quarta-feira, 28 de maio de 2014

GRUPO TEATRAL PILIQUINHA: ORGULHO DE CONCÓRDIA.




Cesar Techio
Advogado - Economista
  
               Bons ou maus, uma coisa é certa, estamos infalivelmente conectados a cultura, aos costumes, manias e ao jeito de ser do substrato social do qual tivemos origem e no qual ainda estamos inseridos. Neste aspecto, nada melhor do que as apresentações do Grupo Teatral Piliquinha para nos confrontar com situações cuja raiz carrega resquícios dos tempos mais difíceis da nossa região, de migração italiana com predominância do moralismo religioso, do preconceito absoluto e de costumes rígidos no âmbito familiar patriarcal. Enfim foi o que pensei após ver a comédia “A cama que o diga", lastreada em situações engraçadas do cotidiano. O que impacta na peça do grupo, são justamente situações inusitadas, entre as quais, de uma freira moralista e de um bêbado, vizinho, que vão para a cama dormir, literalmente, juntos com um casal. A peça trabalha o subconsciente preconceituoso da plateia que sem perceber se vê na pessoa do bêbado e da freira. Ele cheio de razão, invocando a propriedade feminina “a minha mulher” e a freira, invocando razões de ordem moral num acentuado sotaque italiano.

              O confronto, pelo viés da comédia, se faz pela atitude do casal que constrói a ponte entre o paradoxo que enleia o preconceito dos que lhe invadem o quarto e o diálogo que busca esclarecer, explicar e, finalmente aceitar e receber na cama os dois visitantes noturnos. Este movimento, democrático e humano, acolhe os diferentes. E acolhe na cama. Isto é simbólico para uma sociedade egoísta, que não aceita e não acolhe ninguém.  A democracia da cama arrebenta um paradigma vetusto de privacidade, de egoísmo e mostra que a casa é minha, mas também é sua. A cama democrática confronta os limites do privado, da intimidade do quarto com a interação social, afinal a cama é espaçosa, grande, do tamanho do mundo, e sempre cabe mais um.  Trata-se de uma perspectiva que traduz um sentimento social latente no subconsciente de cada pessoa que assiste ao espetáculo, na medida em que o paradoxo da cena, em confronto a certos valores incrustados na formação moralista e preconceituosa, cede espaço ao desejo do coração em se livrar da solidão e compartilhar, interagir e amar. E nisso a cama é soberana, pois é nela que se encontram os amantes, se quebram as formalidades, se concebem os filhos e o êxtase acontece.

              Nesta atmosfera, e no desenrolar da peça magistralmente apresentada por atores e atrizes absolutamente impecáveis, aparece a odalisca, a mais bela e insinuante das mulheres. Ela dança a “dança do ventre” e suavemente povoa o sonho dos que lhe observam. A odalisca é a juventude, e a dança frescor das flores, do orvalho da manhã e das lembranças mais doces. O olhar da odalisca é o esplendor da vida, das estrelas, da existência que naquele instante se torna atemporal: “O tempo não passou e as horas não se adiantam, amada”. Enfim, sonhar e rir, eis o convite para as meninas e meninos de todas as idades desta cidade. A performance do Grupo Teatral Piliquinha, natural, espontâneo, multicolorido, inteligente e provocador é expressão da excelência do amor pela arte e pela vida. Assista.

Pensamento da semana: O palco é vida real, uma opção de risco. Assim como o amor. Marisa Monte 





RUA COBERTA

Cesar Techio
Advogado - Economista
              
  Gestão pública que se põe a serviço do povo, mas se recusa a inovar e ir além; sociedade que se organiza, mas não avança em novas perspectivas; atraso dos que resistem a quaisquer melhorias, amarrados ao passado e com medo do futuro, são nuances de uma mesma realidade que bate a porta de cidades engessadas em intrigas políticas e que não possuem disposição, clarividência e coragem para se desenvolverem. Por conta disso a vida não evolui e as novas gerações permanecem presas à tradição obsoleta de anos, repetindo os mesmos erros, trilhando os mesmos caminhos, pensando as mesmas coisas. Pessoas que agem assim moldam a humanidade pobre e miserável que vemos todo o dia ao nosso redor. Não é fácil explorar um território não cartografado, sem mapas ou diretrizes, não demarcado pelos antepassados. E os que têm coragem para fazê-lo quase sempre são desestimulados por aqueles que não conseguem viver sem um velho e empoeirado mapa. São pessoas que andam em círculos pelo caminho conhecido e querem que todos também andem assim. Mas é preciso romper com este círculo vicioso, com coragem, bom senso, equilíbrio. Somente o destemor consegue aceitar que é necessário evoluir, aperfeiçoar e andar por novos caminhos.

  Esta coragem, este destemor e bom senso o prefeito João Girardi tem de sobra. A decisão para mudar o trânsito engarrafado da cidade, que hoje flui muito bem, vai na linha do projeto de outras grandes obras de elevado interesse para Concórdia, como por exemplo: a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA); o 1° Berçário do município; a Barragem Seca que evitou um desastre na última enchente; o Centro Cultural que abrigará o Museu e a Biblioteca Municipal; a aquisição da sede do Senai que abrigará cursos superiores, entre eles os de Engenharia Mecânica, Elétrica, de Controle e Automação do Sétimo Campus da Universidade Federal Fronteira Sul; a aquisição de novas áreas de terras para expansão industrial; a pavimentação de cerca de cem ruas e ruelas, entre outros. Neste contexto, a Rua Coberta, com traços modernos e futurísticos, faz parte da composição destas obras inovadoras.

  Trata-se de uma conquista que permitirá à comunidade concordiense, atividades múltiplas ao ar livre, mesmo em dias de chuva. A estrutura conectará a Praça Dogelo Goos aos jardins fronteiriços da Prefeitura Municipal e se estenderá da Rua Marechal Deodoro até a Rua Dr. Maruri. Feito em policarbonato e vidro, abrigará um sistema de resfriamento e aproveitamento da água da chuva. Imagino, sob o teto desta esplêndida obra de arte, exposições, feiras de artesanato, grupos musicais se apresentando e alegrando o povo, crianças brincando, apresentações de teatro e outras atividades de finais de semana e feriados. Trata-se de um projeto urbanístico, com recursos federais, que ficará na história da cidade e que atrairá o interesse de visitantes de todas as partes do país. Os projetos do prefeito abrem novas fronteiras e avança sobre temas que progridem na inovação. Com uma visão de futuro em 3D, moderna e evoluída, João Girardi constrói uma nova cidade e traça um novo mapa para Concórdia. O mapa do futuro.


Pensamento da semana: Veja o vídeo da Rua Coberta no meu blog http://cesartechio.blogspot.com.br/



quarta-feira, 21 de maio de 2014

TCHE MENDES: O CAVALO DO XADREZ


Cesar Techio
Advogado - Economista
  
            O juiz formulou idênticas perguntas à testemunha, sobre dois fatos e situações análogas e contemporâneas, envolvendo dois irmãos em linha demarcatória lindeira, recebendo respostas diferentes. Percebendo proposital enleio voltou a perguntar se a testemunha possuía memória seletiva. Diante da resposta positiva e calejado pelas lides forenses, em clima de inevitáveis sorrisos entre os demais operadores do direito, estranhamente o magistrado fixou-me o olhar sem esboçar qualquer reação e passou a conversar com o Promotor. De natureza cordata e sempre bem humorada estranhei aquele olhar sereno e impassível. Por isso, quase tenho certeza que ria por dentro. Volta e meia lembro-me do caso e me assalta a dúvida: ele ria às escâncaras. Todavia, a questão não reside na incongruência da resposta da testemunha, mas na ausência absurda, quase que completa, de capacidade de discernimento, de atenção, reflexão, raciocínio, entendimento e sensibilidade para perceber a extensão de uma proposição e às relações lógicas que formam um argumento. Para treinar a mente e a capacidade de pensar, nada melhor do que o tabuleiro do jogo de Xadrez. O xadrez ajuda na concentração, no autocontrole e a refletir antes de agir. Basicamente é um jogo de estratégias com efeitos comprovados no rendimento escolar.

            Algum treino no xadrez certamente evitaria que a testemunha afirmasse possuir memória seletiva e o risco de ser processada por falso testemunho. Mas, o treino sistemático atila a mente a vislumbrar resultados do próprio jogo muito antes do seu final. Isto vale para todas as relações humanas, políticas e sociais. Arlan Guiliani, o vereador que faz expediente integral na Câmara de Vereadores, é um mestre no jogo do xadrez. Com extraordinária capacidade intelectiva busca em estratégias éticas e produtivas construir uma ação política com resultados voltados exclusivamente ao interesse do povo concordiense. Dentro deste tabuleiro, que elege o interesse público acima do político, apraz-me constatar que outros também pensam assim, como é o caso do vereador Tche Mendes, domador de potros e apresentador de programas nativistas nas Rádios Aliança de Concórdia, Catarinense de Joaçaba e na Rádio Erechim. Falando verdades no estilo curto e grosso do gaúcho em seus programas de rádio, na Câmara de Vereadores tem atuado de forma equilibrada e suas decisões livres, corajosas, soberanas e inteligentes fazem a diferença entre a governabilidade em favor do interesse público e eventual oposição desmedida. Ao votar no segundo ano consecutivo pela reposição e aumento real do funcionalismo público e ao decidir questões de suma importância para a população, Tche Mendes aciona o cavalo que é a peça mais hábil e dinâmica do xadrez. O cavalo se movimenta duas casas para frente ou para trás e em seguida uma casa para a direita ou para a esquerda, ou duas casas para a direita ou para a esquerda e em seguida uma casa para frente ou para trás. O cavalo é a única peça do xadrez que pode pular outras peças e ganhar o jogo. E engana-se quem pensa que Tche Mendes costuma brincar na política. Este jogo ele só reserva para os seus programas de rádio.


Pensamento da semana: O Clube Concordiense de Xadrez completa trinta anos de história e conquistas em Concórdia em exposição de peças raras de propriedade de Arlan Guiliani, no Quiosque central da cidade. Xeque-mate.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

ELENA ZUCCHI GORLIN: AMOR, CULTURA E ITALIANIDADE.


   
Cesar Techio
Advogado - Economista


 Não existe um método, uma teoria que ensine a amar. Mas o caminho pode ser sinalizado pelo brilho, fluidez e suavidade do amor de pessoas que sabem amar os outros. Dedicando-se ao ensino da língua italiana por quase duas décadas, de 1994 a 2013, Elena Zucchi Gorlin difundiu entre nós, não só a gramática, de per si, praticamente esquecida ou desconhecida em Concórdia, mas, muito especialmente buscou transferir aspectos vivos da italianidade, do jeito de ser, pensar e de viver a milenar e cosmopolitana cultura italiana. Nesta senda, em intercâmbios com instituições e com o governo Veneto, propiciou um resgate intercultural, internacional e educativo que havia perdido força e importância após o ápice da migração italiana para o sudeste e sul do Brasil, de 1880 a 1930. Como fundadora e presidente da Associação Italiana Vêneta de Concórdia, inúmeras vezes reeleita, Elena Zucchi Gorlin nos trouxe de volta um clima leve, alegre e animado de compreender as nossas origens. Sua proposta, enquanto educadora ítalo-brasileira carreou às salas de aula da associação, a profundidade de um pensamento construído através de milênios e que se espalha ao redor do mundo como um estilo cognitivo de vida tão civilizado quanto sedutor.

A renascença italiana, através da arquitetura, escultura, literatura, pintura, música e artes plásticas, simplesmente revolucionou a “descoberta do homem e do mundo” e teve destaques de grandeza estelar como Rafael Sanzio, Donatello, Filippo Brunelleschi, Sandro Botticelli, Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Giovanni Boccaccio, Dante Alighieri, entre outros. A contribuição filosófica italiana incluindo gigantes como Tomás de Aquino, Cesare Beccaria, Norberto Bobbio, Giordano Bruno, Umberto Eco, apenas para citar alguns contemporâneos, a par do legado jurídico do Direito Romano desde a Lei das Doze Tábuas (Lex Duodecim Tabularum, 449 a.C.) até o Corpus Iuris Civilis por Justiniano I ( 530 d.C.) que influenciou o Direito moderno ocidental, assim como toda a orientação da doutrina social da Igreja Católica a partir da Rerum Novarum, fazem parte do arcabouço e de um caldo cultural de que nos orgulhamos.

A essência destas artes e a qualidade deste pensamento é a pedra angular que norteia a personalidade encantadora desta mestra, atualmente correspondente consular do Consulado Italiano em Concórdia, por ato do Consul Geral da Itália para os Estados do Paraná e Santa Catarina. Possivelmente, dada a sua simplicidade, própria de pessoas sábias, inteligentes e cultas, Elena Zucchi Gorlin não tem inteira percepção da grandeza de seu trabalho o qual dignificou o esforço dos fundadores da nossa associação, que bem me lembro, remonta a fundação ao 15° dia do mês de março de 1993, em primeiro estatuto o qual tive a honra de elaborar. O consequente sucesso da condução do nosso eterno Raulino Uliano a primeiro e digno presidente, veio posteriormente a ser coroado com a sua sucessora, a qual, de larga visão, reafirmou o ideal humanista umbilicalmente ligado a todos nós, os oriundi, descendentes de italianos fixados nesta nobre região do oeste do Estado de Santa Catarina. Como não se emocionar com Elena Zucchi Gorlin, com sua bela família e com o seu existir entre nós? De sua personalidade espraia-se intenso vigor espiritual e o fulgurante exemplo moral, ético e cultural do que existe de melhor da imigração italiana presenteada ao nosso Brasil. Que possamos continuar a ouvir suas palestras em escolas, universidades e instituições e seguir nos abeberando de sua cultura e de sua luz.


Pensamento da semana: "O tempo dura muito para aqueles que sabem aproveitá-lo." Leonardo da Vinci.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

OS CAMELOS E A ENCHENTE

                                                      foto: http://ojornaldahiena.wordpress.com/page/2/

Cesar Techio
Advogado - Economista
  
   Mentes primitivas investem muito no controle de tudo e de todos e ficam perturbadas quando alguém vai bem e quando algo dá certo. No dia 30/04/2014 a precipitação pluviométrica quase beirou os 200 ml.  A Barragem de Contenção construída pelo Prefeito João Girardi salvou a cidade de mais um desastre. Isto é inquestionável. É claro que a derrubada de mata para a expansão de loteamentos à jusante e à montante da barragem, dentro da bacia hidrográfica do Rio dos Queimados, deve ser contida.  Neste norte, enchentes continuam sendo fenômenos inteiramente previsíveis e, do quanto todo mundo sabe, evitáveis até certo limite. A nossa realidade topográfica não deixa dúvidas de que o Rio dos Queimados já foi rio. Não é mais, senão um canal de concreto para escoamento de águas pluviais. Daí a necessidade de percebermos que o rio transborda porque roubou-se-lhe grande parte do leito original, desviou-se-lhe o curso, obstruiu-se-lhe a passagem livre, derrubou-se-lhe as matas as suas margens, etc., por necessidade imperiosa do crescimento urbano numa região acidentada. Assim, segue firme a Administração Municipal no projeto do canal extravasor a latere do Rio dos Queimados, porque entende que não é suficiente conter a água, mas também em grandes precipitações viabilizar seu escoamento de forma segura.

  Todavia, se um dilúvio se abatesse sobre esta cidade, num completo desastre climático, mesmo assim, algumas mentes presas a questões políticas e ao próprio umbigo tentariam buscar no prefeito municipal o culpado útil.  Por isso, a enchente me fez refletir de como existem pessoas que buscam o tempo todo transferir responsabilidades e achar culpados. Isto é típico de mentes atrasadas. Pessoas assim fazem oposição mesmo quando não há fogo na casa (ou água). É da natureza destas mentes agirem com infantilidade, de forma ilógica e caótica. Egocêntricas acham que tudo gira em torno de suas cabeças e que somente elas têm razão. Pouco se importam com o esforço dos outros e com a realidade dos fatos, o negócio é criticar fortuitamente todo mundo, a começar pelos familiares, colegas e amigos.

  Sair deste estado exige uma transformação radical. Friedrich Nietzsche no livro “Assim falou Zaratustra”, fala de como o espírito se torna camelo (ou burro). O “estado de camelo” tem a ver com mentes abestalhadas que andam vagando por aí carregando grandes fardos de amargura, negatividade e de incapacidade para avaliar algo positivo. O Camelo leva a carga até o deserto e luta contra ela, se transformando num leão. Na verdade luta contra suas próprias limitações, egoísmos e valores e, em vista disso, acontece uma transmutação da forma de avaliar o mundo. Extrai-se desta metáfora a lição de que, se não houver uma mudança que permita perceber as coisas boas que nos circundam e as qualidades das pessoas, as mentes primitivas continuarão letárgicas e, independentemente da posição econômica, social e intelectual, permanecerão como camelos, levando o peso da negatividade até o fim da vida. Se você se reconhece nesta história, mude de postura. Comece reconhecendo o mérito da vitória das pessoas que vivem ao seu lado.

 Pensamento da semana: Apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família. Friedrich Schlegel. Parabéns queridas mães.

sábado, 3 de maio de 2014

VAMOS PARTICIPAR DO IV FESTIVAL DE TEATRO DE CONCÓRDIA !


PROGRAMA PARA A FAMÍLIA INTEIRA.

DIA 06/05, TERÇA, 20hs: "PARÔ PALHAÇADA!". DIA 07/05, QUARTA 20 hs: FULANINHA E DONA COISA. DIA 08/05, QUINTA, 20 hs: LA PERSEGUIDA. DIA 09/05, SEXTA, 15hs: UM MUNDO DEBAIXO DO MEU CHAPÉU. DIA 09/05, SEXTA, 20hs: INSÓLITO. DIA 10/05, SÁBADO: MAU HUMOR.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

SE VOCE LER ESTA CRONICA....

         Festa em Linha Aparecida 27/04/2014

Cesar Techio
Economista – Advogado

         Para recuperar o folego, a alegria de viver e a verdadeira felicidade, antes é preciso largar a arrogância, a indolência, o orgulho, a brabeza, o mau humor e a indiferença. É preciso acreditar na misericórdia do Criador e buscar uma relação construtiva, respeitosa e amorosa com os nossos semelhantes. Somente assim poderemos ganhar as alturas, conquistar uma nova plenitude, vitalidade e um renovado frescor à nossa existência. Escrevo estas linhas, após uma reunião, aqui no meu bairro, em que um vizinho me contou que espera toda a semana para ler estas mensagens, aqui disfarçadas de crônicas. Outro vizinho, para minha surpresa, me abraçou e disse que é assíduo leitor.

            Nossos encontros semanais, através deste espaço, permitiram e franquearam muitas amizades.  E, mesmo que não estejamos fisicamente lado a lado no instante da escrita e da leitura, interagimos através das palavras. E nos tornamos cúmplices das lágrimas, preocupações e sorrisos que vão sendo colocados entre as linhas. Muito do que é dito nestes textos, vai da interpretação, da perspectiva, da formação intelectual, da esperança e da forma como o leitor vê o mundo. Por isso, o resultado é construído a “quatro mãos”, já que é através da percepção de quem escreve e de quem lê, que se se estabelecem critérios de compreensão, valoração, aceitação ou até mesmo de repúdio sobre isso ou aquilo.

             A verdade é que, depois do abraço de meu vizinho, fiquei com vontade de me encontrar pessoalmente com meus leitores e de abraçar a cada um deles. Mas, que maior abraço pode existir do que o recebido através da abertura desta página, e o pousar suave do olhar de quem neste momento segura o jornal? Talvez por isso, comecei esta crônica pensando em Deus, para que hoje possamos compartilhar de um sentimento extraordinário que me faz pensar a vida, não em termos de lógica, mas de amor. Esse sentimento deve sustentar a nossa vontade de viver, de sermos felizes e de fazermos os outros felizes. Se a base do pensar for somente a lógica, o poder econômico, o dinheiro, o possuir bens, não existirá poesia, nem alegria, muito menos as alturas a que me refiro no início desta conversa. É preciso pensar certo, com amor e compaixão. Esta é a única forma de transcender e de superar as tristezas, dificuldades e decepções. E você pode começar a mudar a sua vida hoje. Após a leitura do pensamento da semana, abaixo, feche o jornal e abrace a primeira pessoa que encontrar e diga que a ama. Até a semana que vem.

Pensamento da semana: Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida. Platão.

ENCHENTE EM CONCÓRDIA 30/04/2014



Rio dos Queimados transborda e alaga parte do centro (Fotos)
Chuvas já passam de 150 milímetros no município de Concórdia. Transtornos são registrados em vários pontos da cidade e do interior.
Rádio Alinça



O rio dos Queimados invadiu parte da área central de Concórdia na noite desta quarta-feira. A chuva que cai de forma ininterrupta desde o final da noite da terça-feira fez com que o volume de chuvas ultrapassassem o esperado para um mês inteiro. O ponto crítico foi registrado na rua Doutor Maruri, do entroncamento com a Leonel Mosele até o encontro com a Getúlio Vargas. O rio transbordou e invadiu alguns estabelecimentos comerciais. Muitos empresários e trabalhadores estão no local vigilantes ao movimento do Queimados. Um dos locais mais críticos é na altura da Atalípio Magarinos, um dos primeiros pontos a serem algados. Outra rua, a Getúlio Vargas, não sofreu transbordamento do rio, mas a enxurrada que desce da parte alta acabou acumulando nas proximidades do restaurante Brazão.

Em função dos alagamentos, a Polícia Militar teve que interromper o trânsito, especialmente na Doutor Maruri, Rua do Comércio e Getúlio Vargas. Tal medida exigiu paciência dos motoristas. Os moradores da Rua Pietro Dalla Costa, que margeia o rio dos Queimados e faz entroncamento com a João Suzim Marini, também foi parcialmente algada.

O acesso entre os bairros Santa Rita e Sintrial também foi encoberto pelas águas do rio, fazendo com que não haja tráfego de veículos naquela localidade. Várias localidades do interior de Concórdia também registraram quedas de barreiras sobre as estradas e árvores sobre a pista. Pelo que chegou a reportagem da Rádio Aliança, várias propriedades também registraram prejuízos com deslizamentos de encostas que atingiram benfeitorias como verticais e aviários. Uma ponte na altura da Linha Saracura, próxima de Três Barras, também cedeu em função da força das águas.
Na área urbana, ainda foram registrados outros pontos de alagamento em função das fortes chuvas, que já passam de 150 milímetros.



 ENFIM, GRAÇAS A BARRAGEM DE CONTENÇÃO, QUE REGULOU O NÍVEL DA ÁGUA, CONSEGUIMOS, ATÉ O MOMENTO (23hs40min) QUE O EXCESSO DE CHUVA NÃO ARREBENTASSE A CIDADE. CONCLUO QUE A BARRAGEM FOI FUNDAMENTAL PARA NOS SALVAR DO PIOR. O Canal Extravasor continua a ser algo a ser repensado, uma vez que a bacia hidrográfica abaixo da barragem se constitui num fator agravante. De qualquer forma é preciso considerar que a ALTÍSSIMO PRECIPITAÇÃO, causou muitos estragos em TODO O OESTE DE SANTA CATARINA. É FENÔMENO DA NATUREZA, FORA DO CONTROLE HUMANO.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

ABSTENÇÃO: VERGONHA DA NAÇÃO


Cesar Techio
Advogado – Economista

            Não tem nada mais vergonhoso do que ficar em cima do muro. Ainda mais em se tratando de político com cargo eletivo. Gente assim sempre causa náuseas. Tá na Bíblia: “Porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3,16). Jesus também se referiu a essa turma: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5,37). No popular: “Ou é oito ou é oitenta”. A abstenção de votar num projeto de lei ou em algo importante para o país deveria ser punido com a perda do mandato. Afinal, um deputado, senador ou vereador foi eleito para legislar, para decidir. E deve fazê-lo com soberania e de maneira inequívoca: ou vota a favor ou vota contra. O resto é desrespeito à confiança que o eleitor depositou nele. É bem verdade que tem voto vendido, em que o eleitor não está nem aí para o político irresponsável. Afinal, tanto corruptor como corrupto fazem parte do mesmo caldo podre e fétido da política descarada e criminosa que negocia princípios em troca de tudo. Oposição por oposição, sem pensar na pátria, na nação, no povo e no resultado da abstenção na hora de votar, rebaixa o político aos porões das Casas Legislativas. Afinal, fica claro que se trata de uma forma sutil de livrar-se da responsabilidade sobre o resultado do que está sendo votado.

            Estratégias tais não deviam passar ao largo da atenção dos eleitores. Há quem diga, entretanto, que a omissão de um senador, deputado ou de um vereador, num sistema de democracia representativa, apenas demonstra concordância com tudo e com todos. Entretanto, convenhamos, se abstendo o legislador resolve o que? Trata-se apenas de um subterfúgio para estrategicamente lavar as mãos e esgueirar-se de uma situação incômoda ou, como preferem alguns, “sair à la francesa”. Pilatos, também lavou as mãos no julgamento de Cristo. Por conta disso, um bandido foi solto e um inocente torturado e morto. Previsões regimentais que permitem a abstenção do voto legislativo são vergonhosas diante das lesões sociais que esta prática provoca, pois nada mais representa do que a mais deslavada abdicação do exercício de representação dos interesses do povo. Ao se abster de votar o deputado, senador ou vereador faz pouco caso do poder que lhe foi conferido pelo voto popular, vitimizando os cidadãos, pois de regra se utiliza deste expediente para cavar vantagens pessoais ou criar entraves administrativos por simples interesses pessoais ou de um grupo político. Enfim, a abstenção afronta a finalidade da existência do próprio Poder Legislativo, que é a de fazer leis visando o bem social.

  Pilatos cai muito bem nesta história, pois ele é o típico político que lava as mãos diante de decisões sob sua responsabilidade. Enfim, a abstenção em votar pode não ser ilegal, mas certamente é imoral e afeta toda a sociedade. A ausência de comprometimento é muito comum no meio político e, infelizmente, gira em torno do disposto no § 2º do artigo 180 do regimento interno da câmara dos deputados e § 2º do artigo 288 do regimento interno do senado federal. Na Câmara de Vereadores do seu  e do meu município, a abstenção também possui respaldo normativo. O que é uma lástima.

Pensamento da semana: “o preço a pagar pela sua omissão na política é ser governado por quem é inferior” Platão 428-347 AC

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO COM “CHEIRO DE POVO”.


Cesar Techio
Economista – Advogado

  O prefeito João Girardi entende que a participação política do povo concordiense não deve se encerrar com o ato de votar durante as eleições. Apesar de ser o prefeito eleito, com todos os direitos e deveres inerentes ao cargo de mandatário, também compreende que deve implementar um sistema democrático de participação popular na gestão pública com a qual concretiza a principal riqueza do Orçamento Participativo, que é a democratização da relação do Estado com a sociedade. Essa prática do prefeito, não é monopólio do PT que a idealizou, ao contrário, se expandiu por todo o Brasil e foi assumida por todos os partidos políticos, se tornando bandeira das melhores políticas públicas e de bom governo. E, funciona como raticida, matando ratazanas incrustadas em governos que pensam que o povo é ignorante e que podem fazer o que bem entendem, por meio de decisões clientelistas feitas para agradar compadres, comadres e eleitores de partido político.

  Auscultando a todos os cidadãos, nos encontros com as comunidades, o prefeito João Girardi faz mais: presta conta de seus atos de gestão estimulando o povo a que não se conforme em ser coadjuvante, mas protagonista de uma gestão séria, responsável e transparente. O percentual destinado a esta prática, se não é alto, pelo menos tem o objetivo pedagógico de estimular a participação popular nas decisões de governo. Interessa ao prefeito, interagir com o povo, apertando mãos, olhando no olho, mas também prestar contas daquilo que ele faz em seu gabinete e com o erário público, para o qual migra todo o dinheiro pago na forma de tributos como IPTU, ITBI, ISS, taxas diversas, contribuições, receitas de serviços, receitas patrimoniais e repasses constitucionais da União.

   É evidente que as grandes obras de infraestrutura devem receber um percentual orçamentário muito maior do que o destinado ao Orçamento Participativo, que tem o objetivo de fazer obras indicadas pelas comunidades como as mais urgentes e necessárias. Mas, sempre é bom lembrar, que as grandes obras também foram aprovadas através do voto na urna e na confiança da implementação do Plano de Governo apresentado durante a campanha eleitoral. Nesta linha, não temos do que nos envergonhar, ao contrário, nos orgulhamos de possuir neste município um governo com elevado nível ético, honestíssimo, competente, com cheiro e jeito de povo.  Enfim, antes instrumento tradicional de comando nas mãos do Prefeito e de um seleto grupo atrelado ao poder, o Orçamento Participativo passou a ser expressão concreta e real de autêntica democracia. E é muito bem compreendido pela grande maioria das pessoas que participam dos encontros que estão sendo realizados. Para reconhecer isso não é preciso coragem. É preciso apenas sensatez e coerência.

Pensamento da semana: Feliz Páscoa na ressurreição de Cristo, amados leitores.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

CORRUPÇÃO: QUAL A RESPONSABILIDADE DAS IGREJAS?

                                             Pastor Alexandre Luciano  

Cesar Techio
Economista – Advogado
  
            Convidado, aportei aos bancos lotados da Assembleia de Deus, navegante destas ondas encapeladas e duras do travo amargo da minha profissão. Fixei os olhos no pregador e, intimamente, por conta daquelas dúvidas e expectativas que nunca admitimos carrear à alma cansada, imaginei: o que virá desta pregação? No início me intrigou a suavidade de suas palavras. Ao avançar, percebi que aquele pregador sereno levantava o tom. E criava, com rigor desconcertante, uma linha de raciocínio cheia de fé, calcada numa moral evangélica que não deixa dúvidas sobre o modo de como se deve viver. Ao me deparar com a fala do Pastor Alexandre Luciano da Assembléia de Deus de Irani, senti que não se tratava de ferve, de estratégia de conferencista pronto para convencer. Na verdade não era ele, mas Deus nele.

       A graça do Espírito Santo transcendia a lógica a que me habituei e operava num plano diferente. Aquele espaço não era mais a igreja. Era o céu.  E então, desfilaram diante de meus olhos, milagres incompreensíveis, inacreditáveis, apartados do meu entendimento. Analisando sob o ponto de vista da psicologia, dos sentidos das emoções o que ocorria naquele ambiente de luz, conclui ao passar dos dias, o quanto é bom nos influencie a palavra de Deus. O quanto é maravilhoso abrir o coração para as influências saudáveis dos princípios cristãos que inspiram o andar reto, que carreiam prosperidade honesta, decisões éticas na condução da Administração Pública, da política e dos negócios em geral.

       Infelizmente vivemos um momento da história em que a política está vinculada à corrupção, às malversações de verbas e a desvio de dinheiro público à custa da pobreza e da miséria do povo. Notícias diárias na mídia nos estarrecem e deixam indignados.  Por isso, a força moral da palavra dita por pregadores de envergadura moral, não há como negar, tem o poder de irradiar sua influência sobre todos os setores da sociedade. Neste norte, a difusão da ética e dos princípios cristãos na política e na Administração Pública, é assaz irrenunciável à missão das igrejas e deve contar com a colaboração de líderes religiosos bem preparados, sensíveis aos reclamos de uma sociedade sofrida da qual eles, como fermento na massa, fazem parte.

       Não há dúvidas de que é múnus de todas as igrejas cristãs cingirem-se à pregação da palavra e a salvar almas, mas, impossível, nestes tempos de pesada corrupção, delimitá-la, “ad litteram”, ao espaço interno dos templos. É preciso preparar o caminho, endireitar as veredas para que, os que reivindicam e protestam como leões contra as falcatruas na gestão pública, não votem como burros nas eleições. Essa responsabilidade, de fazer o milagre acontecer na consciência do povo, de formar e apoiar candidatos que saibam honrar os compromissos de viver em honestidade pesa muito sobre as costas de pastores, padres, discípulos, bispos, presbíteros, diáconos e de todo o povo de Deus. 

Pensamento da semana: "Todo homem é culpado por todo bem que ele não fez." Voltaire.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

GOLPISTAS: O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO


Cesar Techio
Economista – Advogado
  
                Mahatma Gandhi enumerou sete perigos para a virtude humana: 1° - Riqueza sem trabalho; 2° - prazer sem consciência; 3° -  conhecimento sem caráter; 4° - negócios sem ética; 5° - ciência sem humanidade; 6° - religião sem sacrifício e 7°- política sem princípios. Fiquemos, como tema desta nossa conversa semanal, com os perigos da “riqueza sem trabalho” e dos “negócios sem ética”. Tendo como base uma extremada ganância e uma ausência absoluta de escrúpulos e compaixão por suas vítimas, estelionatários aparecem, volta e meia, sorridentes e cativantes, no seio das comunidades. A própria origem da palavra estelionato, “stellio”, nos dá uma idéia das estratégias do agir destes camaleões: “lagarto que muda de cores, iludindo os insetos de que se alimenta”. (Fonte: Mirabete, Julio Fabrinni; Fabrini, Renato N. Manual de Direito Penal; parte especial; 25ª Edição, Atlas, São Paulo, 2004).

             Sem quaisquer ressaibos ou cautelas, os cidadãos empreendedores caem na lábia, na conversa fiada, no conto do vigário, hipnotizados pelo carisma envolvente dos festivos golpistas. Sem reservas e precauções de estilo, confiam a eles e a todos os que se escondem por trás deles, seus negócios e o dinheiro suado de suas famílias. E, “data vênia”, dinheiro não falta. Haja dinheiro fácil e abundante escoado da economia popular de anos, bom para fazer a festa das aparências que tomam conta do clima de carnaval das quadrilhas que protegem o esquema. Cumpre, no entanto, não obliterar de que, se as vítimas são ingênuas, nem todos cultivam o retardo mental a que certos segmentos se propõem para a manutenção do engodo, de incalculável repercussão futura.  Primeiro no bolso dos enganados e depois nas lides forenses de um judiciário cada vez mais atento as manobras dos que, segundo Mahatma Gandhi, enriquecem sem trabalho e fazem negócios sem ética.

          De acintosa indigência moral essa “cambada de vagabundos” convence não só vítimas de poucas luzes, mas gente de atilada inteligência. Afinal, “amigo é amigo” e a ilusão de que o trato dos negócios tem mesmo lastro na idoneidade da propaganda, vale o sorriso, o carisma, a música, o churrasco, o aperto de mão, a tapinha nas costas. E assim se entrega as economias e a própria vida, para que o dinheiro e as finanças se multipliquem milagrosamente nas mãos desta gente, sem lastro no trabalho e na seriedade. E é claro, sempre a favor do golpista estelionatário e de sua trupe, jamais em benefício dos que confiaram nele. Mas, milagre da multiplicação, pra valer, somente Jesus Cristo fez.


        Pensamento da semana: O novo Código Civil elegeu a boa fé objetiva como fundamento de todo e qualquer negócio jurídico. Sem ela, impõe-se a ineficácia, invalidade e nulidade das falcatruas. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

CASAS DE SEMILIBERDADE E O MAU USO DA PROPRIEDADE


 
Cesar Techio
Economista – Advogado

         Problemas de perturbação ao sossego causado por vizinhos barulhentos, ameaçadores e de comportamento social reprovável e perigoso não é difícil de resolver, conquanto se busquem os canais corretos para a solução do problema. No caso da Casa de Semiliberdade de Concórdia é imperioso buscar a responsabilidade pelo mau uso da propriedade na pessoa do proprietário, do locatário legal e do ocupante responsável pelo imóvel. A utilização institucional pelo Estado de Santa Catarina de imóveis para estes fins conduz a ilação de que s mesmos devem ser utilizados para o fim específico de desenvolver a atividade de aplicação de medidas socioeducativas prevista no art. 120 ECA.

       Todavia, desbordando da atividade proposta, em colapso ao sagrado direito de vizinhança incluindo cristalinas e comprovadas alegações de risco a integridade física de vizinhos por ameaças de morte, perturbação através de barulho que ultrapassa a máxima tolerância, invasões de propriedades vizinhas durante a noite e atitudes ameaçadoras, resulta daí o mau uso da propriedade. De forma que os prejudicados ou ainda o Ministério Público em nome da coletividade em ação cível pública, podem demandar ação judicial  civel de preceito cominatório de obrigação de não fazer contra o proprietário do imóvel e os responsáveis pelas atividades perniciosas desenvolvidas. A situação sugere a concessão de tutela inibitória sob pena de multa cominatória diária de valor expressivo. Caçar o Alvará de funcionamento sempre é algo que também não se pode descartar, no mesmo diapasão da interdição já concedida pelo Judiciário e que também se afigura como um caminho de natureza judicial apropriado.

       E que não se discuta aqui os objetivos e o espírito que envolve a existência de casas de semiliberdade, de inclusão social de menores infratores, porque os efeitos colaterais são de regra como os que vimos aqui: de exclusão violenta de todo o resto da sociedade circunvizinha.  E, para arrematar, não sejamos ingênuos. A inserção social e familiar de menores infratores (inclusive provenientes de outros centros urbanos problemáticos) não tem a mínima chance de sucesso em estruturas que se constituem em verdadeiros hotéis de luxo nos quais a liberdade pessoal descompromissada com um sistema pedagógico e disciplinar rigoroso fazem a festa de meliantes e o inferno da vizinhança.

       Enfim, ação judicial de dano infecto, aqui sugerida, com as  matizes acima mencionadas, me parece ser apta para resolver via juízo cível, problemas desta natureza, a par de pedido de indenização por danos morais. Diante destes fatos, entre os quais a de um vizinho que se ajoelha diante da Polícia Militar implorando proteção (You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=UnfVZYEXz6s), me parece evidente a concessão de medida liminar de urgência para fazer cessar definitivamente a atividade proposta pelo ECA. Que é boa só na teoria.

Pensamento da semana:  “Menores, infratores e uma visão de primeiro mundo e “Sistema Impact” dos EUA. Veja no meu blog: http://cesartechio.blogspot.com.br