sábado, 12 de setembro de 2026

DR. GERALDO MARIANO GUNTHER: LUZ DE SABEDORIA E CORAGEM EM DEFESA DA JUSTIÇA E DA CIDADANIA.

Passado tantos anos, convidado que fui pelo DR BERNARDO AUGUSTO GUNTHER, a rememorar seu pai, sob a minha modesta ótica histórica, de imediato vislumbrei uma percepção profunda de fatos e momentos que observei desde criança e após como advogado, a respeito do sacerdócio na advocacia, na política e na vida cidadã de seu pai, o DR. GERALDO MARIANO GUNTHER, um homem que definiu uma trajetória de entrega total à justiça, ao bem comum e à ética, um ser humano excepcional que viveu, como advogado, político e cidadão, uma missão sagrada de servir ao próximo e proteger a dignidade humana.

Em que pese a imerecida e sagrada missão de que fui incumbido, traço algumas singelas anotações sobre a vida de uma pessoa humana esplendorosa e imensamente maior do que expresso nestas linhas.

É bem verdade, que o ADVOGADO DR. GERALDO MARIANO GUNTHER traçou um padrão de altíssimo nível intelectual e cívico como advogado e como político, uma vez que se conduziu na linha dos ensinamentos jurídicos de RUI BARBOSA, renomado jurista, político, escritor, diplomata e orador brasileiro, um dos maiores expoentes da intelectualidade mundial, conhecido como o "Águia de Haia", cujo papel central na transição do Império para a República e na elaboração da Constituição de 1891, é notório.

O ADVOGADO DR. GERALDO MARIANO GUNTHER, em época de poucas luzes no interior do Oeste Catarinense, trouxe ao povo da região em suas falas, discursos, petições jurídicas e atuação, princípios de orientação ética e moral.

Reiterava ensinamentos doutrinários de RUI BARBOSA, encontrados em vasta bibliografia, discursos e documentos, sendo suas fontes preferidas as “Modernas concepções do Direito Internacional” e “Oração aos moços”, sem descurar do pronunciamento mais famoso e citado no Senado, realizado em 1914, entre outros.

Não raras vezes parodiava RUI em seus discursos políticos e em todos os momentos em que lhe franqueavam a palavra em eventos sociais e cívicos, assim como em falas a seus pares em reuniões da advocacia, brandava:  "A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta" (retirada da célebre obra de Rui, Oração aos Moços).

Sua trajetória profissional iniciou na Prefeitura de Curitiba como Secretário, passando depois a Contabilista do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários de Curitiba; Professor de Técnica Comercial na Faculdade de Comércio do Paraná; e Gerente da Agência do Instituto dos Comerciários de Laranjeiras do Sul/PR. Na administração municipal em Concórdia foi Agente de Estatística; Secretário e Presidente do Conselho de Desenvolvimento.

Fixando sua base profissional em Concórdia, fundou o jornal “O Democrata”, tendo sido ilustre membro da Liga de Defesa Nacional.

Também foi fundador e Presidente do Rotary Club e fundador da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, tendo presidido a entidade entre 1979 e 1981.

Ainda em Concórdia, conforme consta de sua biografia publicada pela ALESC, foi filiado ao Partido Social Democrático (PSD), foi nomeado Prefeito (1947), pelo Interventor Federal Aderbal Ramos, e eleito Vereador à Câmara Municipal por dois mandatos (1967-1970 e 1970-1973).

Pela União Democrática Nacional (UDN), concorreu à vaga de Deputado Estadual para a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) nas seguintes legislaturas: 2ª Legislatura (1951-1955), com 1.896 votos, ficou Suplente e não foi convocado; 3ª Legislatura (1955-1959), eleito com 3.880 votos, exerceu mandato; e 4ª Legislatura (1959-1963), obteve 3.675 votos e, na condição de Suplente, foi convocado.

Para a 5ª Legislatura (1963-1967), disputou vaga de Deputado à Assembleia Legislativa Estadual, recebeu 7.103 votos, ficou na suplência e não foi convocado.

Em 1983, passou a exercer o cargo de Procurador-Geral do Ministério Público de Contas de Santa Catarina.

Mas, foi como advogado, com sua inteligência ímpar, que abrilhantou nosso município de Concórdia e o Estado de Santa Catarina.

E como advogado adotou com destemor a fala de RUI BARBOSA em seus discursos, como em uma ocasião, numa grande reunião política no Salão Nobre do Clube 29 de Julho, ao invocar RUI: “Senhores e senhoras, 'Se me abraso, bem vedes, é pela verdade. Se paixão há, nas minhas palavras, é a paixão da imparcialidade, a paixão da justiça, a paixão da evidência. É a realidade”

E lapidarmente: "A irresponsabilidade dos criminosos e a perseguição dos inocentes são as duas faces da injustiça nos maus governos."

Adotando profunda visão ética, em certa ocasião discursou na Rádio Rural de Concórdia sobre o IMPÉRIO DA LEI, afirmando: “Eis a lição de RUI BARBOSA, SENHORES: 'Os piores de todos os crimes, os que mais atacam a moral pública, e depõem contra a civilização de um povo, são as violências contra a lei por aqueles a quem ela incumbiu da sua guarda.'”

A trajetória de GERALDO MARIANO GUNTHER foi a trajetória da justiça, da ética e da verdade.

GERALDO MARIANO GUNTHER tinha sua própria fala, seu próprio estilo, mas os ensinamentos de RUI BARBOSA se colocavam como pedra angular de sua vida pública.

E é por isso que faço questão de rememorar seu notável saber, que se fazia ouvir até nas falas mais triviais e informais, quando era encontrado por qualquer pessoa da comunidade.

Certa feita, em 1978, acompanhando meu pai em Curitiba, fomos visitá-lo no 13º andar do Edifício Rui Barbosa, em frente à Praça Santos Andrade, perto do Teatro Guaíra, apartamento onde seus filhos residiram quando na vida acadêmica das faculdades de direito e medicina.

Amigos de longa data, meu pai ouvia com entusiasmo a fala do Dr. GERALDO e, como bom ouvinte, este também escutava atento ao que meu pai falava, dando-lhe razão e às vezes contribuindo para maiores luzes sobre o contexto do diálogo. Jamais esqueci aquele lindo encontro.

E também jamais esqueci, de certa feita, de um discurso político fervoroso do DR. GERALDO, quando ele brandou: “Meus amigos, cidadãos desta nossa querida Concórdia, já dizia Rui Barbosa:  ‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.’

A verdade, é que o povo honesto de Concórdia e do Estado de Santa Catarina (desde os mais humildes agricultores e operários das indústrias até os intelectuais), o entendia, apoiava e amava.

Mas, era bem verdade que, sendo advogado civilista, criminalista e político corajoso, tinha seus ferozes opositores, que o temiam e se sentiam ofuscados por aquela intensa luz de sabedoria que emanava de sua sólida formação acadêmica e moral,  a iluminar o interior provinciano da nossa região oestina, em uma época de difícil acesso à informação e ao meio acadêmico das universidades, situadas nas grandes capitais do país.

E do quanto eu mesmo observei,  o DR. GERALDO tinha pleno domínio de absolutamente tudo o que ocorria à luz do sol e debaixo dos tapetes empoeirados da corrupção, maldita corrupção enraizada neste país, até os dias de hoje, e estamos em 2026, enquanto talho esta simples escrita.

 E, bem por isso,  era fidalgo inimigo dos que, ocupando cargos públicos, perseguiam opositores e faziam da política instrumento particular de poder, seja no comando de partidos políticos ou no comando de grandes empresas, que se arvoravam a ditar normas aqui nesta região, no vetusto estilo dos coronéis e seus currais eleitorais.

Era publico e notório, o quanto o político e advogado GERALDO MARIANO GUNTHER se opunha ao voto de cabresto -  e buscava, com determinação, mostrar ao nosso povo ser inaceitável essa democracia de fachada.

Em anotações de sua fala, em um dos discursos, totalmente indignado com o que ocorria na política brasileira, vociferou: “BUSCO EM RUI BARBOSA O QUADRO QUE SE INSTALA NESTE PAÍS: 'O latrocínio das instituições pelos caudilhos, o latrocínio dos cargos pelos válidos, o latrocínio dos orçamentos pela administração e seus parasitas, o latrocínio de todos os direitos pelas sentenças iníquas e pelos despachos interessados, o latrocínio do futuro nacional pelo desperdício nos gastos, pela imprevidência dos compromissos, pela indecência das concessões e dos contratos.'”

Absolutamente encantado com sua atuação pública, e convidado a fazer o discurso do DIA DO ADVOGADO, no ano de 1992, após meu retorno a Concórdia e me formar em Economia pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e em Direito pela UNISINOS (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) em São Leopoldo - RS, fi-lo em sua homenagem.

Após trazer a lume várias passagens de seu paradigmático exercício profissional na advocacia e na politica, disse o quanto  o admiráva e que ele representava o arquétipo no qual  eu buscava me espelhar desde criança.

Finalizei meu discurso, naquele longiguo dia do advogado, textualmente:

“Meus colegas advogados, estimado DR. GERALDO MARIANO GUNTHER, nosso admirável Decano.  Ouso fazer duas recomendações, neste dia do advogado, aos que professam a advocacia: A primeira, a que ouvi do próprio Dr. GERALDO MARIANO GUNTHER, parodiando RUI BARBOSA:

"O advogado pouco vale nos tempos calmos; o seu grande papel é quando precisa arrostar o poder dos déspotas".

E, meus colegas,  o exemplo veio dele mesmo, exemplo pregado durante toda a sua vida.  De modo ser imperioso enaltecer seu exemplo, estimado Dr. GERALDO.  E segui-lo!"

E a segunda recomendação, a de que façamos como DR. GERALDO MARIANO GUNTHER na advocacia e na vida pública:  "Si hay que tocar las castañuelas, hay que tocarlas bien".

Dr. Geraldo ouviu minhas palavras, e em lágrimas, me abraçou.

Como novel advogado, senti-me o mais feliz do mundo.

Hoje, passado tantos anos, ainda sinto o calor daquele abraço.

 

  

  



   DR GERALDO MARIANO GUNTHER O FUNDADOR DO MUNICIPIO DE ITAPOA - SC 
FOTO HISTÓRICA DO DESBRAVADOR
UM HOMEM DE VISÃO
UMA CIDADE DO FUTURO
HOJE ITAPOA APRESENTA-SE COMO UMA DAS MELHORES CIDADES A BEIRA MAR DO ESTADO DE SANTA CATARINA 
 
SEUS DESCENDENTES, INAGURARAM A CLINICA MÉDICA E ODONTOLOGICA GUNTHER A QUAL  INTEGRA AQUELA LINDA CIDADE 
 
Drs Bernardo Augusto Gunther, Carlos Bernardo Piazzatto Gunther e Rafael Pizzatto Vivan Gunther