleirados na cabeça, calcificados e com medo do resto do corpo. Todavia, pela vontade do próprio Criador, somos uma unidade orgânica e espiritual. Precisamos viver de modo completo, permitindo que a vida flua intensamente, da cabeça aos pés. Precisamos valorizar e amar essa dádiva divina que é o nosso corpo e os prazeres que, com inteligência e juízo, ele pode sentir. Não espere por milagres. Essa vida já é o milagre. Não aguarde para viver no céu. Comece a viver o céu já aqui. Não se intoxique com bobagens nem viva de vapores etílicos. Relaxe e copie as crianças sem ser infantil. Viva com muita intensidade e plenitude e, principalmente, corra de todo radicalismo e fundamentalismo religioso.

Pensamento da semana: Enquanto isso no Egito, o pensamento do Xeque Yusuf Al Qaradawi, da Irmandade Muçulmana: 1 – “A circuncisão feminina (mutilação genital) não é obrigatória, mas os pais devem submeter suas filhas a ela se quiserem. Pessoalmente, sou favorável a isso” 2 – “Pode até haver algumas mulheres que não concordem em apanhar do marido e vejam a punição como humilhação. Muitas mulheres, porém, gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”. Fonte: Revista Veja edição 2206, pág. 96, “O que eles fariam no poder”, edição de hoje, nas bancas.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

“FACEBOOK E TWITTER: FORA DITADURAS”

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Não pode existir segredo de Estado ou qualquer tipo de proteção às informações, que se volte contra a vida humana. Estupefato, em 1980, no Diretório da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Paraná, me deparei com um colega discursando em favor de Muammar Kadafi. Li o persuasivo “Livro Verde” e sua Terceira Teoria Universal, uma “bíblia” do regime, de autoria do então capitão líbio (hoje disponível na íntegra na internet (http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/livroverde.html). Mas não consegui absorver toda aquela eloqüente defesa da revolução que impunha, traiçoeiramente, aos seus superiores hierárquicos e ao rei Idris. Como desprezar minha formação humanista? Como ignorar as fortes cores positivistas recém pinceladas no quadro acadêmico? Como ser indiferente ao conhecimento dos argumentos sofísticos e contraditórios, ao silogismo, aos conceitos sobre consciência moral e liberdade humana? O fundamentalismo religioso, em qualquer lugar do mundo (inclusive aqui), quando misturados à política levam à fúria, ao ódio, ao desrespeito aos direitos universais e ao direito natural. Se o povo árabe, enterrado no estado teológico, desconhece tais conceitos e, por conta disso não evoluiu para o terceiro estado positivista de Auguste Comte, pelo menos as redes sociais desempenharam um papel crucial na insurreição. A revista “Veja”, edição que circula hoje (nº. 2205 pág. 64), alerta sobre o papel dos clérigos, “mestres do populismo e da venda de ilusões”, mas que, “conectados pela internet, os jovens árabes podem estar descobrindo algo mais em comum do que a religião”.

O Facebook e o Twitter, contra toda a repressão religiosa e política (que controla o comportamento do povo árabe, sujeitando e garantindo relações sociais servis aos regimes ditatoriais), estão funcionando como fonte irradiadora de noções sobre democracia, liberdade, verdade e de todo o conhecimento útil e capaz de cooperar com a solidariedade revolucionária. Séculos de opressão, violência, ignorância e fundamentalismo começaram a desmoronar no Egito, Iêmen, Marrocos, Tunísia, Argélia, Jordânia, Barein e na Líbia, graças à internet. Duvido que, diante das redes sociais os líderes religiosos consigam regular a vida do povo, se intrometer na vida privada e ditar subserviência cega. Artimanhas e segredos, articulados por governos sanguinários, ditatoriais e opressores, que se volte contra o povo e a democracia, não mais subsistirão de agora em diante. Com a internet e as redes sociais, a máscara dos loucos que pensam em oprimir, prender e matar por motivos políticos, se volatilizará, assim como eles. Nosso tempo é de internet globalizada. As mídias sociais representam avanços significativos para a democracia, para o conhecimento e para a evolução da humanidade. Conectadas por milhões de pessoas não existe mais segredo, mordaça, opressão e matança a “sete chaves”. Agradeçamos ao Facebook (500.000.000), Twitter (175.000.000), Orkut (120.000,000), Sônico (44.000.000), Netlog (36.000.000), MySpace (130.000.000), Friendster (29.000.000), Classmates (40.000.000), Bebo (22.000.000), MeusParentes (30.000.000), entre outras, por essa nova realidade.

Pensamentos da semana: 1 - "Ditadura é um discurso constante te ensinando que seus sentimentos, seus pensamentos, e desejos não têm a menor importância, e que você é um ninguém e deve viver comandado por outras pessoas que desejam e pensam por você." Stephen Vizinczey. 2 - "As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia." Jorge Luis Borges.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E VIVA OS CORVOS DO NOSSO LIXÃO

(Um desafio aos alunos da região do Alto Uruguai Catarinense)

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Onde têm corvos tem carniça. Os corvos são omnívoros, se alimentam de pequenos invertebrados, sementes e frutos. Mas, também possuem hábitos necrófagos e vivem voando em círculos procurando restos do intenso consumismo humano (somos os animais que mais produzem lixo no planeta, em torno de um quilo por dia). Fruto de alta inteligência e, certamente de consciência ambiental, em Concórdia buscaram como lar e local de trabalho, o lixão, impropriamente conhecido por Aterro Sanitário. Num antigo barracão abandonado, se envolveram em intensa atividade de reaproveitamento de lixo. Sem receberem um centavo sequer, cientes da lei 12.305 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, vigente desde 02/08/2010, resolveram colaborar: separam o lixo, extraindo dele materiais orgânicos. O problema é que, por conta de um tremendo descaso, todo o lixo de Concórdia é destinado ao aterro sanitário. Parece que as autoridades desconhecem que, através da reciclagem, compostagem e biodigestão é possível aproveitar praticamente 100% do lixo urbano. Seria extremamente fácil para o Município de Concórdia e para os demais municípios da região da Amauc, em consórcio, implantarem uma Usina de Reciclagem de Lixo. Beira a irresponsabilidade, senão improbidade administrativa, não tenham, ainda, implementado um projeto tão importante e essencial aos interesses da população. Ora, se não quiserem botar a mão na massa, que abram licitação visando a redução progressiva e urgente da quantidade de lixo destinada ao aterro.

Os empresários que toparem entrar nesta, vão faturar um bom dinheiro. O aproveitamento do lixo pode ser feito de três formas: 1º- Compostagem: transformação do lixo orgânico em adubo; 2º - Biodigestão: produção de biogás; 3º - Reciclagem: aproveitamento do lixo como matéria prima (plástico, vidro, papel, alumínio, etc.). Poderia participar da licitação somente uma empresa ou um consórcio de empresas, com perspectivas de um lucro extraordinário, tanto através da comercialização dos produtos derivados do lixo, como de créditos de carbono (certificados previstos no Protocolo de Kyoto, relativo à quantidade de gases poluentes que deixarão de ser lançados na atmosfera). O mercado está cheio de profissionais que atuam na área de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e, na internet, é fácil encontrar orientação sobre o assunto. Os municípios interessados, também teriam direito a um percentual do valor faturado. Aliás, a separação do lixo, ainda em casa, é a base de tudo, pois é lá, no seio da família, que nasce e se estrutura a nossa educação.

Educado e, respeitando a separação do lixo, um colega advogado, o Dr. Evandro Benelli, resolveu levar até o lixão alguns quilos de papel, vidro e plástico, separados. Ficou triste e desnorteado ao verificar que lá, no Aterro Sanitário, estava tudo misturado. Uma mina de ouro sendo soterrada com grave prejuízo ao meio ambiente: plástico, papel, vidro, com resto de comida. Uma nojeira. Ele ingressou com uma representação no Ministério Público. Sabendo da história fui lá e fotografei. As fotos estão no meu blog http://concordiambiental.blogspot.com/. Mas, talvez, ainda possamos consertar isso. O vice-prefeito de Concórdia, Neuri Santhier, desponta como um dos poucos políticos bem preparado e preocupado com o assunto. Ele está por trás de um projeto sério que contempla ações voltadas ao desenvolvimento auto-sustentável. Veja o “Projeto Concórdia 2030” no site http://concordia2030.com.br/. Se tudo der certo, os nossos corvos vão ficar no olho da rua.

Pensamento da semana: Desafio os alunos de 1º e 2º graus das escolas da região da Amauc para que façam um abaixo assinado com este texto e enviem para o prefeito de seu município, exigindo uma Usina de Reciclagem de Lixo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

FILHOS: COMO RESGATÁ-LOS DA DESGRAÇA DOS VÍCIOS?

Cesar Techio
Economista – Advogado
techio@concordia.psi.br

Gosto dos jovens rebeldes, dos inquietos, dos que não aceitam a disciplina vetusta e a realidade circundante. Por conta dos jovens revolucionários, o mundo evoluiu em todos os campos do conhecimento humano. Se hoje possuímos chuveiro com água quente, é porque, em dado momento da história, alguém não aceitou mais tomar banho de água fria. Detesto jovem amorfo, bonzinho, sem gosto, sem iniciativa, que aceita tudo de forma passiva. Esse tipo, com a justificativa de respeito à tradição, se sente inibido para mudar as coisas. Em latim a palavra “tradição” significa a transmissão de práticas ou de valores de geração em geração. Em grego significa “entregar”. Enfim, a tradição é péssimo instrumento de transformação na medida em que amolda as futuras gerações a práticas e valores do passado, sem perspectivas de evolução. Partindo deste conceito, lanço um olhar para a nossa juventude, pelo menos para os jovens com quem convivo: A turma do “Cristo Terapia” do Centro de Restauração Renascer. Jovens vindos de realidades sociais distintas ingressaram na visão denominada G12, e romperam com a tradição, se tornando parte do braço social e de caridade de uma comunidade inovadora.

Através de um retiro denominado “Encontro com Deus” passaram por uma espécie de “desprogramação” e, simplesmente, conseguiram detonar com a marca dos costumes antigos que a tradição havia registrado em suas vidas. Com inteligência e fibra, esses jovens literalmente saíram dos trilhos: dos antigos hábitos, dos rótulos, das fantasias, dos vícios da preguiça, arrogância e das drogas. Passaram a ser muito mais do que simples expectadores do tempo. Completamente relaxados, sem conflitos, preencheram suas vidas com a vida de seus irmãos carentes. Esvaziados da tradição, do lixo interior, dos entulhos e das porcarias, passaram a desfrutar um novo frescor, uma nova limpidez, jamais experimentada. Intensamente amorosos se rebelaram contra a mesmice, o marasmo, os valores tradicionais de nossa sociedade. Transformaram-se em “novos” jovens: observadores, intuitivos, pacíficos, alegres, cheios de compaixão e de caridade. Por trás de tudo, um casal de pastores modelo: Jairo e Cleonice da Silva Gavin, na liderança do Centro de Restauração Renascer e de uma estrutura humana irrepreensível na qual advogados, empresários, comerciantes, comerciários, operários e famílias inteiras de nossa sociedade doam tempo e amor a um projeto que trabalha a consciência da juventude.

A atual “intelligentsia” na área de recuperação de drogados se assenta em sistemas pedagógicos e de reeducação fadados ao insucesso, na medida das reincidências, porque não preenchem o vazio e a falta de ideais de nossa juventude. Muitos acham que religião é coisa de fanáticos, que pastores só pensam em dinheiro. Mas o exemplo que temos em nossas igrejas em Concórdia mostra exatamente o contrário. A orientação religiosa se constitui no único caminho que consegue, com sucesso, substituir a velha vida por uma nova. O alicerce deste êxito é uma determinação sutil e silenciosa lastreada no amor de e por Jesus Cristo. É uma questão de escolha entre a vida e a morte. Pais e mães amargurados, afundados na persistência das loucuras de seus filhos, precisam ser mais audaciosos, corajosos e humildes. Eu proponho que dêem aos seus filhos uma chance indo com eles para o Encontro com Deus. Desafio a que abram as portas da consciência e larguem toda a vergonha de viverem e de mostrarem aos filhos uma verdadeira vida de fé. Que abandonem o medo de amar sem restrições; e que mudem. Mudem para mudar seus filhos. Pois, se os pais mudam, de verdade, tudo muda.

Pensamento da semana: “A minha visão é a de uma juventude criativa, recuperada e que sabe trabalhar a própria consciência de forma racional tendo como base o amor ao próximo”. Jairo da Silva Gavin.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

”JUVENTUDE DE OURO: UMA CONVERSA COM OS PAIS”.

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Todo o radicalismo, fanatismo e intransigência levam a infelicidade. O perdão, a compreensão, aceitação e respeito pelos nossos filhos, pelas suas individualidades e privacidades, podem nos levar a conquistá-los e a tê-los sempre perto do nosso coração. Não serão os amigos, a igreja, a sociedade, os clubes ou os vizinhos que estarão ao nosso lado nas horas mais difíceis, nas dificuldades financeiras, na doença e na velhice, ou que cuidarão de nossa higiene em eventual incontinência fecal e urinária. Serão os nossos filhos, gerados pelo nosso amor e formados pela nossa compreensão, amizade e companheirismo, os únicos que nos assistirão. Por isso, o amor por eles deve ser derramado, não só na fase infantil, mas também na adolescência e durante a vida adulta. Você tem vergonha de abraçar e beijar o seu filho, só porque ele se tornou um rapaz, cresceu e não é mais uma criançinha? Querer impor na marra, nossas crenças, nosso estilo de vida, mesmo que por amor, é uma insanidade, uma loucura imperdoável. Julgar, condenar e fazer sofrer nossos amados, por convicções religiosas, morais, preconceitos ou medos, pode ter um preço elevado, mais tarde.

Nossos filhos vivem no mundo e isola-los da realidade pode aliená-los. Abracem, amem, apóiem, dialoguem, aceitem as diferenças. E, mesmo na insônia, quando eles saem para a balada, demonstrem confiança neles. Não os deixem perder a identidade juvenil. O tempo da juventude é um só. Quantos arruínam essa etapa, única e maravilhosa, por intransigência dos pais e, depois, na fase adulta, quando “livres”, não conseguem assumir responsabilidades e passam a agir de forma inconseqüente? O que significa abandonar-se no Senhor, senão tranqüilizar-se, confiar na providência divina nas questões que superam nossas forças? Nossos jovens são muito mais inteligentes dos da geração pretérita. Eles possuem maior capacidade de discernimento e sabem filtrar o que ouvem, escutam e vêem. Eles são muito mais seletivos.

Só porque se divertem, não significa que se perderam no mundo. Respeito é via de duas mãos. Infelizmente damos muito mais importância para os bens materiais, para a opinião dos outros e para a fofoca dos vizinhos, do que para nossa família. Quando um filho quebra um prato, um copo ou algum objeto, qual a nossa reação imediata? Vivemos e morremos de punhos fechados, segurando e agarrando, miseravelmente, as coisas. Para que servem os bens, senão para nos servir? Mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar essa situação e quanto antes melhor, pois se você adiar esse amor, depois será tarde demais. Os filhos crescem e se vão. E você ficará amargo e sozinho. O tempo nesta terra é limitado e confinado a algumas etapas pelas quais passamos, achando que os nossos bens, nossas idéias, nosso corpo, somos nós mesmos. Identificamo-nos com o nosso ego e vivemos tensos, rejeitando as novas idéias e a energia que se move em nossos filhos. Temos dificuldade em ceder lugar para os que nos sucederão. Mas, a única maneira de vivermos felizes em família é saltar para fora das nossas imposições, dos nossos egoísmos e darmos boas vindas para uma amizade autêntica. Ou será que só conseguimos ser amigos dos estranhos? Não tenha orgulho. Comece a aceitar o seu filho, suas idéias, esperanças e alegrias. Beije-o. Converse. Peça desculpas. Comece a tratar a relação com ele como uma celebração, uma benção divina. E, sem perceber, você vai começar a receber muitas dádivas. A primeira é a de ter ao seu lado, um amigo de verdade.

Pensamento da semana: Agradeça o corpo que Deus lhe deu, trabalhando, orando, mas também comendo, bebendo e dançando. Relaxe. Deixe de ser chato e festeje a vida terrena. É a única forma de mostrar gratidão”.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

“FAVELÕES E CORTIÇOS VERTICAIS: OPINE CONTRA”

Cesar Techio – Economista
cesartechio@gmail.com

Qualquer cidadão de mediana inteligência consegue entender que a concentração ou adensamento populacional nos bairros de nossa cidade, influencia diretamente na qualidade de vida de todos os moradores e na qualidade ambiental. A própria legislação define o zoneamento urbano utilizando parâmetros de uso difereciados para distintas áreas, como por exemplo: índice de aproveitamento do solo, taxa de ocupação, recuo, tipo de edificação, altura e não raro a densidade demográfica conforme a topografia e característica ambiental. O Estatuto da Cidade estabelece no artigo 2º que a política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante diretrizes, entre elas: 1º - A obrigatoriedade da ordenação e controle do uso do solo urbano de forma a evitar o parcelamento, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana; 2º - A proibição da instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente. A lei não é discriminatória quando impõe que a regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda ocorram mediante o estabelecimento de normas especiais de urbanização, uso, ocupação do solo e edificação, considerada a situação socioeconômica da população e as normas ambientais. É preciso considerar o adensamento populacional, a geração de tráfego, a demanda por transporte público, a ventilação e iluminação. A realidade é que os nossos bairros estão entrando em colapso devido o adensamento populacional decorrente da construção desenfreada de edifícios.

Neste norte é de poucas luzes confundir propostas (alinhadas com o espírito da lei) que visam impedir a construção ou eliminar favelas e cortiços, com afronta aos moradores que nelas residem. Kitinetes jogam na lata de lixo a qualidade de vida. Da mesma forma, a construção de casinhas diminutas, apinhadas uma ao lado da outra, é um tapa na cara das famílias de baixa renda, um escárnio à dignidade humana. E o que falar então da construção de loteamentos em áreas cujo declive é acentuado? Visitei casas recém construídas na beira de penhascos. Se uma criança despenca, acaba por cair em cima do telhado da outra. De forma que a permissão para construção de kitinetes em áreas nobres, vale dizer, em áreas que ainda se inserem dentro dos parâmetros construtivos de qualidade ambiental exigidos pelo Estatuto da Cidade, cria um verdadeiro caos. Estas permissões tornam a vida urbana mais complexa e difícil. A realidade é que não possuímos infra-estrutura urbana para permitir estes terríveis adensamentos populacionais nos nossos bairros. O repúdio à verticalização e a defesa da horizontalização habitacional, em terrenos espaçosos e individualizados via eixos de expansão tem cores humanistas. Por outro lado, a permissão para construção de favelas e cortiços verticais em nossos bairros montanhosos é altamente discriminatória, porque empurra para pequenos espaços seres humanos que possuem direito de viver com dignidade. E mais, cria bolsões de alta densidade humana em locais onde atualmente se vive bem. No Plano Diretor precisamos exigir que futuras edificações contemplem os moradores, com boa qualidade de vida, com espaços livres para lazer, bom sistema viário e de tráfego, melhor transporte público, melhor circulação urbana, bom sistema de distribuição de água, menor intensificação de usos de bens, melhor ventilação e iluminação intra-urbana.

Pensamento da semana: No Plano Diretor opine contra a construção de edifícios com mais de três pavimentos e de kitinetes, em bairros e morros. Eles são causadores de alta densidade populacional e de baixa qualidade de vida.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

URBANIZAÇÃO

Cesar Techio - Economista

Minhas últimas crônicas, aparentemente excursionadas pelo âmbito do colunismo social, pelo menos me deram uma idéia de que, realmente, as pessoas lêem estas tentativas de explorar novas possibilidades. Em que pese o estímulo gracioso de tantos quantos enviaram e-mails, as duas colunas “Os dez mais”, se constituem numa simples experiência no campo metafórico na medida em que busca uma mudança paradigmática dentro da clássica escolha anual dos dez mais lindos, mais charmosos, mais bem vestidos, mais isso e mais aquilo. Trata-se de uma reflexão, que acredito válida enquanto tal, todavia, a simplicidade, humildade e profunda compaixão que move certas pessoas na doação pessoal aos demais, pode tornar complexo o ato de circunscrevê-las numa crônica, elevando-as, por exemplo, às “dez mais”. Normalmente essas pessoas se movem no silêncio, na filosofia do “não saiba a vossa mão esquerda o que dá a mão direita”. Certa feita alguém comentou que, conhecendo a vida de uma freirinha canonizada, vivesse ela novamente e visse o mega-templo que construíram em sua homenagem, morreria novamente, de vergonha, tamanha a humildade com que se orientou em vida. Não obstante, com a devida vênia, partindo da premissa que não existe ponto de vista melhor do que o dos outros, mas apenas uma proposta de reflexão, é preciso apontar os bons exemplos, pois, quem sabe, isso nos ajude a melhorar a nossa humanidade. (Mesmo que tal proposta pareça contraintuitiva, pois o senso comum que nos cega somente vê o belo na roupa nova, na beleza física, no dinheiro, na ostentação das colunas sociais, menos no caráter, na sabedoria, na fraternidade e na caridade).

Sabedoria, fraternidade, caridade, também implica em inteligência, decisão e eficiência (princípio constitucional da eficiência). Olhando a catástrofe que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, fico absolutamente indignado com o que vem ocorrendo em nossa cidade, região também topográfica e geologicamente acidentada. Nossos morros estão entrando em colapso com sério risco à vida dos cidadãos. Na Rua Marechal Deodoro, altura da esquina com a Rua Guilherme Helmut Arendt, o morro está vindo abaixo e nada se faz, a não ser recolher pedras, lama e troncos de árvores a cada enxurrada. No momento em que a instabilidade daquele local contagiar toda a encosta, vai ser o maior desastre da história de Concórdia. Vejam as fotos no meu blog: http://concordiambiental.blogspot.com/. Na Rua Leonel Mosele, ao lado do Clube dos idosos, uma grande escavação começa a desmoronar. Mais acima, a exemplo do que ocorre no Bairro Floresta e ainda em outros bairros tipicamente residenciais, de casas de um ou dois pavimentos, desandaram a construir edifícios para venda de kitinetes, típicas favelas nas quais o adensamento populacional e todas as conseqüências funestas que ele traz, simplesmente destroçam a vida urbana. O novo Plano Diretor deve coibir este tipo de construção (kitinetes), diminuir de três para dois pavimentos e proibir a construção de pocilgas e pombais em bairros nos quais, por conta disso, a qualidade habitacional mergulha de escafandro na lama. Os proprietários destes cortiços verticais, envolvendo imobiliárias e construtoras, estão somente vislumbrando lucro e não qualidade de vida. Que construam nos eixos de expansão urbana, rumo ao distrito de Santo Antonio, Linha São Paulo e BR 153. A licença para construção destes terríveis adensamentos populacionais em encostas e em bairros nobres depende da prefeitura. Os vereadores precisam despertar e votar com urgência num projeto de lei que impeça a desgraça construtiva que vem ocorrendo em nossa cidade. Pensamento da semana: “Acordar com a família durante a noite, abaixo de lama, ou agora, antes da catástrofe?”

domingo, 16 de janeiro de 2011

“OS DEZ HOMENS MAIS LINDOS E CHARMOSOS DE CONCÓRDIA”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com


Nossos talentos, capacidades e possibilidades devem ser desenvolvidos, não para o proveito próprio, mas, com a ajuda de Deus, para o bem da comunidade humana. A meta destas crônicas é acentuar valores comunitários, tais como os princípios de justiça, igualdade de oportunidade para todos e uma visão que vê o serviço aos demais como uma realização mais valiosa do que o sucesso, a prosperidade individual ou a beleza física. Neste sentido, entre muitos nomes que me vieram à mente, elejo o exemplo de dez homens que fazem a diferença em Concórdia pela honradez, honestidade e amor ao próximo: Bodo Matter, da defesa civil e 1º comandante do Corpo de Bombeiros: em todos os momentos mais difíceis da história desta cidade, ele esteve presente, salvando vidas e patrimônios. Frei Luis Toigo, da Pastoral da Saúde. Caminha entre nós em santidade, imitando Jesus Cristo na preocupação com a saúde dos menos favorecidos. Mestre em farmácia atende milhares de pessoas na caridade. É o doutor dos pobres de nossa cidade. Josivan Marques dos Santos do Ministério Ágape Gerando Eternidade (Igreja Batista). Idealizador da ABAC. Há 16 anos exorta com amor sobre a nossa condição de pó lembrando a misericórdia de Deus em nos dar a Sua vida. Sua simples presença, emociona, tão grande a simplicidade e o seu amor pelas pessoas. Luiz Adelmo Budant, da comunidade médica. Há anos dedica-se às pessoas de idade, aos desprovidos de recursos, consultando, receitando, ajudando nosso povo, sem qualquer ônus. Em meio a um mundo cheio de misérias, o exemplo deste médico consola e se erige como poderoso lenitivo e forte esperança no ser humano. Bernardo Gunther, da comunidade médica. Há muitos anos escrevi em seu livro: “Apóstolo dos Fissurados Lábios Palatais”. Um homem que superou a si mesmo e, destemidamente foi ao encontro de pessoas com o mesmo problema, amando, acolhendo e encaminhando-as para a recuperação. Seu exemplo é um farol, uma seta, uma estrela guia em nossa sociedade. Jairo da Silva Gavin, presidente da Associação de Pastores e do CRR, mestre e doutor em teologia, há mais de três décadas no serviço religioso. Pacificador, digno e corajoso, em meio a dificuldades é fiel ao seu ministério, resgatando o amor, a harmonia e a felicidade de casais e famílias de nossa comunidade. Mauri Maran da Secretaria de Urbanismo e Obras da Prefeitura. Há dez anos frente ao serviço público vive e respira trabalho em favor do povo. Honestíssimo, amealhou grande patrimônio moral, repleto de admiração popular. Pedra angular de várias administrações representa o que temos de melhor na proteção do interesse público. Nelson Bonissoni, presidente do Recanto do Idoso. Como você gostaria de ser tratado se fosse bem idoso? Esta pergunta foi respondida por ele e seus companheiros com grande intensidade, de forma direta e objetiva, através da criação de uma instituição geriátrica voltada a prática da proteção, do amor e dos cuidados para com aqueles que estão mais próximos do retorno ao Criador. Neodi Saretta, representante do povo. Em oito anos como prefeito cumpriu muito mais do que a sua obrigação. Mostrou como se faz um governo honesto, de palavra, de diálogo, com o povo e para o povo. É exemplo de liderança para a nossa juventude e para a classe política. Harry Perusin do Corpo de Bombeiros Voluntários. Representa uma instituição que congrega pessoas, direta e diuturnamente envolvidas com os problemas da comunidade. A frente de heróis que salvam vidas em situação de risco é exemplo de dedicação e de amor ao próximo.

Frase da semana: “A beleza e o charme de um homem se revela pela sua capacidade de se doar aos outros”

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

“AS DEZ MULHERES MAIS LINDAS E CHARMOSAS DE CONCÓRDIA”


Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Com estas crônicas, aos poucos vou desnudando os meus imensos defeitos e poucas qualidades. Dos primeiros, a pretensão de eleger, por conta e risco, as dez mulheres mais charmosas e lindas de nossa sociedade. Inauguro, então, um novo juízo estético (ou ético?), expressão construída por critérios exclusivistas, que aqui me são peculiares, sublinhados por uma originalidade que é somente delas. Elas, as dez mais lindas, charmosas e encantadoras mulheres desta cidade: Alexandra Leal da Silva, médica obstetra plantonista do Pronto Socorro do Hospital São Francisco. Atende pelo SUS em feriados, domingos, diuturnamente. Abre as portas da vida para crianças através de partos normais e cirurgias obstetrícias, com humanidade, zelo e amor, pouco se importando com a classe social das mamães que ali aportam. Representa centenas de abnegadas profissionais da saúde que honram nossa comunidade. Marizeli Santana dos Santos, da Associação Beneficente Ágape de Concórdia, ABAC. Representa, com grande maestria, todos os que amam Jesus incondicionalmente na pessoa dos miseráveis, pobres e desprotegidos de nossa sociedade. Ligia Dallacosta, da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Faz parte e representa um grupo de verdadeiras heroínas que buscam com grande zelo e incondicional caridade a salvação de mulheres com câncer de mama. Gislaine Winter, do CNEC. Representa a excelência na direção de um dos melhores colégios do maternal ao 2º grau da cidade: visão ética, respeito à dignidade humana, amor às crianças e adolescentes, solidariedade, conhecimento das ciências e dos argumentos lógicos, capacidade de raciocínio e de convivência. Beatriz Fátima Cordeiro da Silva, da Secretaria de Administração da Prefeitura. Discretíssima é a pedra angular de uma gestão compromissada com a responsabilidade fiscal e alto padrão administrativo. Representa as mulheres inovadoras, inteligentes e brilhantes que lutam por uma cidade mais desenvolvida e próspera. Cleonice da Silva Gavin do Centro de Restauração Renascer. Uma mulher do nosso tempo, com uma pregação libertadora. Fortaleza em meio a tempestades e ataques, norte aos descrentes, luz na nossa vida, paradigma de caráter e amor ao próximo. Representa a esperança de mais fraternidade e amor para Concórdia. Irma Casagrande presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Surdos e membro do Lions Clube São Miguel. Dedicada a serviços sociais, aos cuidados com a visão, audição e meio ambiente. Representa um segmento social importante, de mulheres idealistas, dignas e preocupadas com as pessoas menos favorecidas. Analu Slongo, editora do O Jornal. Inteligente, belíssima, articula o que existe de melhor em informação no Alto Uruguai Catarinense. Representa uma equipe que abraça o autêntico jornalismo: ético, inquieto, investigativo, formador de opinião, instigador e inovador. Sirlei Pozzobom administra o Recanto do Idoso. Com sua equipe, se coloca como filha e neta daqueles que procuram paz, dignidade e carinho no final da caminhada terrena. Representa as mulheres de fibra de nossa sociedade, que cuidam de seus idosos com sacrifício, no exercício da paixão pela vida, que é infinita e que pertence ao Criador. Amber Port (Biba) da Sociedade Espírita André Luiz. “Anjos Existem?”. Tema de sua palestra é preciso convir que sim. Biba representa os anjos disfarçados de mulheres que amam essa sofrida humanidade. Fazem parte de nossa vida, como mães, tias, filhas, avós, juízas, advogadas, professoras, empresárias, pastoras, professoras, funcionárias, industriarias...

Pensamento da semana: Meus agradecimentos a minha esposa Carolina que sugeriu o tema, a intensidade e as cores desta crônica. “On Concours”, ela é a mulher mais linda e charmosa da minha vida.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“CERTAS COISAS SÃO AMARGAS SE A GENTE AS ENGOLE”

Cesar Techio - Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Com um custo milionário estimado entre 15 a 18 milhões de reais, começa em janeiro de 2011 a denominada “revitalização” do Parque de Exposições. Os primeiros 2,5 milhões vão para o espaço multiuso: esporte, lazer, festas e feiras, banheiros, pórtico de entrada e quadras esportivas. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros e arquitetos da prefeitura. Portanto, pelo menos neste aspecto houve economia. Não se pode olvidar que, muitas obras, serviços e projetos custariam bem menos ao erário se fossem realizados pela própria Prefeitura... Todavia, em que pese o senso comum apontar para a necessidade de revitalização daquele espaço, é necessário repensar novos paradigmas que levem em conta novo layout para o crescimento urbano da cidade. O primeiro tem a ver com o grave problema das enchentes. No último dia 21 de dezembro de 2010, por exemplo, o Rio dos Queimados quase transbordou. Pouco ou nada se faz de forma eficaz para acabar com esse problema. O açude em construção à montante do Parque de Exposições parece pequeno e insuficiente para reter grande volume de água em contínua precipitação pluviométrica. Antigo projeto, ao tempo da gestão do prefeito Ivo Frederico Reich, previa a construção de uma grande barragem em terras desapropriadas. Mas tudo se perdeu no tempo, em que pese alertas contínuos da Aecom (Associação dos Engenheiros de concórdia).

A construção do canal extravassor começou em alguns metros nos últimos meses da gestão Neodi Saretta e parou. É de aporrinhar as galhofas repetidas a cada eleição pelos candidatos a prefeito. O primeiro que se comprometeu publicamente a viabilizar a construção da barragem ou do canal extravassor ou de ambos, em campanha eleitoral que lhe rendeu assunção política e o cargo de prefeito, foi Moacir Sopelsa, no final de 1992. O anterior, Odacir Zonta, em que pese ciente do problema, também navegou em águas turvas da enchente sem erguer uma palha para resolver o problema. Ou seja, há quatro décadas enchentes devastam o Parque de Exposições de forma que me parece uma temeridade gastar milhões na revitalização de um espaço em permanente situação de risco. Para garantir segurança ao Parque de Exposições e a toda a cidade abaixo dele, o dinheiro gasto com a revitalização deveria ser, em primeiro lugar, orientado para a recuperação da bacia hidrográfica do Rio dos Queimados, proibindo a emissão de licenças ambientais, projetos de loteamentos (uma verdadeira insanidade para quem quiser ver), fazendo plantação de árvores nativas, reconquistando a flora e fauna, desapropriando áreas ainda não construídas, entre outras medidas urgentes. A verdade é que tanto o açude como o futuro canal extravassor não agüentarão tanta destruição na área de absorção das chuvas a montante do Parque. O segundo paradigma é de natureza locacional. Ora, vão revitalizar o Parque de Exposições excluindo estacionamento para veículos já para a Expo Concórdia 2013? Morro de rir. Dá para acreditar? A verdade é que aquele ambiente não comporta mais grandes feiras e exposições e que o modelo urbano de nossa cidade está esgotado. Com uma máquina pública como a Prefeitura na mão, parece que a Administração segue na perfumaria, com muito discurso e propaganda de natureza ambiental e de futuro, mas sem apresentar projetos consistentes.

Pensamento na última semana de 2010: "Fiquem tranqüilas as autoridade. No Brasil jamais haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade". Millôr Fernandes, idem o título acima. Felicidades a todos e até o ano que vem.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

FALTA DE VALORIZAÇÃO EM 2010.

Cesar Techio - Economista – Advogado

cesartechio@gmail.com



Vergonha era o sentimento da população concordiense, por mais de trinta anos isolada de vôos aéreos em linhas regulares para os grandes centros urbanos do país. Com uma economia pujante, por obra de Atílio Fontana e outros empreendedores nosso aeroporto foi muito movimentado. Seu restaurante era o melhor da região oeste. Ieda Bassani lembra dos tempos em que, com seu falecido esposo Enídio, se dirigiam aos domingos para almoçar no aeroporto em meio a pousos e decolagens. A viabilização de uma linha área para o município não é a “realização de um sonho”, como afirmou o prefeito. Na dura realidade é o fim de um pesadelo. O fim de um ergástulo no qual fomos confinados por muito tempo, com prejuízos ao desenvolvimento econômico local. É preciso parabenizar a todos os que se envolveram de forma efetiva para viabilizar o retorno do tráfego aéreo. Mas, olhando para o passado, para as grandes pessoas que já comandaram a economia deste município, é preciso pedir perdão pela omissão, com a qual, por mais de três décadas, nossas autoridades jogaram no ostracismo esse meio de transporte tão importante.



A construção da barragem de contenção de cheias é obra importante. As questões que se impõem são: 1º - Se, é capaz de suportar e reter grande volume de águas em intensa e contínua precipitação pluvial; 2º - Se, José Olmi, empresário, advogado e economista, com larga visão sobre problemas estruturais de crescimento urbano, tem razão, quando mostra a necessidade da construção de uma “grande barragem” em área que já havia sido destinada pelo município para este fim; 3º - Se, ele e Nésio Tumelero têm razão quando insistem no aproveitamento urbano das águas de uma grande barragem. Aprofundar o leito do rio, em seu atual curso, ao invés de construir um canal extravassor é outra sugestão. Com o corte de rochas com explosivos de alta tecnologia, essa idéia se viabiliza. Foi assim que Zeca Olmi construiu o edifício mais moderno da cidade, com cinco andares abaixo do nível da rua encravados em rocha pura, sem nenhum abalo do edifício vizinho. O problema é que os gestores públicos não admitem idéias diferentes das deles, como por exemplo, as propostas da AECOM (Associação dos Engenheiros de concórdia) que há anos vem se “esgoelando” de tanto falar no assunto. É “voz que clama no deserto”. Será?



Quase meio milhão de reais gastos no Sonho de Natal e oitenta mil na vinda do Galpão Crioulo em evento fora da Semana Farroupilha. Foram muitos e-mails de contundente apoio à minha crônica pretérita sobre o assunto. Entre eles, alguns chamam a atenção para a inconveniência da Administração, quase um desprezo pelos nossos artistas locais. Gente, por exemplo, como Antoninho da Fronteira, há 56 anos um ícone da música gauchesca, prata da casa, com vários discos e CDS gravados; Guilherme Pazzini, uma lenda da tradição gaúcha em Concórdia (ele e Antoninho são os únicos fundadores do CTG Fronteira da Querência ainda vivos, o primeiro CTG fundado fora do Estado do Rio Grande do Sul); Tche Mendes, um artista excepcional, inteligente, bem articulado, politicamente esclarecido, com um programa diário e formador de opinião, na Aliança; Noé de Vargas, poeta, cantor, animador de primeira linha, há décadas comandando um dos melhores programas da rádio concordiense, na Rural; outros artistas locais, bandas e orquestras; tenho certeza teriam o máximo prazer de, por custo zero, contribuírem para com o Sonho de Natal. Economia para o erário público, valorização dos nossos e autêntica alegria do povo.

Pensamento da semana: “Senhor, nos dê de presente neste natal, espírito público e mais fraternidade para com os nossos”.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“ABAC: VOCE ACREDITA EM MILAGRES?”

Cesar Techio
Economista – Advogado
cesartechio@gmail.com

Em meio à opulência desta cidade, aportam seres humanos envolvidos com graves obstáculos econômicos e problemas sociais que requerem tratamento urgente, firme e digno, sob pena de violação a direitos humanos fundamentais. A solução da miséria humana exige o envolvimento de todas as instituições, principalmente das igrejas que precisam desenvolver uma vontade concorde e uma consciência de responsabilidade coletiva entre seus fiéis em favor dos grupos sociais mais pobres e marginalizados. Desde as primeiras comunidades cristãs, seguindo o exemplo de Jesus, a predileção de todas as igrejas obrigatoriamente deve ser pelos pobres, necessitados e desprotegidos da sociedade. Uma avaliação ética de nossa fé esbarra necessariamente em ações concretas de caridade, em práticas de justiça social, em vencer egoísmos. De boas intenções, o inferno está cheio. De fato, de que adianta orar dia e noite através de palavras, lamentações, louvores e se prostrar em constantes genuflexões, sem compromisso com a indulgência e a misericórdia? Aos sedizentes cristãos, que vivem nas igrejas, sem compromisso fraterno; aos que oram com os lábios e não com o coração; aos egoístas e orgulhosos que batem ponto nas igrejas, Jesus manda o seguinte recado: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartem-vos de mim, os que obrais a iniqüidade.”

O problema é que a graça da salvação tem uma única fórmula: a prática do amor e da caridade. Engajar-se numa comunidade cristã de amor ao próximo, como a Associação Beneficente Ágape de Concórdia, ABAC (um belíssimo exemplo entre outras instituições), emprestando-lhe tempo, amor e ajudando-a financeiramente para viabilizar sua intensa atividade “pro misero”, talvez seja a oportunidade para descobrir a verdadeira felicidade, o verdadeiro sentido de viver um autêntico cristianismo. Apesar da abençoada ajuda do Município de Concórdia, os recursos para manter a ABAC ainda são insuficientes devido a crescente demanda de atendimento. Sem ainda conseguir o título de entidade filantrópica, a alta carga tributária dessa exemplar instituição é alta, o que também inviabiliza doações em dinheiro de empresas e particulares que buscam abono fiscal. O Albergue da ABAC atendeu 150 pessoas no primeiro semestre de 2010, todas em situação de risco social, moradores de rua e pessoas de passagem pela cidade, sem condições financeiras para se estabelecerem. Para cada uma é feito, no mínimo, cinco atendimentos, desde banho, vestimentas, passagens, documentos, algum equipamento de extrema urgência e até inserção no mercado de trabalho. Desde 2002 a ABAC segue vivendo da fé e resgatando da extrema penúria centenas de seres humanos. Até o dia 15 de dezembro a ABAC precisa de um milagre para viabilizar sua existência em nosso meio, em torno de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para pagar cozinheira, assistente social, limpeza, alimentação, material de higiene pessoal, expediente, combustível, aluguel, luz, água, telefone e outros. “Dar um pouco do que tem ao que tem menos ainda, enriquece o coração e faz a alma ainda mais linda”. Ajude a Deus a fazer mais este milagre.


Pensamento da semana: A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS SURDOS-APAS, promove no dia 11, sábado, BAZAR BENEFICIENTE com mercadorias apreendidas pela Receita Federal, nas antigas instalações da Loja Ponto Frio. Parabéns a IRMA CASAGRANDE por mais esta iniciativa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PLANO DIRETOR: VIADUTOS E ABACATEIROS NA PRAÇA.


Cesar Techio
Economista – Advogado - cesartechio@gmail.com

Um novo Plano Diretor para a cidade deve levar em consideração, entre os multifacetados compromissos obrigatórios estampados no Estatuto das Cidades, certos aspectos que, em Concórdia são importantíssimos, relevantes, imprescindíveis e inalienáveis:

1° - Plano Diretor da Bacia Hidrográfica do Rio dos Queimados: Se quisermos garantir a eficiência e eficácia do canal extravassor e do pequeno açude de retenção, em construção, há necessidade de revitalizar o ecossistema à montante do centro da cidade, proibindo novos loteamentos e construções; aumentando a área ciliar no entorno de fontes, determinando o replantio de árvores, enfim, reconstruindo o meio ambiente para ajudar na retenção das águas pluviais. Cansei de escrever sobre este assunto. Neste aspecto, é de espantar e uma vergonha a aprovação e liberação de novos loteamentos à montante do Rio dos Queimados, a partir do centro da cidade. Há urgente necessidade de legalmente impedir que as autoridades aprovem quaisquer construções naquele norte, sob pena de atentado à vida das pessoas que residem à jusante do rio e malversação do dinheiro público destinado à contenção de cheias.

2º - Plano Diretor de Expansão Urbana: Há urgência para se ordenar o crescimento urbano em direção ao Distrito de Santo Antônio, Linha São Paulo e BR 153 (pela Rua Leonel Mosele, como já sugeriu o dinâmico vice-prefeito Neudi Santhier). Mais do que traçar eixos de expansão urbana, há necessidade de estimular o crescimento para essas direções, projetando, desde logo, toda a infra-estrutura para que isso ocorra: múltiplas vias asfaltadas; estações integradoras para transporte coletivo interbairros; ônibus alimentadores para passageiros de comunidades do interior; canaletas exclusivas para ônibus expresso para rodoviária a ser construída junto a BR 153; sistemas e estruturas de captação e retenção de água. O ingresso de escolas, postos de saúde, hospitais, supermercados, farmácias e outros estabelecimentos nestas áreas, virão junto com o processo de urbanização. Enfim, é preciso desafogar o centro da cidade de forma natural.

3º - Plano Diretor da Atual Área Urbana: Nosso espaço tem que se amoldar de forma harmônica e ecologicamente correta à topografia, às encostas e aos gargalos que impedem o crescimento urbano, sem afronta ao Estatuto das Cidades. Entretanto, com relação a situação pré-existente, a mesma já se encontra consolidada. Não há que se pensar em demolir prédios já construídos sobre o rio; inventar viadutos suspensos sobre ruas e casas para o tráfego veicular ou plantar abacateiros na praça. Idéias pirotécnicas para diversão popular, só na campanha eleitoral. Mas, convenhamos, de ora em diante, é fundamental impedir construções que induzam aglomerações. A edificação de unidades com menos de 110 metros de área, em até 3 km do Ponto Central (PC) da cidade (Largo Rio Branco), devem ser proibidas. Escavações e construções em morros com declive superior a 30º ou que, geologicamente não sejam recomendadas, idem.
Na realidade, não temos trabalhado, durante todos estes anos, qualquer política de desenvolvimento urbano. Com o novo Plano Diretor, talvez seja possível tentar a construção de políticas públicas inteligentes, voltadas à preservação ambiental e à dignidade humana. Mas, sinceramente? Não tenho esperanças na efetividade disso. Basta constatar que as atuais autoridades continuam liberando alvarás para loteamentos acima do rio dos Queimados e construções em penhascos onde se planta milho a tiro e se colhe a laço. Não existe bom senso, cabeça e peito para preservar o meio-ambiente, garantir a função social da cidade e um futuro digno. Com cabeçudos, o melhor Plano Diretor do mundo, não saí do papel.