segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

RICARDO BOECHAT O MELHOR JORNALISTA DO BRASIL.

RICARDO BOECHAT, jornalista, morre aos 66 anos em queda de helicóptero em SP o melhor jornalista do Brasil.

DEUS O TENHA. OBRIGADO PELOS SEUS COMENTÁRIOS TODAS AS MANHÃS NA BANDNEWS.




Tomare que estejamos errados.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ISRAEL E BRASIL: CONTAGEM REGRESSIVA PARA UM NOVO TEMPO

Cesar Techio
Economista – Advogado
No início da década de 80, comprei numa livraria da Rua das Flores, em Curitiba, um raro livro, intitulado "CONTAGEM REGRESSIVA PARA O JUÍZO FINAL", de autoria de Hall Lin Dsey, editado e traduzido pela editora Mundo Cristão. O mesmo aborda a problemática árabe/judeu. Segundo o autor, Israel não tem mais o complexo de Massada, uma fortaleza, distante há alguns quilômetros do mar morto, da qual se tem uma belíssima vista de todo o oriente médio e na qual se passou um dos maiores dramas da história da humanidade.

Foi nesse local que, entre 66 e 73 da era Cristã, quase mil judeus entre crianças e mulheres, cometeram suicídio voluntário, antes de a fortaleza cair sob o jugo romano. O fato deu origem a um termo que traduz a persistência dos judeus em defenderem sua terra: o complexo de Massada. Segundo o Autor, Israel agora tem o complexo de Sansão. Caso for atacada e não houver saída, usará a bomba atômica para destruir os inimigos, mesmo que tenha que sucumbir junto com eles.

Tal tema me veio à mente, novamente, nesta virada de ano 2018/2019, com a visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu para a posse do Presidente Jair Bolsonaro.

O povo judeu, tanto perseguido e vítima de preconceitos em todo o mundo é, na realidade, digno de admiração pela sua história de bravura, heroísmo, inteligência, amor pela família, pela terra e vontade de trabalhar.

Este povo fantástico ingressou no meio do deserto e fez dele um oásis produtivo, mesmo diante de conflitos e guerras.

Deitando um olhar para nossa terra, tão pródiga, pacífica, fértil, com um clima maravilhoso e um povo tão afável e amoroso, em meio a incredulidade e indignação fico desconcertado com o perfil de conduta, formação e ideais dos nossos políticos. Qual deles defenderia o país até às últimas consequências? Quem colocaria os interesses coletivos e  interesse público acima da própria vida? Enfim, quem está, de fato, preparado para assumir funções de relevante interesse público, sem pensar no próprio bolso?

Nossas políticas públicas, leis e decisões legislativas produzem mais e mais impostos e se imiscuem na vida privada, controlando tudo (não só a economia, mas o fruto de nosso trabalho, nossos gastos, inclusive nossos pensamentos).

Sob o título “AMÉRICA LIVRE”, já escrevia em  5 de maio de 2009, no meu blog (https://cesartechio.blogspot.com/), forte protesto contra a visita de Ahmadinejad ao Brasil, um líder tão confuso quanto perigoso, que defendia a destruição de Israel abertamente, desenvolvia armas nucleares debaixo no nariz do mundo civilizado, negava o Holocausto, defendia a perseguição de minorias e a repressão das mulheres e dos homossexuais.

Protesto ao terror, como o patrocinado pelo Irã na Argentina contra a embaixada de Israel e contra o Centro Judaico Amia em 1994; protesto para dizer que a índole democrática do Brasil não podia legitimar representantes de países que apoiam o terrorismo, muito menos líderes tão funestos para a civilização e para a paz mundial.

Constatava, naquela data, que a diplomacia brasileira  ia de mal a pior, ao acenar para relações com países como o Irã e a Venezuela de Hugo Chaves, este que no dia 1º de maio (dia do trabalhador) visitava oficialmente aquele país, proclamando a reunião com Ahmadinejad (acreditem) como a reunião do "G2", em oposição ao G20.

Na visita ao Irã, Chaves afirmava que o FMI tinha que ser eliminado, classificando o Fundo e o Banco Mundial (Bird) como "ferramentas do imperialismo". Aliás, o “chavismo” venezuelano pregava para quem quisesse ouvir, o anti-semetismo, na linha do “Nosotros, los chavistas, despreciamos a los judíos y no reconocemos al Estado de Israel así como tampoco ninguna organización judía nacional e internacional”.

Lendo, pela rede, os principais jornais do planeta anunciarem a indignação mundial pela visita do presidente iraniano, custava acreditar que o Brasil ignorasse a história de Israel e admitisse em território brasileiro líderes antidemocráticos e ditadores que amedrontavam e preocupavam a América livre e os países civilizados.

E me perguntava estarrecido: Será que no desenho geopolítico e econômico internacional, não encontram as autoridades brasileiras, algum país civilizado e democrático para abrir novas relações comerciais, sociais, científicas, culturais ou o “raio que o parta”? Era só o que faltava, o governo brasileiro “passar a mão na cabeça” destes ditadores insanos, abrindo-lhes as portas para relações sabe-se lá de que natureza. A dúvida é oportuna, vez que são pródigos estes líderes negativos, em controvérsias, afrontas e ameaças aos países de regime aberto e representativo.

Nove anos depois, para minha imensa surpresa, BENJAMIN NETANYAHU, em visita ao Brasil para a posse do novo presidente Jair Bolsonaro, repetiu o que eu havia dito, que “É DIFÍCIL ACREDITAR QUE NUNCA TIVEMOS ESSE TIPO DE CONTATO NO PASSADO.”

Com certeza, é muito bom que o Brasil não ignore mais a história de Israel e aprenda a se afastar para sempre de líderes antidemocráticos e ditadores que amedrontam e preocupam a América livre e os países civilizados.

E que assim seja, nas palavras de BENJAMIM "BIBI:

“Queremos ser parceiros do Brasil nessa empreitada. A nossa cooperação pode trazer benefícios tremendos para os nossos povos: na economia, no emprego, na segurança, agricultura, água, indústria, em qualquer domínio humano.”

domingo, 30 de dezembro de 2018

SAUDOSA ADMINISTRAÇÃO JOÃO GIRARDI


FELIZ 2019 AOS SAUDOSOS E HISTÓRICOS  GESTORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE CONCÓRDIA, COM O PREFEITO JOÃO GIRARDI, NEURI SANTHIER, MAURI MARAN, BEATRIZ CORDEIRO DA ROSA e demais membros da equipe. Saúde, paz, amor em 2019.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ROQUE LAUSCHNER: "PRA QUE A PRESSA? TOME MAIS UM MATE"

 

Aqui no sul é costume tomar chimarrão logo cedinho.


Acostumei-me ao hábito da cuia, pelos gabinetes de trabalho do antigo Centro de Documentação e Pesquisa da Unisinos.


A cuia passava de mão em mão, nas reuniões de trabalho com o nosso Diretor Roque e com os mestres e doutores do CEDOPE, cujos nomes me vem à memória com saudade e reverência:

 

Pe. Roque Lauschner,

Pe. Jose Ivo Follmann,

Jose Renato Soethe,

Pe. Pedro Calderan Beltrão,

Alcido Anildo Arnold,

Marco Antonio Fetter,

Geraldo Alzemiro Schweinberger,

Vera Regina Schmitz, Olga Herdia,

Pe. Padre Rafael Carbonell de Masy

Vania Elizabet Rizzo,

Vergílio Frederico Perius,

Pe. José Odelso Schneider,

José Soraco Troncoso,

 

Estranhei, quando pela primeira vez, me ofereceram aquela imensa cuia gaúcha de porongo. 

 

Depois da dificuldade da primeira tomada (que parecia não ter fim), concentrado no que se discutia naquela imensa mesa da sala de reuniões, o amargo do chimarrão, de mansinho foi se tornando doce.

 

O Cedope da Unisinos não existe mais e Pe. Roque Lauschner SJ, há muitos anos foi participar das rodas de chimarrão celestiais com seus companheiros,  Pe. Herbert Ewaldo Wetzel (ex-Reitor da Unisinos) e Pe. Pedro Calderan Beltrão (fundador do Cedope).

 

Às vezes me surpreendo com o olhar perdido na cuia de chimarrão matutino, recordando daquelas reuniões de trabalho na antiga sede da Unisinos.

 

Em muitas reuniões, propostas, reflexões e projetos sobre várias formas de cooperativismo, e a ênfase sobre a agroindústria cooperativa, como principal agente de fortalecimento das microrregiões do país e principal viabilizadora de fixação do homem no campo, a que mais viabilizaria a geração de renda e emprego.

 

Sobre a agricultura familiar a preocupação latente pairava em torno de várias perguntas, como por exemplo, as publicadas numa resenha de 1994, da lavra de Roque Lauschner:

 

“Há duas formas de as explorações familiares se inviabilizarem: 1) manter baixos níveis de produtividade (do fator trabalho e capital e dos insumos) a nível de exploração; 2) não integrar-se em complexos rurais (ou cadeias produtivas) eficientes. A pergunta que poderia ser feita é a seguinte: Em que medida o cooperativismo poderia ser uma das formas de organização que viabiliza a agricultura familiar? Até que ponto o cooperativismo pode modernizar a administração das explorações rurais e tornar eficiente o complexo rural de cada produto, maximizando os resultados para a agricultura familiar? Se no ano 2028 os que armazenam, processam e distribuem alcançam 81,6% do valor do complexo rural mundial, pode o cooperativismo beneficiar os produtores familiares?”

 

Na realidade a história era mais antiga.

 

Quando “Agribussines” e “agroindústria” , eram palavras pouco conhecidas no mundo e, especialmente no terceiro mundo, no início da década de 70, o economista ROQUE LAUSCHNER já desenvolvia sua tese “ AGRO-INDUSTRIA Y DESARROLLO ECONOMICO “ com a qual obteve o título de Mestre em ciências Economicas pela UNIVERSIDADE DO CHILE (ESCOLATINA) e após alguns anos o título de Doutor pela PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE GREGORIANA, em Roma, o que lhe popularizou entre os cooperativistas e na FAO, da qual era técnico, com o apelido carinhoso de “Papa da Agroindústria“.

 

Os princípios gerais que nortearam e deram consistência a sua pioneira tese, incluindo aí novos conceitos e indicativos para o desenvolvimento dos povos, através da agroindústria, cooperativismo e formas associativistas, como terceira via ideológica, projeto viável e consistente no resgate da dignidade do ser humano, é ofertada, em síntese, em suas reflexões intituladas “O HOMEM E O MODÊLO SÓCIO-ECONÔMICO” , publicado pelos Estudos Leopoldenses da Universidade Vale do Rio dos Sinos — UNISINOS.

 

Naquele magnífico ensaio, Roque Lauschner resumia os tópicos que alicerçaram grande parte da sua linha de pesquisa e de suas ações em favor do desenvolvimento, especialmente de pessoas e grupos periféricos à realidade sócio-econômica e ainda sobre a posição do homem e dasinstituições neste contexto.

 

Rui Polidoro Pinto, falando sobre Roque Lauschner, textualmente escreveu:

 

“O padre jesuíta Roque Lauschner foi um dos maiores pensadores do agronegócio latino-americano. Em 1974, no Chile, ele escreveu “Agroindústria e desenvolvimento econômico”, onde expõe que os conceitos de setor primário, secundário e terciário são ultrapassados e que se deve ter uma visão do conjunto destes três elementos, de forma orgânica e integrados na agroindústria.

 

Mas, conforme recupera o professor Luís Humberto de Mello Villwock, da Unisinos, Lauschner não foi somente um homem de ideias. Seu pensamento e ação para o desenvolvimento do agronegócio no Rio Grande do Sul resultaram em ações concretas. No apogeu do Sistema Fecotrigo, juntamente com a Fidene/Unijuí, ele foi um dos articuladores para a criação da Centralsul, visando a industrialização de todo o agronegócio, passando pelos insumos, indo à transformação da soja, incluindo o domínio de canais de escoamento e distribuição. Na mesma época, também inspirou as cooperativas gaúchas, na fundação, em 1976, da CCGL - Cooperativa Central Gaúcha de Leite Ltda., que aproximadamente durante 20 anos tornou-se responsável por mais de 70% do leite coletado no estado. Neste período, o cooperativismo agropecuário foi responsável por 90% do capital social, 88% do patrimônio líquido e mais de 95% das receitas do sistema cooperativista como um todo.

 

A visão de Lauschner também foi responsável pela fundação, em 1993, da Associação Brasileira de Agribusiness – ABAG, da qual participaram os notáveis Roberto Rodrigues, Nei Bitencourt de Araújo e Odacir Klein. Tive o privilégio de participar deste grupo como primeiro vice-presidente da Abag.

 

Em entrevista ao jornal O Interior, em outubro de 1977, Lauschner justificava suas ideias citando o que ocorria pelo mundo. “Se queremos enfrentar as empresas multinacionais instaladas nos países em desenvolvimento, não é com pequenas empresas que vamos poder realmente realizar uma concorrência e um verdadeiro serviço aos produtores associados das cooperativas”, afirmava. A essência do cooperativismo é a capacidade de aglutinação. É isto que o faz um sistema poderoso, multiplicador dos esforços individuais. Esta é a hora de exercitarmos este poder, de superarmos todos os obstáculos em favor da intercooperação.

 

Temos duas opções: ou nos tornamos fornecedores de matérias-primas ou assumimos as rédeas e tocamos a agroindústria cooperativa”

 

Em outro ensaio, escrito ao tempo em que foi Diretor do Colégio Pio Brasiliano, em Roma, demonstrando profunda espiritualidade e compreensão de Deus, como numa aula de lógica, das que ministrava na UNISINOS, na linha de seu famoso livro “Lógica Formal Técnica de Desenvolvimento do Raciocínio”, afirmou:

 

 

“Aquele que chega totalmente a si mesmo e se realiza autonomamente naquilo que ele próprio é e deve ser, partindo da afirmação do valor pessoal e limitado e imperfeito do outro realiza-se pela afirmação, em cada valor finito, do valor pessoal infinito e absoluto, chamado Deus, ou seja, alcança na entrega total ao outro, Deus como horizonte.

 

 

 

E, todo aquele que alcança na entrega total ao outro, Deus como horizonte: “1º) Afirma Jesus Cristo que é a auto comunicação pessoal, existencial e histórica plena de Deus aos homens e a condição de possibilidade do amor humano existencial e histórico pleno para com Deus e, 2º) Afirma a participação num novo povo, chamado igreja, unidade radical da dimensão íntima e social da auto comunicação de Deus e da resposta concreta dos homens a Deus.”

 

 

Daí o compromisso moral e inalienável de ser “unidade radical da dimensão íntima e social da auto comunicação de Deus em cuja sede se verifica a resposta concreta dos homens a Ele.”

 

 

Na minha despedida do CEDOPE, em maio de 1992, enquanto tomávamos as últimas cuias de chimarrão, conversamos animadamente. Aproximando-se o momento de partir, quando já alcançava a porta de saída, Roque Lauschner me disse: “Pra que a pressa? Tome mais um mate”.

 

 

NOTA: Os jesuítas foram promotores do cooperativismo desde 1902, com a criação da primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina, pelo Padre Teodoro Amstad, em Linha Imperial, Nova Petrópolis, cuja atividade pioneira foi secundada pelos Padres Max Von Lassperg, João Batista Sehnen e pelo saudoso Padre Roque Lauschner.

 

 Roque Lauschner (*1937 +1997)

 

“A SAUDADE ETERNIZA A PRESENÇA DE QUEM SE FOI. COM O TEMPO ESTA DOR SE AQUIETA, SE TRANSFORMA EM SILÊNCIO QUE ESPERA, PELOS BRAÇOS DA VIDA UM DIA REENCONTRAR.” 


 Cesar Techio

 Economista – Advogado

 cesartechio@gmail.com